Câmara Crescente.

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Câmara Crescente.

Mensagem por Deus de Muitas Faces em Qua Maio 17, 2017 1:49 am



Câmara Crescente

Local onde são recepcionados aqueles que chegam fatigados do caminho através da Lança do Gigante, no ponto mais alto do Vale e provavelmente de Westeros, com exceção da Muralha. Uma imensa lareia arde constante, aquecendo do frio aqueles que entram, e são recebidos por servos a postos para servir refrescos e vinho, tomando pertences dos nobres de seus servos e os levando até seus aposentos de destino.

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Re: Câmara Crescente.

Mensagem por Eddard Arryn em Dom Jul 16, 2017 3:49 pm




The Heir




'He who is far from the ground is the one who will never know how to judge with honor
Dia agitado. Naquela semana não havia parado quase minuto algum para descansar. As temperaturas estavam cada vez menores no Ninho da Águia e temíamos que se as temperaturas continuassem naquele ritmo não haveria tempo para descer para os castelos inferiores. Com toda a correria eu fazia questão de comandar os soldados com ordens expressas e diretas, mas não tinha problema em colocar a mão na massa quando preciso. – Força homens, suas famílias estão contando com a força de vontade de vocês. – Ordenava para um conjunto de soldados que empurravam um conjunto grande de trigo que estava sendo levado para o estoque. Desci do cavalo dando uma ajuda por uma parte do caminho e depois voltei para minha montaria. Alguns lordes das casas cavalheiristicas me olhavam com olhares com misto de reprovação, surpresa e admiração, enquanto comandavam outros grupos. Sabia que meu pai talvez reprovasse minhas atitudes se me visse fazendo aquilo, contudo, eu sabia que os homens trabalhariam melhor se sua impressão fosse a de que não eram meros escravos, de que estavam lutando pelo bem comum, porque estavam. Artys não estava presente no Ninho da Águia, logo a responsabilidade recaia sobe mim e minha tia. Falando nela, onde estaria Aileen? Não via ela fazia algum tempo, deveria estar ocupada com certeza.

Olhei ao redor, as coisas estavam encaminhando bem. – Você! Tome conta do trabalho desses homens e você o ajude. Estou indo para o castelo. – Os dois vassalos olharam para mim com uma cara espantada, enquanto eu conduzia meu cavalo para dentro do castelo. Deixei o animal selado nas mãos do cavalariço e empurrei os portões da entrada. Atravessei os primeiros cômodos tirando as luvas, devido ao frio algumas peles cobriam minha armadura de couro, que faziam uma mescla entre preto e azul. Por baixo uma cota de malha. Deixei as luvas em uma das tantas mesinhas no meio do caminho. Ao chegar na Câmara Crescente, que estava vazia, deixei meu corpo cair em uma das cadeiras o mais próximo possível da lareira e permiti-me descansar pelo menos os músculos por alguns momentos.
~Interação em Flashback~







Última edição por Eddard Arryn em Sab Jul 22, 2017 1:16 am, editado 1 vez(es)

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Re: Câmara Crescente.

Mensagem por Aileen Arryn em Qua Jul 19, 2017 10:42 pm

 
Aileen Arryn
Os dias demoravam casa vez mais para raiar e o entardecer chegava cada vez mais rápido, era possível sentir a vertiginosa mudança nas temperaturas, a neve já começava a se tornar mais constante. Os pássaros já não eram vistos com tanta frequência e as poucas plantas que teimavam em sobreviver no alto da montanha, pereciam pouco a pouco. O firmamento já não tinha os tons celestes tão calorosos, pouco a pouco se tornava cinzento e pálido. Aqueles eram sinais claros que era a hora de descer aos castelos de níveis inferiores, logo o rigoroso frio não pouparia ninguém. Todavia, não era uma tarefa fácil organizar toda aquela mudança, os preparativos eram incontáveis e o menor erro poderia custar muito caro aos Arryn e seus servos. Não era a primeira vez que desempenhava essa tarefa, mas isso não tornava mais fácil seu trabalho e a ausência de Artys tornava tudo mais difícil, não havia ninguém para dividir tantos problemas. Eddard estava aprendendo bem, um dia seria um lorde tão bom quanto o pai, mas ainda lhe faltava algum amadurecimento, aumentando as tarefas da então regente de Vale junto ao sobrinho.

A saia cinza de seu vestido flutuava pelos corredores, seus passos rápidos mostravam que não havia tempo a perder, seu dia precisava ser o mais longo possível. Não se vestia com luxo, o vestido era modesto para uma mulher de sua posição e os longos cabelos negros estavam soltos, caindo por seus ombros até alcançarem sua cintura. Usava apenas seu colar, a águia e a lua crescente da joia reluziam com os raios de sol. Era uma mulher de hábitos simples, não gostava de ostentar, mas sua beleza assim mesmo era encantadora. Mas sem semblante jamais havia sido o mesmo, jamais havia sorrido com sinceridade novamente, sempre existiria aquela sombra em seu olhar, uma dor que parecia não ter mais fim. Em dias atribulados como aquele, não lhe sobrava tempo para remoer sua dor, não podia ser egoísta e deixar que famílias perecessem por seu luto eterno, jamais faria isso. Guardou sua dor no fundo de seu âmago e encarou tudo o que deveria fazer, tempo era curto e os trabalhos muitos, com ou sem Artys, desceriam para os castelos inferiores, até que pudessem regressar ao topo do Ninho da Águia novamente.

Dobrou uma das esquinas dos inúmeros corredores do castelo e em seguida subiu alguns lances de escada, até que finalmente chegou a sala comum da Torre de Sansa. Apressada aproximou-se da mesa que usava para trabalhar revirando alguns papéis, seus olhos passavam rapidamente por todos eles e a mão esquerda que se encontrava livre enrolava a ponta de seu cabelo. O ranger da porta fez com que seu olhar se erguesse a tempo de observar a entrada de Harlan, o meistre do Ninho. Sempre que tinha que ir até a sala o homem chegava pálido e afoito, quase como se o Estranho fosse leva-lo: — Enviou os corvos que solicitei?  — Inquiriu antes que o homem dissesse uma só palavra ou recuperasse seu folego depois da íngreme subida: — Sim, milady. Todos os senhores do Vale foram avisados da descida. E como solicitou, também informei sobre a necessidade de se aumentar a vigia no Portão Sangrento. — Categoricamente respondeu. A águia não respondeu, ateve-se novamente a sua leitura dos papeis. Um breve silêncio tomou conta do lugar, até que novamente Aileen voltasse sua atenção ao homem: — Alguma notícia sobre os clãs da montanha? — Perguntou enquanto o encarava. Um pequeno sorriso surgiu nos lábios do rapaz:  — Não, minha senhora. Estão sob controle. E com o frio rigoroso que se aproxima, duvido que se manifestem. — Ambos sorriram diante daquela resposta. Era tudo que ela queria escutar.

Teria feito mais um milhão de perguntas, mas o ranger da porta novamente a interrompeu, dessa vez causado pelo castelão do Ninho. Roneel possuía idade para ser pai da Arryn, era castelão de que se lembrava, conhecia cada parte, cada passagem e também cada inverno: — Lady Aileen. — Fez uma saudação respeitosa a jovem. Ela sabia que era tudo uma questão de educação, conservador, ele nunca havia aceitado a posição de Aileen como intendente e muito menos como regente, mas não havia nada que ele pudesse fazer sobre a questão: — As provisões já foram transportadas em sua maioria para o Castelo inferior. Os homens pensam que até o fim do dia tudo estará pronto. Há lenha o suficiente para alimentar a cozinha e também as lareiras. Como pediu, estamos levando uma quantidade extra, assim não seremos pegos desprevenidos caso o frio perdure por mais tempo do que imaginamos. Apenas aqueles que se encontram nas Celas permaneceram aqui em cima e acredito que eles não vão sobreviver a esse inverno. — Conclui o homem esperando alguma nova ordem da morena: — Creio que tudo está em ordem, não haverá nenhum problema. Meistre Harlan, envie um corvo ao meu irmão avisando que está tudo bem. Roneel, peça que um dos homens mais cuidados transportem minhas plantas da estufa. Há exemplares raros e não quero perde-los para o frio. — Deu sua última ordem voltando a atenção para os papéis novamente.

Levou alguns minutos ali, selecionando o que era realmente importante ou não. Tomou para si as anotações sobre as provisões, matéria prima e de pessoas que seguiriam para o castelo. Também levou consigo algumas anotações de suma importância, cartas trocadas com alguns Lordes e Ladys do Vale e de outros lugares.  Depois de organizar todas as suas coisas, deixou a sala descendo a longa escadaria que daria acesso aos salões comunais. Ao passar por perto da Câmara Crescente notou que havia mais alguém por ali e ao se aproximar notou com clareza que se tratava de seu sobrinho. O semblante denunciava o cansaço que sentia, possivelmente estava ajudando com a mudança: — Vejo que alguém trabalhou a manhã toda. — Anunciou sua chegada sem nenhuma cerimônia: — Diria até que merece um cálice de dourado da Árvore que seu pai mantém escondido. — Brincou enquanto se aproximava do jovem Lorde. Sorriu de forma acolhedora para o garoto e levou a mão livre a testa dele, retirando os de cabelo do lugar. Ternamente beijou-lhe a testa e fez uma pequena careta em seguida: — Sua testa está salgada, Eddard. O que estava fazendo? — Protestou em meio a uma risada. Se havia algo que acalentava o coração da Arryn, esse algo eram seus sobrinhos. E com um dia tão corrido, passar um tempo com ele seria bom, um bálsamo para sua alma. Sentou-se próximo ao garoto e com seu olhar voltado ao dele, esperava por suas explicação.

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Re: Câmara Crescente.

Mensagem por Eddard Arryn em Sab Jul 22, 2017 2:09 am




The Heir




'He who is far from the ground is the one who will never know how to judge with honor

Uma mistura de suor frio percorria todo meu corpo, meus músculos tensos ainda estavam quentes dentro da armadura e mesmo dentro do castelo conseguia ouvir a assovio frio do vento que brincava com quem atrevesse ficar do lado de fora. Para alguém que já viu do que o inverno é capaz, nada mais poderia vir à cabeça. Lembro-me das histórias que meistre Harlan, contava quando éramos pequenos sobre os períodos que ele passou. Nós os mais jovens por vezes não levávamos em questão o que os mais velhos tinham a nos ensinar. É certo, que eles não sabiam de tudo, alguma coisa, porém eles tinham a nos ensinar. Por isso que lia tantos livros quando era criança e gostaria que meus irmãos fizessem o mesmo. Dado a proteção que nosso pai tinha sobre nós, diria que seria o mesmo pensamento que viria a sua cabeça se estivesse aqui. Peguei-me sorrindo quando pensei nisso. A sorte era nossa, nossa família era unida.

Reabri os meus olhos e respirei fundo por um momento. Estiquei minhas mãos em direção ao fogo, tentando aquecê-las e depois esfreguei uma sobre a outra. A pele do rosto ainda estava um pouco vermelha devido ao frio e eu não conseguia disfarçar o meu semblante cansado. O único som além do vento era o das madeiras da lareira crepitando. Uma voz vinda do lado direito cortou o silêncio, seguida de um ranger de porta. Meus olhos acompanharam instintivamente o surgimento de uma silhueta, que revelou ser minha tia, Aileen. Enquanto acompanhava seu caminhar suave e elegante, não tive nem tempo para reagir enquanto ela me fazia perguntas e mexia no meu cabelo. Um sorriso iluminou seu rosto e se sentiu muito confortável. Estar na presença de sua tia lhe fazia realmente bem, porque além da admiração que tinha, confiava nela ainda mais que em seu pai, sempre revelando seus medos mais íntimos. Mexeu-se um pouco para se adaptar a nova presença no recinto e sua cota de malha, por baixo da armadura, fez um pouco de barulho no processo. Seus olhos verdes escuros foram de encontro aos olhos azuis dela e começou a falar dando uma leve risada. – Tia, não são tempos fáceis, sinto que finalmente estou cumprindo meu dever e não consegui ficar parado. Os cavaleiros estavam um pouco desorientados, precisei ajuda-los a levar os alimentos para o castelo inferior e as últimas remessas foram enviadas agora. – Levantei meu corpo, que até o momento estava inclinado aproveitando o calor da lareira, voltando a uma posição mais confortável. – Eu não sou o único que merece um cálice. Sei que o verdadeiro trabalho pesado está em suas mãos. – Sorri para ela, sabendo que aquele castelo não funcionava sem seu esforço. Muitas pessoas não admiravam o trabalho que uma intendente realizava em um castelo e a maioria dessas pessoas não sabia o esforço que isso demandava.

Cruzei os braços, voltando meus olhos novamente para a lareira. – Alguma noticia com que deva me preocupar sobre o Lorde do Vale? – Artys sempre me levava como um de seus guardas de confiança. Eu sabia que ele ter me deixado dessa vez no Ninho era sinal de que confiava em mim, ao mesmo tempo isso me deixava inseguro sobre sua segurança. Por mais que irracional. Era difícil admitir que eu estivesse realmente preocupado tanto com a segurança do meu pai. Eu sabia, portanto, se alguém tivesse as respostas seria minha tia.
~Interação em Flashback~





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EDDARD ARRYN

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Re: Câmara Crescente.

Mensagem por Aileen Arryn em Qua Ago 02, 2017 11:00 pm

 
Aileen Arryn
A cada vez que olhava para Eddard ainda era capaz de ver aquele mesmo garotinho de olhos verdes e curiosos, os cabelos formando pequenos cachos que muitas vezes insistiam em cair pelos olhos. Havia uma nostalgia, lembranças de um tempo tão feliz que somente o sorriso dele era capaz de despertar. Mesmo que ele já fosse um homem, ainda sentia aquela vontade de envolve-lo em seus braços e protegê-lo de qualquer coisa que o pudesse fazer mal. Ele já era um homem, tão belo e sensato quanto Artys, possuía um coração honrado e valoroso, o que de certa forma a preocupava. Artys sempre a teve para aconselha-lo, mas quem faria isso por seu sobrinho? Esperava que os anos o ensinasse que nem sempre na vida devemos confiar tanto, mesmo naqueles que estão ao nosso lado. A forma eloquente como ele explicava a situação, apenas confirmava que todos seus pensamentos sobre o menino estavam corretos, o que enchia a águia mais velha de orgulho. Não era sua mãe de sangue, mas havia afeiçoado a ele como se fosse, um pouco mais do que havia se afeiçoado aos outros, Eddard sempre seria o menino de seus olhos e lutaria por ele assim como toda sua vida lutou por Artys.

Elegante a morena rodeou o par de poltronas até que estivesse ao lado do mais jovem: — É bom para os homens terem seu futuro Lorde ao lado. Inspira confiança. É bom que você conheça de perto as nossas dificuldade e problemas, como cada coisa funciona no Ninho. Tudo isso um dia lhe pertencerá e nem eu e nem seu pai estaremos aqui para sempre. Mas saiba que, me orgulho muito do homem que você se tornou, Eddard. — Elogiou o jovem, sorrindo com sinceridade para ele. Buscou abrigo na mesma poltrona mais larga em que ele se sentava, antigamente, cabiam perfeitamente ali, agora, já era um tanto apertado. Não se importava com os trajes que ele usava naquele momento, gentilmente o puxou contra seu corpo, afagando os macios cachos escuros, dando a ele conforto e proteção: — Desde pequena eu fui a sombra do seu pai. Seu tio Arthos não tinha paciência alguma comigo. Ainda mais pelo fato da minha saúde ser muito frágil naquela época. Seu pai era quem sempre cuidava de mim. Até mesmo achava tempo para brincar comigo. Quando eu comecei a crescer, apenas desejava retribuir todo amor que Artys me deu. Primeiro aprendi a cuidar do Ninho da Águia. Como funcionava cada parte desse enorme castelo, quem eram nossos vassalos mais leais e aqueles de caráter mais duvidoso. Anos mais tarde passei a cuidar de cada um de vocês. Acredite meu querido, faço tudo isso com amor. — Terminou suas palavras com um beijo no topo da cabeça do garoto.

Seus dedos continuavam a deslizar de maneira preguiçosa pelas madeixas do mais novo, seu olhar repousava sobre ele com ternura. Pensava se ele e Alyssa possuíam um laço de amizade tão forte quanto ela e Artys. Por um instante desejou que não. Sua linda menina não teria a mesma triste sorte que ela, se casaria com um bom lorde e deixaria o alto da montanha. Se fossem tão próximos, seria um grande sofrimento para ambos. Ela melhor do que ninguém sabia como era isso, tinha a plena certeza que Artys não saberia viver sem sua presença, não somente pelas questões políticas, mas os laços que união os irmãos eram mais fortes que tudo, capaz de fazer Aileen renunciar a própria felicidade para que nunca deixasse seu lar ancestral. Com alguma sorte, poderia ver o dia que seu menino se casasse com uma boa mulher e Alysa com algum Lorde influente e muito rico de Westeros. O casamento era algo importante na hora de se fomentar boas e fortes alianças, todavia, jamais entregaria as joias do Ninho da Águia para qualquer um. A mulher que desposasse Eddard teria que ser realmente muito boa a ponto de convencê-la que realmente era digna para tal. Não se importava quem ela seria, desde que o amor dela fosse puro e sincero, as outras coisas poderiam se arranjar depois.

Aileen fez um pequeno sinal com os dedos e logo uma das servas surgiu, a moça de cabelos negros e olhos da mesma cor, parecia acanhada, mas a lady não se importou com a reação da vassala: — Traga-me o vinho que está sobre a escrivaninha em meus aposentos. Dois cálices também. — Pediu gentilmente a mulher que em um piscar de olhos já havia sumido para atender seu pedido. Eddard por sua vez, levantou uma questão pertinente e de muito interesse para ambos. Por mais que ele se comportasse como um homem, sabia que no fundo sua preocupação era de um filho aflito por estar longe do homem que o criara a vida toda: — Nosso Lorde está bem. Ainda que o clima não o esteja agradando muito. Não o culpo. Eu mesma odeio ter que sair do Ninho e faço isso em um caso de extrema precisão. Disse que sente falta de todos e não vê a hora de regressar. — Explicou de forma sucinta ao garoto as notícias sobre seu irmão. Os por menores da carta que ele havia enviado não deveriam chegar ao conhecimento dele por enquanto, ainda haviam questões que competiam apenas a ela e ao Lorde do Vale: — Ah! Quase me esqueci. Seu pai disse ter conhecido uma jovem adorável e talvez a traga com ele para passar algum tempo no Ninho. A donzela é neta do Lorde Royce. — Mudou o assunto um pouco rápido para que ele se distraísse e pudesse relaxar um pouco. Eddard era o herdeiro, mas ainda não era o momento de se preocupar apenas com seus afazeres. Ele também precisava viver.

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Re: Câmara Crescente.

Mensagem por Alyssa Arryn em Qui Ago 03, 2017 10:58 pm


INTERAÇÃO



<3



Alyssa caminhava pacientemente pelo Ninho da Águia. O vestido azul celeste arrastava-se no chão, as mangas balançavam com a leve brisa que vinha do lado de fora. As mãos descansavam suavemente à frente do corpo, enquanto a ereta coluna e o queixo erguido permitia que ela olhasse para os lados. Em um ato descontraído, a jovem águia passou as mãos pelos cabelos castanhos, que estavam soltos e balançavam suavemente em suas costas.

Desde que seu pai tornara-se Mão do Rei, a menina sentia-se um pouco incomodada. Amava sua família, claro, e tentava ser a melhor pessoa que conseguia, mas ainda assim preocupava-se com seu pai; tanto que a mesma ficou um tempo doente depois disso. Ou até pelo menos até a chegada de sua tia, Aileen. Alyssa queria ser como sua tia um dia: independente, uma pessoa que julgava forte, mesmo que isso fosse demorar anos para acontecer.

Soltou um suspiro pesado, enquanto se encaminhava para a Câmara Crescente, a fim de ficar sozinha para pensar em algumas coisas, mas logo escutou vozes vindo do lugar. Apoiando-se discretamente na porta a morena espiou para dentro do salão, avistando seu irmão mais velho conversando com sua tia. Não escutou o que diziam e até pensou em ir embora, mas antes que pudesse sair de fininho a menina desequilibrou-se e o corpo tombou para frente, abrindo a porta e fazendo barulho ao apoiar-se nela para não cair.

Rapidamente ajeitou-se, encarando o chão por alguns segundos, sentindo o rosto ficar levemente corado. Respirou fundo duas vezes e então encarou sua família, abrindo um sorriso simpático mas carregado de desculpas.

— Não queria lhes atrapalhar. — falou envergonhada, mordendo de leve o lábio inferior, sem se aproximar de ambos. Não sabia sobre o que falavam e não queria parecer rude, embora já os tivesse atrapalhado.



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♥Alyssa♥
♥Arryn♥Little Bird♥As High As Honor

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Re: Câmara Crescente.

Mensagem por Eddard Arryn em Sex Ago 04, 2017 1:06 pm




The Heir




'He who is far from the ground is the one who will never know how to judge with honor

Era uma benção, não, um completo milagre ter uma tia como Aileen. Poderia jurar que ela era a manifestação perfeita da mãe. Seu carinho, sua atenção para com ele e seus irmãos. Realizava-se a cada dia como um homem, um Arryn, mas não negava o quanto era bom voltar a ser criança nos braços de sua amada tia. Sentia-se nos braços maternos que cedo, nunca teve e perdeu antes de conseguir dar por falta. Relembrar dos tempos que eram duros e que mesmo assim, guardavam saudade. Sua personalidade reclusa da época, só escondia a força e os espinhos que teve que enfrentar ao longo de sua infância. O nascimento de cada irmão seu, lembrava-se de cor. Era jovem, nunca imaturo, pois viu a face da vida que perfurava mais profundo que a espada mais resistente. Sabia que não era o único. Aquela mesma mulher que vos falava, havia ultrapassado suas próprias barreiras. Seu pai, no decorrer de suas esposas, filhos e até mesmo de seu irmão. Tudo isso fazia o se perguntar às vezes, por que, os Arryn daquela era haviam de sofrer tanto, talvez, pela glória vos esperar do outro lado.

Primeiro viu sua tia, o rodear e se aproximar ainda mais. Quase imaginou que daquele movimento viesse algum segredo ou alguma história ou até um conselho, a conhecia bem e não errou no palpite. Seus olhos brilharam e um largo sorriso se abriu quando ouviu o elogio vindo de sua tia. Como um menino que nunca foi. – Obrigado Tia. Vejo o quanto vem dando resultado e vou continuar do meu modo. – Como jovem que era Eddard sonhava em colocar sua marca no mundo, colocar sua marca no Vale e esse era o caminho que havia escolhido. Estar orgulhoso, por ser admirado pela tia, uma pessoa pelo qual colocaria num altar se pudesse, significava se realizar num nível superior. Aproximou-se da tia, deixando ela o envolver. O toque macio de seus carinhos lhe oferecia abrigo e foi com muita atenção que ele ouviu a história de sua tia e pai. Saber tudo que ela sofreu sua saúde frágil e sobre a coragem de Artys ao cuidar dela, tal qual em certa medida ele teve que ter; foi simplesmente o que fez perdoar o pai e deixar de enfrenta-lo tantas vezes. Seu olhar de preocupado transpareceu quando ouviu a história e logo depois se aliviou. – É por isso que vocês falam tão pouco do tio Arthos? Tia, eu agradeço por você estar do nosso lado todo esse tempo. Você foi nossa mãe quando todos nós perdemos as nossas. – Acreditava que qualquer coisa que dissesse sobre o passado dela, de nada adiantaria. Não poderia remediar o que passou. Contudo, a melhor saída que sabia que poderia tomar, era agradecer, como já agradecia em suas orações, a ela, por tudo que fez e por abdicar de sua vida por eles. Dizendo essas palavras, deu lhe um abraço acariciando suas costas, de olhos fechados. Seu maior desejo era conseguir retribuir.

Eddard nem mesmo sentiu a presença da criada antes que ela surgisse e mal deu tempo de fazer algo além de lhe oferecer um sorriso, antes que fosse atender ao pedido de Aileen. Perguntou-se mentalmente se seria o vinho da árvore mesmo ou se seria outro.  Provável que o fosse. Apenas respirou fundo aproveitando o carinho que recebia e escutando ela. O vento frio de fora e o crepitar da madeira na fogueira não o impressionava mais tanto. As noticias que recebeu acalmaram seu coração e ele não precisava esconder esse sentimento da tia, mesmo assim não o verbalizou por completo. Ele amava o Ninho, era sua casa, o castelo mais seguro de Westeros, porém, ficaria longe sem problemas. Sabia que o mundo em volta guardava mais coisas do que ele compreendia e teve o gosto disso quando se tornou cavaleiro. – Me agrada saber que está bem e espero que retorne logo. – Pensou mesmo na história que sua tia contou sobre eles. Não poderia ser tão ruim sair, das asas de seu progenitor um pouco poderia? Esse foi sempre um desejo constante dele. Entendia que se não lhe deu mais detalhes é porque acreditava que essa não seria a hora correta. Poderia ser irritante se não viesse de sua tia. Confiava em seu julgamento, no mesmo passo que acreditava que era privilegiado se comparado aos seus irmãos. Acomodou-se melhor, para conseguir olhar nos olhos da tia, quando ouviu a nova notícia. Seria uma nova esposa para seu pai? Não conseguia decidir como seus irmãos iriam se sentir. Para ele, contanto, que fosse boa para os menores, para seu pai, tia e o Vale, nada mais importava. – Como ela é tia? A conhece? – Deixou subentendido que sabia do que se tratava e esperava que ela confirmasse. Compreendia que sua tia gostava de conversar e queria aprender com ela, sobre tudo. Da forma que sempre fez.

Aquele clima maternal foi interrompido pela inusitada presença de sua irmã. Na verdade, quando ouviu o barulho na porta, imaginou que seria a criada, até que o baque surdo no chão o fez mudar de ideia. Olhou por cima dos ombros de sua tia e percebeu que era Alyssa. Pediu licença a tia e correu em auxilio de sua irmã. Esticou a mão esperando ela levantar o olhar para ele. Não sabia como conter o riso, mas quando ela o encarou nos olhos, nada disso transparecia em seu rosto. – Minha irmã, estas bem? Machucou-se? – Caso sua tia se perguntasse, sim, ele protegia tanto sua irmã quando os irmãos da outra geração protegia o outro. O maior tesouro dos Arryn era a família.



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