Salão Principal

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Salão Principal

Mensagem por Azor Ahai em Dom Abr 09, 2017 1:49 pm

Um salão espaçoso, com os mesmos tons de marrom que a maior parte da cidade. Na parede atrás da mesa principal, há um grande estandarte com o brasão da Casa governante em destaque. Há um tablado alto próximo a onde fica o estandarte com uma mesa de madeira em si, onde o Príncipe de Dorne come com sua família. Na parte mais baixa, existem outras mesas onde convidados podem comer quando estão presentes na casa. É iluminado por tochas e velas e é um ambiente limpo.

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Re: Salão Principal

Mensagem por Zakintia Martell em Sab Jul 01, 2017 4:29 pm

No place like home....


   A sensação do vento contra meus cabelos era reconfortante. Eu estava em casa, muito embora o balanço do mar me fosse estranho, após tantos anos em Volantis, sem circular em outro lugar que não fosse o Templo Vermelho. O sol de Dorne era uma lembrança distante de anos perdidos, e o sofrimento, se não físico, ainda doía demais me minha mente. Mas o fogo de R’hllor me fizera nova, cauterizando as feridas ao queimá-las como um fogo sagrado. Eu era Zakintia Nymeros Martell, Princesa Roinar e o sangue de Nymeria corria em minhas veias. Eu fora a esposa de sal de um pirata das Ilhas de Ferro, foragido de sua própria terra natal por suas atividades ilegais, vendida como escrava depois de usada. Então, eu era Demetria de Lys, uma garota westerosi comprada e treinada nos Sete Suspiros, devota da Deusa do Amor.  Também era Zakintia de Asshai, Filha do Fogo e da Sombra, serva do Senhor da Luz. Finalmente livre. Queimada e renascida. A gargantilha com o rubi pareceu mais apertada que de costume, enquanto os nós de meus dedos doíam com a força excessiva com que agarrava-me ao convés do navio. Temia o que poderia encontrar. Temia o que teria ocorrido em minha ausência. Minha família não recebia bons presságios nas chamas, e precisava de mim. Os Martell nunca estiveram tão próximos da ruína, com inimigos nas sombras e a ameaça de uma guerra com o Trono de Ferro. Tudo isto era sabido, e eu escolhera ajudá-los mesmo assim. Era tempo de reparar a balança, em Dorne. Pelos meios que fossem necessários.  

   Embora tivesse a lembrança de meu sangue, minha lealdade era para com o Senhor da Chama. Foi à ele que agradeci, quando aportamos. Foi com a força dele que caminhei pela rampa de madeira, pisando no Porto de Lançassolar. Um homem vestido com as cores Martell aguardava, e sua barba por fazer ou a força de seus ombros não enganavam os mesmo sentidos, apesar de sua expressão fechada. Eu conhecia aquele guarda. Na época, ele era só um pajem magrinho, auxiliar no pátio de treinamento. Agora, segurava uma lança dornesa com uma única mão. Eu também havia mudado, muito embora minhas mudanças tivessem sido mais interiores do que exteriores.

- Naxus? Não consegue me reconhecer? - Chamei, e seu olhar buscou ao redor, até fixar-se em mim. Ele sorriu, totalmente assombrado. Não parecia acreditar no que estava diante de seus olhos. - Sim, sou eu. Zakintia. - Abaixei o capuz vermelho da Fé, revelando meus cabelos negros e a totalidade de meu rosto. - Veio me levar para casa?

- Quando Rylon recebeu o corvo avisando de sua chegada, não acreditou que estivesse mesmo viva. Ele sabia de nossa relação, e sabia que eu mataria qualquer impostora, poupando sua família do sofrimento. Mas você está mesmo aqui. Vestida como uma mulher vermelha das Terras da Tempestade. O que houve com você? Pensamos que estivesse morta. - Havia um pouco de ressentimento em sua voz. Dorne não importava-se com o nascimento nobre, ou outras formalidades. Por ser a irmã mais nova do Príncipe, eu estaria livre para casar com quem quisesse. E Naxus sempre pensou que seria com ele. Agora, aquela menina apaixonada estava morta. Só havia lugar para a vontade do meu deus, e a minha própria ambição.

- Fui sequestrada por um pirata, disfarçado como mercador. Creio que um dia, o Senhor da Luz me dará a oportunidade de obter a vingança por este crime. Até que eu encontre o meu captor novamente, espero com paciência em sua vontade. Naxus… Sou outra mulher, e creio que seja um outro homem. Mas nunca quis abandoná-lo, ou aos meus. Tudo é a vontade do Senhor. Ele quis forjar-me como uma espada. Insubmissa, não curvada e não quebrada. Meu renascimento se revela oportuno. Ventos de inquietação sacodem as chamas, e em breve serei necessária. Para o bem ou para o mal. - Naxus apenas assentiu, pensativo. Ele olhou em meus olhos por longo tempo, para então acenar positivamente com a cabeça.

- Melhor não deixarmos seu irmão esperando, então. Venha, eu a levarei para Lançassolar. - Subi em seu cavalo, sendo alçada por ele com um único puxão. Prendi meus braços ao redor de sua cintura, enquanto ele cavalgava. O trajeto doía em minhas pernas, não estava acostumada com o impacto do trotar com minhas coxas. Era um tanto incômodo, mas não necessariamente ruim.

Chegamos ao Portão Triplo pouco depois. A enorme estrutura reforçada com três barreiras de resistência erguia-se como um monólito. A visão acelerou meu coração, e o calor em meu peito ameaçou converter-se em lágrimas. Mas não chorei. Aquela não era mais uma capacidade natural, não era mais um reflexo diante das adversidades ou emoções. Eu não era mais uma ostra, presa em sua casca e implorando para que os homens a deixassem em paz. Eu não escondia mais a pérola em meu interior. A vestia como uma coroa. Como um rubi sagrado em minha garganta. Naxus pediu aos guardas que abrissem, afirmando que eu era a verdadeira Princesa Perdida. Todos o deixaram passar com reverência, sussurrando enquanto ele seguia em frente, surpresos com minha chegada. Desci do cavalo marrom, alisando levemente o seu pescoço. Naxus ofereceu-me seu braço, apoiando-me enquanto erguia as barras de meu manto vermelho, caminhando ao seu lado no pátio central de Lançassolar. Um Meistre esperava por nós nos portões principais. Era mais velho do que eu lembrava-me, então tive que admitir que não era o mesmo. Marken devia ter morrido há alguns anos. Suspirando, sorri quando ele aproximou-se, solene.

- Minha senhora. Seja bem-vinda. Sou Meistre Harwing. Temo que os Martell estejam à caminho dos Jardins de Águas, a esta altura. Ultimamente Rylan e sua família têm passado a maior parte do tempo no palácio de verão. Sua irmã, contudo, está no castelo. - Breniell. Minha irmã de hábitos destrutivos e ambição amarga. Sempre a considerei uma presença hostil. Não tínhamos muita afinidade antes, pois sempre que nós nos falávamos, de alguma forma eu acabava sendo insultada. E minhas esperanças e sonhos, desprezados. Nem toda mulher de Dorne deseja ser uma guerreira. Nem toda mulher dornesa é cruel. Breniell era ambas as coisas. Mas ela não me assustava mais.

- Ótimo, leve-me até ela então. - Pedi, impassível. O Meistre seguiu em frente, enquanto eu e Naxus o acompanhamos lentamente.

    Breniell estava sentada na Grande Cadeira do Príncipe de Dorne, uma das pernas apoiada sobre um dos braços do assento. Comendo um cacho de uvas, ela parecia muito confortável na posição de nosso irmão. Ergui uma das sobrancelhas, parando na entrada do Grande Salão. O manto vermelho da Fé revolveu-se, quando sentei-me à mesa e puxei para mim um jarro de água. Estava sedenta com a viagem, e o ar sódico do mar não ajudou a aplacar a sede. A maresia carregada de sal ainda de prendia às minhas roupas. Eu cheirava a mar e especiarias. Breniell parou de comer quando me viu, erguendo-se da cadeira dois tons mais pálida. Alheia à sua exasperação, continuei servindo-me e sorvi a taça, exalando com prazer. Quando eu era um bebê, segundo Rylan, nossos pais haviam enfrentado a Fúria do Deserto, o evento devastador que quase destruiu toda Dorne. E que o teria feito, não fosse a ajuda externa. A vergonha imposta aos Martell pela Coroa tinha sido um dos motivos de nossa atual política de não-envolvimento. Mas eu sabia, eu conhecia as profecias antigas. De Asshai da Sombra às Cidades Livres, todos sabiam o motivo real para que se trema no frio. Não era apenas a temperatura. Era medo. O Grande Outro era o medo em cada noite. Os terrores noturnos e as trevas insondáveis do Verdadeiro Norte. Quando ele estivesse desperto novamente, nem mesmo Dorne estaria segura.

- Então, minha irmã caçula voltou dos mortos. Toda em vermelho. Tornou-se uma fanática, pequena Kintia? - Breniell ria, aproximando-se e sentando-se ao meu lado, puxando a adaga em sua cintura para descansar uma toranja basilisco. - Por que retornou?

- Porque sou uma fanática. - Rebati, sorrindo. Ela estalou a língua, controlando sua inquietação. - Meu Senhor ordenou-me para Além do Mar Estreito. Sou sua voz e seus olhos em Dorne. Eu vim para restaurar o nome de nossa família.

- Você? Lembro-me de como era antes de desaparecer, irmãzinha. Sua maior ambição era dormir como uma prostituta, com os mercadores do Porto. Até escapava do castelo às escondidas, vestida em farrapos como uma mendiga. Quando conseguiu se fazer ser capturada, pensei que nos livraríamos do embaraço. Mas parece que não. - Breniell sabia? E ela nunca dissera nada a ninguém? Meu sangue ardeu nas bochechas, e percebi o quanto aquela história ainda tinha o poder de me ferir. Ouvindo tudo, Naxus e Hardwing estavam consternados, abismados. - Sim. Nunca disse nada a Rylan. Por mim, você poderia ter partido para sempre.

- Mas o que é a vontade de uma mulher, se comparada à do Deus Verdadeiro? - Sorri, minha expressão totalmente apática, enquanto meu interior ardia como um vulcão. Invoquei as forças de R’hllor para que me sustentasse naquele momento. Senti seu poder como a mão de um amigo sobre os ombros. O abraço de uma mãe, ou o calor de um primeiro beijo. A luminosidade de R’hllor era sua face branda, era seu instinto protetor para com os seus. Não um deus cruel de sacrifício e piras eternas. O Senhor da Luz era muito mais que isso, ele era a razão de cada fôlego. - Eu fui desperta nas chamas, Breniell. Não tenho medo de você, pois conheço as noites escuras e cheias de terrores. Conheci a sombra em cada homem, nas Casas dos Prazeres. E nas chamas, aprendi a enxergar além do que meus olhos podem ver. Vejo suas intenções, e leio seus gestos como os pergaminhos antigos do Templo de Volantis. Saiba que você não é a única que anseia pelo poder, que deseja a posição de nosso irmão. Outros, mais poderosos e perigosos do que você, espreitam nas sombras. O Senhor não revelou-me rostos, mas vejo silhuetas. Mas sei com toda a certeza que você, irmã, nunca se sentará naquela cadeira como nossa legítima governante.

         Breniell ergueu a mão para esbofetear-me. Naxus puxou a espada. Arregalando os olhos, ela afastou-se, olhando para os guardas no Salão Principal. Ninguém parecia disposto a defendê-la. Depositei minha taça sobre a mesa. afastando-me dela. Ergui o queixo contra Breniell, disposta a deixar claro que nunca mais, em nenhuma circunstância, eu seria sua refém.

- Duvido muito que  meu sequestro tenha sido mera coincidência, agora vejo a decepção em seus olhos, pelo meu retorno. Mas saiba, Breniell, que quaisquer que sejam suas ambições, elas chegaram ao fim. Procure um braseiro em chamas e arrependa-se enquanto há tempo. A noite é escura e cheia de terrores. Seria sábio tomar cuidado com as sombras. - Sem dizer mais nada, afastei-me em direção ao meu quarto. Supondo que ele ainda estivesse como eu o deixara. Não importava. Eu sobrevivera ao meu primeiro encontro com o pesadelo de minha infância.

          Como o sol em meu brasão, as chamas em mim brilhavam fortes. Era tempo dos Martell reviverem o seu antigo orgulho.
Words: 545; Wearing: this; music: break free; note: Who I am? ♦

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