[RP FECHADA] PROLOGUE

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[RP FECHADA] PROLOGUE

Mensagem por Howland Hornwood em Dom Nov 19, 2017 7:46 pm

PROLOGUE
A presente RP se passa em Hornwood. Precisamente, nas colinas e bosques localizadas ao redor do castelo. Conta com a participação de @Howland Hornwood, atual lorde Hornwood, e sua pequena comitiva, composta por alguns de seus vassalos e cavalariços.

Howland Hornwood
RIGHTEOUS IN RAGE


Última edição por Howland Hornwood em Dom Nov 19, 2017 9:17 pm, editado 2 vez(es)

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Re: [RP FECHADA] PROLOGUE

Mensagem por Howland Hornwood em Dom Nov 19, 2017 7:51 pm








Howland Hornwood
PROLOGUE






A manhã chegara límpida e fria, com uma aspereza que sugeria o fim do verão.

Partiram ao nascer do dia para assistir à decapitação de um homem, vinte ao todo, e Lorde Howland Hornwood cavalgava com os outros, ríspido e sério. Fora a primeira vez, desde a sua ascensão como senhor e protetor de Hornwood, que se considerara suficientemente capacitado para ver e fazer conforme a justiça do Rei.

Era o nono ano de verão, e o vigésimo da vida de Howland.

O homem tinha sido capturado no exterior de um pequeno povoado nos montes. Cregan Lightfoot, um dos juramentados de Howland, pensava que se tratava de um selvagem, com a espada a serviço do Rei-para-lá-da Muralha.

Howland lembrava-se das histórias que a Velha Ama lhe contava à lareira. Os selvagens eram homens cruéis, dizia, escravagistas, assassinos e ladrões. Faziam amizade com gigantes e vampiros, raptavam meninas na calada da noite e bebiam sangue em cornos polidos. E suas mulheres deitavam-se com os Outros durante a Longa Noite e geravam terríveis crianças meio humanas.

Mas o homem que encontrou amarrado pelos pés e mãos ao muro do povoado, à espera da justiça real, era velho e descarnado, não muito mais alto do que Cregan. Perdera ambas as orelhas e um dedo, queimados pelo frio, e vestia-se todo de negro como um irmão da Patrulha da Noite, não estivessem as peles esfarrapadas e besuntadas de gordura.

As respirações de homens e cavalos misturavam-se em nuvens de vapor no ar frio da manhã quando Howland ordenou que cortassem as cordas que prendiam o homem ao muro e o arrastassem até junto do grupo. Errold Holt e seu filho, Artos Holt, hóspedes e convidados momentâneos em Hornwood, sentavam-se, altos e imóveis sobre os cavalos, com Howland entre eles, em seu puro sangue escuro, tentando parecer ter mais do que os seus vinte anos. Um vento tênue soprava através do portão do povoado. Sobre suas cabeças agitava-se o estandarte dos Hornwood de Castelo Hornwood: um alce castanho escuro por sob um campo laranja cintilante.

Questões foram colocadas e respostas foram dadas ali, no frio da manhã, mas, mais tarde, certamente não se recordaria muito do que fora dito. Por fim, novamente, Howland deu uma ordem, e dois de seus guardas arrastaram o homem esfarrapado até o toco de pau-ferro no centro da praça. Empurraram-lhe a cabeça à força contra a madeira dura e negra. Lorde Howland Hornwood desmontou, e seu protegido, Benedict Snow, apresentou-lhe a espada. Chamavam Chifre àquela espada. Era larga como a mão de um homem e mais alta do que ele próprio. A lâmina era de aço límpido, forjado com feitiços. Nada mantinha o fio como aquele aço.

Descalçou as luvas e as entregou a Johnny Cassel, o capitão da guarda de sua casa. Pegou Chifre com ambas as mãos e disse:

━ Em nome de Daemon Blackfyre da Casa Blackfyre, o Primeiro do seu Nome, rei dos Ândalos e dos Roinares e dos Primeiros Homens, Senhor dos Sete Reinos e Protetor do Domínio, pela voz de Bryan Stark da Casa Stark, Senhor de Winterfell e Guardião do Norte, eu, Lorde Howland Hornwood, condeno-o à morte. ━ E ergueu a espada bem alto sobre a cabeça.

Howland cortou a cabeça do homem com um único golpe, dado com segurança. O sangue borrifou a neve, tão vermelho como vinho de verão. Um dos cavalos empinou-se e teve de ser segurado para que não fugisse. Artos Holt não conseguia tirar os olhos do sangue.

A neve que rodeava o poste bebia-o com sofreguidão, ficando cada vez mais vermelha enquanto ele observava. A cabeça bateu numa raiz grossa e rolou. Parou perto dos pés de Cregan. Lightfoot era um jovem esguio e escuro de dezoito anos que achava tudo divertido. Soltou uma gargalhada, pôs a bota sobre a cabeça e deu-lhe um pontapé.

━ Cretino. ━ Resmungou Johnny Cassel, suficientemente baixo para que Lightfoot não ouvisse. Pôs uma mão no ombro de Artos Holt, era a primeira vez que assistira uma decapitação.

━ Esteve bem. ━ Disse-lhe  Johnny solenemente.

Artos Holt tinha catorze anos. Era virgem, inexperiente e fresco, como o sul.

[...]

O tempo parecia mais frio durante a longa viagem de regresso a Hornwood, embora o vento tivesse enfraquecido e o sol estivesse mais alto no céu. Howland e Errold cavalgavam bem adiantados, em relação ao resto dos cavaleiros.

━ O desertor morreu com bravura. ━ Disse Errold Holt. Era grande e largo, com a pele clara, os cabelos vermelho-acastanhados e os olhos azuis. ━ Tinha coragem, pelo menos.

━ Não. ━ Disse Howland calmamente. ━ Não era coragem. O homem estava morto de medo. Podia-se ver em seus olhos, Holt. ━ Os de Howland eram de verde tão escuro que pareciam quase negros, mas pouco havia que não vissem.

Holt não estava impressionado.

━ Que os Outros levem seus olhos. ━ Praguejou. ━ Ele morreu bem. Foi a primeira vez que fizeste tal cerimônia?

━ Formalmente? Sim. ━ Respondeu secamente Howland.

━ Ah, sim, claro. ━ Refletiu formidavelmente. ━ A Batalha do Ramo Partido… Para muitos dos Lordes menores do norte, a batalha mais incessante e importante dos últimos cinquenta anos. Não fora, este, o maior dos feitos da Casa Hornwood, milorde?

━ Talvez. É isto o que dizem e fazem ante minhas costas? Glorificam-me?

Holt pôs-se a rir.

━ Ah, sim, claro. O jovem Lorde e estrategista… O destacável líder que contrapôs a investida dos Goodbrother. Admirável!

━ Afinal, qual o motivo de tanta bajulação? Posso entender muitas coisas: um pedido realmente formidável de abrigo e acolhimento; a compra de uma de minhas pequenas faixas de terra, localizada cá a menos de um dia de distância; seu interesse de casar, em um futuro próximo, seu primogênito,  Artos Holt, com minha sobrinha…  ━ Holt encolheu-se. ━ Mas sua bajulação e espontâneo favorecimento deixa-me intrigado. Seja homem, “milorde”. Vá direto ao assunto. Faça isso de uma vez! ━ Contestou Howland, até com certo emputecimento.

━ Perdoi-me, milorde. ━ Tornou-se Holt, a falar. ━ Desejo pedir, humildemente, que me permita ser seu vassalo, tal qual todos os membros de minha família e os poucos homens que me servem.

━ Quantos? Seja mais específico.

━ Quarenta soldados. Entre quinze arqueiros, quinze lanceiros e dez milícias.

━ Não é um número ruim. Os Ryswell, dos Regatos, possuem um número pouco maior que este. ━ Fala Howland pensante. ━ Aceito, de bom grado, seu pedido. ━ Errold Holt mostra-se excitante. ━ Porém, tenho certas condições. Afinal, cederei a você meus homens, quando necessário, além do meu apoio político e pessoal. Certamente não é algo que posso ceder “gratuitamente”.

━ O que seria, milorde? Como poderia retribuir? ━ Diz Holt ofegante.

━ As terras localizadas ao sul das Águas Chorosas são as mais férteis de toda a extensão. Agora que é meu vassalo, deverá dispor-se a cultivá-las. Você, seus homens e sua família trabalharam nelas dia após dia. O que lhe for suficiente para suas devidas subsistências, terá minha permissão para gozar e consumir. ━ Howland encara-o seriamente. ━ Em contraste, deverá estocar e armazenar as premissas restantes ao peso que, sempre que lhe ordenar, os repassará para mim. Construa sua sede, organize-se. ━ Conclui. ━ Concentre-se nisso! O casamento possível é assunto propício ao futuro. Se o herdeiro que me trás, hoje, mostrar-se digno durante os próximos anos de verão… Talvez!

Errold assentiu.

Foi então que Cregan Lightfoot reapareceu sobre o cume da colina frente ao grupo. Acenou e gritou-lhes. Howland não havia notado, de súbito, seu afastamento.

━ Lorde Hornwood, venha depressa ver o que encontrei! ━ E depois desapareceu novamente.

Johnny Cassel pôs-se ao lado Howland.

━ Problemas?

━ Sem nenhuma dúvida. ━ Disse Howland. ━ Vamos, vamos ver que velhacaria desenterrou agora meu cavalariço. ━ Pôs o cavalo a trote e o resto do grupo seguiram-os.

[...]

Encontraram Cregan na margem do rio, ao norte da ponte.

As neves do fim do verão tinham sido pesadas naquela volta da lua. Cregan estava enterrado em branco até os joelhos, com o capuz atirado para trás, e o sol brilhava em seus cabelos. Aconchegava alguma coisa no braço enquanto os rapazes conversavam em vozes excitadas, mas baixas. Os cavaleiros escolheram o caminho com cuidado através dos detritos empilhados pelo rio, tateando em busca de apoio sólido no terreno escondido e irregular.

Jory Woolfield e seu filho, Theon Woolfield foram os primeiros a chegar perto do rapaz. Theon ria e gracejava enquanto se aproximava.

Howland sentiu o fôlego sair-lhe do peito:

━ Deuses! ━ Exclamou, lutando para manter o controle do cavalo enquanto levava a mão à espada.

A espada de Jory já estava na mão.

━ Cregan, afaste-se disso! ━ Gritou, enquanto o cavalo empinava entre suas pernas.

Cregan sorriu e ergueu o olhar do volume que tinha nos braços.

━ Ela não pode lhe fazer mal. ━ Disse. ━ Está morta, Jory.

━ O que, pelos sete infernos, é isso? ━ Perguntou Errold Holt.

━ Uma loba. ━ Disse Cregan.

━ Uma aberração! ━ Disse Errold Holt. ━ Olha o tamanho da coisa.

Meio enterrada na neve manchada de sangue, uma forma enorme atolava-se na morte. Em sua desgrenhada pelagem cinzenta formara-se gelo, e um tênue cheiro de putrefação impregnava-a como perfume de mulher. Howland viu de relance os olhos cegos repletos de vermes, uma grande boca cheia de dentes amarelados. Mas foi o tamanho da coisa que o impressionou. Era um pouco menor que metade de seu cavalo, maior que o tamanho do maior cão de caça de seu canil.

━ Não é aberração nenhuma. ━ Disse Cregan. ━ Isso é uma lobo selvagem. Esses animais crescem mais do que os da outra espécie, mas são menores que os lobos gigantes.

Theon Woolfield disse:

━ Não é visto nenhum lobo selvagem ao sul da Muralha há cem anos.

━ Vejo um agora. ━ Respondeu Howland.

Howland desviou os olhos do monstro. Foi então que reparou no fardo que estava nos braços de Cregan. Aproximou-se. O filhote era uma minúscula bola de pelo cinza escuro, ainda com os olhos fechados. Batia cegamente com o focinho contra o peito de Cregan, procurando leite nos couros que o cobriam, soltando um pequeno som lamentoso e triste. Howland estendeu uma mão hesitante.

━ Vamos. ━ Disse-lhe Cregan. ━ Pode tocá-lo.

Howland fez um afago rápido no filhote e depois se virou quando Theon Woolfield disse:

━ Ora, veja aqui! ━ Pôs um segundo filhote em seus braços. ━ Há três ao todo.

Howland sentou-se na neve, por alguns minutos. Tornou, porém, a levantar-se. O pelo do animal era macio e morno.

━ Lobos selvagens à solta no reino depois de tantos anos. ━ Murmurou Hullen, o mestre dos cavalos. ━ Não me agrada.

━ É um sinal! ━ Disse Jory.

Howland franziu a sobrancelha.

━ Isto é só um animal morto, Jory. ━ Disse, apesar de parecer perturbado. A neve rangia sob seus pés enquanto passeava ao redor do corpo. ━ Sabemos o que a matou?

━ Há alguma coisa na garganta. ━ Disse Cregan, orgulhoso de ter encontrado a resposta mesmo antes de Howland o ter perguntado. ━ Ali, por baixo da mandíbula.

Howland ajoelhou-se e tateou sob a cabeça do animal. Deu um puxão e ergueu a coisa para que todos a vissem. Trinta centímetros de um chifre estilhaçado de um cervo, com as pontas partidas, todo vermelho de sangue. Um silêncio súbito caiu sobre o grupo. Os homens olharam inquietos para o corno, mas ninguém se atreveu a falar.

Howland atirou o chifre para o lado e limpou as mãos na neve.

━ "Justos na Fúria", sim? ━ Disse, e sua voz quebrou o encantamento. Todos riram.

━ Ouvi histórias… Talvez a loba já estivesse morta quando os filhotes chegaram. ━ Disse Jory.

━ Nascidos com os mortos. ━ Interveio outro homem. ━ Pior sorte.

━ Não importa. ━ Disse Hullen. ━ Não tarda e estarão mortos também.

━ Quanto mais depressa, melhor. ━ Concordou Theon e puxou a espada. ━ Dê-me o animal, Cregan.

━ Não! ━ Disse Howland. ━ Guarde a maldita espada! Tenho planos mais ousados para esta alcatéia.







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