Jardim de Inverno.

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Jardim de Inverno.

Mensagem por Deus de Muitas Faces em Qua Maio 17, 2017 2:05 am



Jardim de Inverno

Lindo, porém estéril, este jardim à céu aberto é constituído mais de esculturas de pedra e pinheiros que de fato, de plantas, flores e arbustos. Mesmos os pinheiros morrem durante os longos invernos, sendo substituídos depois, quando os Arryn retornam ao seu Ninho. É um local mantido à céu aberto, onde é comum que se passe o tempo para conversar sem ser ouvido, ou apenas respirar algum ar puro. Uma visão panorâmica deste lugar é possível a partir das câmaras do Lord.

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Re: Jardim de Inverno.

Mensagem por Leona Royce em Sab Maio 20, 2017 12:48 am



Nós Lembramos.
15 anos, Casa Royce, Amazona.
Não se meta em confusões, Leona. – Foram as últimas palavras de meu pai antes dele se dirigir a reunião que tinha com Lord Arryn. Havíamos sido convocados pelo Protetor do Leste para discutir a situação atual, mas isso significava que meu pai discutiria com ele no fim das contas. Ainda sim, eu havia ido com meu pai e agora estava ocupada aproveitando para conhecer aquele castelo, pois dificilmente teria outra oportunidade de ir lá por um bom tempo. E então parti para explorar a residencia dos Arryn.

No final das contas, eu acabei parando nos jardins do lugar depois de ficar perambulando por ai, após um rapaz estar treinando com a arma no pátio destinado a isso e não ter tido um desempenho muito bom, onde eu me ofereci para praticar com ele. Eu poderia não ser a melhor espadachim do mundo, mas era paciente e estava disposta a ajudar, então ele já estava no lucro nesse ponto. Havíamos conseguido um par de espadas de treino e fomos para os jardins, lugar onde teríamos alguma privacidade e ninguém ficaria zombando dele. Eu teria um longo trabalho para ajuda-lo, mas não seria impossível. De qualquer forma, era melhor praticar com alguém real e que tinha mais ou menos a habilidade com armas no mesmo nível que eu do que com um velho mestre de armas, especialista no que fazia e que conhecia todos os truques. Diante de mim, vi a forma estranha com que ele se posicionou e arqueei as sobrancelhas, pronunciando-me.

Não fique assim... Vire o corpo de lado, assim, veja. Isso oferece um alvo menor ao adversário, menos lugares para te ferir com a arma. – Eu mostrei a ele como se posicionar e caminhei até ele. Usei a espada curta de treinos para bater levemente nas pernas dele para separa-las e deixar elas um pouco flexionadas. Acertei os ombros dele, pois ele estava muito curvado e então voltei para a frente dele. Havia alguma simpatia por aquele rapaz, onde eu via meu próprio começo refletido nele.

Primeira lição: você não precisa ter medo da arma, ela lhe obedece e é uma extensão da sua personalidade. Domine a si mesmo e dominará a arma... Agora, me ataque. Quero te mostrar uma coisa.

Mas... Você é uma nobre. – Eu revirei os olhos com a fala dele, mas mantive-me em minha posição quase imperturbável. Eu já imaginava uma reação como aquela, mesmo que ele já tivesse concordado com o treino. Não seria difícil acharem que ele havia me atacado se eu me ferisse e vissem os machucados.

Errado. Sou sua irmã de armas. Não sou homem ou mulher, nobre ou não. Agora, sem desculpas, me ataque ou serei obrigada a te bater.

Ele ia falar alguma coisa, entretanto, antes das palavras saírem, movi-me e acertei ele no braço usando apenas o suficiente de dor para que ele notasse que eu estava falando sério. Então ele tentou me atacar e começamos a trocar golpes. Seu ritmo possuía falhas, mas provavelmente ele tinha pouco treinamento também. Por mais de uma vez, eu precisei lembra-lo que ele estava segurando uma arma e não tentando quebrar a arma: ele precisava de firmeza, não força. O rapaz, que descobri se chamar Doran, era inseguro quanto aos golpes e também era afobado. Movia-se demais, um erro que eu mesma cometera ao começar a treinar com a arma. Repreendi-o mais de uma vez por isso no decorrer dos golpes por isso também. Havia mais facilidade de movimentação da minha parte do que da do rapaz, onde eu parecia dançar enquanto ele movia-se inseguro. As espadas de treino chocavam-se no ar e uma vez ou duas eu desarmei o rapaz. "Ele não é ruim de tudo, ele é inexperiente", conclui após a arma dele cair no chão e eu estar esperando ele pega-la. Podia ver que ele estava um pouco anima do por estar tendo avanços, mas ao mesmo tempo o fato de eu ser uma garota e estar tentando orienta-lo não parecia animar verdadeiramente ele.

Doran, tem alguém ou alguma coisa que você deseja proteger? Pode ser uma ideia, uma causa, um lugar, uma pessoa... Não precisa me dizer o que é. – Perguntei a ele, atenta a sua expressão e ao que ele diria a seguir. Estava na hora de elogia-lo e motiva-lo, mas eu não tinha muita certeza sobre como fazer aquilo, até que me recordei de algo. Quando as pessoas queriam proteger algo que acreditavam ou amavam, elas encontravam forças até onde não achavam haver mais. Se eu tocasse ai, poderia dar a ele a motivação para continuar seguindo.

Sim, eu tenho. Por que? – Havia alguma curiosidade em sua voz, uma incompreensão em seu olhar. Doran aproveitou o momento para descansar um pouco também.

Você não deve empunhar uma arma sem um motivo. Vê a lamina da espada? Sangue escorre pelas laminas reais, sangue de outras pessoas. Isso pode acabar com você se não houver um motivo por trás de empunha-la. Não basta segura-la procurando glórias, se defender ou algo assim, pois são justificativas que não irão valer realmente nada para você ou para os outros. Deve haver algo maior, algo realmente importante e que possa te guiar.

Eu podia ver que ele prestava atenção no que eu dizia. Minhas palavras poderiam parecer utópicas a primeira vista e eu mesma pensava nisso, mas sabia bem que havia algo além dos sonhos nelas. Doran ia falar algo, mas ergui a mão para silencia-lo e continuei, com a voz calma e controlada.

Se você ama alguém, faça dessa pessoa o motivo para empunhar a sua arma. O caminho para ser realmente um mestre na arma que segura não é apenas treinar exaustivamente, não é depender disso para ficar vivo. É ter algo ou alguma coisa que lhe de forças. O treino é sim importante, mas não é a coisa mais importante aqui. Eu vejo em você o potencial, Doran, mas você está inseguro. Quando segurar essa arma e tentar me acertar, faça isso pelo que você acredita.

Nossos olhos se encontraram e eu podia ver uma decisão se formando por trás dos olhos dele. Doran havia escolhido lutar, abraçar aquelas palavras e defender o que ele acreditava. Quando recomeçamos o treinamento, o cansaço dele pareceu sumir e dar lugar a uma nova motivação. Aquilo me animou e me fez notar que ele era quase tão rápido quanto eu e um pouco mais forte. Eu tinha um pouquinho só a mais de técnica que ele, mas nada que realmente tornasse aquilo menos emocionante. Talvez aquele jovem tivesse alguma salvação, de fato.

Não fique forte para matar alguém que odeia, mas para proteger alguém que ama.


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Leona Royce

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Re: Jardim de Inverno.

Mensagem por Artys Arryn em Ter Maio 23, 2017 2:17 am

"I wanna see the bad man fly....."
 
     Lord Royce era um homem enérgico. Era uma forma casual de dizer que ele esbravejava enquanto reclamava da situação dos Sete Reinos, em que a incerteza parecia espreitar a qualquer esquina. Sorrindo, esfreguei os dedos de minha mão direita contra o braço do meu trono de carvalho, observando enquanto um de meus vassalos mais fortes e leais discursava, colocando que nunca fora um grande entusiasta da causa Blackfyre, e que ao fitar a história, não gostava da forma como as coisas iam. Nossa aliança declarada para todo o reino era uma bandeira erguida à favor do Trono de Ferro, que certamente seria usada contra nós caso uma guerra fosse deflagrada. Sorri, pois concordava com tudo o que ele dizia. Ainda assim, meu velho amigo continuou a argumentar, bebendo generosos goles de vinho vez ou outra. Lord Royce admirava o sabor de um vinho da Árvore, e desde que me casara com uma Redwyne, era comum tê-lo em meu Ninho. Bebi um gole generoso de meu próprio vinho, olhando com alegria para a Senhora Desespero, espada valiriana de minha Casa desde meu casamento com a última filha de Lar do Coração. O olhar de Lord Royce seguiu o meu, e ele sorriu com reverência.

- É uma linda peça, m'lord. Ainda me lembro de seu tio a empunhando, no casamento de sua mãe com Eddard. Foi uma bela cena. Eu era só um garoto verde, e lembro de ter ficado muito impressionado. É justo que esteja com o seu sangue, embora o nome tenha desaparecido. - Lord Royce curvou a cabeça. Aquela era uma realidade possível, para todos nós. A extinção de um nome, o fim de uma dinastia. O maior pesadelo do jogo de poder westerosi.

- Sim. Uma lástima, de fato.  Mas é como você disse, Mitchar. Senhora Desespero continua com seu sangue. É claro que não tenho a ilusão de manejá-la tão bem quanto meu irmão o faria... Ambos sabemos que minha vocação sempre foi voltada à outros prazeres. - Ilustrei, movendo a taça de vinho. Lord Royce sorriu, concordando. - Uma falha que desejo corrigir, embora seja uma tarefa quase impossível, em minha idade. Contudo, não foi para discutirmos minha perícia que nos encontramos aqui. Acaba de me apresentar um cenário bem convincente amigo. Admito que já tinha minhas preocupações à cerca de nossa atual aliança. Não obstante, o convoquei aqui, longe dos ouvidos dos outros Lords. Para confessar, que estou preocupado.

- Não é para menos, meu amigo. As dívidas da coroa crescerão quando eles começarem a comprar dos Tyrell mais do que podem pagar. Se o Banco de Ferro fechar a boca larga de onde escorrem dragões, então os Lannister tomarão conta do governo. Como Protetor do Leste, seria natural que o oferecessem uma cadeira no Pequeno Conselho. Talvez mesmo o cargo de Mão do Rei. - Concordei, erguendo minha taça em desânimo. - É ultrajante que sejamos preteridos pelos leões. Eu mesmo, seu leal vassalo e um respeitável Senhor, não fui sequer convidado à corte.

- Há a questão do Norte. Isolados nos últimos anos, são agora uma nova Dorne. Sem as peças essenciais dos Sete Reinos fornecendo apoio financeiro, não vejo como nós poderíamos auxiliar nesta manutenção. Sabemos o que é dito sobre a Lady de Ponta Tempestade. - Royce riu. Ele era menos liberal do que eu, ao que parecia. - Ela pode ser uma donzela sozinha, mas possui uma pretensão ao Trono de Ferro. Todos sabemos disso. Sabemos que o jovem Greyjoy possui uma pretensão, na figura de Euron Greyjoy. Até os Lannister possuem uma pretensão, pela Rainha Louca. Se o Norte lutar pela independência outra vez, e Dorne decidir se manifestar, estaremos presos num banho de sangue. Isso nos deixa a Campina. O sul é a chave. Os Tully, talvez. O que diz? - Mitcha coçou a própria barba rala, os cabelos grisalhos caindo sobre seu rosto ao acompanharem o movimento de sua testa enrugada. Ele parecia perplexo, por um breve instante. Depois, maneou a cabeça.

- M'lord, confesso que levei algum tempo para analisar tantas variáveis, mas confesso ter perturbado-me o possível cenário que desenhou. Devemos manter o Vale à salvo desta carnificina. Ainda que ameaças veladas e uma paz frágil se estenda atualmente, tudo pode mudar a qualquer hora. - Ele parecia compreender. - Uma aliança com o sul faria muito bem. Afinal, é do lugar que possui os invernos com sol, de onde tiramos nossa salvação. Não podemos permitir que seja depredado.

- E não permitiremos. Por hora, devemos esperar, meu amigo. Muito em breve, teremos visitas no Vale de Arryn. Enquanto as agitações do mundo lá embaixo começam, logo feras e criaturas de todo o tipo subirão o Caminho do Espinhaço, em busca de auxílio. Leões, lobos, ursos, trutas, rosas... Prometo agir de modo a nos proporcionar a melhor saída. - Levantei-me do cadeirão de carvalho, descendo as escadas circulares até aproximar-me de Mitchar, perto da Porta da Lua. Dando as mãos, sorrimos satisfeitos, embora não tivéssemos chegado à um plano específico. Eu o mantivera falando, e falara bastante, sempre bebendo menos do que meus lábios faziam sugerir. Enquanto isto, Lord Royce sentiu-se mais importante na medida de quanto mais vinho ia bebendo. Ao fim, ele estava apenas feliz por ter sido tratado com tanta cortesia, alegre por ser meu mais importante aliado.

        Caminhamos lentamente até os Jardins de Pedra, na medida em que ele comentava que trouxera uma filha sua consigo. Rindo, Lord Royce afirmou que seu eu admirava a Lady Baratheon, então talvez ficasse impressionado com sua filha. De fato, a visão que contemplei ao chegar aos jardins não era nada convencional. Ao longe era possível vê-la ditando instruções a um de meus guardas em treinamento. O rapaz parecia aflito, com medo de feri-la e pagar com um banimento para o último nível dos castelos, se eu estivesse me sentindo bondoso. É claro que, se ela oferecera-se para praticar, devia saber no que se metia. Eu jamais cogitara, contudo, que não só ela sabia, como também o fazia muito melhor que seu adversário. Rindo com admiração, bati palmas quando ela encerrou sua lição, aproximando-me com Lord Royce até vê-los de perto.

- Uma performance invejável, lady Leona. Seu pai a tem escondido de nós? - Perguntei, sorrindo e aproveitando a chance para varre a silhueta da jovem com interesse. Era provavelmente da mesma idade que minha filha, o que acabou por incentivar um olhar paternal sobre aquela donzela. Ao meu lado, Mitchar parecia vermelho demais. Irritado, ele fitava sua filha de maneira tensa. - Ora, Mitch! Não me diga que não aprova um talento tão natural? Bem gostaria de ter tal capacidade! Não deve bloquear tal potencial, meu amigo.

- Não é normal que uma moça se comporte com tais modos no castelo de seu Lord. - Resmungou Mitchar, embora eu não aparentasse o menor incômodo. - Uma péssima hora para se exibir, Leona. - Ele parecia decepcionado, ou ao menos contrariado. Mas não devia ser contra o treinamento da jovem. Então qual seria o problema? Que eu a tivesse visto usar uma espada de modo que eu não saberia? Rindo, aproximei de Leona e a cumprimentei, beijando sua mão.

- Eu não sou o melhor para julgar, mas há talento em você, minha jovem. O bastante para tornar-se uma amazona tão digna quanto a heroica Brienne de Tarth. - Rindo ao lembrar a figura histórica e inspiração para canções populares, terminando de beber da taça ainda em minha mão. Um servo aproximou-se e a levou, finalmente liberando minhas mãos.

       Imaginei o que Leona achava, ao ver seu pai tão extrovertido. Sorrindo de forma simpática, fiquei feliz em aproximar-me, observando com atenção a jovem lutadora que me visitava. Uma donzela tão única, de maneira tão singular.
     
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Re: Jardim de Inverno.

Mensagem por Leona Royce em Ter Maio 23, 2017 5:03 pm



Nós Lembramos.
15 anos, Casa Royce, Amazona.
Eu me surpreendi com a chegada de Lord Arryn e de meu pai, ficando ligeiramente mais rubra do que já estava, entretanto sabia bem o motivo e não era cansaço. Aquela parecia bem com a definição de confusão de meu pai e sabia bem que logo mais seria repreendida por isso, principalmente por ter feito algo tão "terrível" onde o Lord podia me ver e na visão de um de seus guardas. Fiz uma reverencia a Artys e olhei um pouco preocupada para meu pai. Minha sorte era a presença do Arryn ali ou eu estaria realmente muito encrencada. Quando minha mão foi beijada, dei um sorriso gentil antes de falar.

Não sou tão boa quanto gostaria, milord, mas agradeço o elogio, de coração. Mas... Papai! Eu não me meti em nenhuma confusão, não é? – Olhei para lord Arryn verificando se eu estava ou não encrencada. Ele não parecia se preocupar tanto comigo tendo treinado a espada com o garoto e nós dois estávamos fisicamente bem. Nada havia sido roubado, perdido e nem feito realmente sem permissão do lord, mesmo que indiretamente. O jovem tinha ordens para treinar, não é mesmo? E a permissão para isso. – E eu não estava me exibindo... Não achei realmente que não poderia... Era só um treino.

Lady Leona apenas estava me ajudando com a arma, meu senhor! Eu não... sou muito bom e ela se ofereceu para me auxiliar a treinar. – O rapaz se apressara em me auxiliar, olhando ambos os homens com alguma culpa e admiração. Havia alguma coragem ali e não pude evitar sorrir diante daquilo. Eu toquei delicadamente o braço dele, olhando-o com algum respeito. Fora gentil e corajoso da parte dele me defender. Mas eu conhecia meu pai, sabia que aquilo poderia tornar as coisas difíceis para o jovem.

Apenas quero auxiliar alguém que decidiu se dedicar a proteção de meu lord. E se isso puder me auxiliar a melhorar as habilidades de modo a talvez chegar próximo a habilidade de Brienne de Tarth.

Murmurei algo bem baixinho após o Brienne de Tarth, que dificilmente eles compreenderiam, mas era um "uma pena que não tenho tanta liberdade quanto queria para apurar minhas habilidades". Ainda não me sentia muito bem em ter que sair escondida durante a noite para praticar porque meu pai limitava o que eu poderia fazer. Ainda sim, eu mantinha certo porte diante deles e alguma dignidade guerreira. Eu ainda estava em posição levemente de sentido, mantendo algum respeito para com eles, mas ao mesmo tempo fazendo uma resistência velada ao meu pai. Não iria desistir assim tão fácil.

Vossas palavras, milord, são muito gentis. E gostaria que houvessem mais possibilidades para que mulheres pudessem seguir o caminho das Amazonas sem tantos preconceitos ou problemas. Muitos ainda tem problemas com mulheres portando armas e mais ainda em nos aceitarem junto aos seus cavaleiros ou em seus castelos. Pergunto-me se acharia algum lugar onde eu poderia lutar e não ser vista como uma aberração.

Foi um comentário sincero e cheio de uma franqueza juvenil as vezes em demasia rara entre a nobreza. Eu tinha quase certeza que não tinha permissão para falar tão abertamente com o Lord Arryn, mas não poderia deixar passar a oportunidade de, talvez, poder ficar ali e treinar mais. Ele parecera gostar da habilidade que vira e eu havia notado anteriormente um ar paternal em seus olhos. Talvez a simpatia dele, se verdadeira, pudesse me dar uma oportunidade. Em meus olhos, era claro que eu não estava mentindo hora nenhuma e havia quase uma suplica em meus olhos, esperando que meu desejo mais intimo pudesse ser atendido.

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Re: Jardim de Inverno.

Mensagem por Artys Arryn em Ter Maio 23, 2017 6:42 pm

"I wanna see the bad man fly....."
 
     Estava francamente surpreso com a atitude corajosa da jovem donzela Royce. De fato, a história rica de sua família produzira figuras firmes e essenciais para a sobrevivência do Vale, por muitas vezes. Contudo, aquela coragem feminina era uma faceta ainda por demonstrar sua completa evolução. Leona Royce era uma jovem corajosa, mas talvez impulsiva demais. Seu pai poderia puni-la de maneira agressiva, em seu estado envolto pelo álcool. E eu não poderia fazer nada para interferir numa atitude de um pai que corrige sua filha. No entanto, antes que meu vassalo tivesse a chance, suas orelhas tão vermelhas que eu acreditava que pudessem soltar fumaça a qualquer hora, interferi e aproximei-me, depositando a mão sobre um se seus ombros. Atenuando sua expressão para o respeito habitual, ele sorriu de maneira forçada. Temia que eu tivesse me ofendido com o comportamento de sua filha, certamente. Devia estar pronto para pedir desculpas e arrastar a pobre garota para os aposentos dos hóspedes.

- Mitchar. Sabemos que não é correto podar as capacidades de nossos filhos. A família Tarth sobreviveu à sua Amazona, com muito prestígio e honra. Brienne tornou-se uma lenda, e depois dela todas as donzelas guerreiras. Em regiões como o Norte, na Ilha dos Ursos, uma jovem como Leona pode tornar-se uma verdadeira general. Nas Ilhas de Ferro, garotas tomam machados por amantes ainda muito jovens, dançando com eles e destruindo seus adversários como capitãs piratas. Leona é uma bela e honrada donzela. Ela jamais lhe traria desonra. - Sorrindo, contornei meu vassalo e apoiei um dos braços em Doran, meu guarda recruta. Ele parecia dois tons mais pálido, e eu sabia que não era devido ao meu charme. Rindo, puxei sua espada e a maneei, sentindo o peso. Eu odiava o peso de uma arma, mas sabia que eu mesmo poderia ter lições com aquela jovem. Simplesmente achava belo que ela tivesse um sonho tão saudável, ainda que alvo de preconceito no Vale. - O que é estranho para nós, já é natural ao mundo há algum tempo. Afinal, todos conhecem a lenda da Rainha Dragão, Daenerys Targaryen, uma Conquistadora que repetiu os feitos de Aegon, em uma situação ainda mais difícil. Ela tinha dragões, mas Leona tem sua espada. Acredito, portanto, que não só meus guardas possam ensiná-la, como também ela possa incentivar meus filhos e filha à investirem tempo em sua própria proteção. - Olhei para Leona, tão nervoso quanto ela deveria estar. Lord Royce poderia entender a situação como uma afronta, o que não era o caso. Felizmente, eu sabia de suas preocupações, e como acalmá-lo. - Peço-lhe a honra da tutela de sua filha, Lord Royce! A sustentarei como minha, e a proporcionarei os melhores mestres em luta, que os Sete Reinos possam produzir. Em troca, concederei a honra de prometê-la em casamento à um esposo adequado. Como o meu próprio filho, se ela concordar, é claro. Quando for a hora de tal escolha, ao fim de seu treinamento, voltaremos a isso. O que acha?

- M'lord... Não sei o que dizer. - Mitchar estava atônito. Parecia preso entre a vontade de punir Leona e a súbita surpresa de minha proposta. Ele estava compreensivelmente em choque, pobre homem. - É incomum, tamanha oferta. Ainda mais para uma donzela de modos insólitos. Ainda assim, sinto-me honrado pela proposta. Irei concordar, sob a condição de que cumpra com sua palavra, meu senhor. Não aceitarei Leona de volta a menos que esteja casada.

       Senti que Mitchar parecia feliz demais em livrar-se de um problema, o que entristeceu meu coração. Ele hesitou por um momento, depois beijou a testa de sua filha, dando sua bênção de modo acanhado. Surpreso comigo mesmo, sorri ao notar que tomara uma nova filha para mim. O que não estava em meus planos, de modo algum. Sorrindo, adiantei-me e beijei Leona no mesmo ponto que seu pai tocara, recebendo-a entre os meus. Troquei um olhar bem humorado com a jovem, em seguida apertando a mão de seu pai com entusiasmo. Ele estava desconfortável com o ato, provavelmente pensando o que diria em casa, para sua família. Certamente Lady Royce ficaria aliviada, mas muito incomodada por não ter sido consultada. Mas, a triste realidade era que homens como meu vassalo, não eram do tipo que compartilhavam tais decisões com suas esposas. Uma pena, pois o mundo sabe que as ideias mais sórdidas, vêm delas.

- Seja bem vinda ao Ninho da Águia, minha protegida. Aqui, você sempre encontrará um lugar e comida em minha mesa. E eu zelarei por sua formação orientado pelos desejos de seu coração. Mais alto do que a honra. - Prometi, sacudindo Doran levemente. - Talvez ao acompanhar Leona, meus homens deixem de ser um embaraço como combatentes. Espero nos Sete que seus companheiros estejam em melhor nível, Doran. - Ri, pois não falava sério. Só queria vê-lo vermelho. - Nada que não possa ser corrigido, ao que aparenta. Vá descansar. Levarei lady Royce e seu pai aos novos aposentos dela.

        Satisfeito com meu novo acordo, e ainda mais com a maneira com que tinha caminhado na corda bamba com Lord Royce, caminhei animado, guiando-os para os aposentos dos Arryn. Leona teria um quarto ao lado do de minha filha. Alyssa precisava de uma amiga. Esperava que a convivência entre Leona e meus gêmeos os fizessem interessar mais pela espada e menos pelos doces das cozinhas, também. Os deuses sabiam que Edwyn e Robyn logo ficariam gordos demais para serem escudeiros. Meu herdeiro ficaria certamente feliz em ter uma moça tão bela por perto, mas seria bom que ele tivesse cuidado com aquela. Seria divertido ver meu Eddard se contorcer. Ele era afinal, filho de seu pai. E uma fruta não caia longe da árvore. Especialmente curioso sobre como a jovem devia se sentir naquela circunstância, sorri gentilmente, esperando ter feito a coisa certa em acolhê-la como minha família. Certamente, sua lealdade e afeiçao seriam recompensadores, no futuro.


Encerrado para Artys.


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Re: Jardim de Inverno.

Mensagem por Leona Royce em Ter Maio 23, 2017 7:40 pm



Nós Lembramos.
15 anos, Casa Royce, Amazona.
Eu havia passado do ponto e podia ver isso no rosto de meu pai. Mas eu estava pronta para aceitar as consequências e sustentei seu olhar, sem hesitação ou parecer pronta a hesitar. Haviam muitas formas de coragem além daquela demonstrada em campos de batalha e eu espera, um dia, ser capaz de demonstra o máximo delas que pudesse, mas para isso eu deveria, primeiro, ser capaz de enfrentar a ira de meu pai sem implorar por piedade. Eu abri a boca para dizer algo, para tentar ao menos acalma-lo um pouco, mas Artys fora mais rápido do que eu, ao proferir as palavras.Tudo aconteceu rápido demais na minha opinião e, antes que eu pudesse dizer algo, Lord Arryn pedira minha tutela ao meu pai. Atônica, eu olhei-o surpresa.

No começo, eu estava evidentemente nervosa e preocupada, mas quando ele pediu a tutela?! Pelos deuses! Não conseguia encontrar palavras, gestos ou pensamentos por alguns segundos e então falei com a voz hesitante, pouco. Estava um pouco triste com meu pai pela forma que ele parecia me ver como um problema que precisava ser logo resolvido e parte de mim queria chorar com isso. Eu não veria mais meus irmãos tão cedo, mas era uma dor que eu precisava suportar. O lado bom era que eu ao menos estaria com meus primos, filhos da primeira esposa de Artys, e portanto não estaria totalmente fora de casa. Quando meu pai me beijou na testa e depois lord Arryn, eu sorri e abracei rapidamente meu pai, antes de dizer para ele.

Não vou decepciona-lo, papai. Um dia, terás orgulho de sua filha desajuizada. – Então me recolhi e dei um sorriso tímido para Artys. Sabia que deveria agradece-lo e busquei as palavras mais adequadas para aquilo, que combinasse tanto o respeito quanto a gratidão, mas também mesclasse a nobreza e o posto recém assumido de amazona. – Não tenho palavras suficientes para a agradecer pela enorme honra, Lord Arryn, de me colocar entre os seus e investir em mim e em meu desejo. Me esforçarei ao máximo para retribuir seu gesto e também honra-lo. A minha espada será vossa espada daqui em diante e não irei decepciona-lo.

Era provável que meu pai esperasse que eu gritasse que não queria me casar e jamais o faria, mas eu controlei essa parte de mim e sabia que ele certamente iria notar meu esforço em não piorar mais a situação. Eu havia aceitado a ideia de me casar ao terminar o treinamento e não parecia haver em mim a malicia de fazer com que o treino demorasse mais do que realmente era preciso. Queria dizer ao lord o quanto era grata por tudo aquilo, porém eu não achava nada que pudesse ser usado para dizer aquilo. Em minha face, havia algum rubor por vergonha e olhava, as vezes, timidamente para o homem. Eu era uma protegida dele agora, quase uma segunda filha. Sabia que lhe devia ainda mais respeito do que antes, além de agora ter um motivo maior ainda para lhe ser leal.

Aquele homem e seus filhos seriam minha família agora e me lembraria daquilo. Nós lembramos, como dizia o lema de minha casa. Eu lembraria de como ele me recolhera e de todo o esforço. Mordendo o lábio inferior, sabia que deveria dar tudo de mim nos treinos e estudos, aprender o máximo que poderia de cada coisa ali. Observar, fazer amizade com seus filhos e fazer-lhes companhia. A partir daquele momento, eu me esforçaria para me aproximar deles e conhecer melhor os membros da família e, se o que ele falou sobre talvez casar com seu mais velho fosse verdade, queria aprender a gostar ou ao menos respeitar e conviver bem com meu primo. Quando chegamos ao meu quarto, parei a porta hesitante e falei incerta para ele.

Meu lord? Novamente, obrigada. Especialmente por ter arriscado ser indispor com um vassalo para me ajudar. E ainda me colocando em meio aos seus filhos... Realmente não tenho palavras suficientes para agradecer, mas espero ser capaz de lhe provar o quão grata eu sou por isso.

Então fiz uma breve reverencia e adentrei no quarto para assimilar tudo aquilo de modo coerente e mais ou menos certo. Havia muito o que aprender e fazer agora... Tão alto quanto a honra. Pensando no lema da família, percebi que deveria elevar minhas formas de agradecimento tal como a honra. Mas isso era coisa para outro momento.


Encerrado para Leona
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Re: Jardim de Inverno.

Mensagem por Alyssa Arryn em Sab Maio 27, 2017 7:39 pm



O sol ainda estava nascendo quando Alyssa resolveu passear pelos jardins. Os fios castanhos balançavam com o vento do amanhecer, assim como a capa azul com o brasão da casa Arryn. A única filha do Lord do Ninho não havia conseguido dormir muito bem durante a noite.

A morena estava tendo pesadelos horríveis, e acordava suando e assustada há pelo menos quatro dias. O cansaço já era visível em suas olheiras e cabelos opacos, mas o sorriso gentil sempre estava ali e, para não preocupar o pai, estava evitando o mesmo, assim como os irmãos: estava comendo fora de horário, evitando a sala de seu pai e, muitas vezes, era vista cochilando durante a tarde, debruçada nas mesas da biblioteca.

Soltou um suspiro e chegou perto de uma das grandes árvores, escorando na mesma e sentando-se no chão.

— Et Eärello Endorenna utúlien. Sinome maruvan ar Hildinyar, tenn’ Ambar-metta! — cantarolou, olhando para o céu e enrolando uma mecha do cabelo com o indicador. Seria mais um longo dia.

Roupa Usada:



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Re: Jardim de Inverno.

Mensagem por Leona Royce em Dom Maio 28, 2017 2:39 am

Eu havia chegado à conclusão de que precisava praticar mais com armas e, portanto, havia convidado Doran para treinar comigo. O rapaz, por também precisar treinar, havia concordado em ir comigo e agora estávamos nós dois com espadas longas próprias para treino nas mãos, um diante do outro, nos Jardins de Inverno do Ninho. O rapaz havia ficado um pouco mais receoso em treinar comigo por ser protegida por seu lord, mas ao mesmo tempo mais tranquilo pelo próprio estimular os treinos. Eu estava parada em meio as arvores olhando a arma em minha mão quando proferi com a voz calma.

É mais pesada que a espada curta e o manejo é mais difícil, mas nós damos conta. – Eu estava calma e confiante, certa de que não seria tão difícil assim. Eu havia tido aulas básicas no manejo daquela arma tanto em Pedrarruna quanto ali, no Ninho e, portanto, não havia problemas tão graves assim para mim em usar a arma.

Fala como se fosse fácil, Lady... Desculpe, Leona.

Ele corrigiu-se a tempo, após ter repetido várias vezes para ele que eu não era lady coisa alguma e para mim apenas Leona bastava. Não queria ter aquela prepotência que via em nobres normalmente e esperava que apenas o respeito fosse-me dado, independente da posição social. Mais uma vez desde que chegara ali, notei que ele não confiava muito nas próprias habilidades e falei pra ele, com uma voz calma e controlada.

Eu quero que você sinta a arma, Doran. Envolva-se com ela, sinta o que ela sente. Quando nossas espadas se chocarem, vibração causada pelo choque que vem para o seu braço deve ser sentida com sua alma. Lutar é uma arte que nem todos podem dominar, mas seu lord precisa que você domine-a.

Eu enfatizei o fato de que Artys precisava daquilo, relaxando um pouco minha postura firme. Entre nós dois, sabia que, como tendo nascimento nobre, viver por ali era mais fácil e eu compreendia bem a necessidade de proteção que existia, mesmo que fosse de uma casa menor. Um sorriso levemente afetado surgiu em meus lábios ao continuar a fala, visivelmente empolgada.

Se você entender suas armas e capacidades, Doran, não há necessidade de teme-las. Vê a espada? É tão perigosa quanto uma pena e papel, porém ambas podem ser combatidas se for inteligente e habilidoso. Mas já chega de falar como uma garotinha, viemos aqui para treinar e não para mim fazer um monologo sobre como se vencer uma guerra ou sobre batalhas travadas em salões.

Após falar aquilo, segurei a espada longa com a mão destra e tomei posição. O corpo estava de lado de modo a espada ficar na mão da frente, os pés ligeiramente separados e as pernas flexionadas para me dar firmeza, os ombros baixos e a coluna reta, com os olhos atentos aos movimentos dele. A respiração estava calma e não havia o menor indicio de nervosismo em mim ou minha postura, afinal aquilo era apenas um treinamento e não um combate real. O jovem a minha frente tomou postura um pouco desajeitado, mas melhor do que nas vezes anteriores.

Revirando os olhos, movi-me o mais rápido que pude e bati no joelho esquerdo do rapaz, que era canhoto, e olhei com uma expressão séria, tentando ser o mais gentil e delicada possível com ele. Sabia que era difícil para ele manusear armas que exigiam uma força, equilíbrio e coordenação corporal como um todo maiores do que uma adaga exigia, mas a arma predileta dele era inútil contra guerreiros de armaduras pesadas. Sentia-me responsável pela educação daquele jovem.

Se concentre, Doran. Nós temos mesmo que treinar.

Um sorriso cansado surgiu nos lábios dele ao ouvir minhas palavras e ele assentiu. Eu era menos dura que o mestre de armas, mas não hesitava em usar suas falhas contra ele em nossos treinos, o que resultava em feridas ocasionais nele. Doran, pelo menos, nunca havia me culpado por esses ferimentos, do mesmo modo que eu preferia não comentar sobre os machucados que eu mesma sofria nos treinos.

Prestarei atenção.

Não houve pedido de desculpas e eu preferia assim. Pegara o costume de Halt, o mestre de caça, de apenas repreender quando necessário e com motivo, dificilmente aceitando desculpas pelos erros. Era melhor aceitar e tentar não repetir. Respirando fundo, ele sacudiu a cabeça e começamos. O rapaz tinha alguma velocidade e força, que cresciam em decorrência dos treinos, mas ainda era inexperiente e lhe faltava astucia. Não que eu fosse um gênio, mas eu sabia onde doía mais. As espadas chocaram-se no ar e produziram um som forte, seco. Senti a vibração espalhar-se por meu braço, mesmo sendo menor do que a do aço. Colocando meu peso sobre a arma, empurrei-o para longe enquanto girava a espada para tira-la de minha reta. Quando não se era exatamente forte, se devia usar o que tinha, ponderei.

Segurando a arma com firmeza, fingi que daria um corte no ombro esquerdo do rapaz, que moveu a arma para defender e então eu troquei tão rápido quanto podia o movimento, atingindo a cocha dele. Ouvi seu grito e vi seus olhos ofendidos focando-se em mim. Dei um sorriso e me afastei um passo, dizendo de modo silencioso “não vou cair nesse truque de ‘me ajude’, pois você ira me atacar”. O rapaz se ergueu e pegou posição de novo. Quando ele pareceu estar pronto, fui para cima dele o mais graciosa possível. A espada era pesada e, se eu já não usasse armas a tempo suficiente para as mãos terem criado uma resistência a calos e feridas pelo uso, estariam doloridas agora.

Uma coisa que eu havia percebido durante os treinos com Doran que ele havia parado de mover-se demais ou ficar completamente parado, sabendo equilibrar os dois. Eu também havia notado que eu mesma estava mais cautelosa e esforçava-me mais, treinando todos os dias sempre que podia. Claro que eu interagia com minha “família”, mas também me desenvolvia como guerreira e buscava aprender novas cosias todos os dias. Meu olhar cruzou com o do rapaz, que estava decidido a me ganhar.

Seus ataques começaram a ficar tão rápidos quanto a agilidade não muito elevada dele permitia, mas o que faltava em precisão ou graciosidade ele compensava em força quando atingia. Para meu próprio bem estar, eu tentava aparar os golpes que não conseguia desviar, segurando o cabo da espada com a mão direita e apoiando a “lamina” da minha arma com a esquerda. O rapaz não atacava com tanta força porque ele queria, eu supunha, mas sim por não ter muito controle mesmo. Era difícil as vezes notar quanta força se tinha e se usava, a menos que já tivesse bastante experiência nisso, o que não era o caso de nenhum de nós dois.

Uma ou duas vezes a espada dele bateu em meus dedos e eu gritei, largando a arma e fazendo carinho na mão ferida. Ele se desculpou, parecendo aflito, e disse que estava tudo bem. Esforcei-me para controlar a dor e lutar com os dedos que aos poucos ficavam inchados. Mas não podia reclamar, nós dois usávamos as armas de modo desengonçado e eu tinha ainda muito o que aprender. Não manuseava a arma com a coordenação necessária e mais de um vez percebi que aplicava força em demasia nos golpes ou que me esquecia de que não era uma lamina leve e, portanto, algumas coisas nunca dariam certo uma vez que a arma era pesada demais para elas serem viáveis. Não tirarei o mérito de Doran aqui, uma parte considerável dos meus hematomas seriam causados por ele realmente ter acertado o golpe que planejou, outros nós dois tínhamos acertado por acaso ou porque o outro errou.

Ao final do combate, o rapaz pegou a espada de minha mão, sorrindo, antes de proferir.

Eu guardo as armas.

Eu agradeci a ele a gentileza e fiz uma pequena reverencia antes dele se afastar. Me estiquei toda e pensei se não deveria ir dormir um pouco naquele momento...


Observação:
Interagir ou não com a personagem é opção sua. ;3

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Re: Jardim de Inverno.

Mensagem por Alyssa Arryn em Qua Maio 31, 2017 6:09 pm



O silêncio foi quebrado quando escutou o tilintar de armas se chocando. A princípio ignorou o fato, uma vez que não queria levantar-se dali e verificar quem era. Alyssa apenas recostou-se novamente à árvore e fechou os olhos, tentando relaxar o corpo enquanto inspirava e expirava devagar.

Mas o barulho estava insistente e parecia que sua cabeça ia explodir. A jovem Arryn nunca foi uma garota agressiva ou coisa do tipo, mas poxa vida! Um pouco de silêncio não ia matar ninguém, não é mesmo? Bufou uma vez e colocou-se de pé, avançando até onde havia escutado o barulho, surpreendendo-se quando viu uma mulher lutando contra um homem.

Alyssa sentou-se no chão de pedra para assistir o embate, e a julgar pelo modo de falar da moça se tratava de um treino. Mesmo que soubesse, ou pelo menos tivesse uma pequena noção, de luta com armas, era uma das raras vezes que a pequena se via diante de uma pequena batalha como aquela, que fazia seus olhos brilharem.

O sol nascia lentamente no leste e seus raios começavam a iluminar o pátio do jardim, enquanto a brisa fria da madrugada começava a se dissipar, tornando-se mais amena. Alyssa abriu um pequeno sorriso antes de ficar novamente de pé e caminhar até a mulher quando o treino dela finalizou.

— Bom dia. — sorriu para ela, e então apontou para a espada na mão dela. — Não tens medo de se machucar com isso, m'lady? — perguntou com curiosidade, colocando ambas as mãos atrás das costas e curvando-se um pouco para poder ver melhor a espada, que parecia brilhar com as cores da aurora. — É linda. — murmurou, então voltou-se para a mulher novamente. — Como consegue carregar? Não é pesada?

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Re: Jardim de Inverno.

Mensagem por Leona Royce em Qui Jun 08, 2017 6:05 pm

Eu só notei a jovem no final do treino, quando ela se pronunciou. Com um sorriso em face, fiz uma pequena mesura para ela e olhei a arma, distraída. Nunca houvera aqueles medos em meu coração, não de modo verdadeiro. Eu sabia que poderia me machucar e que não deveria forçar demais os músculos, porém medo de ferir-me ou preocupação com o peso jamais havia me ocorrido. Após morder o lábio inferior por alguns instantes, proferi com a voz demonstrando que ainda estava pensando quanto aquilo. Apesar da garota ser minha prima, eu deveria lembrar que não eramos, ainda, amigas para que eu esperasse alguma intimidade dela ou coisa parecida.

Bom dia, milady. Medo de me machucar? Não, eu não tenho. A espada só é um problema quando você teme ela ao invés de transforma-la em parte de si. Creio que lembre um pouco os talheres que usamos para comer ou as agulhas de costura, só que nesse último caso menos entediante.

Fiz uma careta ao falar das agulhas de costura, pois odiava aquela coisa que as damas insistiam em usar. Para que eu deveria manusear bem aquelas coisas? Não me manteriam viva, certo? Acho que seria um pouco inútil dominar aquela criatura esquisita e fina. Enquanto proferi a primeira parte da resposta, não pude deixar de sorrir com a curiosidade dela sobre aquilo e considerei a ideia de, talvez, ser possível convence-la a pelo menos treinar um pouco as vezes. Eu podia ser uma jovem ainda verde, mas sabia quando épocas de embate poderiam estar se aproximando.

Quanto ao peso, eu achava pior no começo, mas agora não sinto tanto mais o peso dela. Provavelmente me acostumei com o peso ou tornei-me forte o suficiente para carrega-la. Eu não saberia dizer qual dos dois, caso me perguntasse. Apesar disso, acho que ainda prefiro a espada curta, arcos e as adagas... Talvez pelo tempo que passei nas matas caçando quando meu pai e os guardas dele não me pegavam.

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Re: Jardim de Inverno.

Mensagem por Galahad Arryn em Qua Ago 16, 2017 8:28 pm



brother;

Galahad suava sob o traje, o sol quente conferia uma sensação causticante e a pele clara apenas sofria mais. A cota de malha unindo ao corpanzil era deveras incômoda, mais o que poderia fazer? Havia acabado de sair de um treino particularmente difícil com o Mestre de Armas que estava o ensinando como um homem deve lutar - mesmo que fizesse isso desde sempre. Mas o armamento e os trajes eram pesados em demasia e pouco lhe serviam, os encaixes ficavam apertados nos locais mais inconvenientes.

Encontrar-se-ia com o irmão e não poderia faltar, afinal, não o teria próximo pelos demais meses que viriam. A tristeza era latente, mas deveria ser forte.

Os olhos cianos apertaram as pálpebras devido a incidência solar, ao chegar no local marcado; pairou suavemente sobre a sombra do batente do portal. Cansado e acabado.


início do turno.



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