Aposentos do Herdeiro

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Aposentos do Herdeiro

Mensagem por Azor Ahai em Dom Abr 09, 2017 2:01 pm

Provavelmente, o se segundo maior aposento do castelo e destinado ao herdeiro. É fresco e confortável, com uma cama espaçosa e janelas grandes que permitem uma boa entrada de luz e ar. Durante a noite, é iluminado pela lua e por velas.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Aposentos do Herdeiro

Mensagem por Katherine Martell em Sab Maio 06, 2017 1:30 pm

Treino de
Venenos


Os cabelos escuros estavam soltos e caiam delicadamente em meus ombros, indo até mais ou menos metade das costas. Usava sedarias de cor azul e sandálias de couro de cobra que iam até minhas coxas. Sobre a mesa existente no quarto, estava um livro grande aberto e alguns papeis para anotações e desenhos que faria. Não era muito difícil saber o motivo de eu querer aprender sobre venenos: além de ser uma arma comum em Dorne e conhece-los ser uma boa forma de defesa caso preciso, eu também poderia eventualmente desejar usa-los e para tal precisava conhecê-los bem. Seja qual fosse a opção, era melhor estudar e conhecer bem até mesmo para a eficiência de outras coisas que eu desejava aprender. Como o que? A arte da cura, por exemplo. Alguns ditos venenos eram usados para impedir infecções ou mesmo como anestésicos, então precisava já lhes conhecer quando começasse aquilo.

Acônito. Uma erva aparentada com botão-de-ouro, o acônito é uma planta comprida e alta, encimada por flores azuis, amarelas, roxas, brancas ou rosadas. Usado com cuidado, pode ser um analgésico. Em contato com a pele, o acônito queima e causa coceira. Se ingerido, causa formigamento e amortecimento na boca, além de queimação no estômago. Depois de cerca de uma hora, a vítima vomita violentamente, então sente fraqueza, queimação, formigamento e entorpecimento no corpo todo. Os batimentos cardíacos e a respiração desaceleram até que a vítima morra de asfixia. Dependendo da dose, a vitima se recupera com descanso após o veneno ir se esgotando em seu organismo.

Peguei uma folha de pergaminho, uma pena e tinta e ponderei sobre como iria tomar notas sobre aquilo. Queria que ficasse o mais completo possível, mas ainda sim precisava que fosse bem resumido pra poupar tempo e espaço. Então voltei a analisar o texto e reler ele várias vezes, buscando uma melhor compreensão sobre como seria melhor anotar. Queria algo que fosse útil e simples mas ao mesmo tempo que fosse completo, entende? Não algo que eu precisasse passar horas e horas depois lendo para compreender o que eu mesma havia escrito ou alguma coisa do tipo. Nada mais irritante na hora de revisar conhecimentos do que precisar fazer um curso intensivo para compreender o que você mesmo havia escrito por não ter feito o trabalho direito. Por fim, escrevi com muito cuidado e com minha melhor letra.

Acônito - Planta comprida e alta flores azuis, amarelas, roxas ou brancas. Pode ser usado como analgésico. Em contato com a pele, queima e causa coceira. Ingerido, causa queimação no estômago, formigamento e amortecimento na boca. Após uma hora, vômitos violentos se iniciam, seguidos de fraqueza, queimação, formigamento e entorpecimento. Freqüência cardíaca e respiração diminuem e a vitima morre de asfixia. Doses pequenas dificilmente matam.

Uma vez anotado, olhei o desenho feito a mão no livro e tomei notas sobre como eram as pétalas, a coloração, a forma dos ramos/galhos e coisas do tipo, para facilitar reconhecimento caso visse. Depois de feito isso, segui para o próximo veneno que queria estudar naquela bela manhã. O nome do veneno seguinte era chapéu cinzento. Segundo o livro, são cogumelos venenosos onde a parte mais larga do fungo é ressecada e moída para criar o veneno. O efeito é lento, mas ao longo das horas horas produzia dores intestinais agonizantes. Alguns dos sintomas são diarreia, vômitos e desidratação. Alucinações e sonhos febris se iniciavam após um dia caso não houvesse tratamento. Os órgãos internos, como fígado e rins, incham e começam a falhar, causando a morte da vítima em questão de dias. Após o veneno ser tratado e se esgotar no corpo da vitima, ela vai se recuperando lentamente dos efeitos do veneno e voltando ao seu estado natural sem muitos efeitos nocivos. Então, tomei notas após observar bem o desenho do cogumelo que dava origem ao veneno.

Chapéu Cinzento - Um veneno feito após ressecar e moer o chapéu do cogumelo de mesmo nome. Tem efeito demorado e mata a vitima em alguns dias quando não tratado. Causa desidratação através, principalmente, de vômitos e diarreia. Pode causar alucinações e sonhos febris após um dia se não tratado adequadamente. Órgãos internos começam a falhar e inchar, causando morte da vitima. Produz dores intestinais agonizantes.

Dois venenos devidamente anotados e adicionados a minha lista de conhecimentos - que até o momento só incluía os dois, na realidade. Eu poderia continuar seguindo os venenos por ordem, mas lembrei-me de um detalhe importante. Poderiam ter ouvido da minha visita ao Meistre e a solicitação de um livro a ele, então decidi usar como desculpa o fato que queria pesquisar sobre algumas formas de cuidar de ferimentos e dores, o que me fez pular para o Fogo de Myr e o Leite de Papoula. Li algumas vezes sobre o Fogo Myres/Fogo de Myr antes de começar a tomar as seguintes notas.

Fogo de Myr é um unguento aplicado em ferimentos para limpá-los. Causa uma terrível queima na pele, mas combate infecções e ajuda a evitar gangrena. Assim como ocorre com o leite de fogo, a dor que esse veneno causa pode gerar fraqueza, mas ele é uma ferramenta útil na recuperação de pacientes feridos. Aplicado diretamente, irá purificar um ferimento e aumentar as chances da vitima se recuperar de ferimentos e lesões.

Respirei fundo e deixei minha mão descansar um pouco. Peguei a jarra de água fresca e a taça deixadas ali para mim por um servo anteriormente e me servi, tomando o líquido transparente e suspirando. Naquele calor infernal, sempre era ótimo ingerir água e estar a sombra, em lugares frescos para que não houvesse problemas por insolação ou calor intenso que ali era inegável. Relaxei um pouco, olhando para o teto e com a mente vagando sem lugar especifico ou tema a ser pensado antes de retomar as escritas.

Leite de papoula é obtido ralando vagens não maduras de papoula e coletando a seiva resultante disso. Uma pequena dose diminui a dor e faz que o paciente fique sonolento. Uma dose maior permite que alguém durma mesmo com grande dor. É usado para tratar ferimentos, mas deve ser usar com cuidado, pois é altamente viciante. Por diminuir a dor, a vítima recebe apenas metade de penalidades por ferimentos e lesões, mas devido a sonolência suas capacidades mentais e físicas são reduzidas enquanto o efeito durar. Se o veneno atacar a vítima com sucesso, ela pode dormir por pelo menos seis horas.

Eu ia tomar notas sobre mais um veneno quando ouvi alguém batendo a porta, o que me assustou um pouco. Fechei o livro apressada, me erguendo da cadeira quase com um salto e começando a recolher as coisas quando ergui a voz para responder.

Um segundo, já vou.

Eu peguei os papeis, livro, pena e tinta e coloquei dentro do armário, no chão do mesmo. Depois ajeitei minhas roupas e a cadeira antes de ir até a porta e a abrir, dando de cara com uma serva informando do horário do almoço e que meu pai requisitava a presença de todos os filhos para tal.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Aposentos do Herdeiro

Mensagem por Katherine Martell em Sab Maio 06, 2017 7:20 pm

Treino de
História


Eu gostava de saber um pouco sobre tudo e sabia que algumas informações poderiam ser muito úteis. Lordes gostavam de serem lembrados de grandes feitos de suas famílias e as vezes saber um pouco sobre coisas ruins ajudava a obter vantagem em alguns casos. Mais uma vez, nosso leal meistre havia me dado um livro e alguns pergaminhos para estudar. Eram, em suma, cartas antigas contendo negociações, noticias de coisas ocorridas e um livro de história. Eu demoraria bastante tempo lendo, porém iria valer a pena no final, tinha certeza. Colocando tudo sobre a mesa, peguei o livro e o abri, começando a ler o livro da forma certa - do começo para o final, no caso. Esperava que não fosse realmente uma leitura enfadonha como o Meistre havia dito que seria, mas logo perceberia que ele estava mais certo do que eu gostaria que ele estivesse.

O livro começou contando sobre a fundação de cada um dos sete reinos, detalhes de sua criação, contou sobre o surgimento de cada Casa Grande e das Casas Menores... Os andalos, roinares e primeiros homens também apareceram, tal como houve um grande espaço descrevendo conflitos religiosos, por terras, sobre os filhos da floresta, os Targaryen, os dragões... Claro que eu fazia pausas entre as leituras, tomava uma água, ia até a janela respirar um pouco de ar fresco. Em algum momento eu peguei pena, pergaminho e tinta e comecei a fazer anotações e registros diversos sobre o que estava lendo nos livros. Minha mão estava dolorida e haviam partes do livro que eu não entendia o que estava escrito, devido a letra estranha ou a partes falhas da tinta.

De todo modo, eu passei a tarde lendo, tomando notas e ocasionalmente fazendo pausas quando eu era incapaz de me concentrar na leitura para recobrar minha concentração. Quando a noite começou a cair, eu fechei o livro e fui tomar um banho e me lavar, vesti minhas roupas e fui para o salão de jantar... Não queria que meu pai mandasse novamente me chamar.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Aposentos do Herdeiro

Mensagem por Katherine Martell em Seg Maio 22, 2017 9:03 pm

Treino de
Venenos II


Eu havia me dado ao trabalho de estudar mais a arte dos venenos e como eles funcionavam no organismo, aprendendo até como alguns venenos eram utilizados no tratamento de ferimentos e também plantas usadas originalmente em chás que poderiam ser usados como contraceptivo ou mesmo chá abortivo. Pensativa, eu havia decidido começar a praticar um pouco a produção de veneno e iria começar com o Chá de Lua, que poderia eventualmente ser-me útil no futuro, fosse para impedir uma gestação minha ou de outra pessoa. Não que eu não quisesse cumprir meu papel de esposa quando chegasse a hora, apenas não queria ter filhos antes de me achar pronta para tal e se para isso fosse preciso evitar uma gravidez, eu faria. Do mesmo modo que eu não hesitaria em auxiliar alguma amiga que engravidasse sem querer em um estupro, por exemplo. Ou qualquer coisa assim, sabe?

Eu entrei em meu quarto carregando a última coisa que me faltava, água quente, que trouxera da cozinha. Sobre a mesa, havia flor de Tanásia, hortelã, absinto, um pouco de mel e também um pouco de poejo, além de uma outra jarra onde eu misturaria tudo e uma xícara. Coloquei a água na jarra, depois adicionei uma flor de Tanásia, a hortelã cuidadosamente moída antes para que liberasse melhor suas propriedades - nosso meistre havia me garantido que aquilo dava certo ao lidar com ervas e folhas - uma colher de mel e uma gotinha de nada de poejo. Misturei tudo bem e senti o aroma subindo, aspirando-o com algum interesse. Era doce e ligeiramente refrescante, além de ter um perfume leve de Tánasia. Parecia bem agradável, mas eu não sabia quanto ao gosto que teria, o que me deixou curiosa.

Um pouco de rubor surgiu em minha face amorenada quando pensei comigo mesma. Se era um contraceptivo, não me faria mal se eu tomasse mesmo sem estar grávida. Coloquei na xícara um pouco e senti o vapor quente subindo, com a fumaça, trazendo o odor do chá. Peguei o objeto pela alça e levei até os lábios, bebendo um pouquinho de nada - menos do que o necessário para realmente sentir o sabor - e queimando a boca devido ao calor, o que me fez pronunciar algumas palavras feias aos sussurros e repousar a xícara novamente na mesa, olhando-a chateada. Não chateada com o chá, mas comigo mesma por não ter considerado aquele detalhe antes de tentar tomar o bendito chá. Era óbvio que estaria quente! A água estava absurdamente quente quando levei para o quarto, o que mais eu esperava? Reclamando, me levantei e fui até a janela, pensativa e cruzei os braços abaixo dos seios. Precisa treinar outros venenos e conhecimentos e trataria de faze-lo logo.

Enquanto o chá esfriava, peguei o livro que havia sido-me emprestado e comecei a estudar mais alguns venenos e seus efeitos, como o de mandicora. Ao mesmo estilo do anterior, estudava e tomava notas. Estava tão atarefada nisso que demorei a notar quando o chá esfriou, mas assim que isso aconteceu, peguei a xícara e tomei o conteúdo. O gosto era agradável e doce, fazendo-me gostar. Também era um tanto refrescante e eu achava ser por causa da menta. Apreciei bem aquele chá e achava que poderia prepara-lo de novo, caso preciso. Havia lido no livro, recordava-me agora, que precisava de uma boa dose de poejo ou absinto para realmente causar o aborto e tomei uma nota especial sobre isso. Após terminar o chá, continuei tomando minhas doces notas para estudar depois. Quando meus dedos estavam doloridos e a cabeça também, guardei o livro e os papeis e chamei um criado para limpar o quarto, saindo para caminhar um pouco.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Aposentos do Herdeiro

Mensagem por Katherine Martell em Ter Maio 23, 2017 12:20 am

Treino de
Furtividade


Passar pelos corredores não foi tão difícil, uma vez que eu sabia onde os guardas ficavam e haviam menos pessoas acordadas do que o de costume. Não que isso fosse necessariamente sinônimo de que havia sido uma tarefa fácil. Não haviam muitos lugares para se esconder sem chamar a atenção por ser em demasia obvio e também haviam lugares em que eu não conseguia imaginar onde me esconder e tinha guardas ou criados na hora passando. Eu precisei me empenhar para deslizar silenciosa por portas entreabertas fazendo o minimo de barulho possível, esconder-me no meio das sombras e coisas parecidas até chegar ao pátio interno. Uma sentinela guardava a passagem para o outro lado, onde ficava parte dos cômodos que eu não tinha acesso ou permissão de ir até lá mesmo sendo a princesa roinar herdeira, e perguntei-me como passar desapercebida pelo homem.

Eu não poderia usar a desculpa de estar brincando ou ser um passatempo, pois além de estar fazendo aquilo no meio da noite era meio claro que estava indo para uma área proibida no meio da madrugada. Meu pai iria me punir e eu não sabia o que ele poderia fazer por causa daquele gesto claro de rebeldia e desobediência. Mesmo sua paciência havia limites e eu não queria abusar dele, afinal poderia precisar em vários outros momentos. Com alguma preocupação, olhei o que poderia usar ao meu favor e comecei a pensar em como sair daquela situação. Não era por capricho que eu queria chegar até lá. Havia uma carta no gabinete de meu pai que eu queria ler pois parecia ter deixado meu pai bastante preocupado e o melhor acesso era por ali. Enquanto procurava algo para usar e me preocupava com o conteúdo da carta, notei algo que poderia usar ao meu favor e sorri ao notar como passaria.

Sabia que as pessoas viam o que elas desejavam ver e ninguém iria esperar que alguém cruzasse o pátio praticamente sem cobertura nenhuma movendo-se usando as sombras criadas pelas arvores para se ocultar. Mas seria exatamente aquilo que eu faria. Iria me misturar as sombras da noite e mover-me junto a elas, aproveitando a sonolência da sentinela e criando uma forma depois de atrair a atenção dele para outro lado. Comecei então a me misturar as sombras, tentando ser o mais sutil possível e me manter fora do foco de visão dele. Não me movia rápido demais para que ele não percebesse movimentos súbitos e fazia-o abaixada, no entanto também não era demasiada lenta para que ele não percebesse um corpo estranho perambulando por ali. A furtividade era um dom quase natural meu, mas eu precisava aprimora-lo e desejava fazer aquilo tão rápido quanto possível. Ao chegar em um ponto em que tinha um pequeno arbusto que me forneceria alguma proteção, pequei uma pedrinha pequena no chão e arremessei para o outro lado de modo a não revelar muito meu corpo.

Ouvi o som da pedra batendo no chão e, no silencio da noite, ele pareceu alto. Isso despertou a sentinela, fazendo-a olhar na direção oposta a que eu estava e fui para lá olhar. Aproveitei esse instante para me mover rapidamente até o outro lado e então abrir a porta não trancada um minimo possível e erguendo-a levemente - o máximo que minha força permitia - para não arrastar no chão e atrair a atenção da sentinela - e entrei, fechando da mesma forma. Isso demorou muito em minha mente, pelo nervosismo, e temi que a sentinela tivesse visto ou ouvido alguma coisa. Abaixada para não ser vista pelas janelas e descoberta  e movendo-me o mais depressa possível, fui o mais longe que pude para longe daquela entrada e também o mais próximo que consegui do gabinete de meu pai. As botas macias abafavam os sons de passos e em algum momento me levantei e comecei a correr, apurando a audição para ouvir algo. Mais de uma vez, precisara me esconder - nas sombras ou em algum quarto qualquer - para escapar dos guardas, mas não havia sido um desafio gigantesco chegar até o gabinete, apesar de eu quase ter sido pega umas duas vezes.

Não haviam guardas na entrada do gabinete e a porta estava destrancada. Entrei com facilidade e fechei a porta, considerando sair pela janela dessa vez. Movi-me cautelosa até a mesa, onde ainda estava o pergaminho contendo a mensagem e estendi a mão para o mesmo. Toquei a folha e estava prestes a pega-la quando uma mão agarrou meu pulso e impediu-me. Queria gritar, mas algo me impediu e olhei para o dono da mão, ficando aflita ao deparar-me com meu próprio pai, encarando-me. Abri a boca algumas vezes, como se eu quisesse explicar, mas não havia nada que eu pudesse dizer para aplacar a raiva que eu achava que ele sentia. Não havia desculpas e eu sabia daquilo. Eu havia aceitado os riscos quando decidira ir. Resoluta, fechei a boca e ajeitei os ombros, ficando ereta e esperando que meu pai me desse a punição que eu julgava merecer.

Não vai dizer nada? – Meu pai perguntou e eu balancei a cabeça, enquanto respondia com calma e alguma aceitação dos fatos, algo que não era normal vindo de mim.

Dizer o que? Não tem desculpa ou explicação para isso. – Pensei ver um brilho nos olhos de meu pai e ele soltou meu braço, que delicadamente massageei nesse momento e olhei-o. Seus olhos me analisaram por um instante e ele então proferiu.

Vá descansar. Amanhã conversamos... Sem mais, Katherine. – A última frase foi inclusa porque eu ia contestar, mas no fim acabei aceitando e fui para meu quarto, cabisbaixa. Já que eu havia sido pega, não fazia mais sentido me esconder e esgueirar por ai, então dessa vez não me preocupei em evitar sentinelas e peguei o caminho fácil até meu quarto, onde me deitei na cama e me permiti descansar ou o mais próximo possível disso que eu pude até mergulhar em um sono sem sonhos.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Aposentos do Herdeiro

Mensagem por Katherine Martell em Ter Maio 23, 2017 1:10 am

Treino de
Venenos III


Tem um cheiro doce! Mas ainda sim dá pra notar que tem algo errado com esse chá, só de sentir o cheiro. – Declarei diante de uma xícara de chá em que Meistre havia adicionado veneno e me dado. Haviam outras xícaras também contendo venenos ali e pequenos frascos atrás de cada uma delas com os antídotos. Nenhum dos venenos era mortal na hora do consumo, apesar de que pudessem matar se não tratados, e muitos causavam um efeito parecido: causavam vômitos, dores de barriga, sangramentos internos ou algo assim. Os estudos de hoje visavam tornar-me hábil em reconhecer venenos em comidas e bebidas para não cair naquele truque dornes maldito. O homem, já de idade, me olhou e deu um sorriso largo antes de falar.

Porque a senhorita conhece venenos e sabe que deve procura-los... E como procura-los. Foi criada em um reino onde venenos são comuns, milady, mas acha que uma nobre mulher de outro lugar perceberia com a mesma facilidade que você que algo não está certo? – Pensando bem, agora que ele falara, balancei com a cabeça e olhei os venenos em cima da mesa junto com seus antídotos. Eu era uma felizarda por poder aprender sobre venenos, pois assim poderia me defender deles. As vezes, a melhor forma de defesa era conhecendo bem a arma que era usada, pois assim saberia como se defender dela quando a hora chegasse. – Prove o chá.

Eu bebi dois bons goles do mesmo e aproveitei para sentir bem o sabor dele. Não só o cheiro como o gosto estava adocicado, e isso me deixou um pouco preocupada. Aquilo agradava o paladar e sabia que uma pessoa pouco ciente logo morreria. Após colocar a xícara no lugar onde peguei, peguei o frasco com o antidoto e tomei. Meistre observava tudo em silencio e então falou com sua voz que remetia a sua sabedoria e a vários anos de experiência com venenos e medicina. Minha boca estava formigando e meio dormente, fazendo-me ter muita dificuldade em falar, mesmo com o antidoto.

Acônito, não é? – O homem concordou e, sorrindo, listei para ele os efeitos e sintomas, fazendo-o sorrir e concordar. Eu estava certa. O próximo liquido não tinha cheiro ou gosto diferente do chá de origem e não consegui definir o que era, fazendo-me olhar para ele. O homem me indicou o antidoto que deveria ser tomado antes de começar a falar com a voz calma.

Lágrima de Lys. Conte-me jovem, Katherine, o que são os antídotos? – Essa pergunta não era difícil de se responder e olhei-o com calma, me sentando na cadeira e pensando em como formular bem aquela resposta.

Se você se refere ao conceito antidoto, é algo que combate uma toxina ou veneno. Mas se você deseja saber o que estamos usando aqui, eu arriscaria Raiz de Hipérico . Ela inibe efeitos de venenos de longo prazo e permite que o organismo se recupere.

O homem assentiu várias vezes. Eu estava aprendendo bem e lia o livro com atenção, além de escutar as palavras dele durante nossas conversas. Ele não tinha do que reclamar quanto a minha dedicação em aprender aquilo e podia até supor que ele gostasse de meu empenho em aprender.  Ele sabia que eu estava apenas começando meu aprendizado e ainda sim, apesar do berço nobre e da tradicional pré-potencia e egocentrismo dos jovens, a jovem herdeira Martell admitia quando não sabia algo e escutava as palavras do homem, já tendo mais de uma vez elogiado sua sabedoria e conhecimento. Seu único crime era a inexperiência e falta de conhecimento, não os males terríveis da pouca idade, na opinião daquele homem.

Está certa quanto ao antidoto e o que consiste ser um. Lagrima de Lys é um veneno dissolvido em líquidos e que causa uma morte demorada na vitima. É a causa de muitas doenças misteriosas que afligem nobres e seu diagnostico é difícil, admito. Enquanto o veneno age, a vitima sofre o tempo todo.

Era um veneno terrível e eu não queria imaginar o sofrimento e a dor de alguém ao tomar aquele veneno. Comecei a perguntar a ele sobre o tratamento e como identificar, com o homem me ensinando com bastante calma, apesar das torrentes de perguntas. O único pecado que eu tinha era encher o homem de perguntas quando eu estava tentando aprender algo, mas ele aceitava bem aquilo e não me evitava. Para ele, o conhecimento era o maior tesouro que alguém poderia ter, mas apenas deveria ser dado aqueles que se aplicavam. Como eu me esforçava para aprender, ele compartilhava comigo o que sabia. Por fim, o homem se levantou com dificuldade e disse que estava já cansado demais para continuar e iria descansar. Eu despedi-me dele e o levei até a porta, agradecendo imensamente pela aula e por me emprestar o livro. Após isso, tomei minhas notas e me deixei cair na cama, cansada.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Aposentos do Herdeiro

Mensagem por Katherine Martell em Seg Jul 17, 2017 1:20 pm

Made with love by Jaaclaine @ epifania

Notes
treino: história com o Meistre

princesa roinar

HistóriaSo what you trying to do to me It's like we can't stop, we're enemies But we get along when I'm inside you You're like a drug that's killing me I cut you out entirely But I get so high when I'm inside you

 - Preste atenção, princesa. - a régua estralou quando chocou-se com a coxa de Katherine; a roinar trajava vestes simplórias, sedarias em tons vibrantes que parcamente lhe agraciavam, afinal, o sol há pouco despontara no céu e o Meistre já estava requisitando o começo das aulas. Não que fosse uma má aprendiz, mas pelos Incurvados, aquele era o dia mais quente do ano. - Diga de novo, quais as casas do Passo do Príncipe?
- Me diz qual a importância disso? Eu simplesmente não preciso saber quem são eles, é tudo vassalo. - ditou, as bochechas inflando mediante a birra parcamente usual. Queria estar nos jardins, conversando com Olyvar ou treinando com Drake; estava ficando realmente boa com arcos.
 - Ora, ora. És uma tola se acredita que não conhecer os próprios vassalos não lhe acrescenta nada, é melhor conhecer realmente o inimigo do que o amigo. - e mais vez o ribombar da régua contra o tecido. Uma tira fina de carne ficaria avermelhada com todas aquelas pancadas.
 - Eu poderia prender o senhor por isso!
 - Me prender? Uma princesa que nem sabe o nome dos próprios vassalos? Pudera. - o tom de troça presente na voz do Meistre comoveu uma coloração rubra nas bochechas de Katherine, era um homenzinho bastante persuasivo. - Já pode me dizer as Casas?
 - Sim. Casa Fowler, Foote, Manwoody. - deslizou o dedo sobre o livro que denotava o Passo em um mapa sem nomes.
 - Bom, quais seus castelos e brasões? - o Meistre virou para a próxima página que denotava dezenas de brasões diminutos. A brisa fresca adentrando o recinto, Katherine pensava seriamente em como o idoso conseguia aguentar o clima de Dorne usufruindo aquelas vestes fechadas.
 - O castelo dos Fowler é Ancaleste? Dos Foote é Nocticatinga e possuem a Torre da Alegria e Torres Cantoras, Manwoody são senhores de Tumbarreal. - enumerou cada um, notando o esgar do Meistre quando proferiu a sede dos Fowler. Com um suspiro, vasculhou na mente em busca do nome exato.
 - Não é Ancaleste, se chama Alcanceleste. E os brasões?
 - O brasão dos Fowler é um gavião encapuzado, campo cinzento. Foote, uma adaga de bronze em campo branco. Manwoody, uma caveira com coroa em um campo preto. Mas Meistre, qual o motivo de estudar os Foote? Eles são da Tempestade. - proclamou, a vontade de procrastinar durante a aula latente.
 - Eles, juntamente dos Manwoody, são a porta de entrada para Dorne pelas Terras da Tempestade, princesa. É bom manter uma boa situação e conhecer aqueles que podem nos servir futuramente. - a mão repleta de manchas e rugas confeccionadas pelos anos fechou o livro com um baque. As costas encurvadas endireitando-se precariamente enquanto o Meistre soerguia-se. - Sei que almeja ir treinar e deve ir, quando terminarmos o almoço, voltaremos com as aulas.
 Martell engoliu em seco, a garganta parecendo as areias de Dorne. Odiava quando estudavam após o almoço, o pai sempre aparecia para dar pitacos e tudo findava em mais estudos por mais tempo.
- Não faça essa feição, criança. O Príncipe se importa com a senhorita, apenas isso. - com os livros bem presos entre as mãos, o Meistre saiu dos aposentos e permitiu que, enfim, Katherine se jogasse sobre a cama. Treinar? Não, preferia ficar ali dormindo por enquanto.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum