Câmara Crescente.

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Câmara Crescente.

Mensagem por Deus de Muitas Faces em Qua Maio 17, 2017 1:49 am



Câmara Crescente

Local onde são recepcionados aqueles que chegam fatigados do caminho através da Lança do Gigante, no ponto mais alto do Vale e provavelmente de Westeros, com exceção da Muralha. Uma imensa lareia arde constante, aquecendo do frio aqueles que entram, e são recebidos por servos a postos para servir refrescos e vinho, tomando pertences dos nobres de seus servos e os levando até seus aposentos de destino.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Câmara Crescente.

Mensagem por Eddard Arryn em Dom Jul 16, 2017 3:49 pm




The Heir




'He who is far from the ground is the one who will never know how to judge with honor
Dia agitado. Naquela semana não havia parado quase minuto algum para descansar. As temperaturas estavam cada vez menores no Ninho da Águia e temíamos que se as temperaturas continuassem naquele ritmo não haveria tempo para descer para os castelos inferiores. Com toda a correria eu fazia questão de comandar os soldados com ordens expressas e diretas, mas não tinha problema em colocar a mão na massa quando preciso. – Força homens, suas famílias estão contando com a força de vontade de vocês. – Ordenava para um conjunto de soldados que empurravam um conjunto grande de trigo que estava sendo levado para o estoque. Desci do cavalo dando uma ajuda por uma parte do caminho e depois voltei para minha montaria. Alguns lordes das casas cavalheiristicas me olhavam com olhares com misto de reprovação, surpresa e admiração, enquanto comandavam outros grupos. Sabia que meu pai talvez reprovasse minhas atitudes se me visse fazendo aquilo, contudo, eu sabia que os homens trabalhariam melhor se sua impressão fosse a de que não eram meros escravos, de que estavam lutando pelo bem comum, porque estavam. Artys não estava presente no Ninho da Águia, logo a responsabilidade recaia sobe mim e minha tia. Falando nela, onde estaria Aileen? Não via ela fazia algum tempo, deveria estar ocupada com certeza.

Olhei ao redor, as coisas estavam encaminhando bem. – Você! Tome conta do trabalho desses homens e você o ajude. Estou indo para o castelo. – Os dois vassalos olharam para mim com uma cara espantada, enquanto eu conduzia meu cavalo para dentro do castelo. Deixei o animal selado nas mãos do cavalariço e empurrei os portões da entrada. Atravessei os primeiros cômodos tirando as luvas, devido ao frio algumas peles cobriam minha armadura de couro, que faziam uma mescla entre preto e azul. Por baixo uma cota de malha. Deixei as luvas em uma das tantas mesinhas no meio do caminho. Ao chegar na Câmara Crescente, que estava vazia, deixei meu corpo cair em uma das cadeiras o mais próximo possível da lareira e permiti-me descansar pelo menos os músculos por alguns momentos.
~Interação em Flashback~







Última edição por Eddard Arryn em Sab Jul 22, 2017 1:16 am, editado 1 vez(es)

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Câmara Crescente.

Mensagem por Aileen Arryn em Qua Jul 19, 2017 10:42 pm

 
Aileen Arryn
Os dias demoravam casa vez mais para raiar e o entardecer chegava cada vez mais rápido, era possível sentir a vertiginosa mudança nas temperaturas, a neve já começava a se tornar mais constante. Os pássaros já não eram vistos com tanta frequência e as poucas plantas que teimavam em sobreviver no alto da montanha, pereciam pouco a pouco. O firmamento já não tinha os tons celestes tão calorosos, pouco a pouco se tornava cinzento e pálido. Aqueles eram sinais claros que era a hora de descer aos castelos de níveis inferiores, logo o rigoroso frio não pouparia ninguém. Todavia, não era uma tarefa fácil organizar toda aquela mudança, os preparativos eram incontáveis e o menor erro poderia custar muito caro aos Arryn e seus servos. Não era a primeira vez que desempenhava essa tarefa, mas isso não tornava mais fácil seu trabalho e a ausência de Artys tornava tudo mais difícil, não havia ninguém para dividir tantos problemas. Eddard estava aprendendo bem, um dia seria um lorde tão bom quanto o pai, mas ainda lhe faltava algum amadurecimento, aumentando as tarefas da então regente de Vale junto ao sobrinho.

A saia cinza de seu vestido flutuava pelos corredores, seus passos rápidos mostravam que não havia tempo a perder, seu dia precisava ser o mais longo possível. Não se vestia com luxo, o vestido era modesto para uma mulher de sua posição e os longos cabelos negros estavam soltos, caindo por seus ombros até alcançarem sua cintura. Usava apenas seu colar, a águia e a lua crescente da joia reluziam com os raios de sol. Era uma mulher de hábitos simples, não gostava de ostentar, mas sua beleza assim mesmo era encantadora. Mas sem semblante jamais havia sido o mesmo, jamais havia sorrido com sinceridade novamente, sempre existiria aquela sombra em seu olhar, uma dor que parecia não ter mais fim. Em dias atribulados como aquele, não lhe sobrava tempo para remoer sua dor, não podia ser egoísta e deixar que famílias perecessem por seu luto eterno, jamais faria isso. Guardou sua dor no fundo de seu âmago e encarou tudo o que deveria fazer, tempo era curto e os trabalhos muitos, com ou sem Artys, desceriam para os castelos inferiores, até que pudessem regressar ao topo do Ninho da Águia novamente.

Dobrou uma das esquinas dos inúmeros corredores do castelo e em seguida subiu alguns lances de escada, até que finalmente chegou a sala comum da Torre de Sansa. Apressada aproximou-se da mesa que usava para trabalhar revirando alguns papéis, seus olhos passavam rapidamente por todos eles e a mão esquerda que se encontrava livre enrolava a ponta de seu cabelo. O ranger da porta fez com que seu olhar se erguesse a tempo de observar a entrada de Harlan, o meistre do Ninho. Sempre que tinha que ir até a sala o homem chegava pálido e afoito, quase como se o Estranho fosse leva-lo: — Enviou os corvos que solicitei?  — Inquiriu antes que o homem dissesse uma só palavra ou recuperasse seu folego depois da íngreme subida: — Sim, milady. Todos os senhores do Vale foram avisados da descida. E como solicitou, também informei sobre a necessidade de se aumentar a vigia no Portão Sangrento. — Categoricamente respondeu. A águia não respondeu, ateve-se novamente a sua leitura dos papeis. Um breve silêncio tomou conta do lugar, até que novamente Aileen voltasse sua atenção ao homem: — Alguma notícia sobre os clãs da montanha? — Perguntou enquanto o encarava. Um pequeno sorriso surgiu nos lábios do rapaz:  — Não, minha senhora. Estão sob controle. E com o frio rigoroso que se aproxima, duvido que se manifestem. — Ambos sorriram diante daquela resposta. Era tudo que ela queria escutar.

Teria feito mais um milhão de perguntas, mas o ranger da porta novamente a interrompeu, dessa vez causado pelo castelão do Ninho. Roneel possuía idade para ser pai da Arryn, era castelão de que se lembrava, conhecia cada parte, cada passagem e também cada inverno: — Lady Aileen. — Fez uma saudação respeitosa a jovem. Ela sabia que era tudo uma questão de educação, conservador, ele nunca havia aceitado a posição de Aileen como intendente e muito menos como regente, mas não havia nada que ele pudesse fazer sobre a questão: — As provisões já foram transportadas em sua maioria para o Castelo inferior. Os homens pensam que até o fim do dia tudo estará pronto. Há lenha o suficiente para alimentar a cozinha e também as lareiras. Como pediu, estamos levando uma quantidade extra, assim não seremos pegos desprevenidos caso o frio perdure por mais tempo do que imaginamos. Apenas aqueles que se encontram nas Celas permaneceram aqui em cima e acredito que eles não vão sobreviver a esse inverno. — Conclui o homem esperando alguma nova ordem da morena: — Creio que tudo está em ordem, não haverá nenhum problema. Meistre Harlan, envie um corvo ao meu irmão avisando que está tudo bem. Roneel, peça que um dos homens mais cuidados transportem minhas plantas da estufa. Há exemplares raros e não quero perde-los para o frio. — Deu sua última ordem voltando a atenção para os papéis novamente.

Levou alguns minutos ali, selecionando o que era realmente importante ou não. Tomou para si as anotações sobre as provisões, matéria prima e de pessoas que seguiriam para o castelo. Também levou consigo algumas anotações de suma importância, cartas trocadas com alguns Lordes e Ladys do Vale e de outros lugares.  Depois de organizar todas as suas coisas, deixou a sala descendo a longa escadaria que daria acesso aos salões comunais. Ao passar por perto da Câmara Crescente notou que havia mais alguém por ali e ao se aproximar notou com clareza que se tratava de seu sobrinho. O semblante denunciava o cansaço que sentia, possivelmente estava ajudando com a mudança: — Vejo que alguém trabalhou a manhã toda. — Anunciou sua chegada sem nenhuma cerimônia: — Diria até que merece um cálice de dourado da Árvore que seu pai mantém escondido. — Brincou enquanto se aproximava do jovem Lorde. Sorriu de forma acolhedora para o garoto e levou a mão livre a testa dele, retirando os de cabelo do lugar. Ternamente beijou-lhe a testa e fez uma pequena careta em seguida: — Sua testa está salgada, Eddard. O que estava fazendo? — Protestou em meio a uma risada. Se havia algo que acalentava o coração da Arryn, esse algo eram seus sobrinhos. E com um dia tão corrido, passar um tempo com ele seria bom, um bálsamo para sua alma. Sentou-se próximo ao garoto e com seu olhar voltado ao dele, esperava por suas explicação.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Câmara Crescente.

Mensagem por Eddard Arryn Ontem à(s) 2:09 am




The Heir




'He who is far from the ground is the one who will never know how to judge with honor

Uma mistura de suor frio percorria todo meu corpo, meus músculos tensos ainda estavam quentes dentro da armadura e mesmo dentro do castelo conseguia ouvir a assovio frio do vento que brincava com quem atrevesse ficar do lado de fora. Para alguém que já viu do que o inverno é capaz, nada mais poderia vir à cabeça. Lembro-me das histórias que meistre Harlan, contava quando éramos pequenos sobre os períodos que ele passou. Nós os mais jovens por vezes não levávamos em questão o que os mais velhos tinham a nos ensinar. É certo, que eles não sabiam de tudo, alguma coisa, porém eles tinham a nos ensinar. Por isso que lia tantos livros quando era criança e gostaria que meus irmãos fizessem o mesmo. Dado a proteção que nosso pai tinha sobre nós, diria que seria o mesmo pensamento que viria a sua cabeça se estivesse aqui. Peguei-me sorrindo quando pensei nisso. A sorte era nossa, nossa família era unida.

Reabri os meus olhos e respirei fundo por um momento. Estiquei minhas mãos em direção ao fogo, tentando aquecê-las e depois esfreguei uma sobre a outra. A pele do rosto ainda estava um pouco vermelha devido ao frio e eu não conseguia disfarçar o meu semblante cansado. O único som além do vento era o das madeiras da lareira crepitando. Uma voz vinda do lado direito cortou o silêncio, seguida de um ranger de porta. Meus olhos acompanharam instintivamente o surgimento de uma silhueta, que revelou ser minha tia, Aileen. Enquanto acompanhava seu caminhar suave e elegante, não tive nem tempo para reagir enquanto ela me fazia perguntas e mexia no meu cabelo. Um sorriso iluminou seu rosto e se sentiu muito confortável. Estar na presença de sua tia lhe fazia realmente bem, porque além da admiração que tinha, confiava nela ainda mais que em seu pai, sempre revelando seus medos mais íntimos. Mexeu-se um pouco para se adaptar a nova presença no recinto e sua cota de malha, por baixo da armadura, fez um pouco de barulho no processo. Seus olhos verdes escuros foram de encontro aos olhos azuis dela e começou a falar dando uma leve risada. – Tia, não são tempos fáceis, sinto que finalmente estou cumprindo meu dever e não consegui ficar parado. Os cavaleiros estavam um pouco desorientados, precisei ajuda-los a levar os alimentos para o castelo inferior e as últimas remessas foram enviadas agora. – Levantei meu corpo, que até o momento estava inclinado aproveitando o calor da lareira, voltando a uma posição mais confortável. – Eu não sou o único que merece um cálice. Sei que o verdadeiro trabalho pesado está em suas mãos. – Sorri para ela, sabendo que aquele castelo não funcionava sem seu esforço. Muitas pessoas não admiravam o trabalho que uma intendente realizava em um castelo e a maioria dessas pessoas não sabia o esforço que isso demandava.

Cruzei os braços, voltando meus olhos novamente para a lareira. – Alguma noticia com que deva me preocupar sobre o Lorde do Vale? – Artys sempre me levava como um de seus guardas de confiança. Eu sabia que ele ter me deixado dessa vez no Ninho era sinal de que confiava em mim, ao mesmo tempo isso me deixava inseguro sobre sua segurança. Por mais que irracional. Era difícil admitir que eu estivesse realmente preocupado tanto com a segurança do meu pai. Eu sabia, portanto, se alguém tivesse as respostas seria minha tia.
~Interação em Flashback~





_________________
EDDARD ARRYN

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum