Porto de Ragman

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Porto de Ragman

Mensagem por Senhora das Lanças em Sab Jun 17, 2017 3:49 pm



Porto de Ragman

Porto de Ragman é voltado para receber os navios estrangeiros, tanto das Cidades Livre quanto de Westeros e é uma versão mais pobre, suja, grosseira e barulhenta do Porto Roxo. Os estrangeiros e as classes mais pobres da cidade se reúnem em volta desse porto para festejar e se embebedar nos finais de semana. Também nesse porto que está localizado o maior mercado de peixe de Braavos, este não passa de um lugar sujo, fedorento e demasiadamente barulhento.

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Re: Porto de Ragman

Mensagem por Jessabelle de Ibben em Sab Jul 08, 2017 10:26 pm




Jessabelle  
Can you feel the fire in these eyes? Keep me in your sight. FEAR THE FIRE, taking flight, running through the night. Keep me safe, I’m here till day’s end... Keeping fire. LET'S IGNITE under my neon skies.
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INTERAÇÃO FLASHBACK - NOVE ANOS ATRÁS
— Não, não, não! Você está fazendo errado de novo! — O músico revirou os olhos, exageradamente pintados e decorados. Jessabelle conseguia sentir a paciência do homem se esvaindo a cada suspiro de frustração que ele dava, direcionados para ela, sua mais nova pupila. — Céus, garota! Não consegue acompanhar o andar da carruagem?


— Nunca andei de carruagem, senhor. — A ibbenesa não conseguia se conter de tanto entusiasmo. Seus dedos estavam brancos devido a força que segurava o arco do instrumento, que balançava para todos os lados no ar como se fosse uma varinha mágica. Apesar das ordens para manter-se imóvel com o corpo, Jessabelle batucava o chão com as pontas dos pés, sustentando no rosto um sorriso genuíno que revelava sua felicidade por estar presente naquele local.


— Não lhe perguntei isso. — Respondeu bruscamente o homem. Suas roupas eram propositalmente exageradas e chamativas e, apesar de ter passado metade da tarde com o músico, Jessabelle ainda ficava fascinada com sua aparência toda vez que o olhava.


O homem havia se apresentado como sendo O Grandioso Lyrio N’ccio, um artista famoso e muito talentoso, vindo da longínqua cidade de Tyrosh. Como um bom e tradicional tyroshi, o homem havia tingido a própria barba com tinta verde, e seus bigodes eram bicolores, com uma metade pintada de azul e a outra de vermelho. Mas o encanto de Lyrio para com as cores não parava por aí: suas sobrancelhas também possuíam uma coloração anormal de laranja e algumas mechas no cabelo escuro do homem eram roxas. Isso, combinado com as bijuterias e acessórios incrustados de pedras e pó brilhantes que o músico levava consigo o faziam parecer um personagem fantástico de alguma canção ou livro – havia, é claro, aqueles que também consideravam o homem como sendo um bobo da corte, perdido no caminho para Porto Real.


— Veja, garota. Farei isto apenas mais uma vez! — Jessabelle já escutara essa mesma frase várias vezes anteriormente, então não se alarmou. Observou com os olhos brilhantes enquanto Lyrio arregaçava as mangas do traje de seda que usava. Sua camisa era amarela e possuía botões azuis, redondos e exageradamente grandes. As mangas eram compridas e se abriam na altura dos pulsos, com um formato semelhante a uma flor copo-de-leite.


O artista se sentou ao lado de Jessabelle, tirando cuidadosamente o instrumento do meio das pernas da garota. Era pesado e devia ficar apoiado entre os joelhos de quem o tocava; “Violoncelo é o seu nome”, dissera Lyrio, “mas apenas um deles. Existem muitos apelidos para este objeto. “


O instrumento era talhado em madeira rústica, com as quatro cordas feitas de cerdas retiradas de algum animal desconhecido para Jessabelle. Seu segundo item parecia-se com um pedaço de graveto atado aos pelos de uma crina de cavalo. Era, segundo as explicações de Lyrio, a peça chave para o funcionamento e som magistral que o instrumento produzia; sem o arco, o músico não consegue tocar o violoncelo, assim como um espadachim não consegue lutar uma guerra sem a sua espada.


Lyrio pegou a vareta, encostando a fita de pelos de cavalo nas cerdas que compunham as quatro cordas do violoncelo. Jessabelle observou, divagando sobre o motivo de terem escolhido “arco” para denominar uma coisa que sequer possuía alguma curva.


— Pare de pensar em bobagens e preste atenção na posição do meu braço. — Ordenou-lhe Lyrio. A garota obedeceu, se concentrando e tomando notas mentalmente. A caravana na qual Lyrio N’ccio viera era composta por artistas: músicos, dançarinos, acrobatas e até mesmo um tipo peculiar de prostitutas lysenas que, segundo os boatos, eram especialistas na arte do prazer. Viajavam por Essos em busca de novos pares de olhos dispostos a pagar para assistir seu show. Braavos era o destino do momento e, por acaso ou não, notícias da tal caravana chegaram ao templo vermelho e aos ouvidos de Jessabelle. As pessoas falavam de um tal musicista propenso a ensinar música a quem estivesse interessado em seus serviços, a troco de um baixo preço. Após alguns dias de muita insistência e promessas, a ibbenesa conseguiu convencer um dos sacerdotes mais velhos a pagar-lhe algumas aulas com o músico. Entre um dos acordos, estava o de que Jessabelle deveria se esforçar ao máximo para absorver tudo o que Lyrio lhe ensinaria.


— Aqui temos as notas. — Ele apontou para cada uma das cordas tensionadas no instrumento. — A mais grave. — Lyrio dedilhou uma, produzindo um som que Jessabelle só conseguiu caracterizar como sendo um som grosso e rouco. O músico pegou o arco e o friccionou somente nesta corda, enchendo a sala onde estavam com uma melodia que acelerou os batimentos cardíacos da menina, devido a sua intensidade. Lyrio partiu para a segunda, friccionando as cerdas do arco nas da corda do violoncelo. O som produzido era muito semelhante ao primeiro, mas sua afinação se diferenciou em determinado momento da demonstração. Na terceira corda, o som era mais fino. Apesar de totalmente limpo, o barulho daquela corda em particular não agradou Jessabelle, que descobriu preferir os sons mais graves. — Agora, a mais aguda. — Lyrio tocou com o arco na quarta e última corda, produzindo um som mais fino que os demais e que provocou vibrações nos ouvidos de Jessabelle. Subitamente, o músico fez sua mágica – com movimentos suaves e medidos, deslizou o arco pela extensão das cordas, misturando e embaralhando o som de todas elas. Lyrio segurava o instrumento com a mão esquerda, dançando com os dedos pelas cordas ao mesmo tempo que, com a outra mão, utilizava o arco.


Após a linda demonstração do instrumento, Jessabelle se encontrava mais empolgada ainda com a carreira de músicos. Anotou mentalmente um lembrete para perguntar aos mais velhos se existia algum caminho na religião vermelha que possibilitasse ser um artista e servo do Senhor da Luz ao mesmo tempo, assim como as prostitutas dos templos e os guerreiros Mãos Ardentes eram.


Jessabelle foi dispensada ao cair da tarde e início da aurora. Sua aula havia se passado no porão de uma das estalagens nas redondezas do Porto de Ragman, onde os integrantes da caravana de Lyrio estavam hospedados. Apesar de todo o barulho e agitação comuns do local, o porão possuía uma boa acústica e era consideravelmente aconchegante, servindo muito bem para acomodar os instrumentos dos artistas e móveis quebrados da estalagem.


A garota, apesar da pouca idade, já sabia se locomover sozinha pelas ruelas de Braavos, até mesmo em áreas mais hostis, como o entorno do Porto de Ragman. Encontrou o caminho para o templo vermelho sem problemas e, devido ao pequeno tamanho e as vestes nada chamativas cobrindo-lhe o corpo, não foi incomodada no percurso de volta para casa.


Treino: Música






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she's on fire

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Re: Porto de Ragman

Mensagem por Lysandro Rogare em Seg Jul 31, 2017 7:05 pm

Valar morghulis.
Valar dohaeris.





O vento gélido e salino advindo da laguna entrou pela pequena fresta que ele abriu na janela. O vento traiçoeiro também trazia consigo um odor pungente de peixe que invadiu as narinas do banqueiro. Era um ar familiar para ele, havia passado mais de uma década construindo ali a maior parte de seu patrimônio atual.

Braavos era uma cidade rica em peixes, mexilhões, crustáceos e tantos outros gêneros de seres marítimos que abundam em sua laguna nutritiva. Explorar aquela riqueza era uma das coisas que moviam o comércio da cidade e se tornava seu símbolo. Lysandro havia aprendido que recursos sempre serão explorados, se você os possui e não os utilize, em breve um homem tomará de você e o fará.

“Nossa muralha é o comércio. ” Pensava consigo mesmo, em um devaneio breve, enquanto seus olhos percorriam o ponto visível do Porto de Ragman. Embora fosse ainda a primeira hora após o nascer do sol, homens já caminhavam de um lado a outro, realizando a carga e descarga dos navios que ali aportavam e os muitos capitães, negociantes e consumidores das mais diferentes etnias cruzavam as ruas como formigas.

Estava vestido de forma mais humilde do que havia se acostumado e hospedado numa boa estalagem, mas de qualidade terrivelmente inferior aos seus aposentos pessoais. No entanto, havia se hospedado ali por uma questão de necessidade. Alguns negócios carecem de ser feitos em locais peculiares, principalmente, quando sua natureza também é peculiar.

Dentro do quarto simples que escolhera, não jazia mais do que uma cama confortável com lençóis grossos de algodão revestido de lã, um armário provisório de madeira com sinais de mofo nas extremidades, um tapete de bordas douradas desgastadas e uma escrivaninha. Apenas a presença do último móvel tornava aquele quarto mais caro do que os adotados pelos comuns, que geralmente não exigiam mais que uma cama e um balde para servir de latrina.

Sobre a escrivaninha estava um tomo aberto de um dos muitos livros que Lysandro apreciava. Aquela era uma edição com páginas ilustradas à mão e ornamentada de dourado em suas bordas. Os cantos da capa tinham revestimento de prata pura e sua lombada era ricamente decorada. Aquele único exemplar era capaz de comprar toda a estalagem em que ele estava.

O livro descrevia a história do Reino de Sarnor, uma edição completa do O Fim dos Homens Altos, um livro difícil de se encontrar em tamanha qualidade de execução. A extensão do Reino de Sarnor havia chegado de Qohor até Vaes Dothraki,
construindo seu poder em volta do Rio Sarne. Era curioso, pensava Lysandro, que os homens tenham forjado seus reinos todos ao pé de riachos e o papel da singular laguna de Braavos na formação da própria sociedade braavosi.

O Reino durou mais de dois mil anos em prosperidade, mas caiu diante de uma ameaça externa, vítimas de homens mais bárbaros e terríveis que eles. Braavos havia contribuído para aquela derrocada, destruindo a maior frota de guerra já construída pelos Homens Altos. No entanto, foi sua inabilidade em entender o mundo a sua volta e suas ameaças que os levou à ruína. Os Dothraki vieram e saquearam todas as suas cidades, destruindo uma dezena de suas capitais e reduzindo sua população de milhões para apenas um punhado vivendo em ruínas no Sarne.

Os homens bárbaros, endurecidos pela guerra e pelas dificuldades estão sempre um passo à frente daqueles que tem poder e conforto. Podem se ver em condições terríveis e ainda continuar lutando e sua ferocidade, seu desejo por conseguir o que eles não possuem é que faz com que reinos civilizados tão constantemente caiam vítimas de seus avanços. Essa era a diferença principal entre Lysandro e seus pares. Enquanto eles haviam crescido em famílias nobres, aumentando sua influência a partir de patronado e riqueza conservada por gerações, Lysandro havia construído tudo praticamente do zero, serviu entre os homens mais comuns e sua obstinação e ferocidade o levaram até o ponto onde estava naquele momento, mas isso não sem grandes sacrifícios.

Às vezes ele dormia naquelas estalagens imundas, andava pelo Porto de Ragman encontrando antigos contatos, trafegava em meio a plebe e a sujeira das vielas braavosi para se lembrar, não que ele havia sido uma vez parte daquele mundo quase estranho à elite de Braavos, mas sim para se lembrar de que ele resistiu muito mais do que a maioria dos homens seriam capazes de suportar. Lysandro não era um abutre, alimentando-se de carcaças de investimentos antigos, ele era um falcão, não tendo medo de descer das maiores alturas para tomar sua presa com brutalidade e precisão.

Ele precisava de homens ainda mais brutais, se quisesse alcançar seu objetivo derradeiro.

Tomou um mantô de lã, completamente negro e os envolveu nos ombros. Fechou seu precioso livro e o colocou junto aos poucos pertences que ele havia levado para a estalagem. Prendeu ao seu cinto, um punhal sem ornamentos, mas afiado como a língua de uma velha fofoqueira. Cobrindo-se com o capuz, saiu à passos largos de seu quarto em direção as ruas.

O grupo de pessoas aumentava exponencialmente naquelas horas iniciais da manhã, conforme os comerciantes montavam suas barracas, abriam suas lojas e os templos começavam a receber seus devotos. Lysandro caminhou pela rua principal ligada a estalagem e em seguida virou à direita em uma das vielas. Tinha os pés ágeis, que atravessavam as pedras irregulares e pisavam em poças de imundice.

Virou em mais alguns daqueles desajeitados espaços abertos entre as tavernas e lojas do Porto. Sua mão repousava sobre a adaga, pronta para sacá-la se fosse necessário. As bordas de seu mantô roçavam nas paredes das ruelas e ele se movia como um vulto, como a sombra de um predador que vem do alto.

Chegou nos fundos de uma taverna próximo à uma das pontes que ligavam duas das muitas ilhas que formavam aquela parte da cidade. Ficou diante de uma porta rústica no fundo tomou uma chave de bronze desgastada para abri-la. Quando a porta se abriu, diante dele havia um corredor escuro que dava ao fundo para um lance de escadas, à beira da porta, duas lamparinas haviam sido deixadas aguardando por sua chegada e de seu visitante. Ele então fechou a porta atrás de si e seguiu até o lance de escadas. Os degraus pequenos e úmidos davam para uma saleta, que servia como uma extensão da adega para a taverna. Havia no meio da sala uma mesa e duas cadeiras e em uma de suas paredes alguns barris estocavam bebidas. Ao sentir o cheiro pungente de vinho barato, Lysandro se sentiu satisfeito por não ter desperdiçado nenhum de seus perfumes para aquela ocasião. Sua lamparina era a única iluminação no local, um ambiente soturno, gélido e asqueroso o cercava, mas o mais importante, era um ambiente seguro. As coisas da qual Lysandro precisava se proteger não podiam ser definidas pela aparência, afinal, os rostos em Braavos, nem sempre são confiáveis.

O banqueiro sentou na cadeira reservada para ele e esperou. Poucos minutos se passaram até que ele escutou passos irregulares pelo corredor e a luz de uma lamparina aumentar. Quando o visitante desceu as escadas, com os olhos púrpura iluminados pela chama amarelada, Lysandro sorriu.

- Tyberios Saan. – saudou.




Treino: História

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Lysandro Rogare, Iron Bank of Braavos

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Re: Porto de Ragman

Mensagem por Sallazar Saan em Qua Ago 02, 2017 11:01 am

Braavos I

Flashback – Essa passagem se passa quando Sallazar estava com quinze anos.

Ninguém poderia olhar para Sallazar Saan e ver mais do que um jovem comerciante lyseno, ele se vestia como um, andava como um, ele até olhava para as pessoas com o olhar cordial para inspirar confiança e predatório à procura de possíveis clientes e de como engana-los de um comerciante.

Saan admirava as ruas, os prédios, tudo construído por ex-escravos naquelas pequenas ilhas que chamavam de Braavos. Uma cidade magnifica, de fato. Ele recordava das lições de história do pai e pensava em como o presente pertencia ao passado. Na história há uma satisfatoria sensação de harmonia e organização. Uma coisa leva a outra e tudo estava ligado.

Primeiro, foram os ghiscari, então eles caíram e vieram os valirianos e depois deles veio o caos. E agora er o Banco de Ferro de Braavos que reinava sobre Essos. Saindo do Porto de Ragman Sallaz iniciou sua jornada pela cidade, ele tinha bastante tempo para conhecer Braavos das Cem Ilhas uma vez que só deveria acompanhar o pai em uma reunião de negócios a noite e havia pouco tempo que o meio-dia havia passado.

Braavos era uma cidade magnífica e a mais poderosa das Cidades Livres e tudo isto começou com um motim. Uma frota valiriana a caminho de um assentamento para uma nova colônia Em Sothoryos foi tomada pelos seu escravos que decidiram viajar para o mais longe de seus mestres quanto possível, todos os homens queriam ser livres mas nem todos eram, Salla sabia disso porém os primeiros bravosi decidiram lutar por isso, eles sabiam que a liberdade não se pode ganhar só se pode conquistar.

Os escravos amotinados haviam sido liderados pelos Cantores da Lua e encontraram a escura laguna de Braavos envolvida por um manto de nevoa. Ali foi fundada a Cidade Secreta onde os escravos se mantiveram escondidos de seus mestres até a perdição de Valíria, quando uma já adulta Braavos se revelou para o mundo.

Havia poesia também na fundação de Braavos, era contado que os fundados da cidade haviam jurado que ninguém na Filha Bastarda de Valíria seria um escravo e essa foi a primeira lei de Braavos que havia sido imortalizada em uma gravação no arco do canal longo. Que era onde Sallazar se encontrava agora, admirando o arco e lendo as palavras escritas, contemplando a história.

Ele seguiu seu caminho e após mais alguns minutos ele podia ver o Palácio do Senhor do Mar ao longe, uma construção magnífica com altas torres e cúpulas feitas de pedras maciças e mais uma amostra da riqueza de Braavos mas mais do que o ouro dos bravosi aquele monumento lembra Sallazar do Senhor do Mar Uthero Zalyne que após a perdição de Valíria havia enviado navios a todos os cantos do mundo para proclamar a todos a existência de Braavos. Mas apenas a existência pois a localização da cidade seguiu um mistério por mais alguns séculos. Os bravosi jamais pagariam o preço dos escravos mas decidiram pagar aos descendentes dos mestres de seus ancestrais o valor pelos navios tomados.

Enquanto caminhava pelas ilhas e pela história da cidade, Sallazar observava as várias ruas, prédios, becos e canais e pensava em tantas coisas que haviam acontecido ali. Tanta história derramada pelas pedras que pavimentavam as ruas sob seus pés.

Braavos havia se juntado a Pentos e Lorath para derrubar a união imposta de Volantis, Myr e a cidade natal de Salla, Lys para algum tempo depois serem Braavos e Pentos a entrarem em guerra. Seis guerras na verdade, quatro vencidas pela cidade do Titã.

Envolvido em seus pensamentos sobre outros eventos passados de Braavos Sallazar esqueceu de pensar nos eventos futuros, como por exemplo o que poderia acontecer se ele não olhasse para o caminho que seguia e quem podia estar vindo. Próximo a um mercado enquanto pensava em outra passagem história o lyseno acabou esbarrando em uma garota e derrubando algumas compras que ela carregava.

- Me desculpe por isto senhorita –
Salla falou de forma cordial e até com certa reverência enquanto se abaixava para ajuda-la a recolher as compras, Salla havia recebido uma educação apropriada e sabia que deveria se retratar.

Treino de História

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Re: Porto de Ragman

Mensagem por Amarantha em Qui Ago 03, 2017 11:08 pm

Dez anos antes

Amarantha vivia em Braavos há poucas semanas, mas nunca considerou o Porto de Ragman um lugar muito agradável. Era extremamente sujo por algum motivo e tinha um cheiro terrível que lhe causava ânsia de vômito, além de ser incrivelmente barulhento: os mercadores de peixes gritavam por todos os lados, clamando por clientes e tentando atrair sua atenção. Preferiria continuar enclausurada no Templo de R'hllor, que, sem dúvidas, nem merecia ser comparado àquilo. Apesar disto, a adolescente que havia completado recentemente treze dias de seu nome não tinha muita escolha senão estar ali naquele dia nublado; tinha algo para comprar no local, e não encontraria em outro lugar o que acharia, ali, com facilidade.

Havia saído do templo havia menos de uma hora. Andara pelas ruas de Braavos até encontrar o Porto, ao qual só tinha ido duas vezes e acompanhada; era bastante distante, mas não fora difícil encontrá-lo, já que era possível guiar-se pela cidade e chegar até ele de olhos fechados somente com o cheiro ruim que o local emanava. Havia comprado itens que uma sacerdotisa mais velha lhe pedira, e agora iria em busca do que ela mesma precisava.

Em meio aos mercados de frutos do mar, havia uma loja de especiarias um pouco diferentes. Tinha, nela, temperos estranhos para comidas, algumas plantas medicinais e o motivo de sua vinda: ingredientes de venenos — em Braavos, era possível encontrar qualquer coisa, segundo o que diziam. A garota precisava comprar, naquele dia, cogumelos venenosos conhecidos como Chapéu Cinzento; com eles, era possível desenvolver um veneno do mesmo nome, com o qual já estava um tanto quanto habituada. Era bastante fácil de preparar, mas era extremamente perigoso; em cinco dias a vítima morreria, a não ser que fosse diagnosticada cedo e encontrassem a cura.

Seis — pediu Amarantha, apontando para os cogumelos de cor cinza que desejava, após aproximar-se da loja de especiarias. O vendedor, um homem moreno de roupas extravagantes, observou-a com cautela por alguns instantes, como se buscasse a certeza de que poderia vender-lhe aquilo. Não precisou de uma olhada muito longa, já que a morena vestia uma túnica carmesim com capuz, como todas as sacerdotisas de R'hllor e suas aprendizes.

Ótima escolha, senhorita — disse o vendedor, pegando os seis cogumelos e os colocando em um pacote de papel escuro. — Estes vieram das terras frias do Norte de Westeros; não encontrará outros tão bons em nenhum lugar — afirmou-lhe o homem, como se quisesse justificar-se antes de lhe dizer o preço alto dos fungos. — Tenho certeza que fará um veneno inigualável com estes ingredientes maravilhosos.

A jovem observou-o, perguntando a si mesma silenciosamente se tal ladainha funcionava com alguém. Provavelmente muitos o consideravam um bom vendedor: parecia ter decorado tudo sobre cada item que possuía à venda, para que pudesse descrevê-los depois.

Quanto custam? — perguntou-lhe a menina, um tanto quanto impaciente, apalpando o bolso interno de seu vestido para ter certeza de que ainda tinha dinheiro. Ele lhe disse seu preço, então Amarantha pegou algumas poucas moedas contadas e lhe entregou, aceitando o pacote de cogumelos que ele lhe estendeu em seguida.

Volte sempre, senhorita — agradeceu o vendedor, aparentando estar satisfeito com a venda e voltando a sentar-se no banco de madeira em que estivera. A garota assentiu brevemente e seguiu seu caminho, dirigindo-se de volta ao templo do qual viera.

Caminhando por entre as ruelas e áreas abertas do Porto de Ragman, a futura sacerdotisa perdeu-se em pensamentos a respeito do veneno que iria fazer e tinha de terminar até o fim da tarde. Chapéu Cinzento tinha um preparo bastante fácil, quase tanto quanto Leite de Papoula: deveria ressecar o "chapéu" do cogumelo e então moê-lo, e a seiva resultante seria o veneno que usaria. Deveria, porém, utilizá-lo ainda fresco para que fizesse efeito, quase imediatamente após prepará-lo; a vítima deveria ingeri-lo ou inalá-lo, então estaria envenenada.

Após a intoxicação, haviam certos estágios durante os quatro dias que se seguiriam: os primeiros sintomas seriam dores intestinais quase insuportáveis, que poderiam contar ainda com diarreia, vômitos e desidratação. Após dois dias, caso não houvesse tratamento, haveriam alucinações e sonhos febris. Os órgãos internos, como o fígado e os rins, iriam então inchar e começariam a falhar; isto mataria a vítima no quinto dia.

Com a mente ocupada por tais pensamentos, Amarantha esqueceu de prestar atenção por onde andava, e acabou esbarrando em alguém. Seus pacotes caíram no chão, o que a fez abaixar-se para tê-los em mãos novamente.

Me desculpe por isto, senhorita — soou uma voz masculina, muito provavelmente daquele em quem havia esbarrado. A morena levantou o olhar a tempo de ver o jovem ruivo de olhos purpúreos agachar-se para ajudá-la com suas compras, parecendo ser educado e estar bastante arrependido; pelas roupas que vestia e por seus modos, a garota julgou que fosse um comerciante. Não parecia muito mais velho do que ela.

A culpa foi minha, eu estava distraída, senhor — respondeu Amarantha, após recolher as compras e voltar a erguer-se. Acreditou que, como parecia ser um jovem de muito dinheiro e influência, o melhor seria manter-se respeitosa. — Eu que devo pedir-lhe desculpas — acrescentou educadamente, baixando um pouco a cabeça. Repassando mentalmente as palavras que o ruivo lhe dissera, a adolescente franziu a testa, reconhecendo e se sentindo bastante familiarizada com aquele modo de falar. — Desculpe-me a pergunta, mas o senhor é lyseno?
treino 05 - uso de venenos

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Re: Porto de Ragman

Mensagem por Sallazar Saan em Dom Ago 13, 2017 9:51 pm

Braavos

Flashback – Essa passagem se passa dez anos atrás.

— A culpa foi minha, eu estava distraída, senhor — Tanto quanto aquelas palavras eram cordiais a voz que dava som a elas era doce mas ainda mais encantadora era a aparência daquela que falava. A moça não parecia ser muito mais jovem que Sallazar e era um pouco mais baixa, um mar de cabelos loiros caía até o meio de suas costas e seu rosto era decorado com duas jóias azul-esverdeadas em forma de olhos e um encantador sorriso de dentes alinhados. — Eu que devo pedir-lhe desculpas.

- De forma alguma senhorita – Sallazar gostaria de ter dito algo mais inteligente mas estava muito ocupado admirando a beleza da garota e respondeu quase em susto ao perceber que ele estava falando.

— Desculpe-me a pergunta, mas o senhor é lyseno?

Aquela pergunta foi o suficiente para Sallazar perceber que falava com uma compatriota. Era claro, seu jeito de falar, o sotaque, sua aparência.

- Sim, sou. – Sallazar fez uma reverência bastante exagerada com um sorriso afiado no rosto – Sallazar Saan, seu humilde servo. E presumo que você também seja, apenas uma lysena poderia ser tão bela.

Sallazar enquanto ajudava Amara a recolher as compras derrubadas havia percebido o que eram e sabia para que serviam e aquilo havia o deixado bastante curioso.

- Acho que estamos indo na mesma direção, então por quê não me conta o que você pretende fazer com esse Chapéu Cinzento?

Apesar de estar intrigado sobre o que uma garota queria com os ingredientes necessários para a fabricação de um veneno mortal não era o suficiente para Sallazar mudar seu caminho como estava fazendo, era a jovem que havia despertado seu interesse e o assunto dos cogumelos foi apenas uma desculpa para prolongar sua conversa com ela.

Em seu caminho os dois acabaram passado pela tenda de um mercador de ervas e sementes que possuía uma verdadeira raridade em Braavos: rosas de inverno e como o cavalheiro que era Sallazar comprou algumas e entregou para Amara.

- Uma humilda reparação por ter derrubado seus cogumelos. – Sallazar observou a rosa de inverno por algum tempo, analisando a sútil elegância daquela flor. – Eu acho que ela combina com você. – Sallazar voltou seu olhar então para o centro de toda sua atenção naquele dia – As duas não são apenas belas mas parecem não pertencer a onde estão. Parecem deslocadas. – Sallazar não quis parecer invasivo de nenhuma forma mas acabou por suavemente acariciar o rosto de Amara, parando imediatamente ao voltar a si.- Me perdoe.

Quando os dois se aproximaram do Templo do Senhor da Luz Sallazar percebeu que o passeio havia acabado mas a idéia de não ver a jovem de novo não o agradava.

- Nós dois, lysenos nessa cidade de estranhos. Talvez devêssemos nos encontrar novamente para conversar.


Treino de Sedução.

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Re: Porto de Ragman

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