Biblioteca

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Biblioteca

Mensagem por Azor Ahai em Qua Maio 24, 2017 7:57 am



Biblioteca

Um aposento que ocupa dois andares inteiros, com uma entrada para os aposentes do meistre. Possui vários livros e pergaminhos ali, para consulta dos moradores do lugar.

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Re: Biblioteca

Mensagem por Rylon Martell em Seg Jul 24, 2017 2:38 pm



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Flashback


Nymeria I



Rylon organizava seus livros, empilhando-os por ordem de tamanho, enquanto devaneava. Aqueles momentos na Biblioteca eram os poucos onde ele se permitia não estar completamente presente, isso é, após algumas horas de leitura, dava a si mesmo o luxo de deixar sua mente vagar por campos longínquos de onde sua imaginação alcançava.

A Biblioteca no Palácio alcançava dois andares inteiros, com livros colocados lado a lado como tijolos compondo uma construção. Eram organizados por temas, mas por ser grande demais e receber muitos visitantes, era frequente que os livros se encontrassem em lugares completamente bisonhos. Recordava-se de uma vez ter encontrado um exemplar do A Vida do Grande Meistre Aethelmure no meio de tratados de herbologia.

Àquelas peculiaridades que apenas as bibliotecas eram capazes de fornecer em seu ambiente restrito e dedicado ao saber atraíam a mente do jovem Rylon. De certa forma, ele era muito mais voltado aos estudos e a leitura do que seu irmão era. Ryce era um jovem muito mais voltado ao físico e a cinestesia, além de ser um lanceiro excelente, tendo partido para Porto Real para treinar com a Guarda Real que protegia o Rei e eram conhecidos como os mais formidáveis guerreiros. Talvez por conta disso, Rylon se dedicasse mais aos livros do que a luta.

Ele retirou o pó que estava sobre o livro que estava no topo da pilha, revelando o título desbotado sobre uma capa floreada com ouro: Areias Vermelhas. Nesse momento, Rylon ouviu passos leves e espaçados atrás dele e se virou de imediato.

Uma figura de robe negro e com capuz abaixado, com as mãos cruzadas sob mangas enormes que se fundiam, apareceu diante dele, tal como uma espécie de ser sobrenatural, com olhos gélidos e profundos, revestido por uma pele alva, quase pálida, completamente incomum para os dorneses de sal que habitavam à costa do Braço Quebrado.

A primeira impressão de Rylon é que avistava alguma espécie de assassino. Seu primeiro pensamento foi que os Blackfyre haviam enviado alguém para matá-lo, assim como fizeram com seu irmão. Surpreendentemente, ele se viu incapaz de se mover, sem os reflexos que trabalhara durante os últimos anos no treinamento de combate com lanças e adagas. Apenas ficou imóvel, observando a estranha figura diante dele.

O homem também permaneceu imóvel. No entanto, seus olhos pareciam enxergar através do rapaz, como se fitassem as estantes da Biblioteca. O aspecto sinistro de sua face e de seu olhar eram coroados por aquela postura rígida e ereta como uma estátua de sal. Uma segunda impressão veio à mente de Rylon, como se aquele homem na verdade fosse algum alquimista ou maegi de muito longe. Havia escutado histórias que a magia negra sugava a vida dos homens e os transformava em algo diferente, ainda humanos, mas como se tivessem se movido no espectro entre a vida e a morte e pendessem mais para o lado da segunda.

- Pois não? – Balbuciou o rapaz, tentando recuperar a compostura diante do susto que levara.

- Precisa de ajuda com os livros, milorde? – O homem revelou suas mãos de dedos ossudos e finos, apontando com o indicador para a pilha de livros que o rapaz havia erguido.

- Na verdade não... digo, se quiser fique à vontade... estou indo colocá-los nas prateleiras. Acabou afinando a voz no final da frase, o que o deixou ligeiramente irritado consigo mesmo. Não devia se comportar como uma criança diante de estranhos. Ele já tinha doze anos!

O homem não aguardou uma segunda palavra e caminhou lentamente em direção a pilha de livros, espiou a capa do primeiro com seus olhos de abismo e sorriu de forma sutil, com a boca entortando grosseiramente e empurrando uma bochecha flácida.

- Sabe do que se trata este livro, milorde?

- É... sim, sim. – Rylon respondeu, ligeiramente desconfiado e tentando manter certa distância – É sobre os lordes de Arenito e seu plano para assassinar Lyonel Tyrell.

- Uma história curiosa não, acha? A figura tomou uma porção dos livros mais leves, envolvendo nos braços cobertos pelas grandes mangas negras. – O que acha dela?

- Acho que os lordes foram muito inteligentes, com certeza. – Rylon lembrava-se da história interessantíssima, sobre como Lyonel Tyrell foi assassinado em sua cama, ao puxar uma fita para chamar uma das mulheres que o servia em sua cama. Quando fez isso, o dossel de veludo que encimava sua cama se rompeu e cem escorpiões vermelhos caíram sobre ele. Imaginava como aquela morte poderia ter sido dolorosa e terrível. A picada de escorpião é extremamente dolorosa e causa uma queimação insuportável que parece correr pela corrente sanguínea como se o sangue se tornasse fogo. A morte geralmente não era instantânea, a ferida apodrecia e infeccionava, mas quando muitas picadas eram dadas de uma vez a vítima poderia entrar em estado de choque ou sofrer terríveis convulsões. No caso de Lyonel, era provável que tivesse entrado em coma quase de imediato. – Também acho que foram piedosos com ele.

- Piedosos? A voz do misterioso homem soou ligeiramente gélida.

- Daeron e seus homens atacaram Dorne sem justificativa além do próprio capricho. Lyonel não era um bom homem, queimava vilarejos, massacrava mulheres e crianças em nome de um Rei que sequer tinha pelos em seu púbis e que era louco, achando que era um dragão. Foi um inimigo de Dorne e recebeu uma pena leve, considerando os muitos crimes que cometeu contra a liberdade do meu povo. Rylon falou rapidamente, quase sem pausas, ligeiramente irritado pela indagação do homem.

- Porque acha então que o livro em questão trata dos Qorgyle como traiçoeiros? Perguntou o homem.

- Quem escreve os livros são os meistres e os meistres moram na Campina. Disse brevemente e então complementou. – A Cidadela é protegido pelos lordes da Campina. É difícil escrever histórias sobre como os homens que o protegem são tolos. Os meistres ficariam desconfortáveis.

- Venha comigo. – O homem disse, andando em direção as prateleiras de História. Rylon o obedeceu, agarrando os próprios livros e o acompanhando. Mesmo sem entender bem o porquê de estar o estar seguindo. Ele então continuou a falar com sua voz fria - Mas os meistres possuem votos de imparcialidade, o que acha disso?

- Nenhum homem pode ser completamente imparcial. Logo, os livros que escrevem também não são. Acredito que o conhecimento que produzem é confiável em alguns pontos, mas precisa de certa desconfiança em outros. O mais frágil eu diria que é a História. – Rylon afirmou, com os livros nos braços.

- Eu não confio nos meistres. Comentou a figura, colocando alguns livros na prateleira. Rylon se perguntava como o homem sabia onde cada livro deveria estar. É como se já tivesse estado naquela biblioteca por muito tempo, no entanto, ele jamais o havia visto por ali.

Rylon também colocou os livros com certa dificuldade na prateleira e um silêncio sepulcral se formou nesse espaço de tempo. Era algo comum nas bibliotecas, mas a presença daquele homem não parecia causar o mesmo calor da presença de qualquer pessoa como seria o normal. Ele parecia quase um fantasma, movendo-se sem barulho. A única coisa que afastava a mente de Rylon daquela afirmação era o fato de que os livros nos braços do homem não o permitiam indicar que ele era intangível.


- Por que matar Lyonel Tyrell foi um ato inteligente dos senhores de Arenito? quebrou o silêncio, a estranha figura.


- Corte a cabeça e o corpo cairá – respondeu Rylon de imediato. – A morte de Lyonel fez com que o esforço de guerra de Daeron ruísse em apenas duas semanas. O invasor então perdeu cinquenta mil homens nas revoltas que se seguiram.


- Impreciso
cortou o homem e corrigiu – Lyonel não era a cabeça. Após sua morte um outro homem poderia ser indicado para o seu lugar. No entanto, sua morte de forma traiçoeira enfraqueceu Daeron, pois poucos homens realmente hábeis estariam dispostos a se colocar no lugar do falecido. O rei então, tentou suprimir as revoltas com suas tropas, um ato desesperado advindo da arrogância.

- Sim, mas não dá na mesma?

- Não. A cabeça era o Rei. Após seu comandante ser assassinado, sua mente se turvou e ele foi incapaz de achar uma solução inteligente para o conflito. Lyonel Tyrell era apenas um membro, parte do corpo. O homem explanou.

Rylon refletiu por alguns momentos. Analisando as coisas da perspectiva que aquele estranho o havia apresentado. Seus olhos passearam de um canto a outro da biblioteca e então se ergueram em direção ao homem de negro.

- Envenene o corpo e deixe a cabeça se destruir.

Um novo sorriso sutil surgiu no rosto do homem.



Treino:
História


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Re: Biblioteca

Mensagem por Rylon Martell em Seg Jul 24, 2017 2:48 pm




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Flashback

Nymeria II






A manhã ainda estava silenciosa em Lançassolar, com os poucos homens acordados transitando nos corredores para seus afazeres diários. O príncipe caminhava pelos corredores largos, coberto de um mantô de seda leve e de cores vibrantes e com uma expressão de certa serenidade.

Refletia sobre assuntos cotidianos de sua mente ainda jovial e recheada de certa imaginação. De certa forma, sua educação havia tentado voltar sua mente para uma visão mais crua e centrada da realidade e ele havia obedecido bem os ensinamentos de seu pai, acerca da cautela e da necessidade por ponderar bem suas ações.

Geralmente, pelas manhãs, ele sentia o prazer de se dirigir a biblioteca. Poucos homens podiam iniciar o dia com alguma atividade intelectual e mesmo a maioria dos nobres com certo luxo, gostava de rechear a manhã de afazeres mais conectados ao treinamento com armas. Rylon não era diferente, tinha suas obrigações para com o Mestre-de-Armas, mas seu pai o permitia passar algum tempo na biblioteca antes do treino. O rapaz então usava esse tempo para escrever um pouco. Passava para o papel suas impressões diárias, como em um diário e aquela tarefa pela manhã era muito reconfortante e produtiva, dando um sentido maior aos dias.

Por estar sempre focado em escrever parte do que via e pensava ao longo do dia anterior, Rylon garantia que estava sempre presente em todos os momentos. Prestando atenção, refletindo, questionando e absorvendo informações para transportar para seus pergaminhos. Protegia seus escritos de forma mordaz e era uma das poucas coisas as quais não permitia que ninguém de sua família tivesse acesso. Apesar de sua natureza generosa, sabia que precisava ter um certo controle para manter seus pensamentos longe da vistas dos outros. Sua mente era um lugar seguro, onde ele podia guardar informações e outros homens não podiam acessá-las. No entanto, quando transportava os pensamentos para o pergaminho, se tornava mais vulnerável e era um preço que pagava para aliviar a si mesmo do peso de tantas reflexões.

A maioria de suas anotações carregavam um certo ar infantil, mas ainda assim eram por parte sérias e recheadas de perspicácia. Escrevia como se estivesse redigindo uma carta. As vezes imaginava que estava escrevendo para o irmão falecido. Atualizando-o das coisas que aconteciam em Lançassolar. Foi mesmo Ryce o primeiro a incentivar o rapaz a escrever para ele e Rylon o fez, todos os dias e continuava fazendo, mesmo quatro anos após o irmão ter partido para sempre deste mundo.

Ao entrar na gigantesca Biblioteca mantida pela Casa Martell, Rylon avistou do outro lado da sala o estranho homem de robe negro, que ele havia encontrado poucos dias antes e com o qual tivera uma conversa interessante. No entanto, a figura era estranha demais para que ele tomasse a iniciativa de se aproximar, então, fingiu não o ter visto e caminhou em direção as estantes grandes de carvalho esculpido.

Ele tomou um de seus livros preferidos o Compêndio de Jade. Aquela magnífica coletânea de histórias era fascinante em diversos níveis, principalmente, para a parte mais infantil da mente de Rylon que ainda encontrava refúgio naquelas histórias.

O Compêndio narrava como o grande aventureiro Colloquo Votar viajou pelo Mar de Jade recolhendo informações acercas das diversas regiões e suas mais belas histórias. As informações geográficas entediavam um pouco ao longo da narrativa, já que a terra longínqua e a localização de estranhas ilhas como Grande Moraq, Vahar, Ilhas Manticora e ainda muitas outras que se espalhavam como pontos irregulares pelo Mar.

As partes mais intrigantes eram as narrativas de Votar através de Qarth, conhecida como a Rainha das Cidades. Nos relatos, haviam informações sobre a posição de comércio e poder da cidade. A forma como ela influenciava todo o Leste de Essos com sua riqueza. Era uma terra onde havia magos, príncipes mercadores, criaturas completamente diferentes e navios do tamanho de castelos. Era uma cidade onde a escravidão era praticada, mas onde muito conhecimento era criado.

Rylon deixou sua mente vagar por um tempo, tentando imaginar as gigantescas torres e edifícios de Qarth. Ele conhecia os castelos de Dorne, do qual Lançassolar era o mais fabuloso e já tinha visto algumas das edificações de pra lá das Montanhas Vermelhas, mas pensava em Qarth como sendo uma cidade fabulosíssima e incomparável a qualquer coisa no Ocidente.

Lançassolar era cercada por três muralhas, mas diziam que Qarth continha também três muralhas de até quinze metros, todas decoradas com as mais diversas cenas. Haviam creditado àquelas muralhas como uma das Nove Maravilhas construídas pelo homem.


Rylon então olhou para frente e viu que o homem de robe negro estava já a sua frente. Os movimentos leves e rápidos do homem o haviam assustado novamente. O príncipe questionara seu amigo Gerrard sobre a figura estranha na Biblioteca e o rapaz havia respondido que era provavelmente um amigo do pai de Rylon que estava residindo em Lançassolar e despertava muitos murmúrios nas últimas semanas. O príncipe não confiava no homem, principalmente, por seu hábito de aparecer repentinamente, mas se sentia curioso quanto a natureza e afazeres daquele estranho.

- Sou Jaqen Maegar, milorde. Lamento, pois não me apresentei devidamente em nosso primeiro encontro. – Disse o homem, fazendo uma pequena mesura com a cabeça.

- Sou Rylon Martell. Deseja alguma coisa de mim? questionou o príncipe.

- Acredito que eu tenha algo para oferecer e não para receber, milorde.

- E o que seria exatamente?

- Sabedoria, milorde.

- Bem, há muitos sábios na corte de Lançassolar e não duvido que você seja um deles. Sê bem-vindo. – Rylon exercitou parte da cortesia que havia aprendido com o pai. No entanto, esperava que o homem se afastasse o quanto antes para que ele pudesse retornar a leitura sem aquela figura perturbadora por perto.

- Agradeço, milorde.
– O homem começou, com seus olhos negros como poços secos – A sabedoria que eu desejo ofertar não é para a corte de Lançassolar, mas à vossa senhoria, especificamente.

Rylon assentiu desconfiado e estendeu a mão para que o homem se sentasse. De certa forma, embora muitos homens sábios fossem avistados em Lançassolar, poucos ficavam muito tempo e os que ficavam, jamais haviam abordado o príncipe para oferecer conhecimento algum. Rylon então sentiu a necessidade de ser cortês com o homem, por mais estranha que fosse sua aparência, já havia tido amostras de que o homem era muito sábio.

- Eu já estive lá... – O homem começou falando como se tivesse continuando uma conversa, que na verdade acabava de começar.

- Perdão, onde? – indagou Rylon.

- Em Qarth - apontou o homem de dedos magros, para o livro que o rapaz tinha aberto diante de si.

Aquilo acendeu a curiosidade do jovem, que imediatamente se viu fazendo perguntas sobre como era a cidade. Jaqen falou a ele, sobre os edifícios de Qarth e os comparou com alguns em Lançassolar para que ele tivesse dimensão do tamanho deles, embora, segundo o sábio, a arquitetura da cidade era completamente própria, diferente do que podia ser visto ali.

- Dizem que um homem chamado Saathos, o Sábio, arrancou os próprios olhos após ver a cidade, pois acreditava que não precisava ver mais nada no mundo. – Rylon lembrou-se de uma das passagens do Compêndio.

- De fato, é uma cidade tão bela quantos os olhos podem ver. No entanto, suas grandes torres e edifícios deixam também fazem sombras gigantescas. Sombras muito mais sinistras do que as que podem ser vistas nos esquálidos castelos westerosi. – Jaqen explicou – Digo que Saathos, julgado como Sábio, na verdade pode ter cegado a si mesmo após ver coisas que talvez não me seja apropriado mencionar.

Rylon coçou o queixo. Jaqen concedia a todas as histórias um sentido muito diferente daquele que ele compreendia numa leitura daqueles textos. Aquelas histórias seriam assim tão passíveis de serem interpretadas de formas tão diversas? De que forma isso afetava a verdade de fato? As histórias não pareciam mais homogêneas, lineares e nem exatas. Um mundo obscuro cercava aquele universo iluminado pelo conhecimento. Um mundo de incerteza e impureza. As histórias sobre cidades gigantescas, douradas, repletas de magia e riquezas mirravam. Nada era tão perfeito.

- A cidade é hoje muito diferente do que era antigamente, na verdade.
– O homem concluiu.

- O que mudou?

- Um Império do Leste conquistou a cidade, tornando-a o lar de coisas ainda mais obscuras...

- Como foi que a Rainha das Cidades acabou por se curvar?
– interrompeu o rapaz, ligeiramente decepcionado.

- Isso, milorde, é o que eu vou lhe ensinar.



Treino:

História





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Re: Biblioteca

Mensagem por Rylon Martell em Seg Jul 24, 2017 4:17 pm



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Flashback

Nymeria III





- Tome cuidado, milorde. – alertou Jaqen, ao instruir-lhe sobre o perigo de se cortar durante a extração da seiva de cacto vermelho.

- Não é tão difícil. Rylon acompanhava com sua adaga em mãos um livro ao lado que descrevia a estrutura primordial do cacto vermelho e as formas de se fazer sua dissecação.

Rylon com uma adaga afiada e com luvas de couro mais grossas do que o comum, raspava a lateral do caule do cacto para retirar os espinhos. Acabava danificando a “pele” que revestia a planta, causando diversas aberturas, como se descascasse uma batata ou uma toranja. A epiderme do cacto era útil em outros processos que envolviam remédios e purgantes e por conta disso, nem sempre era desejável feri-la.

Após alguns minutos garantindo que os espinhos haviam sido neutralizados, recolhidos em um tecido e colocados longe do alcance das mãos, Rylon continuou seguindo as instruções de seu estranho mentor. Com a ponta da adaga, perfurou a epiderme avermelhada da planta e a rasgou como se fosse uma folha comum.

Separou então o invólucro vegetal do caule em seu interior e o expôs, analisando então a massa que obtivera. Ainda tinha o formato de um cacto, no entanto, apesar de vermelho tinha uma cor mais clara do que sua parte externa. Estava coberto com uma substância grudenta que Rylon julgou ser a seiva da planta.

- É esta substância que desejamos, milorde – disse Jaqen tomando passando seus dedos ossudos e magros pela seiva para demonstrar seu aspecto grudento e asqueroso. – Ela é que fornece a matéria prima para o nosso veneno. No entanto, ainda está contida no cacto. Precisamos extraí-la por completo. Vamos, corte-o.

Seguindo as instruções, ele cortou a massa do caule em pedaços pequenos e colocou em um pote de barro pequeno. Passou então para o processo de maceração do caule. Conforme espremia o caule, era possível ver que a substância grudenta se desligava dele, criando um líquido consistente de coloração avermelhada.

Rylon então, pegou os pedaços macerados e com um tecido, coou a seiva, separando-a definitivamente da massa do caule. Obteve apenas algumas gotas da substância, que armazenou em um pequeno frasco. Estava ciente dos perigos que poucas gotas podiam fazer, principalmente, pela característica da substância de não possuir gosto ou odor.

- Sangue da Viúva – disse Jaqen – este veneno é tão terrível quanto você pode imaginar. Ele é capaz de atrofiar os intestinos e a bexiga da vítima. O corpo se torna incapaz de se livrar de suas impurezas e começa a acumulá-las. É quando a podridão se espalha pelo interior da pessoa, consumindo-a em dois dias ou até menos que isso.

- O cacto vermelho é abundante em Dorne. – Afirmou Rylon – É um veneno interessante para ser produzido por nós.

- É uma vantagem óbvia e a natureza silenciosa dessa substância o torna desejado em regiões distantes para o Norte ou além em Essos. Acrescentou. – Muitos nobres dorneses ambiciosos demais já sofreram envenenados por esta substância. Não é difícil tornar uma mulher viúva com apenas algumas gotas.

Rylon tinha, portanto, um frasco de uma arma muito mais letal do que qualquer espada.


Treino:
Uso de Venenos


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Re: Biblioteca

Mensagem por Rylon Martell em Seg Jul 24, 2017 4:28 pm



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Flashback


Nymeria IV





Rylon estava novamente em sua Biblioteca. Analisando escrito após escrito, acerca do uso de venenos e suas capacidades. Seu peculiar professor Jaqen Maegar, observava-o e passava suas instruções de forma esporádica. O jovem príncipe, aprendia aos poucos aquela arte sombria que era tão própria a Casa Martell como a Lança e o Sol de seu brasão.

Ele sabia do desprezo que as outras Casas sentiam pelos Martell e por todo o Domínio de Dorne. Apenas por possuírem uma cultura diferente da tradição ândala, por suas peles cor de oliva e seus joelhos que jamais foram dobrados. Rylon, no entanto, entedia que os lordes acostumados a dobrar os joelhos para qualquer um com cabelo platinado e pele alva e lisa, se sentiriam incomodados pela presença de um reino insubmisso e com mais autonomia do que eles poderiam jamais alcançar sob o controle do Trono de Ferro.

A arma mais poderosa da Casa Martell era a engenhosidade e inteligência de seus membros. Os desertos e o acesso a poucos recursos da terra, endureceriam a população e formava dela, os sobreviventes que incomodavam o restante de Westeros.

Os venenos eram armas desprezadas por muito lordes westerosi e visto com desdém por uma grande parte dos homens de tradições cavalheirescas. Isso se devia especialmente à cultura dos Ândalos, mais conectada ao combate com armas por diversão e notável por seu insaciável fetiche por homens grandes portando pedaços fálicos de metal.

Dorne no entanto estava muito mais próxima a Essos e as Cidades Livres do que a Westeros. Nas Cidades Livres venenos eram muito comuns e vistos como armas efetivas em uma guerra, com as quais era necessário lidar, tal como um espadachim precisa aprender a usar as artes marciais, era necessário aprender as artes dos venenos, os servos incansáveis do Estranho.

- Na Campina é onde há mais dessas plantas. – disse o mentor, com seus dedos gélidos e ossudos percorrendo um exemplar curioso de uma planta com flores roxas – Elas aparecem com muitas cores e são perigosas por causa disso. Podem ser disfarçadas em tipos diferentes de substâncias.

- Os Lordes da Campina não a usam com frequência eu acredito
– afirmou Rylon.

- De fato, a tradição da Campina é muito mais ligada ao combate com armas do que utilizando venenos. – Disse Jaqen, mas ergueu o indicador para interromper um comentário de Rylon – Essa planta, no entanto, pode também ser usada como remédio e os meistres da Cidadela aprendem a fazer dela bons e eficientes analgésicos.

- E qual processo realizam para transformar o veneno em remédio?


- Nenhum processo específicio. Isso está mais relacionado a dose que se consome. Por isso, a maior parte dos venenos está na verdade mais conectado a mente de quem o administra do que de fato a substância – afirmou o homem.

- Como assim? Como a mente afeta a substância?
– indagou Rylon curioso.

- Quando se toma uma planta como essa, as intenções de quem a utiliza é que são o fator determinante.
– Disse, serenamente depositando a flor sobre a mesa. – O veneno começa a agir antes, na mente de quem o utiliza e o leva a fazer da substância uma arma. Esteja ciente de que se acaso um dia utilize venenos para eliminar alguém, ainda será afetado pelo sangue derramado mesmo que nenhuma adaga seja sacada ou perfure o inimigo.

- Entendo...- Rylon absorvia as palavras – e de que formas um homem pode envenenar outro utilizando o acônito?

- Basicamente, através da ingestão ou contato com a pele prolongado.
– O mestre então começou a falar – Em Volantis, um negociante de escravos uma vez foi envenenado diante de mim com esta substância. Lembro como ele disse ter estranhado a forma como sua boca estava após beber daquele vinho envenenado, disse que sua língua formigava como se insetos dançassem sobre ela.

- Mas se ele percebeu, como se livrou da morte? – Indagou o menino.

- Ele não escapou. Estava embriagado demais para conectar os dois fatores de imediato. Apenas uma hora depois, ele começou a vomitar constantemente. – Jaqen correu os olhos com certa frieza, tentando lembrar dos fatos – Me recordo que ele ainda achava que vomitava por ter bebido demais e a fraqueza muscular que sentiu em seguida ao mesmo fato. Apenas dois dias depois foi que procurou alguém para trata-lo, mas era tarde demais, morreu no dia seguinte quando seu coração desistiu de batalhar para viver.

- Então quando misturado ao vinho e usado em uma vítima embevecida, o veneno acaba sendo muito difícil de ser detectado. Os sintomas são parecidos com a embriaguez e a ressaca mesmo.
– concluiu Rylon

- Exatamente, milorde. Como vê, é assim que ela é usada constantemente. Colocam-na em vinhos de menor qualidade e quando a vítima já está embriagada.
– o homem acrescentou, ensinando acerca do uso.

- Entendo. A baixa qualidade que a pessoa creditar o vinho aliada a embriaguez a fará continuar bebendo sem grandes suspeitas. Até que o veneno comece a raspar as entranhas da pessoa, mesmo assim ela não suspeitará – Rylon estava intrigado pela funcionalidade curiosa daquela prática.

- Não se engane, milorde. Não imagine que apenas porque além das Montanhas Vermelhas os homens gostam de lutar com espadas que eles não estarão dispostos a usar ou contratar alguém que use contra o senhor estas armas.


- Então, o melhor é nunca me embriagar em território hostil. – concluiu o rapaz.

Jaqen sorriu de forma sutil.

- Se seguir essa ideia, milorde. Irá evitar o destino patético que muitos lordes encontraram por toda Westeros e até mesmo muitos homens Além do Mar Estreito.
Jaqen parecia entender muito mais sobre a morte dos homens, do que muitos meistres.

- Westeros é um território hostil. – O rapaz pareceu tomado por uma epifania e ergueu os olhos subitamente.

- Então melhor nunca se embriagar em Westeros, milorde. – Jaqen transmitiu sua sabedoria, de forma curta e decisiva.



Treino:
Uso de Venenos


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Re: Biblioteca

Mensagem por Rylon Martell em Seg Jul 24, 2017 4:42 pm



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Flashback
Nymeria V


Rylon acompanhou a figura obscura de Jaqen Maegar ao longo dos corredores que levavam até o refeitório e em seguida às cozinhas do Palácio. O homem caminhava em seu típico robe negro, tal qual um meistre faria, no entanto, não carregava corrente alguma e o bordado dourado em sua roupa o afastava dessa primeira ideia imediata.

Quando entraram no grande cômodo em forma de corredor, Rylon observou o movimento pela cozinha, em sua maior parte os serventes da Casa Martell, dedicado à sua tarefa árdua e constante não prestaram muita atenção ao alto instrutor e o príncipe que o seguia.

Rylon sentiu a mistura de cheiros, que derivavam dos muitos pratos realizados ao mesmo tempo, com os servos apressados para deixar tudo pronto a tempo para a ceia. A fumaça com os muitos odores dos alimentos enchia o lugar e corriam pelo teto como nuvens no céu, mas com o simples objetivo de escapar e contornar as paredes.

- Observe, milorde. Aqui é onde os servos preparam vossa comida Jaqen afirmou, uma informação redundante, mas seu sentido era outro. A forma como Rylon observava é que era o essencial.

É fato que nem sempre é bom saber como é preparada sua comida. Os porqueiros e cabreiros arrancavam sem piedade e lavavam às tripas de animais degolados. A carne ia passando por diversos processos através da cozinha e servida fresca, cozida imediatamente após o fim do trabalho do carniceiro. Os alimentos eram preparados com pressa, mas com um certo esmero, no entanto, muitos eram os homens e mulheres que trabalhavam, realizando diversas tarefas ao mesmo tempo.

- Observe o padrão. É caótico, mas há uma sequência sendo realizada. – Disse Jaqen.

Rylon estreitou as pálpebras, olhando com a intenção os processos que se seguiam. Como um alimento passava de um servo para outro, até ser dispostas de lado prontas para serem servidas. Três homens preparavam um único pastelão, recheando uma massa alva com legumes, verduras e temperos diversos. De um outro lado, um homem mergulhava peixes em água fervente para cozinhá-los, ao mesmo tempo, que outro ao seu lado despejava um molho avermelhado sobre um dos peixes já prontos.

- Note como muitas pessoas trabalham em uma cozinha. – Disse Jaqen, mas sua voz era baixa e a cacofonia do trabalho não permitia que alguém além de Rylon ouvisse o que dizia – Não seria difícil comprar um ou dois desses serventes para jogá-los contra seu lorde não é mesmo.

- Tem razão... disse Rylon, ponderando severamente aquelas palavras. Como ele confiava nos homens que tinha em seu castelo? Quem os escolhia e como contornar problemas como aquele? – Bem, talvez a grande quantidade de pessoas seja também um auxílio. Embora você possa comprar um ou outro servente, não pode comprar a todos sem se comprometer.

- O que mais? – Instigou Jaqen

- Bem, eu diria também que os muitos servos provam a comida ao longo de todo o trajeto que ela passa. – Rylon observava – Assim tem uma medida de segurança, mas também uma medida de qualidade, pois precisam saber se a comida não está crua ou indigesta antes de servir aos lordes, com o risco de causar uma ofensa.

- Está correto, se assim fosse, como você faria para administrar venenos numa situação dessa? Indagou o mentor.

- Bem, eu diria que na seguinte situação, não é ideal comprar os cozinheiros. Eles são escolhidos a dedo, principalmente em senhorias grandes e são facilmente depostos se houver suspeitas, logo também não é bom infiltrar-se entre eles. – Rylon ponderava, coçando o queixo – Acredito que os lordes estejam mais preocupados com a cozinha do que exatamente com o trajeto que a comida realiza pelos corredores até chegar em sua mesa. Dessa forma, eu compraria o servo que coloca à comida a mesa ou o que a leva até lá.

- Perspicaz, mas alguns lordes mais poderosos e paranoicos utilizam um último recurso, que é o provador-oficial. Como vencer tais homens?


- Não sei, talvez um veneno de ação mais lenta. Se ele não matar imediatamente então poderá passar pelo provador.
Sugeriu Rylon.

- Pode indicar um veneno de ação lenta? – Indagou o mentor.

- O veneno feito a partir do chapéu-cinzento – Respondeu o rapaz.

- Bem pensado, mas geralmente isso não dá certo. Venenos menos mortais também tem uma tendência a ser mais facilmente detectáveis. Um provador eficiente poderia provar uma pequena quantidade de comida ou bebida e detectar a presença do pó de chapéu-cinzento. – disse Jaqen – Uma vez em Lys, na mansão de um magíster, conheci um homem que era tão habilidoso que conseguia detectar venenos apenas através do odor do alimento. Isso, justamente, porque os cozinheiros da mansão eram muito bem controlados também e o preparo dos alimentos bem padronizado. Acredito que devido a essas habilidades o magíster tenha ficado mais tempo vivo do que deveria, tanto que não sobreviveu muito após a morte daquele homem.

- Se o provador era tão habilidoso como ele foi envenenado? – indagou o príncipe.

- Ele não foi. Morreu após ser esfaqueado vinte e duas vezes em sua cama – Jaqen falou da morte de sua forma peculiarmente fria Às vezes um homem está focado demais em um perigo para pensar em outros. Ele foi vítima devido a uma porta destrancada, quem diria.

- Bem, como então eu evito que um provador arruíne o envenenamento? Indagou o rapaz, desviando-se da história sinistra.

- O único jeito é forçar o lorde a uma situação onde provadores não possam ser empregados e onde sua cozinha não possa ser controlada. – explicou Jaqen – Como pode fazer isso?

- Bem, pode fazê-lo comer em um castelo estrangeiro, com um lorde menos paranoico no comando. – respondeu o rapaz.

- Isso muitas vezes não evita que alguns homens levem consigo seus provadores. De fato, alguns são fracos na personalidade e acreditam que seria um insulto fazer isso na mesa de um anfitrião. – Disse Jaqen, enquanto seus olhos negros passavam pelos processos que se seguiam na cozinha – Quanto mais preocupado com a opinião dos outros um homem estiver, mais fácil é fazê-lo engolir coisas desagradáveis. Lembre-se disso.

Rylon assentiu, pensativo.

- Então, a melhor forma é convencer uma pessoa cujo a opinião a vítima esteja preocupada em manter positiva. – Disse Rylon.

- Nesse caso há uma dupla possibilidade. Um homem se preocupa com opiniões alheias porque confia ou porque deseja bajular. No primeiro caso é mais difícil e existe essa dualidade. Você confia nelas, é isso que as torna diferente das demais e é essa fraqueza nos homens que você precisa explorar. – Explanou Jaqen – No segundo caso, é muito mais fácil. Os homens frequentemente desprezam quem os bajula.

- Fato
– disse Rylon.



Treino:
Uso de Venenos



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Re: Biblioteca

Mensagem por Rylon Martell em Seg Jul 24, 2017 4:52 pm



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Flashback

Nymeria VI




A Biblioteca estava vazia como de costume durante as manhãs. O local ideal para se realizar os estudos matutinos que Rylon tanto gostava. As imensas prateleiras com os mais diversos volumes eram um suporte que poucos homens podiam ter e Rylon aproveitava aquele privilégio de nobre. Além disso, o seu misterioso mentor, Jaqen, era uma outra figura singular que o auxiliava em sua educação. Os ensinamentos do homem de mãos cadavéricas, se tornavam aos poucos mais importantes que os do meistre.

Recentemente, o jovem havia adotado um fascínio pelo uso de venenos e as muitas práticas que ele permitia. Também havia se tornado cada vez mais fissurado nas histórias das Cidades Livres e da forma como operavam os assassinos e os políticos nelas. Dorne ainda estava envolvida com os Reinos de Westeros, mas aos poucos a região se voltava para as cidades que avizinhavam-na pelo Mar Estreito e o conhecimento se fazia necessário.

Jaqen Maegar empurrou na direção do rapaz um contêiner de vidro, contendo uma criatura horripilante, que se movia frenética em seu interior. Suas oito pernas finas e negras, possuíam pelos e se envergavam sob ela, carregando o peso de seu corpo. Num primeiro olhar, pareceria uma aranha de coloração esverdeada, mas era muito pior que isso. O corpo coberto de pelos negros e verde florescente se dividiam em diversas secções que se alongavam até formar uma cauda que se curvava para frente. Para coroar o terrível animal, antes de um ferrão grande e afiado, vinha uma secção que possuía contornos semelhantes à uma face humana, ou melhor, à um crânio humano.

- Manticora
– disse Jaqen com a voz rouca, observando a criatura se mover pelo vidro, ameaçadoramente soltando ruídos.

Era um animal escabroso, com todos os tipos de elementos que causavam repugnância em um ser humano. Parecia algum tipo de mistura macabra entre um escorpião, uma aranha e um escaravelho. Aquela criatura profana parecia ter vindo ao mundo carregando o rosto humano cadavérico, destinada a matar os homens que cruzassem seu caminho. Para Rylon ela era mais produto de Artes Sombrias do que da Natureza.

- O veneno desta criatura é terrivelmente letal, mata um homem adulto no instante em que entra em suas veias.
disse Jaqen, severo. – Sabe quem são os homens famosos por usar essa criatura?

- A Guilda dos Homens Pesarosos – afirmou Rylon. Já havia lido sobre aqueles assassinos cujo a sede ficava em Qarth. Era um dos muitos fatos descritos no Compêndio de Jade e as histórias daqueles assassinos sinistros, cujo a cortesia de se desculpar com a vítima para Rylon era a mais assustadora de suas características.

- Sim. São assassinos muito eficientes e gostam desse tipo de veneno. Às vezes utilizam a própria criatura viva como arma, disfarçando-a nas bagagens e pertences da vítima ou por vezes, soltando esses animais nos lençóis, enquanto a vítima dorme.

Rylon sentiu um arrepio subir-lhe a espinha. Avistando aquela criatura diante de si. A manticora agora parecia estar o assistindo, através do rosto macabro descrito em sua cauda assassina.

- Acredito que não preciso explicar como a manticora mata suas vítimas, mas posso lhe mostrar como extrair o veneno dela. disse Jaqen, tomando uma ferramenta do interior de uma bolsa que pertencia ao meistre. Ele então com um sinal de suas mãos, pediu para que o rapaz se afastasse. – Observe.

Rylon sentia que não importava o quão longe ficasse daquela criatura, não estaria seguro. Ele então viu o seu mentor retirar o animal de dentro do vidro utilizando um instrumento de metal que o agarrava pela cauda, suspenso pela espora, o animal não podia ferir alguém. O ser ferozmente lutava para se libertar, agitando suas pernas de aranha buscando uma superfície para correr, no entanto, nada podia fazer com sua cauda presa. Jaqen então usou um pequenino frasco para tocar na parte superior do corpo do animal e em seguida colocou sua borda sob a espora, que esguichou algumas gotas de veneno.

- A manticora libera muito pouco de seu veneno por vez. Ela não precisa de muito mais do que isso para matar um homem. Algumas gotas já são letais
– explicou Jaqen, enquanto recolocava o animal no recipiente inicial e o vedava. – Você não quer matá-la no processo. Ela precisa ficar viva para que você extraia mais veneno, entende?

- Em quanto tempo pode ser coletado o veneno novamente? – Indagou o rapaz, embora curioso, estava espantado pela calma e precisão de seu mentor

- Alguns dias depois. Ela se recupera e você pode coletar novamente. – disse Jaqen recolhendo vedando seu frasco e guardando-o – Como pode ver, muito pouco é retirado por vez, então precisa fazer isso com muitas delas ao longo do tempo até conseguir uma quantidade substancial.

- E como se usa o veneno? perguntou Rylon, se aproximando novamente após conferir que o animal estava mesmo preso.

- Isso é objeto de muito debate. Alguns homens em Lys dizem que é bom administrá-lo na comida, mas ele é facilmente perceptível e duvido de seus efeitos dessa forma. O melhor jeito é aplicar como o animal faz, isso é, ferindo a vítima com uma lâmina embebida no veneno.

- É possível diluí-lo para um efeito mais lento? – perguntou o rapaz, já conhecendo em parte a importância da dose ao aplicar um veneno.

- Objeto de debate também, alguns dizem que o veneno só pode ser diluído usando magia. – disse Jaqen, adotando um ar ainda mais severo – Podem fazer esse veneno durar por semanas no organismo de um ser humano. Com a magia, as veias escurecem, a pessoa convulsiona e sofre terrivelmente até o fim. O veneno apodrece o homem, uma gota de sangue por vez. É devastador.

- Como posso evitar então, que alguém utilize ele contra mim?
– indagou o rapaz.

- Use-o primeiro.




Treino:

Uso de Venenos

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Re: Biblioteca

Mensagem por Rylon Martell em Seg Jul 24, 2017 5:00 pm




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Flashback

Nymeria VII


Jaqen contra a luz da janela era uma silhueta curiosa. O homem era alto, a cabeça com cabelos ralos que lhe caíam pelo ombro, com seu manto negro concedendo ao seu corpo uma robustez que Rylon duvidava muito que ele realmente tivesse.

O Príncipe Roinar tinha na altura daquelas lições aproximadamente catorze anos. Havia passado dois anos desde o início de seu treinamento com o estranho misterioso que lhe aparecera um dia em sua Biblioteca. Todas as manhãs Jaqen estava lá, com seu corpanzil frágil coberto pelo robe e sua pele pálida de cadáver. Rylon já o havia visto se expor ao sol dornês. No entanto, nos últimos anos, sua pele não havia mudado de cor.

A relação entre os dois era estranha, pelo fato de que Rylon não era capaz de descobrir completamente quem era aquela figura, mas se baseava no típico sistema professoral da Cidadela. O pai de Rylon havia indicado o homem para treinar venenos com o rapaz, afirmando que ele era “ O mais habilidoso que já vi dos que não foram treinados pela Cidadela”. Rylon no entanto, acreditava que o homem devia ter passado alguns anos em Cidadevelha, visto que tinha alguns hábitos típicos dos meistres, mas aparentemente carregava um certo desprezo pelo local, que era notável, apesar de sua tendência gélida.

A natureza sombria do estranho era interessante para Rylon. Nutria pelo homem um profundo respeito e ao longo dos dois últimos anos, havia faltado as aulas matinais apenas um punhado de vezes em que lhe fora necessário viajar. Sabia que o homem vinha de algum lugar das Cidades Livres, mas não sabia exatamente de onde era sua origem. Ele soltava pequenos pedaços de suas histórias e era por vezes difícil distinguir o seu fundo e até mesmo o seu papel nelas. Rylon as vezes pensava que invés de um espectador, era Jaqen o envenenador.

- Pegue o livro, milorde. – Disse o homem, virando apenas a cabeça. Havia um único exemplar sobre a mesa.

Rylon se aproximou e analisou a capa do pesado livro repousado sobre a mesa. Então, abriu-o e leu seu título em voz alta, com certa reverência que se provou quase cômica durante a pronúncia.

- O Testemunho do Cogumelo Rylon disse, contendo um sorriso.

- Peço que tome esse livro e o leia com severa atenção. Este não é um relato simples de se ler, mas é bastante interessante, disso tenha certeza.


Rylon de forma obediente sentou em uma cadeira e começou a passar as páginas. Foi aos poucos passando os olhos pelas palavras e virando capítulo, após capítulo, foi interpretando suas palavras e absorvendo o conhecimento. O mestre ficou ali parado, enquanto ele lia e assim ficou durante toda a manhã. Após o fim do período, Rylon se despediu e passou grande parte do dia refletindo acerca dos relatos que havia lido.

Cogumelo era um bobo da corte, que muitos acreditavam ser demente e por conta disso, falavam abertamente diante dele sem preocupações. Os nobres tolos, acabavam por revelar uma quantidade absurda de segredos, tramoias, planos e intriga. Diante daquele que pensavam ser inofensivo, perdiam a cautela e pegavam o hábito de tratar dele como se fosse uma parede.

Cogumelo havia obtido informações extremamente importantes acerca de todos os fatos que antecederam a Dança dos Dragões. Havia captado a insatisfação causada por muitas das ações do Rei Viserys I e antecipou as reações que viriam à coroação de Aegon III invés da Princesa Rhaenyra. Cogumelo observou enquanto Viserys aumentou o poder Daemon Targaryen e como fomentou a ambição de Rhaenyra. Afirmou que Daemon havia tirado a virgindade da Rainha Alicent Hightower, a esposa de Viserys. Ele observou quando diversos nobres já evidenciavam suas pretensões anos antes da Dança começar.

Durante toda a Dança, Cogumelo viu nobres atrás de nobres serem executados por traição, humilhados, destituídos. Viu os nobres tentando salvar a própria pele, fomentando intrigas e espalhando rumores para eliminar seus adversários. Testemunhou os expurgos de Rhaenyra durante o período em que ela dominou Porto Real e sabia da inocência de nobres executados e da culpa de outros que continuaram vivos.

Após a Dança acabar, quando Aegon III assumiu o Trono de Ferro e permaneceu sob a guarda de alguns regentes, Cogumelo testemunhou planos de assassinato de regentes e manobras políticas extremamente engenhosas na manipulação do Grande Conselho de 136 A.C.

Na manhã seguinte, Rylon continuou sua leitura extremamente reflexiva e após mais alguns dias de leitura, foi capaz de concluir a leitura sobre o bobo da corte que escrevera relatos assombrosos das intrigas da Corte Real.

- Entende esta estranha Arte, Rylon? – Jaqen dizia, com severidade e com as mãos cruzadas sob as largas mangas do robe negro – O mais estúpido deles era o único que teve a percepção política aguçada o suficiente para prever o quão grave seria o conflito. Ele foi capaz de descobrir os mais diversos planos e tramas, tudo, porque tinha uma capacidade singular.

- Ele era estúpido? – indagou Rylon.

- Ele escutava. Essa era sua capacidade maior. Enquanto os outros falavam, ele os ouvia e obtinha informações que os melhores espiões jamais seriam capazes de obter. – Jaqen explanou.

- Escondido à vista de todos...

- Escondido à vista de todos! É assim que se trata com os nobres. Eles estão acostumados a ser bajulados, estão acostumados a desprezar, a ignorar e a focar em suas ambições. Deixe-os falar. Deixe que pensem que você é fraco e lhe revelarão aquilo que você deseja saber, se acreditarem, que você nada pode fazer com isso.

- A maestria na informação então, advém de fazer com que a pessoa imagine que você não pode fazer nada com uma informação que ela ceder?
– questionou.

- Em parte sim, mas a verdade é que a maioria dos homens não sabe também o que fazer com os pedaços de informação que eles conseguem. A maioria, por causa disso, acaba contando para outros.
disse Jaqen. – Além disso, aprendemos que os melhores coletores de informação são aqueles que são desprezados e tratados como invisíveis por seus senhores. Sejam parentes secundários, serviçais ou nobres rancorosos, mas burros ou fracos demais para fazer algo.


- Dar aos estúpidos certos a oportunidade de falar e convencer outros estúpidos a ficarem calados
.
– Concluiu Rylon.





Treino:
História

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Re: Biblioteca

Mensagem por Rylon Martell em Seg Jul 24, 2017 6:40 pm



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Flashback


Nymeria VIII




Rylon chegou mais um dia à Biblioteca, onde Jaqen Maegar o esperava. A figura obscura estava sempre lá, antes dele, não importava se ele apressasse os passos para chegar a Biblioteca antes do tempo, jamais o havia visto entrar nela, embora muitas vezes tenham saído juntos para percorrer o Palácio em busca de fenômenos curiosos para se observar.

Rylon pensava consigo mesmo que Jaqen devia ter algum método para acessar a Biblioteca que ele ainda desconhecia. Ele sabia que era frequente desenvolver passagens secretas através de castelos como aqueles. Era uma forma de se despistar convidados indesejados como assassinos ou um exército invasor. O conhecimento do estranho sábio era imenso e Rylon reconhecia aquilo, acreditando que o homem conhecia mais Lançassolar do que ele mesmo.

O meistre tinha um cômodo específico para ele nas imediações da Biblioteca, no entanto, quando Jaqen estava por perto, o meistre evitava aparecer no local. A figura de Maegar era mesmo perturbadora, principalmente, para aqueles intelectuais que já haviam se estabelecido na corte de Lançassolar e eram adeptos de métodos ortodoxos.

Naquela manhã, Jaqen detinha com ele uma porção de um veneno bastante peculiar. Contido em um frasco e de aparência granular, era um preparo diferente da maioria das infusões e extrações que realizavam.

- Um veneno é valorizado por diversas características diferentes. Pode ser valorizado por causar terríveis dores e sofrimento a vítima. Pode ser valorizado por ser difícil de detectar. Pode ser valorizado por ser rápido e letal em doses pequenas ou como é o caso deste, pode ser valorizado por sua capacidade de matar uma vítima sem dor alguma. –
Jaqen iniciou com sua fria e carrega de agudo, como se as cordas vocais se recusassem a dizer aquelas palavras.

- Qual o nome deste? Indagou Rylon, tomando o frasco entre os dedos e analisando a substância em seu interior.

- Sono Doce. – Respondeu Jaqen – uma pitada garante uma noite de sono sem sonhos, no entanto, três pitadas são capazes de levar um homem adulto ao sono eterno em pouco tempo. Em Volantis, uma guilda de comerciantes vendia essa substância como sonífero. De fato, tem boas capacidades para acalmar os nervos, mas uma dose ligeiramente maior causa um resultado indesejado, então eu não recomendaria.

- É uma porção de características interessantes para um veneno.
– disse Rylon, abrindo o frasco e sentindo o aroma adocicado dos grãos. – Mata rapidamente, de forma indolor e em pequenas doses e quanto a administração?

- Se for mistura a alimentos doces, é muito difícil de se detectar. Eu diria que até um bom provador veria dificuldades em evitar um veneno assim. Comidas que tem um sabor doce geralmente se mesclam e camuflam outros sabores. Explicou o mentor. – Em Volantis conheci um homem que foi capaz de neutralizar todos os guardas de uma mansão com apenas algumas doses dessa substância aplicada aos vinhos com mel que eles bebiam.

Rylon tirou alguns dos grãos os expondo na palma de sua mão. Os grãos pareciam com pequenas pérolas e o príncipe logo associou seu uso com leite. De fato, Sono Doce podia ser misturado a leite para produzir remédios para crianças. Era uma associação comum com soníferos. O leite de papoula era o nome dado a uma substância extraída das vagens de papoula antes da maturação e também era usado para causar um sono pesado.

- Nem sempre um homem deseja matar um outro, mas precisa neutralizá-lo. – Jaqen continuou a explicação, diante do rapaz curioso – Sono Doce é útil nessas situações. Nenhum homem deseja matar mais do que o necessário para alcançar seus objetivos. Lembre-se disso, a morte custa caro também para quem a força à outras pessoas. Não são todos os homens que desejam pavimentar seu caminho para o Além-Vida com cadáveres...

Rylon se perguntava o que pavimentava o caminho de Jaqen Maegar para a Morte, sua aparência denunciava que talvez ele já estivesse muito próximo a começar a trilhar esse caminho, no entanto, o príncipe pensava que talvez ele já tivesse trilhado aquele caminho e voltado...



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Uso de Venenos


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Re: Biblioteca

Mensagem por Rylon Martell em Seg Jul 24, 2017 6:51 pm



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Flashbacks

Nymeria IX


- Você sabia que os homens são feitos de água, milorde?
– Disse o mentor, apontando para a gravura de um cogumelo em um dos tratados sobre Venenos – Você os purga com a dose correta, eles defecam e vomitam a água e então morrem.

Rylon percorreu os olhos pelas descrições daquela planta peculiar. Aquele gênero de cogumelo nascia em regiões de clima boreal, especialmente, no Norte de Westeros. Tem um corpo de frutificação conspícuo com um largo chapéu que o encima. Possui diversas verrugas que acompanham a sua parte inicial de crescimento e as lamelas adnexas que se projetam ligeiramente para baixo são bem espaçadas, permitindo diferenciá-lo de outros cogumelos de coloração semelhante, mas com lamelas sinuosas ou emarginadas, como os que nascem no norte da Campina.

- Chapéu Cinzento. – disse Rylon em voz alta – Não é um nome muito criativo.

- É um nome eficaz. respondeu o mestre – Muitos homens tremem apenas em ouvir sua menção.
Rylon então percorreu pela descrição do preparo. Desde a parte de separar o chapéu do estipe e realizar o processo de ressecamento e maceração do chapéu para a produção da massa que deverá ser diluída em um solução de volume determinado para a variedade de efeitos que se deseja causar.


- Aqui diz que muitos meistre da Cidadela tem dificuldade em detectar esse veneno, por que? – indagou

- Ele é muito comum no Norte e mesmo lá os lordes não costumam utilizar muitos venenos. – explanou Jaqen – Mas são abundantes nos pântanos do Gargalo e se administrados na dose correta podem se assemelhar à uma doença comum na região.

Rylon continuou a percorrer o manuscrito. Passando pelas partes que descreviam os diferentes efeitos e os alertas acerca da necessidade de o cogumelo estar fresco para que o veneno surta algum efeito. Em seguida vinha a parte acerca da classificação do veneno dentro do tempo de efeito.

- Aqui diz que os efeitos podem levar até uma semana para matarem a vítima sem o uso correto do antídoto e mesmo alguns purgantes podem acabar por acelerar a morte. – repetia Rylon ao seu instrutor.

- Já vi um homem morrer em menos tempo que isso. Três dias foi tudo que ele precisou para vomitar pelo menos três baldes cheios e defecar o triplo disso. – revelou Jaqen – No final, o homem vomitava uma massa escuro que eu nunca descobri o que era de verdade. Acredito que era sangue misturado a podridão das tripas.

- Uma morte grotesca. – disse Rylon, expressando seu nojo, misturado ao fascínio pelo preparo fatal da substância.

- Não mencionei as alucinações... – Jaqen acrescentou – Os absurdos que os homens dizem, quando suas tripas são raspadas, sua garganta está em chamas e seus flancos ardem como fogo de dragão, são coisas para se duvidar da real natureza civilizada dos homens.

- “No fim, eles urram como animais sendo currados” – Rylon citou um dos muitos livros que lera.

- Por vezes, pior. – disse Jaqen e apontou novamente para o livro – Continue a leitura.

- Bem, o diagnóstico é difícil, porque se confunde com outras doenças. Diarreia, vômito, náuseas e febre são os sintomas mais comuns.
– disse Rylon – No entanto, só é usado no Norte mesmo porque ele precisa ser preparado fresco após a colheita do cogumelo. Bem, não vejo a importância dele então...

- É justamente a dificuldade em diagnosticá-lo e a crença que ele só floresce no Norte é que torna este veneno útil. começou a falar o mentor – Como percebe, alguns homens podem querer se beneficiar dessa crença e utilizam estufas para cultivá-los.

- Uma forma interessante. Caso a vítima não esteja no Norte, ela não esperará pelo uso desse veneno
– concluiu Rylon.

- Quando se administra venenos, tudo é muito mais acerca da mente da pessoa que ingere. Se ela é paranoica, se é calma, onde ela está, se está preocupada ou se já espera que algo lhe aconteça –
disse Jaqen – Além das intenções de quem envenena, tal como um caçador que espreita uma vítima, é necessário manipular as situações para colocar uma pessoa sob efeito de venenos. Não se trata apenas de pingar gotas em copos de vinho, compreende?

Rylon refletiu acerca das ideias de Jaqen. Quando se administrava venenos, tudo que envolvia seu entorno e sua aplicação precisava ser bem analisado. A Inteligência exigida de alguém que deseje usar essa arma de forma eficaz era muito maior do que o normal. No entanto, a eficiência valia a pena. Era possível neutralizar mesmo os maiores reinos, com apenas algumas gotas administradas as pessoas certas.

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Re: Biblioteca

Mensagem por Katherine Martell em Qua Ago 09, 2017 8:02 pm

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Notes
treino: atemporal de história com Maegar

princesa roinar

HistóriaSo what you trying to do to me It's like we can't stop, we're enemies But we get along when I'm inside you You're like a drug that's killing me I cut you out entirely But I get so high when I'm inside you

 Cada osso do corpo de Katherine estalava quando a menina se movia minimamente, a dor nos músculos enviando pequenas pontadas agudas para toda a compleição. Pretendia dormir por uma quinzena, mas as batidas incessantes na porta por parte de uma serva a obrigaram a sair dos aposentos pessoais e se dirigir à maldita biblioteca, estava com sono, cansada e dolorida; mas não, Príncipe Rylon tinha que a enviar para as aulas logo depois do dia insuportável e infernal. - Maldito tutor, quem ele pensa que é? Aquele velho verruguento, mal cheiroso e caolho. - a voz engrolada recitava os mais doces impropérios que uma criança poderia pensar, talvez se fingisse estar muito mal - coisa que realmente estava - o Meistre lhe dispensaria e poderia passar o resto da manhã deitada.
 Sir Alistair Sand estava ao lado da roinar como uma sombra muda; desde que se entendia por gente, o homenzarrão estava lá. Calado, obscuro e monstruoso; muitas vezes temera a aproximação do protetor, até entender a real função dele.
 Com um suspiro contido, aprumou-se. Os ombros levemente para trás em uma postura superior, contudo, o incômodo nas costas lhe fez perder todo o orgulho; estava realmente acabada, mas ainda era uma monarca. E como tal, apenas arrebitou o nariz como via sempre a tia fazendo.
 O calor da manhã invadia os corredores de Lançassolar com uma brisa quente que apenas comovia o pesar; Kath declinara os  vestidos em prol de uma sedaria lysena leve em tons azulados em uma tentativa estúpida de manter-se fresca. Odiava em imenso o maldito instrutor e a mania do pai de impor novos meios de ser uma futura regente imbatível.
 A biblioteca como sempre estava vazia, os raios solares invadindo o cômodo pelas enormes janelas. Uma careta de aborrecimento pairou no rosto da Martell, era muito cedo para ter aulas.
 - Bem, espero que esses apelidos adoráveis não sejam para mim. - alguém fez ouvir-se, e imediatamente Katherine reconheceu o timbre forte.
 - Ah, não. O meu pai só pode estar confabulando para minha morte prematura. - ao virar-se, a menina deparou-se com os cabelos alourados, lisos e longos. Os olhos de um violeta pálido a esquadrinhando de cima à baixo. - O que quer de mim agora? Vai me jogar da Torre da Lança? - os olhinhos semicerram a medida que a pequena dava passos para trás, não que precisasse realmente fugir, afinal, o Gárgula estava ali. - Presumo que conheceste meu irmão, deves estar imensamente encantada com os modos dele para dar ensinamentos. - o homem permitiu que um sorrisinho doce escapasse pelos lábios finos. - Sou Maegar Oha'qe. É um prazer conhecê-la, princesa. - o louro fez uma mesura, as madeixas deslizando pelos ombros fortes, ao sentar-se próximo a mesa, Katherine pôde ver a pilha de livros gastos e carcomidos por traças, sabia que eram da sessão que poucos usufruíam. Apesar da amargura latente, a garota formulou uma apresentação adequada; os dedinhos declivavados na primeira camada do vestido ao abaixar-se ligeiramente em uma vênia perfeita. - Podemos começar?
 - Onde está o Meistre Lewyn?
 - Sabe para quê seu pai me chamou aqui, princesa? - perguntou vendo a menina menear a cabeça em negativa. - Há problemas que vão além da compreensão dos homens ocorrendo em todos os cantos. Dragões de sombra, traições, o frio cortante ao Norte e as águas rubras ao sul. O mundo esta mudando e eu vim para lhe moldar nestas novas empreitadas, criança. Agora sente-se, aposto que deve querer ir descansar antes que Maekar te encontre.
A menção para com o tutor apenas compeliu a menina aceitar as aulas; contudo, não deixou passar despercebido que não obtivera resposta quanto ao Meistre. Pelos roinares, agora teria uma dupla de idênticos como professores. - Sabe de onde vem a minha aparência?
 - Sim, de Valíria. Você tem olhos violetas, pela clara e cabelos quase brancos. - enfadonha, a dornesa prestava mais atenção no cantar dos pássaros através das janelas. Realmente não entendia como o progenitor chamara um valiriano para lhe dar aulas, o sujeito era absurdamente parecido com os Blackfyre.
 - Muito bem. Agora me diga, quem são seus inimigos? - inqueriu, arrastando a cadeira para mais perto da princesa. O Gárgula aproximando-se também instintivamente. - Meus inimigos? Seu irmão.
 E a risada cristalina que o homem soltou encheu o ar com uma felicidade demasiadamente estranha, como se as emoções dele pudessem ser transmitidas aos outros. - Não, minha criança. Quais os inimigos da sua Casa?
 - Ah, as lagartixas voadoras. Os malditos Blackfyre.
 - E de quem eles descendem?
 - Dos Targaryen? Aqueles usurpadores esquisitos acham que são reis porque um Targaryen deu uma espada pro bastardo, quanta idioce. - Katherine por mais avulsa que fosse durante as aulas, sempre tivera uma predileção latente para com os assuntos que envolviam os dragões, talvez pelo fato de todo o ressentimento que abrangia os Martell. - Bom, bom. Sabe a onde eles vieram? - a menina respondeu corretamente, ganhando um sorriso de Maegar. - Sabe como eles sobreviveram ao cataclisma que assolou Valíria?
 Formulando um biquinho com os lábios avermelhados, buscara na memória os fatos concretos sobre o acontecimento. - Daenerys Targaryen teve um sonho. Não, não é Daenerys. Daenys Targaryen, que chamavam de A Sonhadora. Como chamam o Sir Alaric de A Gargula. Ela teve um sonho quando ainda era uma donzela, sabe, sonho profético. Viu o que ocorreria em Valíria.
 - Bom, e o que aconteceu?
 - Ela contou ao pai, que acreditou sem pestanejar e eles fugiram. Fim. Eu sei tudo o que aconteceu com os Targaryen. - Katherine deslizava os dedos por sobre a mesa de carvalho, os olhinhos quase fechando de tanto sono. Era uma Lady ousada, indistinta e cansada.
 - Ah, é? E qual o nome do pai dela? E o que aconteceu? - o sorriso de deboche que Maegar mostrava cedera um arrepio involuntário na coluna da morena. Diante da mudez da aluna, o descendente de valiria apenas resignou-se. - Para se derrotar um inimigo, deve-se primeiro saber sobre ele. Não adianta ter força de vontade e armas, o conhecimento é a maior virtude dos homens. Aenar Targaryen era pai de Daenys, a Sonhadora. Se sabe tanto sobre eles, diga-me, foi tão simples assim a saída da família de Valíria?
 Mais resoluta quanto a aula, a jovem se pôs a pensar. Lembrava dos ensinamentos constantes do Meistre e sobre as histórias que a mãe, Cassandra, adorava contar. - Não, não foi fácil. Os nobres de Valíria acharam um absurdo a ideia de Aenar, riam deles. Mas Aenar acreditou na filha, foi contra a gozação dos influentes e partiu para Pedra do Dragão.
 - E o que ele ganhou em troca?
 - A vida. - os olhos de Katherine brilhavam, adorando a nova abordagem de aula, tão diferente das reguadas que ganhava do Meistre quando não sabia algo. As lembranças das dores indo parar em um canto remoto da mente. - Eles foram a única família completa que conseguiram sobreviver, possivelmente houve outros sobreviventes mas não Casas inteiras.
 O som irritante de um pigarrear chegara aos ouvidos de todos, Alaric prostrando-se próximo da princesa enquanto a pequena engolia em seco. Maekar estava na entrada da biblioteca, uma risadinha zombeteira escapando dos lábios. Como aquele homem detestável podia ser irmão de Maegar? - Está na hora dos nossos treinos, princesa.
 - Ah, deixe a menina em paz, seu rabugento. Já estou a terminar a aula e permitirei que ela o encontre no pátio. - o professor ditou, as mãos fechadas sobre o colo ao olhar para o irmão que dera de ombros, saindo da biblioteca. Como Katherine amava o novo tutor.

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Re: Biblioteca

Mensagem por Rylon Martell em Sab Ago 12, 2017 11:18 pm




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Flashback


Nymeria XI


Jaqen caminhava pelos corredores do Palácio de Lançassolar. Rylon o seguia de perto, seus olhos ávidos por uma nova lição. O mentor sinistro liderava o caminho, seu robe negro roçando na parede enquanto ele se movia, como a própria escuridão em movimento.

O mentor o conduziu pelos corredores, até chegar nas áreas interiores do castelo destinado aos quartos dos hóspedes. Adentraram um dos quartos menores, para visitantes que não fossem nobres e que não exigiam o rigor do tratamento dos quartos mais ricamente compostos.

O interior do aposento tinha alguns móveis regulares e nada que chamasse muito a atenção. Era bonito e bem arejado, bom e simpático para qualquer um que visitasse Lançassolar. No entanto, um largo tubo de madeira revestida de líquido vedante estava no meio do aposento. Servas iam de um lado a outro carregando baldes de água, preparando o banho de uma comerciante das Ilhas de Verão. Sobre o tubo havia uma pequena tenda de linho aberta, destinada a bloquear olhares curiosos.

- Observe. - disse Jaqen

O rapaz obedeceu e permaneceu com os olhos analisando o que acontecia a sua volta. Um cheiro bom emanava dos baldes de água quente que lançavam ao ambiente um vapor dançante. Ervas perfumadas eram misturados em peso aos baldes, que então eram virados dentro do tubo unindo a água do banho ou deixados ao lado para que a mulher pudesse jogar sobre o corpo ou sobre a cabeça para manter a água aquecida ou se lavar com perfumes diferentes.

Jaqen retirou de suas vestes um frasco pequeno e cilíndrico, contendo um líquido rosado e turvo. Ele agitou o frasco entre os dedos e o entregou a Rylon.

- Me diga o que é.


Rylon abriu o frasco e cheirou. Difícil de reconhecer o cheiro na mistura do ambiente, mas ele logo detectou o odor característico de um veneno que ele conhecia bem. Um dos mais simples, mas bastante problemático. As servas saíram do quarto, abandonando o tubo e os baldes ali.

- Acônito -
respondeu o rapaz. Ainda não entendia bem o que o mentor pretendia, mas aquele veneno não era o tipo com o qual se brincava. Era de fato efetivo se usado com más intenções.

- Como o usaria aqui? - indagou o mentor.

Rylon refletiu alguns momentos. Lembrou-se das formas de aplicação do Acônito e de seus efeitos. Geralmente, era usado na ingestão e passava algum tempo sem ser detectado se bem disfarçado. No entanto, um de seus usos comuns era no contato. Podia-se fazer o inimigo tocar queimar-se se bem concentrado e assim poderia ser usado para proteger determinados objetos ou para fazer-se conhecer possíveis ladrões. Mãos queimadas podiam facilmente levar a identificar uma criada espiã.

- Poderia coloca-lo na água do banho. Uma criada ou outra disfarçada seria útil.
- disse Rylon. Um frasco como aquele, mesmo diluído no banho, podia causar queimação intensa na pele e muita coceira. Seria ideal para passar um recado macabro a qualquer pessoa.

- As criadas constantemente testam a temperatura da água no tubo ou mesmo em banheiras maiores e mais sofisticadas. As pessoas exigem que ela esteja morna e por isso, precisam desse teste. Isso denunciaria seu veneno antes que a pessoa entrasse na banheira
.
- defletiu Jaqen.

Rylon pensou um pouco mais. Poderia pingar as gotas durante o banho, após a pessoa estar no interior da banheira, mas seria difícil se aproximar em tal estado. Pensou que alguns mais ricos são banhados por servos, que lhe esfregam as costas, mas da mesma forma o criado sofreria primeiro com o veneno e a dor não seria possível de ser escondida.

Ele então observou os baldes em volta da banheira. Geralmente mais quentes que os do tubo e usados para manter a temperatura da água ou até mesmo para jogar sobre a pessoa. Essa ação geralmente não exigia que a pessoa testasse a água e o tempo de atraso entre o contato e a inflamação lhes dava tempo para isso.

- Os baldes ali. São mais quentes e não são testados. Seria preciso uma quantidade alta do veneno para garantir que ele agiria na água depois de diluído uma segunda vez em um volume maior. Mas seria totalmente possível que alguém errasse a esse ponto. Assim, quando a pessoa sentisse a coceira ou o incômodo começar, atribuiria ao calor e quando sentisse a queimação danificar-lhe a pele de fato, o estrago estaria feito. - respondeu o menino.

- Nem sempre o objetivo de um envenenador é matar. Apenas enfraquecer seu inimigo, fazê-lo sentir que nada é seguro. Que mesmo ações cotidianas como se banhar ou comer estão carregadas de perigo. Percebe como levamos o conflito diretamente ao inimigo? Westeros está cheia de senhores feudais, acostumados a lutar em campo aberto, com suas armaduras brilhantes e armas pesadas. Mas de que adiantará todo esse aparato, se ele não se sentir a vontade para dormir, comer ou se banhar? Esse é a verdadeira natureza da guerra psicológica. É assim que se consegue vencer.

O mentor sorriu. Havia algo de perverso naquela forma de pensar e no raciocínio da morte. O homem sabia, sua intenção era ensinar aquilo. Rylon não se preocupava com isso, o que o fazia estranhar era a forma como o mentor não sorria de satisfação, mas de nostalgia.


Rylon Martell.




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Re: Biblioteca

Mensagem por Rylon Martell em Sab Ago 12, 2017 11:25 pm





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Flashback

Nymeria XII



Uma nova manhã ensolarada em Dorne. Uma nova manhã para uma lição. A pequena cidade próxima a Lançassolar, era vista como o maior reduto comercial em Dorne desde a chegada dos roinares. Centenas de anos de afluxo de comércio construído ao longo do Sangueverde.

Vila Tabueira estava pulsante. Os tempos de prosperidade em Dorne haviam aumentado desde a chegada de Daenerys e mesmo após a volta dos Blackfyre que desfavoreciam a região, havia uma excelente estrutura. Rylon na época ainda tinha treze anos e seguia seu mentor Jaqen pela cidade.

O homem o conduziu até um apotecário. Um homem com uma loja repleta de diferentes ervas, frascos, perfumes, remédios e também venenos. A última classe de produtos era a mais infame, mas era útil para muita gente. Nem sempre se desejava exterminar outra pessoa, mas sim animais invasores. Na verdade, o veneno era o que garantia ser capaz de eliminar qualquer praga.

Os fumos dentro da loja, advindos dos incensos encheram as narinas de Rylon. Um homem simpático, de cabelos ralos e corpulento atendia um cliente oferecendo afrodisíacos. Ele ouviu quando o cliente se referiu ao homem como senhor Evrard.

O homem viu Jaqen e seus olhos o reconheceram. Rylon ficou por alguns minutos analisando os diferentes frascos da loja. Fazendo breves perguntas ao mentor, que o respondia laconicamente. O mercador dispensou o cliente e recebeu Jaqen amistosamente, mas mantendo certa distância.

- Como posso ajudar? - saudou com um sorriso.

- Estou aqui para ensinar o rapaz a conduzir a foice do Estranho. - disse Jaqen, uma frase macabra, mas que para os dois carregava um sentido maior.

- Esse é o garoto? Uma honra, meu príncipe - disse o mercador com uma vênia e então o com um sorriso e um o aceno os chamou
- Acompanhai-me.

Ele caminhou para o interior da loja, atravessando um cortinado de fitas e passando por uma série de estantes repletas de substâncias etiquetadas e separadas, chegou aos fundos onde um braseiro residia, para preparar velas e cozer determinados produtos vendidos.

O homem mostrou um determinado sachê, rasgou-o em cima e mostrou a Rylon o conteúdo. Um pó cinzento, granulado e metálico residia no interior. Havia algo estranho no pó, como se fosse as raspas de metal.

- Este é um pó bastante perigoso, meu rapaz
- disse o mercador. - Pouco disso já pode neutralizar alguém por semanas. Este sachê leva um homem adulto para a cova facilmente.

O mercador sorriu, estranho como era, de forma amistosa. Jaqen observava o braseiro, como se além do fogo, visse algo mais vindo das chamas. Ele então se pronunciou.

- Para matar um homem. É necessário que sua vontade seja aplicada ao máximo. O veneno e o poder advém da mesma fonte, a vontade dos homens.-
disse Jaqen por enigmas. Então passou a recitar versos estranhos, numa língua antiga que Rylon não conhecia.

O jovem sentiu um arrepio lhe subir pela espinha. Havia algo de macabro ali que era indiscernivel. Um invocamento da morte. Muito mais do que fabricando um veneno, estavam amaldiçoando o envenenado. Condenando um homem ao suplício de uma morte lenta. Jaqen repetiu por três vezes um nome, que soou estranho para Rylon, mas que ele interpretou como o alvo.

- Esta substância apenas pode ser queimada.
- O mercador derreteu um bloco de cera em um molde de vela e conforme e despejou lentamente o conteúdo do sachê sobre a cera derretida. - Aqui temos uma, dentre as mais sinistras fabricações desse mundo. Esta substância é feita a partir de mercúrio, o metal líquido dos alquimistas, cianeto, o mais adorado dos venenos e as cinzas da língua de um homem que tenha sido morto ou prejudicado pelo seu alvo em algum momento.

- Os homens que você fere são como sementes. De alguns nasce vantagem, regados pelo medo eles se dobram ao seu dispôr. De outros, nada floresce. Alguns, no entanto, podem vir a ser sua ruína. - disse o mentor, refletindo, ao olhar as chamas. - Está pronta a vela.

Evrard sorriu com sua fabricação. Havia ficado bonita e sem rastros da presença do pó. A cera grossa e amarela de abelha, cobria com sua opacidade a substância. Em um mundo onde o fogo iluminava o caminho, era terrível alguém usar do artífice para matar alguém.

- Sabe como usa-lo? - indagou o mercador.

- Deixar a vela queimar, imagino e os vapores matarão a vítima
- disse Rylon.

- Além disso, existe a necessidade de preparar o ambiente. Quem é o alvo?

- Não me lembro do nome. Não o conheço. - respondeu Rylon.

- Eu quero dizer pela vela. Quem acha que é o alvo? Para matar quem eu usaria tal artifício? - indagou Jaqen.

- Alguém que precise ficar muito tempo exposto a uma única vela. No caso, alguém que escreva a noite e precise de luz focada sobre a mesa - disse Rylon, refletindo - Pode ser um escriba... Não, A cera de abelha é usada para escrever, porque ilumina mais e é mais cara. Diria que é um capitão de um navio mercante.

O mercador sorriu para Jaqen que assentiu satisfeito.

- Ele é promissor, é sim - Evrard sorria.

Rylon Martell.




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