O Pátio dos Pavões.

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O Pátio dos Pavões.

Mensagem por Deus de Muitas Faces em Sab Maio 13, 2017 3:50 am



Pátio dos Pavões

O Pátio dos Pavões é uma área ao ar livre que ornamente o lado Leste de Jardim de Cima, totalmente preparado para deslumbrar seus visitantes e moradores com os arbustos em formas animalescas e mitológicas, com aves albinas trazidas de Lys e dos Mares de Verão. Os pavões são tratados com grãos selecionados, e suas asas são mantidas curtas para que não possam fugir. É mais comum encontrá-los caminhando e bicando o solo da colina do leste, inflando e exibindo suas caudas fascinantes. Vez ou outra, uma ave mais robusta é recolhida para o banquete, apenas para os convidados mais nobres e queridos, ou no Dia do Nome do Lord.

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Re: O Pátio dos Pavões.

Mensagem por Desmera Tyrell em Sab Maio 13, 2017 6:53 am

"Oh yeah... All Lannisters are lions and all Starks are wolfs... And when the Tyrell farts its smells like a rose..."
 

Estalei a língua pela terceira vez enquanto a jovem puxava a agulha através do tecido bordado. Apoiando o braço esquerdo sobre o braço de meu cadeirão, deslizei lentamente as pontas dos dedos pelo queixo, o enfado transbordando entre os segundos que arrastavam suas correntes. As outras moças conversavam baixinho, enquanto cuidavam das próprias tarefas. Duas delas liam, rindo em conjunto com alguma gravura no volume grosso em suas mãos. Certamente Meistre Marwyn permitira que tivessem acesso à descrições do corpo masculino. Se ao menos elas soubessem que não há nada de especial entre as pernas de um homem... Mas chegaria o tempo. Logo, cada botão verde desabrocharia e conheceria a própria frustração. Felizmente, as mulheres nunca permitiram que a inépcia masculina as impedissem de tirar algum proveito. Nos lençóis ou na vida. Erguendo o olhar de um dos pavões albinos de bicavam o solo ao nosso redor, estalei a língua outra vez. A pequena donzela Beesbury sobressaltou-se, paralisando imediatamente.

- Dê para mim. - Estendi a mão, meu anel com a rosa Tyrell reluzindo sob o sol. - Ande logo, menina. Em minha idade é perigoso esticar um membro por mais tempo que o necessário. Pretende que eu perca meu braço? - Pressionei, secretamente divertindo-me ao ver a pressa da jovem. - Humm... Que decepcionante. Os pontos estão muito frouxos e separados. Falta técnica. Mas você possui criatividade. "Nós iluminamos o caminho, hein?" - Inquiri, com uma risada divertida. As bochechas da pobre menina enrubesceram, e de repente todas as conversas ao redor morreram, voltando-se para ela. - Meu sobrinho ficou viúvo há apenas uma lua. Já deseja aquecer sua cama, pequena Lyene?

- N-não, m'lady... Lord Hightower é o suserano de minha família. Nós Beesbury sempre o consideramos um homem bondoso, galante e... - Ergui minha mão, silenciando-a.

- E ofensivamente rico. Meu sobrinho é um homem rico, cobiçado. Tem a beleza de meu irmão, e minha inteligência. É natural que o deseje. A ambição não é pecado. A incapacidade de simular suas intenções, sim. - Olhei para a torre Hightower inacabada, suspirando. - Lord Avalon encontrará uma esposa, mas se bem o conheço, viverá o período de luto com obediência. Não é um homem devoto, mas preza pela tradição. Se deseja que eu lhe envie um presente seu, deverá melhorar. Tente usar suas unhas para manter as linhas unidas, enquanto puxa a agulha, como faríamos com um tear. Se fôssemos de nascimento comum. - Atirei o trabalho inacabado de Lyene na direção dos arbustos, e ele desapareceu de minha vista. - Comece novamente. Sua mãe foi capaz de dominar este bordado na primeira lição. Não a envergonhe.

       Olhei novamente para as duas moçoilas que liam o livro ilustrado de Meistrw Marwyn. Uma delas ainda ria-se de Lyene, até perceber meu olhar sobre ela. Com um meio sorriso, a chamei diante de mim. Ela engoliu profundamente, sentando-se à minha frente depois de passar o volume para as mãos cuidadosas de sua cúmplice. Com uma elegância natural e seu pendor para a dissimulação, a jovem Tully das Gêmeas sentou-se aos meus pés, seu vestido espalhando-se ao redor do gramado limpo. Sua mãe era uma Fossoway da Maçã Verde, uma de minhas meninas. Ela era ainda mais talentosa que sua filha. Antes de dizer alguma coisa, alisei um cacho de seus cabelos castanhos acaju. Divertindo-me, apontei para os pavões brancos que nos rodeavam.

- Há uma família nobre das Terras Ocidentais que ostenta estas criaturas em seus brasões. Pode me dizer o nome? - Disparei, deixando-a confusa.

- Eu... Não sei, senhora. - Rindo, estalei a língua com a delícia de embaraçá-la.

- É sobre isto que deveria estar lendo, criança. Os Serrett de Colina de Prata são vassalos dos rivais de minha família, os Lannister. Não são particularmente relevantes, embora sejam ricos em seu pequeno pedaço de terra. Possuem um pátio parecido com este, com pavões azuis westerosis, e não estas aberrações caras e extravagantes. Pássaros insolentes... Nenhuma criatura deveria custar tão caro. Acredito que seja mais difícil comprá-lo, que a algumas de vocês, minhas pombinhas. Uma ave destas viva, seria um lindo presente de casamento, e um símbolo de prestígio. Mesmo as penas delas são raras. Meu marido gastou muito ouro na construção desta ala. Pena que não viveu para vê-la pronta. É um dos problemas dos homens, tão preocupados com o futuro que ficam cegos para o presente. - Minha expressão solidária e professoral modificou-se, com desdém. - Não há nada de grandioso em imaginar sua noite de núpcias. Ela virá, acredite. Para o bem ou para o mal. Eduque-se para as noites depois desta.

      Dispensando-a sob os olhares de suas colegas, olhei para a escadaria que levava até a ala leste do castelo, onde ficavam meus aposentos e os de Meistre Marwyn. Ele vinha caminhando apressado em minha direção, seu rosto jovem afogueado e a pele do rosto quase tão rosa quando a carne de um frango cru. Aproximou-se prontamente, com uma breve reverência e um ar de desconforto ao ser rodeado pelas risadinhas de minhas donzelas. Meu bando de pombas perseguia o pobre rapaz, que não tinha culpa alguma de ser belo, ou de preferir a companhia de rapazes. Razão para que forjasse sua corrente, em primeiro lugar. Bati palmas uma única vez, e o silêncio reinou. Olhei de esguelha para o servo que postara-se de pé ao lado de uma pequena mesinha de mogno, com um jarro de vinho de duas taças. Ele adiantou-se para servir-me, e ainda sem proferir palavra, ordenei que todas as jovens me deixassem a sós com Marwyn.

- Peça que tragam já o meu desjejum, Corin. Não descerei para comer com meu filho no salão principal esta manhã. - Ele entendeu que eu desejava o seu desaparecimento, e foi cumprir minhas ordens. - E então, Marwyn? Notícias de Nathaniel?

- Seu mestre espião ainda não retornou à Jardim de Cima, senhora. A última vez que tivemos notícias dele, enviava um corvo de um pequeno septo nas Terras Fluviais. Ele estava sob proteção da Casa Bracken, como um septão itinerante. Ao que parece, os conflitos entre vassalos dos Tully ameaça agravar. O que obtivemos, foi o reporte de um agente nas Terras da Coroa. Ao que parece, a rainha deu ordem de infiltrar os próprios agentes na Campina. - Sorri, nem um pouco surpresa. Já era esperado que o silêncio Tyrell provocasse alguma repercussão. - A senhora já sabia, m'lady?

- Ah Marwyn, nunca pensei que uma velha como eu pudesse ensinar algo a um Meistre. - Sorri, bebendo meu vinho da Árvore. Estava doce, e fraco após um pouco de água de rosas. Meu vinho nunca era tão forte quanto o que eu oferecia às minhas companhias. - Rhaenys seria tola se não estivesse interessada por nós. E sendo filha de sua mãe, ela não é tola. Embora seja precipitada, agindo enquanto a permanência de meu neto na Capital ainda se ergue entre nós como uma afronta. Informe a cada espião meu que se venda à coroa, aparentemente. Eles levarão notícias da Campina à nossa rainha. As minhas notícias. Plante também falsos boatos nas estalagens, assim que Nathaniel chegar. Ele saberá o quê e como fazer. Isso é tudo?

- Sim, m'lady. - Ele curvou-se e retirou-se, ainda tonto diante da quantidade de informações e ordens atirados em seus braços. Corin retornou com uma bandeja nas mãos, solícito.

- Seu desjejum, senhora. - Anunciou, com cerimônia.

- Mudei de ideia. A visita de Marwyn me trouxe novo ânimo. Desjejuarei com meu filho. - Anunciei, levantando-me e deixando o pobre servo para trás, enquanto coçava a cabeça. Provavelmente, perguntava-se o que faria com aquela comida. Deduzi que comeria, conhecendo Corin e sua barriga avantajada. Tanto melhor. Ele viera a mim ainda bebê, e provavelmente eu viveria para vê-lo matar a si mesmo com vinho e comida. Era um homem dócil, leal e de gostos simples. TInha uma vida mais tranquila do que eu poderia sonhar possuir.

        Realmente, o Jogo dos Tronos estava prestes a começar. E os Tyrell eram mais uma vez, forçados a ele. Talvez estivesse próximo o momento em que eu teria de fazer uma visita ao meu neto, em Porto Real.

Encerrado.
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Última edição por Desmera Tyrell em Qua Maio 24, 2017 2:23 am, editado 1 vez(es)

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Re: O Pátio dos Pavões.

Mensagem por Mina Tyrell em Qua Maio 24, 2017 12:33 am

Mina Tyrell
LAdy Tyrell da Fortaleza de Águas Claras
Se havia algo que se espalhava por todo Jardim de Cima, desde a sua entrada, até os mais ocultos lugares, era a beleza. Não havia um só lugar que não merecesse ser admirado, suas formas e cores, harmoniosamente trabalhados era um espetáculo de tirar o folego de qualquer visitante. Tudo era novo para seus olhos esmeralda que reluziam de admiração, queria ter tempo para conhecer os belos jardins de Highgarden. O convite inusitado de Lady Desmera havia a pego de surpresa e dada as circunstâncias precisou ponderar por alguns dias, antes de finalmente aceitar o convite da mulher. Parte de si, cobrava suas responsabilidades como atual Lady da Fortaleza das Águas Claras, deveria estar lá, cuidando de tudo aquilo que seu pai havia deixado para ela e que agora, parecia estar próximo ao fim. Entretanto, uma parte de si estava feliz por estar ali naquele momento, podendo finalmente respirar aliviada por alguns dias, sem as cobranças e responsabilidades depositadas em seu ombro que muitas vezes pareciam um fardo.

A viajem havia sido um pouco cansativa, mas as belas paisagem compensavam o desconforto da carruagem que chacoalhava de um lado para o outro. Não precisava se preocupar, o castelão da Fortaleza, Lorde Timot era experiente e havia sido treinado por seu pai para que um dia assumisse tal responsabilidade. Antes da partida da jovem Lady, ele tocou em seu ombro, lhe garantindo que cuidaria do lugar com sua própria vida e tudo estaria perfeitamente em ordem quando ela regressasse. Aquele homem na verdade, a viu crescer e se tornar uma mulher, foi um ótimo ombro amigo nos tempestuosos tempos de seu casamento. Confiava nele e por essa razão, naquele momento ela estava em Highgarden. Precisava se libertar de todas aquelas amarras, pelo menos por um tempo, não estava sendo egoísta, estava apenas buscando se reencontrar consigo mesma. Alguns dias de descanso após enterrar o marido não era algo que devesse se envergonhar, ainda mais na casa de seus parentes.

Todavia, tinha em mente que aquela não era meramente uma vista de cortesia, principalmente pelo fato do convite ter partido da própria Desmera Tyrell. Não fazia ideia ao certo, mas enquanto esperava sua dama de companhia terminar de escovar as longas madeixas carmesins se perdia em seus pensamentos, tentando descobrir o motivo daquele convite. Sentia a escova deslizar lentamente pelos fios e a mão suave da jovem aparar seus cabelos. Teria perdido a noção do tempo, se não fosse a doce voz de Lily desperta-la daquele transe: — Milady? Já terminamos o cabelo. — Timidamente disse. Mina sorriu docemente e apertou os olhos como se buscasse voltar a realidade daquele momento: — Perdoe-me querida. Estava longe em meus pensamentos. — Confessou para a garota que apenas a encarava com seus olhos cor de mel. Não era tão mais velha do que ela, Lily era uma bela jovem de longas madeixas castanhas e levemente onduladas, tinha os olhos cor de mel e um sorriso cativante. A garota era filha de uma das servas da Fortaleza, mas Mina se afeiçoou de tal maneira que acabou por fazer dela sua dama de companhia.

A jovem Lady ergueu-se e delicadamente ajeitou as madeixas que estavam levemente presas, mas em sua mente aquela dúvida ainda martelava. Não era nenhum segredo na Campina a atual situação dos Tyrell de Águas Claras, Mina era a única herdeira, não havia tido filhos com seu marido e agora se encontrava viúva, despertando o interesse de várias outras casas. Seu cenho se estreitou e ela respirou fundo procurando limpar sua mente novamente daquelas possibilidades. O vestido azul claro, com algumas rosas douradas bordada no torso havia lhe caído muito bem, já não usava mais o preto do luto. O cabelo vermelho estava destacado pelas cores do vestido preferiu usar brincos e colares mais discretos. Sua beleza era natural, não precisava de muita coisa para realçar a formosura que havia nascido com ela. Estava impecavelmente bela para se encontrar com a mulher mais importante da Campina.

Romperam pelos corredores do belo castelo de seu suserano, um lugar movimentado e cheio de vida com suas cores e perfumes. Haviam belas jovens por todo o lugar, sabia que muitas delas eram alunas de Desmera, como um dia ela mesma fora. Os sons de seus passos ecoavam pelos corredores, quando sentiu um leve aperto em seu braço, chamando a atenção para Lily: — Diga, minha querida. O que a está incomodando? — Perguntou com um tom fraterno, buscando o olhar da jovem. Ela parecia um pouco desconcertada, até que finalmente decidiu por falar: — Por favor minha Lady. Tome cuidado. Não tome nenhuma decisão precipitada. — Rogou a jovem. No fundo Mina sabia o motivo de tais palavras. O cafajeste de seu falecido marido havia estuprado sua dama de companhia. Ambas ficaram arrasadas, principalmente a ruiva que se viu incapaz de proteger a amiga que tanto estimava. Suas mãos percorreram a linha de seu rosto e sustentou o queixo dela delicadamente: — Jamais permitirei, que alguém faça mal a você novamente. Entendeu? É uma promessa. — Disse confiante.

Ambas permaneceram em um longo silêncio, era como se apenas as duas estivessem ali, mas antes que voltassem a caminhar, a morena abraçou sua senhora carinhosamente: — Não permita que façam mal a senhorita. Não se machuque mais, milady. Seja feliz por favor. — Disse a garota com os olhos marejados de lágrimas. As palavras dela foram como um tapa em sua face, por um instante ela pensou que não fosse conter as próprias lágrimas. Lentamente separou seu corpo do dela e voltou a olha-la nos olhos: — Sabes bem, que sou a única herdeira da Fortaleza. Também sabes da força que temos, que somos bem vistos na Campina. Temos cavaleiros fortes e bastante riquezas. Tudo isso chama a atenção de Casas que almejam mais poder. É minha obrigação como Lady, cuidar e manter cada um de vocês a salvo. Mesmo que isso custe a minha felicidade entende? — Perguntou observando o semblante tristonho. Lily não respondeu, apenas fez que sim com a cabeça: — Então vamos. Lady Desmera logo estará à minha espera. — Disse com um tom um pouco mais alegre segurando o braço da jovem garota.

Não havia sido treinada para lidar com questões políticas, mas agora, lá estava ela, aprendendo por suas próprias pernas. Com certeza algum nobre, interessado no prestígio de seu nome, havia pedido a Desmera que intercedesse junto a ela. Mal haviam esperado seu luto chegar ao fim. Mas havia muito mais naquela situação que preocupava Mina. De certo modo, talvez uma aliança por matrimonio com algum Lorde influente fosse interessante, poderia garantir uma força maior para sua casa, todavia, grandes senhores não abririam mão de seus nomes, algo que talvez ela tivesse que sacrificar por um bem maior. Já vinha pensando em tais articulações fazia algum tempo, precisava de alguém ao seu lado que impusesse respeito, ou se tornaria um alvo fácil para constantes ataques, políticos e militares. Nenhum lorde se sente intimidado por uma mulher, por menor e mais insignificante que fosse a sua casa. Ser uma mulher em Westeros não é algo simples e Mina temia não ter a força necessária para se impor, o que tornava o casamento uma saída óbvia para ela, garantindo boas alianças e proteção. Era um jogo perigoso, mas que ela teria que tentar, pelo menos tinha fé que Desmera a ajudasse e aconselhasse quanto a isso.

Quando chegaram finalmente ao Pátio dos Pavões, avistou as belas aves que desfilavam imponentes, algumas moças estavam por ali, com seus bordados. O burburinho foi geral quando as jovens adentraram ao lugar, mas Mina simplesmente agiu como se não fosse com ela, caminhando elegante ao lado de sua dama de companhia. Caminhou até um par de poltronas mais afastados, Lady Desmera ainda não havia chegado, o que lhe deu certo alívio. Virou-se para Lily e sorriu: — Vá aproveitar o lugar. Ficarei bem. — Disse para a mais nova, que se retirou em seguida. Respirou fundo na tentativa de esconder a ansiedade, não havia esquecido as lições da famosa Lady Tyrell, estava sentada ali como uma verdadeira senhora de sua casa, escondendo toda a fragilidade que tinha dentro de si. Apenas desejava que a matriarca não tardasse ir ao seu encontro, haviam muitas dúvidas que ela procurava sanar e ainda mais conselhos que desejava pedir.


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Mina Tyrell
Casa Tyrell da Fortaleza de Águas Claras
Beautiful, delicate and strong."
thanks, lizzie @ TPO

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Re: O Pátio dos Pavões.

Mensagem por Desmera Tyrell em Qua Maio 24, 2017 1:52 am

"Oh yeah... All Lannisters are lions and all Starks are wolfs... And when the Tyrell farts its smells like a rose..."
 
       Estava farta daquela situação descabida. Com um puxão rápido, arrebentei a corrente de ouro em meu pescoço, jogando o colar com a rosa dourada encrustada de esmeraldas na cama. Curvando o lábio de desprezo, adiantei-me para a penteadeira, retirando um broche mais discreto. Odiava que minhas aias fossem obtusas. Pessoas sem o mínimo de inteligência em pouco podiam servir para a contribuição no funcionamento do mundo, de modo geral. Ser um cidadão de baixo nascimento já jogava contra a pobre menina de beleza mediana. Nada em especial. Nenhum dom para a atuação ou para a sedução. Sua atitude alegre e servil a manteriam como uma serva para o resto de sua vida... Pobre Mya. Senti pena de seu destino. Enquanto ela recolhia o colar arrebentado, eu prendi o broche de ouro no decote de meu vestido azul turquesa. Um colete verde musgo encerrava as vestes, enquanto meu véu acompanhava uma coloração apenas um tom mais clara de verde-relva. Suspirando em frente ao espelho, lamentei pelas formas gastas pelo tempo, sorrindo ao lembrar do orgulho com que me movia por aqueles mesmos corredores. Altiva, sorridente, o decote à mostra e aberturas e mais aberturas nos vestidos. Naquele momento, era outro tipo de sorriso que eu dispensava. O sorriso de uma mulher que há muito, não precisa mais de seu corpo para impor respeito. O sorriso de uma Lady que garantira a herança de seu filho por nove anos, lavando com sangue e segredos a carta de sua herança.

- Venha, Mya. Preciso de uma criatura dócil para carregar minhas saias. Este vestido é muito longo, e sabe que me atrapalho com as escadas. Felizmente, a pequena pombinha vermelha estará esperando por nós aqui ao lado, no Pátio dos Pavões. - Adiantei-me, enquanto a menina abria a porta de madeira grossa. - Oremos para que nenhuma daquelas aves do Estranho a tenham atacado com seus bicos. Malditos frangos exibidos...

     Mya sorriu, enquanto adiantava-se pelas escadas, segurando bastante pano entre suas mãos. A mistura de camurça e seda era pesada, e eu odiava ter de caminhar com a sensação de que minhas vestes tocavam o chão. Sujeira e cansaço não eram boas combinações para uma mulher em minha idade, em que qualquer deslize era um convite ao Estranho. Não. Se necessário fosse, eu seria carregada onde precisasse ir. Nenhuma vida além do meu filho e dos meus netos, estava acima da minha. Ansiosa, refleti que aquela visita era essencial. Eu ainda lembrava-me de Lord Alester, e do quão bom em dar conselhos ele era. Eu me comprometera a cuidar de sua filha e encontrar um bom marido para ela, mas sua incapacidade de gerar outro filho, tornou a tarefa impossível. Mina era um dos meus maiores fracassos. Não por sua culpa, mas pelas circunstâncias em que ela fora inserida. Um nome como o dela precisava seguir em frente. No entanto, poucos eram os homens de nascimento nobre capazes de sujeitarem-se a perder o próprio nome, num casamento matrilinear. O garoto Mullendore parecera uma boa ideia. Mas os contos de sua crueldade eram famosos mesmo em Jardim de Cima. Os servos de Mina temiam e choravam por ela, a pobre menina. Algo precisava ser feito. Felizmente, chegara o momento de orientá-la novamente. Ações obscuras estavam em curso por toda Westeros. Logo a situação dos Sete Reinos tornaria-se caótica. Bastava que o primeiro usurpador pegasse em armas. Bastava que os Blackfyre se sentissem suficientemente acuados e sem alternativas.

        Finalmente o sol atingiu meu rosto, e fechei os olhos por alguns momentos, antes de acostumar-me com aquela claridade indesejada. As manhãs eram tão absurdamente belas e inabaláveis, que faziam sentir a opressão da natureza, que continuaria quando o último de nós já tivesse partido há muito tempo. Refletindo sobre a situação atual, em que o nome Tyrell das Águas Clara estava condenado, reconheci que à despeito do fim, existiam coisas piores. Naquele momento, contudo, o jogo dos tronos seria um passo importante, na vida daquela jovem menina solitária. Em breve, sua posição seria contestada por um declarante, talvez até mesmo um Lord Menor, se não fosse rápida em assegurar-se. Por esta razão, mais do que pelo sobrenome compartilhado, eu estava ali. Tinha uma solução, que beneficiaria ao meu sangue, mas também à própria menina. Era esta, verdadeiramente, a única forma de conseguir manipular uma mulher ou homem de posição. Fazer com que eles enxerguem o benefício em seus planos. Se você é incapaz de encontrar algum, é melhor evitar a manipulação, sob o risco de parecer ganancioso ou tolo. Naquele caso, observando de longe a beleza tranquila e natural da menina ruiva, toquei meus lábios com um dedo indicador. Eu lembrava-me do precioso segredo de Lord Tyrell. Sabia que ao revelá-lo, teria Mina em minhas mãos. Mas não desejava provocar-lhe mais dor. Ela merecia outra coisa. Uma mãe, que já não tinha há muito tempo. E, segundo as línguas mais generosas de nosso povo, eu era a Mãe de toda a Campina.

- Vejo que o luto não tirou o melhor de você, meu passarinho vermelho. - Sorri, estendendo a mão para que a jovem a beijasse e abrindo os braços em seguida. - Venha dar um abraço nesta velha. Espero que tenha sobrevivido ao tédio orgânico de esperar sozinha. Os deuses sabem que odeio muitas coisas, mas nenhuma tanto quanto tempo perdido. - Olhei para Mya, enquanto sentava-me numa cadeira próxima à pequena mesa em que Mina esperara. - Vá e peça que tragam um pequeno almoço para mim e para a Lady Tyrell. É melhor falar sobre temas sérios com os prazeres da gula à mão. Perdoe a aparência estúpida de minha criada. Não devemos culpar os obtusos por suas origens.

         Rindo, puxei meu leque laqueado com ouro de dentro do colete, abanando-me com exasperação. Sem cerimônia, servi duas taças de vinho branco dornês para mim e para Mina, sem perguntar se ela desejava ou não a libação. Empurrei a dela em sua mão, e dei um leve gole que acalmou meus sentidos e afastou o gosto ruim da boca, uma característica nada atraente, porém constante, das portas da velhice. Talvez por isso considerassem a Velha a mais sábia dos Sete deuses. Todos os outros Seis deviam evitar ao máximo que ela abrisse a boca, com o mau cheiro. Fitando Mina com um olhar penetrante, lembrei de quando ela era uma jovenzinha assustada, ainda mais do que agora. Haviam marcas diferentes em sua presença. Um olhar sustentado por um sofrimento que separava as mulheres das crianças. A Lady de Águas Claras não era mais uma donzela. E eu não me referia unicamente ao seu corpo.

- É uma situação complicada a em que você se encontra, não é mesmo, querida? Eu lembro-me de ter alertado Alester quando Joseph ainda era um garoto. Ele é poucos anos mais velho que você. Se estivesse inclinado ao casamento, seria uma opção considerável para manter seus bens no nome da família. Contudo, meu filho é irredutível em seu luto por sua amada Cyressa. Cá entre nós, os deuses sabem que ela não era digna de tamanha devoção. Não pergunte o porquê. Nosso assunto é o seu bem estar, que acredite, me diz respeito. Não só pela relação de mãe que sinto-me no direito de possuir ao tê-la criado por metade de sua vida, mas pela sincera urgência que sua posição impõe à Campina. - Pus meu leque sobre a mesa, bebendo meu vinho novamente. - Compreenda. Somos um povo rico e próspero, todos nós. Uns mais do que outros. E dentre estes outros, alguns sempre anseiam por mais. Quando a Casa Florent foi exilada e depois extinta, haviam muitos que consideravam ter um direito maior sobre sua fortaleza, na época de Joffrey Baratheon. Com o tempo, afastamos qualquer dúvida. Mas agora, pode ser que elas retornem, oportunistas. Uma jovem sozinha, sem pai, irmãos, marido, e principalmente filhos, não deveria governar. Creio que eu não necessite explicitar que neste momento, minha criança, sua vida está cercada de inimigos. Você é a chave para um castelo, riqueza e exército com uma reputação de séculos. Entende o risco que corre?

       Mya retornou de cabeça baixa, depositando queijos, uvas, maçãs, pêssegos, figos e maçãs sobre nossa mesa. Um segundo servo trouxe pães de ovo, bolinhos de cereja, dois pedaços de torta de carne e um jarro de refresco de limão. Fiz um gesto para que sumissem, mordendo com vontade um dos bolinhos.

- Os benefícios da velhice... Comer a sobremesa primeiro. - Ri, limpando os dedos com a boca e secando-os com os guardanapos verdes borbados com rosas douradas. - Sempre rosas douradas... - Comentei, revirando os olhos. - Eu soube de sua situação, Mina. Sei que seu marido era um monstro. Não acha conveniente que ele tenha morrido logo depois que Lord Alester falecera? Eu sabia que não podia deixá-la sozinha com ele, ou os Mullendore tomariam Águas Claras após a sua morte. - Confessei, sem dizer especificamente que eu enviara o veneno com o qual os servos de Mina haviam matado seu marido. - O importante, é que agora você está em segurança. E eu tenho a solução para qualquer ameaça ao seu governo. Meu sobrinho, Avalon. Os Hightower são aliados preciosos para os Tyrell, os mais importantes e vitais, eu diria. Meu sobrinho é um rapaz honesto, honrado e... especial. Ele não a machucaria como seu esposo anterior. Sua fortaleza seria governada a partir de Torralta, e seria herdada pelo primeiro filho de vocês dois, ou pelo gêmeo mais jovem de Avalon, se não puder ter filhos. O nome do novo Lord de Águas Claras será Hightower, no entanto. Um sacrifício em troca da felicidade. O bom marido que você sempre desejou, e a chance de viver uma vida inteira. Seus inimigos não a tocarão, com tal proteção.

      Ela não podia iludir-se. Tinha inimigos. Adversários capazes de forçarem pretensões sobre Águas Claras, tomando-a à força. Se ao menos eu pudesse salvar sua vida, e no processo manter o prestígio do ramo secundário entre o nosso sangue, meu esforço para livrá-la de seu algoz teria valido à pena. Degustando e engolindo um pedaço de queijo, decidir dar um ultimato em nossa agradável reunião.

- Alester secretou-me, quando fui até Águas Claras para insistir que ele casasse novamente, após a morte de sua mãe, que o problema nunca foi do solo, mas da semente. - Declarei, em voz baixa. - Compreende, passarinho? Entende o sacrifício que seu pai teve de assumir, para pô-la no mundo? Entende o risco de que algum inimigo seu descubra esta mesma informação e a espalhe como a verdade que é? Seu nome seria Flowers entre a boca dos de nascimento comum, e o apoio à sua causa se resumiria a mim. Não podemos permitir isto. Seu pai de sangue, seja ele quem for e onde esteja, deve continuar enterrado. Como Lady Hightower, você garantirá isso. Não peço que decida agora. Meu filho ordenou-me em viagem à Porto Real. Venha como minha dama de companhia, e teremos tempo longe daqui para que possa colocar sua mente em ordem. Quando voltarmos, orientei meu sobrinho para que esteja aqui, esperando. A depender de sua resposta, ele ficará sabendo ou não de seu segundo casamento- comentei, sorrindo com a maldade em minha voz, ao judiar de Avalon. Era um bom garoto, mas depressivo demais para o meu gosto. Talvez Mina o fizesse bem.

        Ainda não sabia se fora o melhor revelar tal segredo. Mas se Mina não compreendesse agora a delicadeza de sua situação, então melhor seria abandoná-la à própria sorte. Ela não tinha talento para o jogo. Mas algo dizia-me, bem no fundo, que ela aprendera o suficiente para conhecer a maldade no coração das pessoas. E tinha traços bondosos e honestos, que desejariam proteger seu povo de qualquer mal. Era nesta bondade que eu apegava-me, para convencê-la do que deveria fazer. Do contrário, Olyvar acabaria herdando Águas Claras, quando um usurpador pusesse um fim em sua vida, e nós do ramo principal tivéssemos de destruí-lo. De um jeito ou de outro, eu teria o que queria. Mas havia um jeito trabalhoso, com a morte de uma inocente e uma guerra indesejada. E o jeito fácil, com um caro e extravagante casamento. Eu preferia a segunda alternativa, em qualquer dia da semana...

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Re: O Pátio dos Pavões.

Mensagem por Mina Tyrell em Qua Maio 24, 2017 8:56 pm

Mina Tyrell
LAdy Tyrell da Fortaleza de Águas Claras
Os olhos esmeraldas de Mina acompanharam Lily se distanciar receosa, como se temesse que algum mal pudesse lhe acontecer. Na verdade, de bem e mal era algo muito empírico, que mudava e acordo com o ponto de vista de cada um, não havia como determinar ao certo. Sentia-se responsável por aquela garota, toda tragédia de sua vida era sua culpa, mas mesmo assim, não houve um só dia, que Lily não tenha sorrido para ela. A medida que a perdia de vista sentia seu peito doer, uma preocupação quase maternal, apesar da pouca diferença de idade, mas eram apenas os fantasmas que assombravam a ruiva. A cada vez que encarava seu semblante, aquela tempestuosa noite tomava suas memorias, a forma como Garth havia violentado naquela noite e em seguida, violentou a pobre Lily que tinha apenas quatorze anos. O pecado da menina? Tentar cuidar das feridas de sua senhora. Aquele era um peso que levaria em seus ombros pelo resto de sua vida, um crime que ela pagaria aos Deuses. Não se importava com a violência do marido em seu corpo, mas a que ele cometeu contra a garota, doera mais do que qualquer coisa que ele tivesse feito a ela.

Somente se libertou daquela corrente de pensamentos quando a voz da matriarca ecoou pelo lugar, um timbre um pouco mais rouco do que se lembrava, talvez pela idade já avançada. Mina sorriu gentil e cortês, tomou a mão já enrugada pela idade e beijou suas costas com um leve toque de lábios. O convite para o abraço fora aceito de bom grado e envolveu a senhora em um abraço caloroso entre duas ladys que se estimavam: — Lady Desmera. Que bom vê-la novamente. — Disse enquanto se desvencilhava dos braços da mulher: — Cheguei a pouco. A espera não foi longa. Não há com o que se preocupar. Fico feliz por vê-la bem e disposta. Minha estima pela Lady é maior do que imagina. — Segredou para a outra Tyrell. Neste ponto não havia mentiras ou algum tipo de manipulação em suas palavras. Lembrava-se com alegria dos anos que passou no Jardim de Cima sob os cuidados de Desmera, aprendendo a agir como uma verdadeira Tyrell, todavia, a urgência interrompeu aqueles bons tempos, levando-a de volta para a Fortaleza das Águas Claras. Nem imaginava naquela época, que o que a aguardava em casa em um verdadeiro pesadelo.

Sua atenção naquele momento pertencia única e exclusivamente a Desmera, a atmosfera havia mudado, Mina conseguia perceber facilmente que as cordialidades haviam sido deixadas de lado e duas ladys importantes tratariam de assuntos importantes. Não fez cerimônia quanto o vinho, sabia que as bebidas servidas no Jardim de Cima eram as melhores. Degustou com calma, refestelando o palato com aquele gosto único em seus lábios, a bebida desceu aquecendo a garganta incomodando levemente, mas sua expressão se quer mudou. A mais velha tomou a dianteira do assunto, não havia nenhuma cerimônia em suas palavras, mostrando a ela a dura realidade pela qual ela passava. Tinha ciência de que ela tinha razão em cada ponto, não havia muito o que se falar, ela estava órfã, sem marido, sem filhos, nada que pudesse lhe respaldar. Para piorar, não tinha a personalidade firme como a da mulher a sua frente que sozinha cuidou dos interesses de seu filho e governou com soberania. Mina não era essa mulher, jamais seria. Seria uma boa esposa, competente nos assuntos do castelo, mas não uma boa líder de uma casa.

A ruiva suspirou descrente e bebericou um pouco mais da taça em seguido colocando-a sobre a mesa. As palavras lhe faltavam naquele instante: — Compreendo suas palavras milady. Queria eu que essa fosse uma situação bem diferente. Gostaria que meu pai ainda estivesse entre nós, sendo aquele bom homem que ele sempre foi. Queria eu ter tido um herdeiro para que o legado que ele tanto tinha orgulho perdurasse. Mas a Mãe não me abençoou. Infelizmente. Alguns Lordes já vieram até mim propondo alianças, obviamente, sedimentadas por casamentos. Se quer esperaram que meu luto chegasse ao fim. Eu tenho resistido como posso. Graças aos Deuses conto com vassalos fiéis, pelo menos até agora. — A ruiva fez uma pausa. Seus lábios deslizaram um pelo outro e respirou fundo: — Venho em busca do seu auxílio Lady Desmera. Não quero que meus servos acabem nas mãos de algum lorde psicopata. Tenho meus motivos para pensa de tal forma.

Antes que o assunto tivesse continuidade, os servos serviam o pequeno almoço que havia sido preparado para as duas. Achava interessante a forma corriqueira como a senhora falava, uma calma que chegava a ser assustadora, como se ela tivesse uma carta na manga para tudo. Quem sabe não era essa a verdade. Se deu a liberdade de rir das palavras sobre a sobremesa e das rosas douradas, claramente sem perder a delicadeza de seus gestos. O que veio a seguir foi um longo silêncio, a cada nova palavra sentia algo dentro de si mudava e uma luta para não transparecer seus sentimentos. As palavras da anfitriã reviviam as dolorosas lembranças dos últimos dois anos de sua vida. Preferia esquecer cada um desses dias, mas a ressalva sobre o falecimento de seu marido, fez com que seu olhar se erguesse. Não precisava de ser muito inteligente para notar que havia algo por trás da morte do crápula, mas jamais imaginaria que esse algo seria Desmera Tyrell. O mais estranho, foi que tal notícia não abalou em nada, no fundo, a morte dele realmente havia sido um grande alívio.

Mas a conversa finalmente havia chegado no ponto que ela já imaginava, imaginava que ela teria algo dessa natureza em mente, mas o nome cogitado lhe causou espanto. Primeiro pela relevância da casa e em segundo por ser um homem já casado, naquele momento precisou ponderar suas palavras: — Garth era um monstro. — Disparou de imediato: — Minha alma ainda carrega as cicatrizes de sua monstruosidade. Por um tempo, ele contentou-se em apenas violentar-me, me machucar, fisicamente. Mas quando ele percebeu que isso já não era suficiente, ele passou atingir aqueles que eu gostava. Ele estuprou minha Dama de Companhia. Lily tinha apenas quatorze anos e muitos sonhos. Mas o pior, foi assistir tudo aquilo, sem que eu pudesse fazer nada para salva-la. Levarei isso comigo para sempre. Não me importa a razão de sua morte, apenas consigo me sentir aliviada. — Confidenciou a mulher a sua frente. Seus olhos verdes estavam levemente marejados, mas não permitiu que uma só lágrima caísse de seu rosto.

Mina precisava de uma pausa para continuar, tomou os talheres na mão e se deu ao luxo de saborear a torta de carne que parecia realmente apetitosa, a refeição foi acompanhada de um gole de vinho, para que conseguisse falar novamente. Mas aproveitando-se da brecha, fora a vez de Desmera continuar a falar, novamente percebeu que o assunto seria delicado e se preparou para o pior que estava por vir. Em um minuto sentia-se sentada na confortável poltrona, no segundo seguinte, era como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés. Estava incrédula, em choque com as palavras da senhora. Estaria ela manipulando-a dessa maneira: — Isso não pode ser verdade. — Protestou antes que ela terminasse de falar, mas novamente a mais velha tomou as palavras. Já não conseguia mais escutar com clareza, já não tinha certeza de mais nada naquele ponto. Ela uma bastarda? Como? Seu pai havia a criado com amor e carinho até seu último suspiro, dedicou a cuidar dela e pediu perdão todos os dias desde que havia a casado com Garth. Como esse homem não poderia ser seu pai?

Tudo se tornou uma grande confusão em sua mente, queria respirar, mas parecia ter dificuldade para isso, enquanto a Rainha dos Espinhos parecia bem à vontade com a situação. Seu olhar vagueou, até que viu a figura de Lily parada próxima a lindas flores. Não podia ser egoísta e pensar somente nela naquele momento. Tomou a taça de vinho e não fez cerimônia ao tomar um gole generoso, fechou seus olhos por um instante e respirou fundo, procurando parcimônia dentro de si: — Seu sobrinho é um jovem viúvo. Já ouvi um tanto sobre os Hightower e sua reputação. Realmente me parece um bom homem Lady Desmera. — Suas palavras cessaram e mordiscou os lábios levemente: — Sempre tive conhecimento de minha situação, mas não mensurava que fosse tão delicada. Tendo em vista tudo que me expôs, não há muito o que se pensar. — Mina se ajeitou na cadeira: — Preciso pensar no bem dos meus, antes de qualquer outra coisa. E se para manter aquelas pessoas a salvo será necessário tamanho sacrifício eu o farei. Já vi essas pessoas sofrerem muito nas mãos de meu falecido marido. Infelizmente não tenho força para cuidar de tudo sozinha e ainda enfrentar revoltas. Se me garante que tudo continuará como está na Fortaleza, já tem minha resposta. Se for a vontade de seu sobrinho, casarei com ele. E também serei sua dama de companhia a viagem até Porto Real. É o mínimo que posso fazer para retribuir o que está fazendo por mim. — Assustou-se consigo mesma ao final de suas palavras. Havia sido firme, mesmo com seu peito sangrando mais uma vez, como estava naquele momento.  


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Mina Tyrell
Casa Tyrell da Fortaleza de Águas Claras
Beautiful, delicate and strong."
thanks, lizzie @ TPO

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Re: O Pátio dos Pavões.

Mensagem por Desmera Tyrell em Qui Maio 25, 2017 11:41 pm

"Oh yeah... All Lannisters are lions and all Starks are wolfs... And when the Tyrell farts its smells like a rose..."
 
       Fechei meus olhos diante de suas palavras. Mina era uma menina bondosa demais, e me fazia feliz vê-la a salvo. De preferência, cumprindo minhas determinações para o seu bem estar. Contudo, podia dizer sem qualquer culpa ou remorso, que minha alegria era sincera. Sorrindo, tomei as mãos delicadas das minhas, atenciosa. Uma de minhas mãos deslizou pelos seus lindos cabelos ruivos. Se os deuses fossem bons, e permitissem que Avalon se interessasse por ela, seus filhos teriam os mesmos fios. O rosto delicado ainda era macio sob o meu toque delicado, que secou-lhe uma lágrima. Havia sob aquela face, contudo, sangue e carne muito mais fortes do que aqueles que haviam deixado a minha proteção ao serem chamados de volta por seu pai, em estado de urgência para casá-la de modo matrilinear com um Mullendore. Aquela situação deixara-me possessa, principalmente ao ver Mina sendo arrastada para longe, com lágrimas nos olhos ao saber o destino que a aguardava. Todos conheciam a reputação do jovem, mas ele fora o único homem a aceita uma união dentro dos termos de Alester. Bem, aquela não era mais uma opção, e meu sobrinho era uma alternativa muito maior do que ela poderia esperar. Mas Mina era da família, merecia ser protegida por nós.

- Está decidido, então. Iremos juntas. Duas Ladies Tyrell, contra as intempéries deste mundo a ser desbravado. - Brinquei, mastigando uma uva. - A comitiva de Águas Claras aliada à de Jardim de Cima, será uma companhia suntuosa em nossa chegada. Proporcionaremos um espetáculo que deverá acalmar os ânimos dos de nascimento comum. Meu filho enviará um destacamento de trezentos homens, e eu pedi ao intendente que preparasse um carregamento extra com as sobras de nossas colheitas. Quando chegarmos ao reduto de nosso rei, faremos o maior ato de caridade já visto em anos. Tudo pela honra dos Sete. - Menti, rindo. Mina conhecia-me bem, supondo que estivesse prestando atenção às minhas aulas. A honra seria toda para os Tyrell. - Os Tyrell são vistos como ricos e egoístas. Mas há coisas que podemos fazer para alterar esta visão. Sendo amados pelo povo nas Terras da Coroa, os Blackfyre não poderão correr o risco de nos causar inimizades. Ou de tentarem nos forçar à uma união indesejada, uma vez que teremos a vantagem. Além do mais, se aumentarmos os preços, a coroa terá que mendigar para o Banco de Ferro por comida, passando pelo mesmo que os Martell, vinte anos atrás. Sua presença, minha querida, auxiliará na demonstração de força e união, entre nossas Casas. Será anunciada como protegida de Torralta, sede ancestral de Vilavelha. E me acompanhará em uma reunião com a rainha em pessoa, como dama. Traremos meu neto de volta, e deixaremos que os dragões negros encontrem uma solução para os próprios problemas, para variar. Seria uma saudável primeira vez. Todos os Sete Reinos sabem que os pusemos no Trono. Já é tempo da Campina deixar de sustentar líderes falhos. Que fiquem gratos por nos mantermos leais à integridade dos Sete Reinos, e não nos envolvam em suas guerras. Ou mostraremos o significado de "Crescendo Fortes". Um lema sinceramente tolo, se me perguntar à respeito, mas capaz de provocar medo ao representar a profusão de nossas forças e recursos. - Sabia que aquele era o lema de sua família, também. Além das cores, e da proximidade geográfica, esta semelhança sempre manteve as duas fortalezas unidas.

           E assim continuaria sendo. Hightower ou Tyrell, não importava. Mina era minha discípula, e saberia superar o fim de sua Casa com graciosidade, como a origem de uma nova família nobre. Os Hightower de Águas Claras seriam ainda maiores, eu tinha fé. Meu sobrinho teria uma grata surpresa, com meu retorno. A concordância de Mina tornaria impossível que ele recusasse a união e o acréscimo de poder que ela significa. Nem mesmo as reclamações de minha sobrinha-neta, Alerie, poderiam ser o bastante para convencê-lo do contrário. No mesmo ínterim, talvez eu lucrasse em dobro, dobrando o excesso de zelo de Avalon por sua "Pérola". Alerie já recusara Lords demais. Do nosso, e de outros reinos. A fama da donzela de Torralta era larga, e logo atravessaria o Mar Estreito. Mas apenas um era digno de sua preciosidade. A jovem mais desejada da Campina, não teria outro par que não o futuro governante, meu Olyvar.

            Mas primeiro, eu deveria desvencilhá-lo das garras de uma infame princesa dragão...

Encerrado para Desmera. <3
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Queen of Thorns...

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Re: O Pátio dos Pavões.

Mensagem por Mina Tyrell em Dom Maio 28, 2017 1:04 pm

And if you really need me
Eh bien, si ya, lookin for me, je suis probablement dans la métropole, i le fais pour l'amour donc ce est de la merde sans but lucratif je suis, je suis boardwalkin ', de sorte que vous pouvez appeler ce monopole de toute évidence, mon approche la musique ne est pas modérée, mon Mascoma tourne, je suis l'anomalie Je aime tous mes ennemis, mes ennemis causer ┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈┈

P
Em momentos como aquele, Mina tinha uma leve noção de como havia mudado nos últimos dois anos. Em tempos atrás estaria em estado de desespero, aos prantos sem saber para onde seguir ou o que fazer. Ainda que a matriarca Tyrell tenha a colocado contra a parede, soube como lidar com a situação, de forma inteligente e menos emocional. Todavia, estava desolada por dentro, um vazio como jamais havia sentido. Tinha a nítida sensação de que toda sua vida até aquele ponto havia sido uma grande mentira. O homem que sempre zelou por ela com tanto esmero, não era seu pai como sempre acreditou. Buscou em sua mente alguma lembrança que denunciasse tal fato, mas as únicas lembranças que tinha de Alester Tyrell eram repletas de amor e carinho. Sabia que seu casamento havia matado seu pai de desgosto, ele não suportava ver as constantes humilhações e violências que ela sofria, tinha a plena certeza, que se tivesse gerado pelo menos um herdeiro, seu pai o teria matado sob o pretexto as crueldades que ele praticava com Mina. Mas a Mãe não a abençoou e o Estranho teve planos diferentes para a vida do bom homem.

Todavia, agora não importava se era Tyrell ou Flowers, se fosse da vontade do Lorde de Torralta, em breve seria Hightower. Lhe parecia um futuro bem melhor do que o que se revelara diante de seus olhos tempos atrás. Seus pensamentos foram dispersados pelo toque gentil de Desmera, primeiro acalentando suas mãos, depois secando a única lágrima que escapou de seus olhos de esmeraldas. Mesmo que de certo modo, ela tivesse praticamente a colocado contra a parede, havia uma alegria e compaixão sincera por pela jovem Tyrell. Não podia culpa-la por cuidar da família, mesmo que as vezes fosse um pouco incisiva. Um sorriso tímido surgiu nos lábios da ruiva, agora já tinha dado sua palavra e não voltaria para trás. E realmente, Avalon Hightower era uma possibilidade melhor do que qualquer outra que ela pudesse imaginar. A casa Hightower era uma das mais importantes e respeitada da Campina, muita rica, mais do que muitas grandes casas. Sabia que o Lorde Torralta era um homem de reputação ilibada, viúvo a poucas luas, ainda guardava luto por sua falecida esposa. Mina suspirou, se ele cuidasse de seus vassalos com o mesmo esmero de seu pai, já seria o suficiente para ela. Lily estaria protegida.

— Tenha certeza que será um imensurável prazer para mim acompanha-la milady. — Respondeu graciosa a brincadeira da mais velha. — A comitiva de Águas Claras marchara ao lado da comitiva do Jardim de Cima. Mostraremos que ainda que em sedes diferentes, somos uma só casa, uma só família. É apenas a verdade. Nossos estandartes tomaram as ruas de Porto Real, colorindo a Capital de verde e dourado. — Sorriu a ruiva depois de ouvir as palavras de Desmera. Ela sabia que toda a glória daquele ato, recairia sobre os Tyrell do Jardim de Cima, causando constrangimento a Coroa. Não tinha um vasto conhecimento sobre as políticas, mas sabia que os Blackfyre passavam por momentos delicados e as palavras de Desmera, apenas confirmaram os rumores que ela já tinha ouvido: — Prometo Lady Desmera, apesar da situação delicada. Serei a melhor esposa possível para seu sobrinho. Jamais esquecerei tal ato de benevolência de sua parte. Ainda que a vontade de meu pai tenha sido perpetuar nosso nome, sei que ele está orgulhoso de minha decisão, ele era um Lorde, não desejava ver Águas Claras nas mãos de um degenerado como meu falecido marido. Saberei ser grata por sua ajuda. Terá em mim uma aliada sempre que necessitar. — A jovem fez uma pausa em suas palavras e sorriu: — Para o que precisar. — Tinha certeza que a matriarca havia compreendido o tom de suas palavras, fora ela mesma quem a ensinara a falar daquela forma.

De espírito apaziguado, Mina relaxou na cadeira, não havia mais nada a ser dito. Não se arrependia da decisão que havia tomado, agora era até uma questão de tempo para que tudo ocorresse. Restava apenas pedir aos Deuses que o Hightower fosse um bom marido, todavia já não tinha mais os sonhos de quando era uma jovem donzela, já não acreditava em sentimentos como o que havia entre seus pais. Mas querendo ou não, agora ela poderia ter em suas mãos poder suficiente para proteger aqueles que lhe eram caros. Lily nunca mais sofreria, nunca mais seria abusada e jamais choraria nas mãos de um canalha. Sentiu-se pela primeira vez como uma boa lady, cumprindo seu dever para com aqueles que confiava nela. Tomou a taça de vinho servindo-se um pouco mais e tomou a liberdade de servir sua anfitriã: — Um brinde Lady Desmera. A prosperidade da Campina, dos Tyrell e dos Hightower. — Pela primeira vez, depois de tanto tempo, ousou sorrir com sinceridade.

Encerrado para Mina Tyrell

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Can you feel the pressure between your hips?

thank you weird for lotus graphics!

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Mina Tyrell
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