Pátio de Treino.

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Pátio de Treino.

Mensagem por Deus de Muitas Faces em Qui Maio 18, 2017 11:33 am



Pátio de Treino

O Pátio de Treinamento é o local onde os soldados Hightower treinam em combato, montaria e arco e flecha. Ocupa grande parte da região aberta entre as muralhas e Torralta, com campos para justas e treinamento com a lança. De sua câmara, o Lord pode observar do alto este local, de modo que os soldados sempre tentam dar o máximo de si para impressioná-lo.
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Re: Pátio de Treino.

Mensagem por Avalon Hightower em Qua Jun 21, 2017 4:34 am

"Knowledge is the light in the dark..."
 
         
A chuva que caía era como um manto cálido, escorrendo pelo corpo quente e tornando o chão do pátio de treinamentos um aglomerados de pequenas poças. Milhares delas, que se espalharam e explodiram em uníssono, numa sinfonia líquida cortada apenas pelos movimentos duros e precisos do Lord. Agindo em total abandono, Avalon respirava no ritmo da chuva. Bebia e sentia sua força queda, que o oprimia enquanto o levava, impulsionando seus movimentos e sua respiração. Naquele ambiente, com a camisa de flanelas simples e as calças de couro, era apenas o rapazote que navegara para as Cidades Livres ao lado de Dickon Greyjoy, quando ambos sequer sabiam o que era realmente navegar. Com quinze anos, e apenas um ano antes de ser pai pela primeira vez, não era mais que uma criança. Os nós desatados de sua camisa caíam de seu corpo, balançando enquanto ele girava e bloqueava golpes invisíveis. O machado de lâmina dupla reluzia sobre a água cristalina, e o cheiro do mar enchia o céu nublado. Trovões ribombavam, enquanto os homens de Torralta reuniam-se para observar o seu senhor, sozinho sob a tormenta. Era naqueles instantes de total intempérie e solidão que Avalon sentia-se mais livre. Era quando podia lembrar-se de Tyene e de Garlan, seus dois amores. Era quando podia sofrer e não definhar. Mas crescer e destruir. Com um gesto desajeitado, urrou enquanto arremessava seu machado na direção de um dos alvos. A arma girou circunspecta, bem longe da graça dos dançarinos das Ilhas de Ferro. Foi tirar uma lasca de um dos bonecos de estopa, caindo há metros de distância. Com um grito, moveu seus ombros e pediu por outra arma. Um dos guardas adiantou-se e jogou um outro exemplar para seu Lorde.

Avalon segurou a arma pelo cabo, que fora arremessada por seu guarda. Os cabelos molhados presos num rabo de cavalo já pingavam, e seu peito arfante não saberia dizer se era a chuva ou o suor que lhe banhava. Contendo-se, moveu o machado com a mão direita, convidando seu homem em completa armadura para treinar. Ele hesitou, mas um outro adiantou-se, este em armaduras leves de fibra de couro curtido e peles. Circundando Avalon, puxou sua espada boa forjada em castelo. Ele fez menção de avançar, mas Avalon sorriu, cobrindo seu flanco com a arma grossa. Girou o machado em suas mãos, fazendo as lâminas dançarem, e caiu sobre seu homem. Deslizou sobre a lama, sentindo todo seu peso acumular-se numa única perna enquanto escorregava para baixo. Com a outra, mirou um chute na coxa do guarda, que arfou e não suportou, ajoelhando-se sobre uma de suas pernas. Erguendo a mão do machado, Avalon parou a arma a centímetros do peito do seu homem. Quando achou que o treino teria um fim, o guarda enfiou-lhe o punho na face esquerda, derrubando-o de costas sobre o chão molhado. Caiu com os braços abertos, largando seu machado. Girou com velocidade para longe do adversário, antes que a espada dele fosse lançada em sua direção. Os homens Hightower gritavam e estimulavam a disputa. O calor da emoção fazia com que Avalon sentisse cada vez menos as dores e urgências de seu corpo. Era quase como estar numa verdadeira batalha, embora nunca tivesse pisado numa guerra, já tivera sua cota de mortes na juventude. Em especial em Lys, naquela ocasião com os traficantes de escravos do prazer…

Sua distração quase custou-lhe uma das mãos, quando não conseguiu pegar o terceiro machado que lhe fora lançado. Estalou a língua logo antes de ser atingido por um chute nas costelas, que tirou-lhe o ar e levou-o ao chão. No afã de cair, Avalon acabou mordendo a língua, e o gosto metálico encheu-lhe a boca. Cuspiu o vermelho sobre o marrom da lama, mas gostou de ver que aquilo não impediu seu guarda. Espanando água e lama, abriu caminho entre a sarjeta para apanhar seu machado, aparando um golpe de espada que fez vibrar os ossos de seu braço inteiro. O impacto certamente abriria hematomas em sua mão nua e gélida, que segurava o aço frio, trêmula. Lutou com a gravidade para não largar o machado, mandando um segundo golpe que atingiu o ombro de seu guarda com a lateral da arma, e não as lâminas. O guarda arfou e Avalon viu a oportunidade perfeita para chutá-lo na barriga. Infelizmente, o golpe reuniu todas as forças que ele possuía, mandando-o para o chão bem ao lado de seu oponente. Sem fôlego, lutou para tragar o ar enquanto o guarda fazia o mesmo. Olhando para o rosto ferido do homem, largou sua arma e começou a rir. Concedia-lhe a vitória, afinal, o homem certamente teria o derrotado se aquela fosse uma batalha verdadeira. Suas forças acabavam ali, enquanto o outro parecia bem para uma nova investida.

- Foi uma boa luta, m’lorde! - Elogiou o rapaz, os cabelos ruivos quase tão escuros de lama quanto os fios claros de Avalon. Os dois riram, e o Lorde de Vilavelha esfregou a água da chuva no rosto, para lavar as impurezas. Os homens afugentados nas ameias do pátio riam e trocavam moedas segundo suas apostas.

- Eu é quem devo agradecer-lhe, meu amigo! Como devo chamá-lo? - Pediu, impressionado com a beleza do guarda quando ele retirou o capacete.

- Asher Rivers do Ramo Vermelho do Tridente, m’lorde. Se lhe agradar. - Avalon queria dizer que o agradava e muito, mas limitou-se a sorrir e acenar. Não era mais uma criança, e devia saber dominar seus impulsos. Aceitou o braço de Asher, quando este se levantou primeiro, e foi içado para cima. Andando com as pernas doloridas, fez esforço para não demonstrar seu desgaste.

- Asher, avise ao Mestre de Armas que a partir de hoje você fará parte da minha guarda pessoal. Qualquer homem corajoso o bastante para fazer seu Lord sangrar deve ser um guerreiro valoroso. - Asher apenas concordou, evidentemente surpreso e feliz. O deixou para trás sendo parabenizado por seus colegas, enquanto ia caminhando até a entrada frontal de Torralta.

Foi quando viu um dos Meistres da Cidadela, às voltas com um pergaminho em mãos e gesticulando às portas da fortaleza, insistindo com os guardas que precisava falar com o Lord imediatamente. Avalon não tinha ideia do nome daquele homem, mas podia reconhecer o pânico quando o via à sua frente. Adiantou-se, pedindo que seus homens saíssem do caminho. O Meistre idoso não pareceu reconhecê-lo imediatamente, e entendendo sua confusão, Avalon sorriu. Finalmente o velhote entendeu que como ele, o Senhor de Torralta e Farol do Sul, também fora apanhado pela chuva de maneira inconveniente.

- Meu senhor! Trago notícias do Porto de Vilavelha! Homens de Ferro desembarcaram em nossos portos. Nossas frotas não os atacaram, o que significa que vêm em paz. Contudo, achei de bom tom alertá-lo que rumores de uma batalha em alto-mar foram espalhados e confirmados. Ao que parece, um grupo de nascidos do ferro saqueou embarcações mercantis Hightower. Os homens utilizavam a foice negra dos Harlaw, e foram derrotados por seus homens! - Alarmado, ele parecia prestes a colapsar. Avalon deduziu que a força inimiga devia ser muito pequena, para passar pelas Ilhas Escudo sem ser percebida.

- Nossos dracares não interceptaram os nascidos do ferro? Qual o tamanho de tais forças? - Indaguei, confuso.

- O ataque evitado continha um único dracar, meu senhor. A galé caiu sobre os dois navios mercantes, e fugiu como uma besta marítima. Contudo, as forças da torre alva o capturaram e o trouxeram para Vilavelha, tomado como refém, bem como os dois navios que foram recuperados dos piratas. Agora, a força Greyjoy que se aproxima enverga cinco dromores imponentes, mas erguem cada um, uma bandeira branca. - Havia entendido tudo. Dickon vinha fazer uma visita. Sorriu, e o Meistre pareceu chocado. - M’lorde? Seria sábio confiar em homens de ferro?

- Meu bom Meistre, compreendo sua preocupação. Contudo, garanto que Dickon Greyjoy não ergueria uma bandeira branca se não estivesse aqui em missão diplomática. Não é o modo dos Homens de Ferro, artimanhas e mentiras. Eles destruiriam as Ilhas Escudo, ou tentariam, antes que fossem autorizados a passar pelo Vago. Certamente esta força estranha dos Harlaw que violou os acordos entre a Campina e as Ilhas, não corresponde ao seu posicionamento. Que os deuses me julguem, mas creio que teremos surpresas ao lidar com os mentores desta estúpida investida contra a paz de Vilavelha. Leve-me até os prisioneiros. - O Meistre abriu a boca para falar, mas foi interrompido pelo som de uma pequena procissão que se aproximava.

- Não será necessário, meu senhor. Eles estão bem aqui. - Homens montados e em armadura completa traziam sete prisioneiros a pé, acorrentados nas mãos e nos pés. Todos estavam amordaçados, e vestiam trajes típicos de piratas das Ilhas de Ferro. Apenas um deles mantinha o queixo erguido, o mais jovem de todos. O Lord Hightower tinha quase total convicção que aquele era o único nobre do grupo. O homem que vinha à frente trazia um escudo com a torre branca em fundo cinza de seu sigilo no lombo de seu cavalo, e parecia solene com aquele encontro. - Trago estes saqueadores para as prisões de Torralta, meu Senhor do Porto. Tenho a honra de ser Sor Derick Beesbury, Almirante do Pilar de Prata, dracar da frota Hightower.

- Seja bem-vindo, meu bom homem. - O recebeu, deixando que entrasse. O Meistre manteve-se ao lado da Voz de Vilavelha, enquanto uma enorme comoção se desenrolava em plenos portões de Torralta. Moradores e servos do castelo gritavam maldições e intempéries contra os sete prisioneiros amarrados sob a chuva, enquanto Avalon observava os cativos friamente. Pessoas de nascimento comum acumularam-se às portas da Casa, exigindo a morte dos invasores. Avalon estava chocado com tamanha audácia. O que, pelos Sete Infernos, aqueles imbecis estavam pensando?

Mais tarde, nos Salões de Torralta, Avalon sentou-se em sua grande cadeira de pedra, observando enquanto os guardas forçavam seus prisioneiros a ajoelharem-se, diante dele. Vestindo um comprido casaco cinza com fios prateados, sentiu o peso dos broches em forma de torre, que abotoavam suas vestes longas, cada pequena torre portando um rubi e um âmbar laranja no topo, simbolizando o fogo do Grande Farol de Torralta. Os cabelos soltos e a pele limpa conferiam-lhe a aparência de outra pessoa, bem longe do homem que recebera aqueles inimigos inesperados às portas. Olhou para todos os membros de sua família, que observavam em silêncio. Alerie, a filha donzela e a Pérola de Torralta, fingia ignorar os olhares masculinos sobre si, enquanto dois de seus trigêmeos permaneciam resolutos ao lado da irmã, quase homens feitos. O terceiro irmão era um acólito na Cidadela, e um grande orgulho para Avalon, por sua aptidão para os mais diversos conhecimentos. Antes que pudesse sorrir pensando nos filhos, assumiu sua expressão apática, ordenando com um gesto que retirassem as mordaças dos homens.

- Quem de vocês é filho da Casa Harlaw? Qual de vocês violou os Acordos de Paz, desperdiçando vidas da maneira mais estúpida que se pode desperdiçar. Qual de vocês jogou aos corvos o bom nome de uma Casa Antiga e Proeminente das Ilhas de Ferro? - Fez sinal para que seu Meistre se aproximasse. Ao fundo do salão, o Almirante Beesbury e seus homens observavam com prazer a humilhação de seus inimigos. - Quem de vocês é o obtuso que roubou a espada de sua família? - Meistre Edrigor ergueu a brilhante e obscura espada valiriana. A Anoitecer reluziu sob a luz dos archotes, atraindo todos os olhares presentes. Levantou-se, tomando a espada das mãos do homem de meia-idade e trazendo-a para o seu colo. Olhou o jovem rapaz nos olhos, sorrindo de maneira cruel. - Sei que é você, rapaz. Sua inexperiência e estupidez exalam. O que acharam que iria acontecer? Acreditaram que tomariam Vilavelha com meia dúzia de homens, uma espada antiga e muita determinação? Ou planejavam saquear minhas riquezas, a começar por dois carregamentos de temperos e frutas? Sinceramente, eu deveria tomar as cabeças de todos, e poupar o mundo de tamanha ameaça. Meu primo poderá respirar muito melhor em Jardim de Cima, sabendo que tais ameaças ao seu governo estarão exterminadas.

- Vai nos matar logo, ou prefere nos torturar de tédio? Vocês, damas perfumadas do continente, consideram-se importantes e inatingíveis. O jeito antigo ainda não morreu nas Ilhas de Ferro. O que está morto não pode morrer. - Cuspindo no chão, o garoto ergueu o queixo em desafio. Comovido, Avalon achou a cena triste e inspiradora, embora patética.

- O que está morto não pode morrer. - Repetiram os outros seis, mais loucos ainda.

Todos os presentes riram, enquanto os portões abriam-se para a chegada dos convidados do Lord. A comitiva Greyjoy tomou o salão, enquanto o mais imponente entre eles vinha à frente, vestido de negro. Os homens da guarda de Dickon chegaram a tempo de ouvirem as últimas palavras dos prisioneiros, e não pareciam muito felizes em verem o édito de seu Deus Afogado nas bocas daqueles incompetentes que haviam sido apanhados. Ao lado de Dickon, um homem mais velho caminhava. Sua armadura negra exibia uma placa de ferro no formato de uma foice prateada no peito, o que só poderia ser o pai daquele aprendiz de pirata. Notou que seus próprios homens tornavam-se apreensivos com a situação, as mãos descansando firmemente nos cabos das espadas. Haviam tantos homens Hightower ali, que imaginava que os pátios de treinamento estariam vazios àquela altura. Se ao menos entendessem que não havia a menor necessidade de tais precauções... Sorriu quando levantou-se e desceu os degraus até seu velho amigo, entregando a espada negra para seu Meistre. Não ignorou o olhar sedento de Lord Harlaw na direção do objeto. Estendeu a mão para o Senhor de Pyke, esperando que ele a apertasse pelo antebraço, como costumavam fazer quando eram tão jovens e estúpidos quanto o rapaz Harlaw.

- Vejo que todos esse anos não o pouparam, meu amigo. Parece extremamente velho e aborrecido. Problemas com seus vassalos? - Provocou, rindo. Certamente Dickon fora forçado a acompanhar Lord Harlaw na busca por seu filho, para impedir que o rapaz fosse executado após sua atitude impensada e absurda.

Embora soubesse que Dickon não gostava de deixar suas Ilhas, vê-lo ali era bastante agradável. Avalon lembrava que seu pai era um homem incrível, e o melhor dançarino de machados que já conhecera. Uma verdadeira inspiração para aqueles, como ele, que eram adeptos da arma e desejavam a maestria. Aquilo podia ser uma grande oportunidade de rever um amigo e selar uma aliança mais profunda. Além de demonstrar o poderio Hightower, que enquanto vivesse, nunca seria ameaçado impunemente. Os Harlaw veriam, naquela tarde que se transformava em noite, que os Protetores da Cidadela eram implacáveis quando se tratava de justiça, ou vingança. Afinal, era deles a tarefa iluminar o caminho. Ainda que fosse apenas da própria família.

   
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