Porto de Ragman

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Porto de Ragman

Mensagem por Senhora das Lanças em Sab Jun 17, 2017 3:49 pm



Porto de Ragman

Porto de Ragman é voltado para receber os navios estrangeiros, tanto das Cidades Livre quanto de Westeros e é uma versão mais pobre, suja, grosseira e barulhenta do Porto Roxo. Os estrangeiros e as classes mais pobres da cidade se reúnem em volta desse porto para festejar e se embebedar nos finais de semana. Também nesse porto que está localizado o maior mercado de peixe de Braavos, este não passa de um lugar sujo, fedorento e demasiadamente barulhento.

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Re: Porto de Ragman

Mensagem por Jessabelle de Ibben em Sab Jul 08, 2017 10:26 pm




Jessabelle  
Can you feel the fire in these eyes? Keep me in your sight. FEAR THE FIRE, taking flight, running through the night. Keep me safe, I’m here till day’s end... Keeping fire. LET'S IGNITE under my neon skies.
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INTERAÇÃO FLASHBACK - NOVE ANOS ATRÁS
— Não, não, não! Você está fazendo errado de novo! — O músico revirou os olhos, exageradamente pintados e decorados. Jessabelle conseguia sentir a paciência do homem se esvaindo a cada suspiro de frustração que ele dava, direcionados para ela, sua mais nova pupila. — Céus, garota! Não consegue acompanhar o andar da carruagem?


— Nunca andei de carruagem, senhor. — A ibbenesa não conseguia se conter de tanto entusiasmo. Seus dedos estavam brancos devido a força que segurava o arco do instrumento, que balançava para todos os lados no ar como se fosse uma varinha mágica. Apesar das ordens para manter-se imóvel com o corpo, Jessabelle batucava o chão com as pontas dos pés, sustentando no rosto um sorriso genuíno que revelava sua felicidade por estar presente naquele local.


— Não lhe perguntei isso. — Respondeu bruscamente o homem. Suas roupas eram propositalmente exageradas e chamativas e, apesar de ter passado metade da tarde com o músico, Jessabelle ainda ficava fascinada com sua aparência toda vez que o olhava.


O homem havia se apresentado como sendo O Grandioso Lyrio N’ccio, um artista famoso e muito talentoso, vindo da longínqua cidade de Tyrosh. Como um bom e tradicional tyroshi, o homem havia tingido a própria barba com tinta verde, e seus bigodes eram bicolores, com uma metade pintada de azul e a outra de vermelho. Mas o encanto de Lyrio para com as cores não parava por aí: suas sobrancelhas também possuíam uma coloração anormal de laranja e algumas mechas no cabelo escuro do homem eram roxas. Isso, combinado com as bijuterias e acessórios incrustados de pedras e pó brilhantes que o músico levava consigo o faziam parecer um personagem fantástico de alguma canção ou livro – havia, é claro, aqueles que também consideravam o homem como sendo um bobo da corte, perdido no caminho para Porto Real.


— Veja, garota. Farei isto apenas mais uma vez! — Jessabelle já escutara essa mesma frase várias vezes anteriormente, então não se alarmou. Observou com os olhos brilhantes enquanto Lyrio arregaçava as mangas do traje de seda que usava. Sua camisa era amarela e possuía botões azuis, redondos e exageradamente grandes. As mangas eram compridas e se abriam na altura dos pulsos, com um formato semelhante a uma flor copo-de-leite.


O artista se sentou ao lado de Jessabelle, tirando cuidadosamente o instrumento do meio das pernas da garota. Era pesado e devia ficar apoiado entre os joelhos de quem o tocava; “Violoncelo é o seu nome”, dissera Lyrio, “mas apenas um deles. Existem muitos apelidos para este objeto. “


O instrumento era talhado em madeira rústica, com as quatro cordas feitas de cerdas retiradas de algum animal desconhecido para Jessabelle. Seu segundo item parecia-se com um pedaço de graveto atado aos pelos de uma crina de cavalo. Era, segundo as explicações de Lyrio, a peça chave para o funcionamento e som magistral que o instrumento produzia; sem o arco, o músico não consegue tocar o violoncelo, assim como um espadachim não consegue lutar uma guerra sem a sua espada.


Lyrio pegou a vareta, encostando a fita de pelos de cavalo nas cerdas que compunham as quatro cordas do violoncelo. Jessabelle observou, divagando sobre o motivo de terem escolhido “arco” para denominar uma coisa que sequer possuía alguma curva.


— Pare de pensar em bobagens e preste atenção na posição do meu braço. — Ordenou-lhe Lyrio. A garota obedeceu, se concentrando e tomando notas mentalmente. A caravana na qual Lyrio N’ccio viera era composta por artistas: músicos, dançarinos, acrobatas e até mesmo um tipo peculiar de prostitutas lysenas que, segundo os boatos, eram especialistas na arte do prazer. Viajavam por Essos em busca de novos pares de olhos dispostos a pagar para assistir seu show. Braavos era o destino do momento e, por acaso ou não, notícias da tal caravana chegaram ao templo vermelho e aos ouvidos de Jessabelle. As pessoas falavam de um tal musicista propenso a ensinar música a quem estivesse interessado em seus serviços, a troco de um baixo preço. Após alguns dias de muita insistência e promessas, a ibbenesa conseguiu convencer um dos sacerdotes mais velhos a pagar-lhe algumas aulas com o músico. Entre um dos acordos, estava o de que Jessabelle deveria se esforçar ao máximo para absorver tudo o que Lyrio lhe ensinaria.


— Aqui temos as notas. — Ele apontou para cada uma das cordas tensionadas no instrumento. — A mais grave. — Lyrio dedilhou uma, produzindo um som que Jessabelle só conseguiu caracterizar como sendo um som grosso e rouco. O músico pegou o arco e o friccionou somente nesta corda, enchendo a sala onde estavam com uma melodia que acelerou os batimentos cardíacos da menina, devido a sua intensidade. Lyrio partiu para a segunda, friccionando as cerdas do arco nas da corda do violoncelo. O som produzido era muito semelhante ao primeiro, mas sua afinação se diferenciou em determinado momento da demonstração. Na terceira corda, o som era mais fino. Apesar de totalmente limpo, o barulho daquela corda em particular não agradou Jessabelle, que descobriu preferir os sons mais graves. — Agora, a mais aguda. — Lyrio tocou com o arco na quarta e última corda, produzindo um som mais fino que os demais e que provocou vibrações nos ouvidos de Jessabelle. Subitamente, o músico fez sua mágica – com movimentos suaves e medidos, deslizou o arco pela extensão das cordas, misturando e embaralhando o som de todas elas. Lyrio segurava o instrumento com a mão esquerda, dançando com os dedos pelas cordas ao mesmo tempo que, com a outra mão, utilizava o arco.


Após a linda demonstração do instrumento, Jessabelle se encontrava mais empolgada ainda com a carreira de músicos. Anotou mentalmente um lembrete para perguntar aos mais velhos se existia algum caminho na religião vermelha que possibilitasse ser um artista e servo do Senhor da Luz ao mesmo tempo, assim como as prostitutas dos templos e os guerreiros Mãos Ardentes eram.


Jessabelle foi dispensada ao cair da tarde e início da aurora. Sua aula havia se passado no porão de uma das estalagens nas redondezas do Porto de Ragman, onde os integrantes da caravana de Lyrio estavam hospedados. Apesar de todo o barulho e agitação comuns do local, o porão possuía uma boa acústica e era consideravelmente aconchegante, servindo muito bem para acomodar os instrumentos dos artistas e móveis quebrados da estalagem.


A garota, apesar da pouca idade, já sabia se locomover sozinha pelas ruelas de Braavos, até mesmo em áreas mais hostis, como o entorno do Porto de Ragman. Encontrou o caminho para o templo vermelho sem problemas e, devido ao pequeno tamanho e as vestes nada chamativas cobrindo-lhe o corpo, não foi incomodada no percurso de volta para casa.


Treino: Música





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