Mirante de Rhaelle

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Mirante de Rhaelle

Mensagem por O Corvo em Seg Maio 15, 2017 10:02 pm



Mirante de Rhaelle

O mirante é uma extensão do castelo construída durante a infância de Stannis Baratheon. Embora tenha sido erguido com propósitos militares, buscando vantagem sobre os inimigos vindos do mar, foi usado principalmente por Lady Rhaelle Targaryen como sala de chá e confidências. É cuidadosamente coberto e oferece uma vista rica e privilegiada do mar. Possui confortáveis assentos e um teto decorado com esmero por vários artesãos.

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Re: Mirante de Rhaelle

Mensagem por Ella Baratheon em Dom Jun 25, 2017 4:03 pm







STORMBORN




Our is the fury. And mine is the crown
Marianne não parava quieta, brigava com as amas e trocava o vestido duas ou três vezes. Ela estava ansiosa pelo banquete, era ainda muito criança  e não havia visto nada parecido. Eu também mal conseguia sentir meu rosto, e quando o sentia, tudo era muito quente, e minhas maças do rosto muito rubras. A felicidade pela volta de Endric se confundia com a alegria que a visão de seu companheiro me proporcionava. Em sua armadura prateada com ornamentos azuis, Artys Arryn fazia questão de trazer o estandarte de sua casa, enquanto cavalgava despreocupado ao lado de meu irmão.

Nunca esqueceria aquela imagem. Fui inicialmente arrebatada por suas feições, um cavaleiro com recém completados vinte e sete anos e senhor de uma das casas mais próximas à minha. Havia sido um milagre eu ter conseguido lhe cumprimentar, iniciar uma conversa e ser correspondida. Em meio ao meu delírio, considerava-me com sorte apenas por ter seus olhos claros virados em minha direção, dando atenção e crédito às minhas conjecturas.

Respirei fundo quando a ama puxou meu espartilho com força. Havia chegado aos meus quinze anos, e todos consideravam que era hora de atrair os olhares de um marido adequado. Pobre de mim, que só me interessava pela atenção de um homem em particular, mas o horizonte estava cheio de limitações. Artys e eu havíamos descobertos inúmeras afinidades, mesmo com a diferença de idade entre nós. Sua nobreza, dedicação, coragem e amabilidade eram tudo com o que eu conseguia sonhar.

E ainda havia seu sorriso. Por diversas noites, a imagem de seu sorriso era tudo que tinha para me confortar. Era cruel que eu tivesse que guardar tais sentimentos para mim, quando o homem em questão estava prestes a voltar para o Vale. Então tomei uma decisão imprudente: tinha de me declarar. Tinha que cometer aquele erro fatal, e o faria na noite do banquete.

Desci apressada quando as amas concluíram seu trabalho e segui pelos corredores até avistar dois cavaleiros da casa Arryn. Me aproximei com desenvoltura e toda a confiança proporcionada pelos quinze anos. - Senhores, sabem onde posso encontrar Lord Artys? - Perguntei. Os homens se permitiram uma reverência profunda e me indicaram a direção tomada por seu soberano.
Me apressei antes que Marianne pudesse me seguir. Antes que nos puséssemos a mesa, tudo estaria resolvido.

Minhas pernas ameaçaram perder o equilíbrio no caminho, mas segui firme, com a saia de meu vestido amarelo ouro varrendo a pedra sob meus pés. Não demorou para que a figura soberba de Artys surgisse. O Guardião do Vale admirava tranquilo a paisagem proporcionada pelo Mirante de Rhaelle. Parecia sereno, e muito belo em seus trajes de noite. Era muito mais alto que eu, com a barba por fazer e os ombros largos, de costas para mim. Havia fantasiado tantas vezes com aquele momento, havia pesado os riscos e encarado minha infantilidade.

Artys era casado. Sua esposa o esperava no Ninho da Águia. Eu deveria estar ciente disso, mas era capaz de ignorar o mundo se houvesse uma pequena possibilidade, uma pequena chance de ver minha paixão febril ser correspondida. Todos os meus sonhos giravam em torno da figura masculina diante de mim, e quando me aproximei o suficiente para sentir seu cheiro, comecei a falar.
- M-Milorde, andei procurando pelo senhor.





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Re: Mirante de Rhaelle

Mensagem por Artys Arryn em Qua Jun 28, 2017 12:14 am

"I wanna see the bad man fly....."
 

     Flashback.

Ponta Tempestade era um castelo de aura triste, eu poderia dizer, pela aura constante e cinza, que apinhava-se sobre cada pedra, resvalando história sobre cada musgo. A fortaleza Baratheon era conhecida por seu passado, um forte erguido para resistir às forças dos deuses do mar e do vento. Mas para mim, era apenas o lar de um amigo. Endric era um homem jovem, mas um dos mais impressionantes que eu já havia conhecido. Apesar de sua ferocidade em batalha - eu nunca seria páreo para a fúria daquele cervo - ele era uma pessoa cheia de virtudes, capaz de ser generoso com os fracos mesmo que não tivesse nada a ganhar. O que era mais do que se podia dizer sobre mim, que sempre estivera satisfeito fodendo tudo que respirasse e bebendo até o esquecimento, enquanto Arthos lidava com uma Guerra Civil. Apenas a sua perda e a tristeza trouxeram-me à superfície. Os nobres possuem um compromisso com aqueles esmagados sob seus decretos. Não ordenamos forças à batalha, contra esta ou aquela Casa Rival. Ordenamos vidas. Pais, irmãos, amantes… Milhares de contos, de histórias não contadas pelos Meistres. Milhares de mulheres, e talvez outros rapazes, chorando e dilacerados pela perda. De uma maneira melancólica, era em parte como eu me sentia, deixando um irmão para trás. Meu dever era com o Vale, a cadeia fria de montanhas que eu chamava de lar. Mesmo o ar rarefeito dos aposentos elevados do Ninho me eram caros à ponto de sentir falta. E também minhas crianças. Eddard já tinha sete anos, e desejava ardentemente uma espada. Ele era filho de minha primeira esposa, Lyssena Royce. Ela seria a esposa de Arthos, se ele tivesse vivido o bastante para casar-se.

Alyssa tinha cinco, e era a perfeita dama. Uma menina quieta e muito sorridente, um encanto. Ela era filha de Rowenna Redwyne, minha segunda esposa. Como a mãe, tinha olhos espertos e cabelos castanhos escuros. Por fim, os gêmeos de três anos, filhos de minha Wanda e herdeiros de Lar do Coração, sede ancestral dos agora extintos Corbray. Wanda era minha prima por sangue materno, e fora meu dever mantê-la, quando seus pais morreram. Como única filha deles, e agora Senhora do Ninho, sua família foi assimilada à minha. Bem como o governo de Lar do Coração, que comando em nome de Galahad, meu gêmeo mais velho. Mesmo a espada valiriana dos Corbray permanecia pendurada no Salão de Honra dos Arryn, aguardando que seu dono de direito a empunhe, quando estiver pronto. Ali, no Mirante de Rhaelle, eu sentia falta daquilo tudo, mas não podia negar a beleza daquela noite avermelhada. Fria, mas aconchegante. Ponta Tempestade não era tão estéril quanto faziam crer, era ainda um lugar repleto de beleza, para olhos treinados a procurá-la. Como a mais velha das donzelas Baratheon, com seus olhos profundos e seus cabelos negros. Haviam semelhanças físicas com Endric. Mas era a semelhança de coração que me intrigava. Algo me dizia que as mulheres daquela família eram tão perigosas quanto o herdeiro. E por motivos bem diferentes.

Ella era quase uma menina, mas eu nunca fora virtuoso o bastante para ignorar os atributos físicos de uma flor que desabrocha. Ao chegar com a comitiva de Endric para devolvê-lo, seus olhos foram os primeiros que observei. Cada curva delicada era um convite ao pecado, e embora não fosse virtuoso, jamais poderia desonrar um amigo e irmão, arriscando a aliança entre as Casas por uma paixão. Mas Ella não era apenas bela. Era perspicaz e arredia. Sua irritação e tendência natural ao desafio conferiam expressões belas ao rosto marmóreo. Suas vestes eram todas impecáveis, e os deuses - fossem quais fossem - sabiam como uma mulher bem vestida era capaz de atiçar a minha imaginação. Imaginei como ela ficaria nas cores Arryn… Quase mordi meu próprio lábio inferior ao pensar tal absurdo. Eu amava Wanda, sentia um carinho por ela que era diferente de minhas outras esposas. Mas eu a amava porque era família. Muito embora fosse bela e tivesse me presenteado com filhos lindos, nosso amor e relação ainda era a de primos. Eu ainda reconhecia a amiga de Aileen, que constantemente ria baixinho quando deparava-se comigo no Ninho, nervosa demais para falar. Ella também era um pouco tímida, mas ela viera até mim numa manhã, ao desjejum. E durante todo o dia, apanhei no campo de treinos. Habilidades em combate nunca haviam sido o meu forte, ainda mais com a mente presa à imagem da Baratheon de cabelos de ébano.

A voz de Ella ecoou no mirante. Como ela descobrira que eu estaria ali? Mais importante. Como ela reunira a coragem necessária para ir até lá? Não parecia algo que ela faria normalmente. Mesmo em nossas conversas ela nunca demonstrou qualquer sentimento mais profundo, além de uma admiração mútua. Ignorei a forma como minhas costas se retesaram, sentindo meus dedos apertarem um pouco mais o parapeito de pedra do mirante. Respirei fundo, e meu fôlego subiu como uma nuvem breve de fumaça. Estava mais frio do que eu pensara. Com minha camisa azul simples de linho, não estava preparado para aquilo. Os primeiros botões ainda estavam abertos por causa das tardes quentes, o que não era exatamente ideal para a noite. Eu ainda não estava pronto para o banquete. Ella por outro lado, estava linda. O espartilho acentuou sua cintura e seus quadris. Quase imaginei-me deslizando as mãos abertas pelo seu corpo, detendo minha mente para abrir um sorriso e cumprimentá-la, afastando-me do pequeno muro e caminhando em sua direção.

- M'lady. - Adiantei-me para beijar sua mão, tocando a pele alva com ímpeto. Meus lábios tocaram a superfície fria por um breve instante, mas não me detive muito tempo. - O que a traz aqui? Está um pouco mais frio do que imaginei. Perdoe-me pela vestimenta digna dos estábulos. - Dei de ombros, rindo um pouco. Por que estava nervoso perto de uma criança? Talvez porque não quisesse que ela fosse embora, talvez? Ella Baratheon não era nenhuma criança, eu devia lembrar. Seus trajes indicavam que estava pronta para tomar um marido.

Ainda estávamos próximos, e como ela parecia hesitar em responder, aproximei-me um pouco mais. Nossas respirações tocavam-se, as duas nuvens subindo juntas. A forma como ela encarou meus olhos fez ferver o meu sangue, à despeito do clima. Contendo-me, permiti que uma de minhas mãos deslizasse por um de seus ombros nus, sentido a pele fria sob a ponta de meu indicador, que raspava a unha na penugem natural quase inexistente. O cheiro de Ella era como canela e especiarias, quente. Era provavelmente fruto do comércio com os mercantes do Mar Estreito. Aquela menina-mulher não tinha escolhido nada ao acaso. Eu conhecia um pouco sobre mulheres, um outro tanto sobre homens, mas aquela técnica era universal na arte da sedução. A casualidade. A forma como cada gesto, ainda que ordinário ou cotidiano, tinha o potencial de tornar-se erótico quando empenhado num objetivo específico. Respirando um pouco mais firme, desatei o nó do manto negro em meu ombro, estendendo-o sobre os ombros de Ella, cobrindo parcialmente o vestido dourado.

- As cores de sua Casa, ou quase. - Observei, com uma voz solene. O amarelo seria mais exato, mas Ella ficaria linda de qualquer jeito. - Assim está melhor. Se vamos conversar longe dos guardas, é melhor que esteja segura. Eu não teria chance alguma contra seu irmão. Então quero devolvê-la inteira.

Dei um passo para trás, lembrando-me de respeitar o espaço pessoal da dama. Talvez meus instintos estivessem errados, o que seria uma primeira vez. Ainda assim, eu não gostaria de causar uma má impressão na minha última noite como hóspede de Ponta Tempestade. Aileen me mataria se trouxesse problemas às relações do Vale com os Baratheon, por motivos fúteis. Ansioso, não tirei os olhos de Ella. Se ela tinha algo a me dizer, então teria minha total atenção. Talvez, e só talvez, eu tivesse o poder de seduzi-la tanto quanto ela o fizera, comigo.

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Re: Mirante de Rhaelle

Mensagem por Ella Baratheon em Qui Jun 29, 2017 8:02 pm




STORMBORN




Our is the fury. And mine is the crown
Seus lábios tocaram apenas a minha mão, mas pude jurar que o sentira em minha alma. Rápido, formal e capaz de deixar saudade. Quando tomei coragem para continuar a falar, fui impedida por sua aproximação. De repente, ele estava em todos os lugares, próximo e distante ao mesmo tempo, com sua respiração quente contra meu rosto. Não havia nada nele que lembrasse as vestes de um camponês. Conclui com rapidez que Artys ainda seria o mesmo ainda que vestido em farrapos.

O que havia em seus olhos, em suas formas e palavras não estava relacionado a riqueza de seus pertences, a beleza de suas vestes ou título. Em minha inocência e ignorância adolescente, poderia julgar que o mais belo nele era invisível aos olhos, e palpável para meus sentimentos. Suspirei quando sua mão pousou sobre meu ombro, sentido que o chão sobre meus pés se distanciava uma polegada por vez. Mantive-me ainda calada, quase assustada.

Nossa proximidade já era contraindicada, poderíamos ser mau vistos e eu severamente repreendida. Endric jamais me perdoaria, jamais conseguiria um casamento para mim. Mas tudo isso estava distante, como em um quadro esquecido, velho e puído com o qual eu não me importava. Seu cheiro tomou conta de mim quando um gesto longo ele cobriu meus ombros com sua capa. Eu não queria me esconder dele, não mais. - Jamais me julguei insegura ao lado do senhor. Eu não poderia escolher companhia melhor. - Disse, sentindo meu rosto corar.

Ele se afastou, mas não ergui meus olhos de imediato, pois sentia o seu próprio olhar sobre mim. Ao invés disso, apertei o tecido da capa com força e mordi o lábio atrás de coragem. Ergui meus olhos escuros até que o encontro dos dele, e disparei. - Venho lutado em vão e não mais posso suportar. O período de sua visita tem sido um tormento para o meu juízo, Milorde. - Lhe dei as costas por impulso e agarrei a pedra fria da sacada. Incapaz de continuar meu discurso olhando-o nos olhos. - Estou disposta a ignorar tudo que aprendi com as amas se para pôr um fim a minha agonia.

Fiquei em silêncio por um instante e tomei uma longa lufada de ar. Queria poder contar com a mesma coragem de Argella Durrandon. Quando seu pai, Argilac, O Arrogante, sucumbiu diante do exército Targaryen, comando por Orys Baratheon, Argella não se encolheu, não se deixou dobrar diante das dificuldades. Eu havia crescido ouvindo histórias sobre ela, desejando ser como ela. Cercada em Ponta Tempestade, sem esperança e com um pequeno exército, Argella resistiu às investidas de Orys, até ser traída de forma vil por aqueles que deveriam defendê-la. A primeira Argella foi acorrentada nua e entregue como oferenda de rendição às tropas inimigas.

Orys, bastardo Targaryen, contrariou as previsões e acolheu Argella com delicadeza, retirou suas correntes e lhe ofereceu a paz. Não tardou para que se casassem e dessem origem à Casa Baratheon. Aegon I concedeu o controle das Terras da Tempestade à Orys e esse por sua vez honrou as cores do estandarte da Casa Durrandon, colocando seu nome sobre ele. Não havia uma guerra agora, é claro. Apenas o meu tão popular drama e minha ansiedade juvenil. Mas eu continuava clamando por força, por coragem. - O-Oque o senhor vê quando me olha? - Perguntei, virando-me para encará-lo mais uma vez, tentando me manter firme como Durrandon.






TREINO DE HISTÓRIA

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Re: Mirante de Rhaelle

Mensagem por Artys Arryn em Dom Jul 02, 2017 3:58 pm

"I wanna see the bad man fly....."


Flashback.

    As palavras de Ella foram como o ardor do vinho, quando o bebemos demais e as bochechas tornam-se quentes como um pão saído das fornalhas. Senti-me lisonjeado pelos sentimentos daquela linda donzela refletirem os meus, mas penalizado também. Jamais poderia haver qualquer tipo de sentimento entre nós. Não quando éramos quem éramos. Mas o coração das damas mais jovens é um território onde só as palavras da Donzela ecoam livremente. A deusa das virgens, das paixões inocentes e avassaladoras, não poderia ter sido mais cruel. Aquela face de Deus era a que menos me inspirava devoção, não que alguma outra o fizesse particularmente. Mas naquele dia, eu a via personificada em ele, segurando o parapeito de pedra e olhando o horizonte através do mirante. O meu manto sobre seus ombros parecia quase um convite para que eu mesmo a envolvesse. Seus cabelos e sua pele, brilhando em contraste sob o luar azulado. Minha garganta estava seca com a surpresa, mas ainda mais chocada com a confirmação de uma suspeita que já fazia parte do meu imaginário, ao fitá-la de longe. Cada gesto, cada palavra, cada sorriso. Tudo conspirava para atraí-la até mim. Talvez, fosse um hábito inconsciente meu. Eu gostava da conquista, mas em meu orgulho, fora traído por meu próprio coração. Eu desejava aquela jovem ardentemente. Quase o bastante para cometer o maior dos sacrilégios, na sede ancestral de sua família.

- Eu… Não sei o que dizer, a não ser que sua agonia, é a minha. Doce Ella… - Aproximei-me dela, pousando uma mão sobre um de seus ombros, e virando-a em minha direção. Minhas mãos encontraram as suas, e as mantive presas no calor de minhas palmas, deslizando o polegar para afastar o frio de sua pele delicada. - Quando olho para você, eu vejo a primeira brisa de cada manhã, que afasta o frio atado à cada centímetro de pó ou grama. Vejo a Donzela, brilhando com sua guirlanda de flores. Vejo seu corpo, mas também seu sorriso. Quando olho para você, Ella, a imagino nua em minha cama. Cercada de pétalas de flores e enrolada em lençóis com fios de ouro. Imagino o suave toque de seus lábios e o som de suas risadas a cada manhã, ao meu lado. Quando olho para você, vejo uma felicidade proibida, que nunca poderei tocar. Eu vejo o fim de minha sanidade.

       Uma de minhas mãos subiu pelo braço dela, envolvendo-a ao deslizar rapidamente para sua cintura. Puxei-a levemente, minha testa tocando a dela, ao curvar-me para baixo. Mais uma vez, a nuvem cálida nos envolveu, com as respirações pesadas. Minha mão direita levou a de Ella até meu peito, forçando com que sentisse o coração acelerado sob a camisa simples. O frio era uma memória física, esquecida com a agitação sob as minhas veias, que trabalhavam furiosas. Meu corpo e minha mente eram apenas um túnel para ela. Um meio para um fim.

- Saiba que sou sincero, Ella. Saiba que eu nunca poderia fazê-la nenhum mal. - A beijei lentamente, sentindo a maciez de seus lábios, deslizando a ponta de minha língua para absorver o sabor deles, aprofundando o nosso abraço. Breve, o momento perdeu-se quando envolvi seu lábio inferior com os meus e afastei-me. - Este beijo é a prova do que sinto, do quanto a desejo. Mas nunca poderemos ter mais que esta memória, que este luar no mirante. Porque você é Ella da Casa Baratheon, e eu sou Artys, Lord da Casa Arryn, Guardião do Leste. Minha esposa e seu irmão não merecem esta desonra. E você, alguém tão linda e especial, não merece a ofensa de ser tomada como uma rameira. Os deuses sabem que eu nunca me perdoaria por isto, e uma guerra teria de ser iniciada para reavê-la. Eu a levaria comigo, por sua honra e contra a de um amigo querido, para o Ninho. Morte e destruição. É o que o nosso amor geraria. Sei que com o tempo, sua consciência a agravaria. E eu não suportaria vê-la infeliz. A afasto, apenas para não feri-la. - Permiti-me deslizar o polegar sobre sua face, ignorando a sensação pesada em meu abdômen. Era como levar um soco, ter de dizer aquelas palavras. Mas era necessário.

          Pelo bem de todos, mas principalmente pelo bem dela. Depois daquela noite, Ella teria para sempre um lugar especial em meu coração.

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Re: Mirante de Rhaelle

Mensagem por Ella Baratheon em Seg Jul 03, 2017 8:45 pm




STORMBORN




Our is the fury. And mine is the crown
Suas palavras eram doces, porém cruéis. Senti meu rosto em brasa e minha respiração descompassada, enquanto involuntariamente me inclinava em sua direção. Meu movimento não foi longe, e logo pude sentir o toque do Lord, real, atrevido e quente. Sua testa se apoiou contra a minha, em uma reação muito mais rica do que qualquer outra que eu pudesse ter imaginado. Artys apoiou minha mão trêmula sobre seu peito, e eu tentei me forçar a dizer algo, sem sucesso.

Meus nervos me traiam, me sentia como barro em seus braços, pronta para ser moldada como ele quisesse. Inebriada, deixei que ele me levasse ainda mais para perto, próximos o suficiente para que nossa ruína fosse certa. Tudo que pude verbalizar foi seu nome, pouco antes de ser arrebatada pelo primeiro beijo de minha vida. Fui pega de surpresa, sentindo um arrepio percorrer minha coluna, transformando todas as minhas verdades em fumaça. Inexperiente, deixe que os lábios macios de Artys controlassem nossa rápida caricia, atrevendo-me a pousar minha mão sobre sua nuca.

Artys se afastou delicadamente, rompendo o momento, Não abri meus olhos imediatamente, atenta ao sabor de seus lábios e alheia às suas primeiras frases. Suas palavras apenas me trariam de volta para realidade, para bem longe das nuvens em que seus lábios haviam me colocado segundos antes. Quando ele se afastou, finalmente pude olhá-lo, com minha visão enevoada. - Não quero ouvi-lo. Não quero ser deixada na miséria de meus sonhos desfeitos. - Comecei, mantendo minha voz controlada.

- Desde o momento em que o vi, sobre seu cavalo em nosso portão, eu o quis. Não pode haver erro e perigo no que sinto, na necessidade que tenho de sua presença. - Digo, avançando em sua direção com insegurança, capturando seu rosto entre minhas mãos pálidas. Sua pele era brasa sob meu toque, seus traços estavam à minha disposição, mas eu só queria que ele absorvesse minhas palavras. - Tem de haver uma saída desse labirinto. Sem sangue ou mágoas. Não sei se serei castigada por isso mas já peço perdão aos deuses com antecedência. Sinto-me tola e corajosa, infantil e completa em sua presença. Nesse momento mal consigo sentir minhas mãos. Se em toda a terra houver suplício maior que o meu, que essa pobre condenada morra ao invés de passar por isso... - Digo, aproximando ainda mais meu rosto do dele.

- Eu não quero tal destino e não pedi por ele. Sei que minha ama não deixaria de me corrigir se me ouvisse agora, mas graças ao senhor não sou mais capaz de me importar com o que os outros pensam. Não sou capaz de fazer qualquer coisa. Não sou capaz de orar sem que esteja em minhas preces, não sou capaz de comer sem pensar se está com fome, não leio minhas poesias sem imaginar como ficariam em sua voz. Que infeliz eu sou...diga-me, que diabrura é essa? O que devo fazer? - Digo, correndo meus sábios sobre os seus, timidamente, fazendo com que nossas respirações se fundissem. Pousei minhas mãos sobre seus ombros, aninhando meu rosto junto ao seu pescoço. Eu não tornaria aquilo fácil para nenhum de nós.

- Parte em pouco tempo e a sensação que tenho é de que meu juízo o acompanhará. Seria justo que eu ficasse com algo do senhor em troca. Não seria? - Sugeri, reunindo mais ousadia do que havia demonstrado em toda minha vida até ali. Ao ouvir o barulho de uma armadura ao longe, afastei-me abruptamente e tomei o Lord pelas mãos, puxando-o comigo para um ponto cego do ambiente. Guiei suas mãos até meu espartilho, ciente da vastidão de minha imprudência.





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