Cidade Afogada

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Cidade Afogada

Mensagem por Deus Afogado em Ter Jun 20, 2017 11:17 pm



Cidade Afogada

A  Cidade Afogada é a área mais antiga da Cidade Livre de Braavos. Localiza-se a norte do Porto de Ragman. É uma área que é em grande parte submersa nas águas verdes da lagoa, embora algumas pessoas ainda morem nas torres mais altas e pisos superiores do edifício de lá. Somente o topo das torres e abóbadas semi-afundadas são visíveis, já que o resto está submerso na lagoa. Abaixo da Cidade Afogada fica a série de cais do Porto de Ragman, mas os moradores do local podem utilizar o Porto Púrpura, já que são cidadãos bravosi.

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Re: Cidade Afogada

Mensagem por Lysandro Rogare em Seg Jun 26, 2017 3:48 pm

O Banco de Ferro terá o que lhe é devido.
O dia em Braavos estava ótimo, a névoa misteriosa e até mística era acompanhada pelo calor acolhedor do sol. A vida explodia na cidade com suas ruas carregadas das mais variadas pessoas, mercadores, pescadores, mercenários, guardas, prostitutas, marinheiros e muito mais! Ah… Esta cidade era uma joia rara e intocada no Mar Estreito, a melhor cidade de Essos e com certeza muito melhor que Porto Real, cidade esta que era uma das maiores devedoras do Banco de Ferro de Braavos.

Nos últimos meses, rumores se levantavam do leste. A Baía dos Dragões voltara a ser chamada de Baía dos Escravos, Volantis não fazia mais questão de tratar a escravidão com o mínimo de discrição, escancarando seus negócios de gado humano e logo a atividade escravista avançaria para o oeste, em direção a outras Cidades Livres. - Sem dúvidas meu caro que nos próximos meses teremos mais notícias do que exatamente anda acontecendo no leste. Respondi de forma educada e polida. Estávamos num pequeno encontro social, eu e um prezado comerciante que detinha a posse de duas galés.

O ambiente era um pequeno salão com piso de mármore, muito bem decorado com lustres, alguns quadros na parede, móveis de madeira finamente trabalhados e em cada canto do salão detinha uma estátua de pedra muito bem esculpida que retratava um homem, uma mulher, um cavaleiro e uma sereia. Um local fino e elegante para a Cidade Afogada. O almoço? Ótimo. Carne vermelha e branca, vinhos, algumas frutas e belas tortas e bolos. ” Por que eles sempre tentam comprar alguém do Banco de Ferro com bajulações? Não importa o quanto de vinho você enfie na minha boca ou quanto de javali com ervas qarthenas você me dê. O Banco de Ferro terá o que lhe é devido. “ Objetivei mentalmente, erguendo uma taça de vinho da Árvore em brinde à Tycho de Braavos, aquele bom comerciante de duas galés.

O homem devedor sorriu agradavelmente para mim e eu retribui em mesma intensidade. - Senhor Lysandro, a respeito de minhas dívidas com o Banco de Ferro, creio eu que poderia ser arranjado um maior prazo para a liquidação das mesmas, não? Inquiriu o homem, confiante. Respirei fundo por um momento e requisitei a um servo que me passasse uma fatia de bolo de limão que parecia delicioso. Passei a comer a deliciosa sobremesa usando o garfo designado à ingestão de sobremesas e refrescando-me com uma taça de vinho diferente que se encontrava ao lado daquela que eu bebera, o resultado? Uma obra de arte em forma gastronômica em minha boca. O homem repetiu a frase. Permaneci calado, comendo outro pedaço de bolo. O homem fez o mesmo novamente, até que…

- Não, “senhor” Tycho. Não haverá um prazo maior. Desculpe-me se você confundiu a minha vinda aqui mas vim para o receber o que você deve. Retruquei de forma fria, rebatendo sua fala com uma postura totalmente diferente. O homem ficou furioso no começo, depois confuso e por fim nervoso. Essa era a realidade, e nada me satisfazia mais do que ver a presunção das outras pessoas se transformar em ferro em suas bocas. Sorri levemente. Um esquema bancário era simples, eu empresto dinheiro às pessoas com um prazo, elas ganham dinheiro e depois me devolvem o que pegou, com juros, é claro.

- Na mensagem que lhe enderecei através de meu empregado lhe dizia ser convidado para tratar de termos de renegociação dado à falta de lucros de minhas galés. Respondeu, com uma veia saltando em sua têmpora. Sim era verdade, talvez eu tivesse sido meio astuto… Sagaz? Bem, não importava, firmamos um contrato e contratos devem ser honrados, ademais, eu duvidava dos rendimentos de sua galé tendo em conta que bem… São duas galés… Um homem com duas galés mercantes navegando pelo Mar Estreito deveria ser muito inapto para não obter lucro ou muito esperto para não obter lucro.

- Desculpe se me interpretou errado meu gentil gesto de vir aqui em sua...humilde morada mas vim com outras intenções, todavia, é claro, eu não impediria o senhor de me mostrar sua propriedade e seu livro contábil, tal como seus navios que estão no Porto Roxo, afinal, você é um cidadão bravosi assim como eu. Respondi, interrompendo a comilança para me focar inteiramente em Tycho.

- Não é de meu agrado mostrar minha propriedade nesse momento, senhor… Só peço que me dê mais algum tempo. Respondeu rudemente e isso foi o necessário para eu me erguer da cadeira e caminhar até uma das janelas, respirando o ar fresco da cidade dos canais para depois caminhar até Tycho e me posicionar atrás de sua cadeira. Repousando minhas mãos sobre seus ombros, falei.

- Ora, senhor, créditos bancários não são tão complicados e também tampouco são de natureza traiçoeira. Uma mentira. Ri friamente e joguei meus olhos sobre seu empregado, intimidando-o, para depois olhar Tycho. Alisei seus ombros numa leve massagem podendo perceber que o mesmo estremecia levemente, bom, eu estava ganhando controle da situação. - Eu lhe empresto uma boa soma de dinheiro, você usa esse dinheiro para ganhar mais dinheiro e depois você me devolve o dinheiro que pegou mais juros. Agora… Se quer tentar me convencer de que duas galés com três conveses, sessenta remos e dois mastros não conseguiram lhe render lucro suficiente para nos pagar, bem, você vai ter que me desculpar mas eu não acredito. Proferi, ficando cara a cara com o homem enquanto apontava para toda pompa que estava presente na sala de jantar.

- Por todos os Deuses, Senhor Rogare, tenho empregados que dependem da renda que eu gero e tenho uma família. Disse, levantando-se para caminhar até a janela. Permaneci onde estava. Sempre que um devedor do banco começava a faltar o veneno e os argumentos na língua eles apelavam para seus empregados e famílias, ou para a violência - em casos mais desesperados.

- Entendo, nesse caso, e se eu lhe dissesse que tenho uma proposta irrecusável para o senhor e que de quebra, isso lhe garantiria lucro certo? Inquiri com uma voz maliciosa tentando lhe instigar a curiosidade e fazê-lo morder a isca. Tycho já estava na palma de minha mão, minha intimidação garantiu-me isso e a condição econômica dela apenas reforçou tal.

- Do que fala? Perguntou, nervoso, olhando para mim de forma consternada.

- Eu lhe darei um prazo maior para liquidar suas dívidas com o Banco de Ferro, entretanto, você passará a agir sob meu comando. Irá deslocar suas galés para onde eu ordenar, vai fazer os negócios que eu aprovar e vai vender onde eu indicar. Fiz uma pausa para respirar fundo e antes que Tycho se manisfetasse, continuei. - O senhor seria uma espécie de capitão, como já o é, e eu seria seu… Comodoro! Claro, isso exigiria a reformulação do contrato de seus empregados envolvidos com as galés, contratos estes que eu mesmo quero redigir e supervisionar. Terminei por fim, aproximando-me dele com uma postura relaxada e um sorriso amigável no rosto, meus olhos colados com os dele.

- Em outras palavras você quer assumir o controle de meus negócios para não cobrar o dinheiro que devo? Perguntou de forma abrupta e violenta. Revirei os olhos.

- Não, não, não, não, não… Nada disso meu amigo. Você será o dono, dará as ordens aos seus homens mas eu darei as ordens para você e com meus contatos eu posso lhe garantir que vai ganhar mais dinheiro do que pensou em ganhar. Ninguém pegará o que não lhe é devido, por assim dizer. Proferi seriamente, estendendo a mão.

- Manterei minha autoridade no convés? E as galés serão minhas? Perguntou com um olhar perdido e até tristonho. Ele sentia o que era aquilo de verdade? Não importava. Assenti com a cabeça e este apertou minha mão.

- Ora! Viu o que acontece quando as duas partes estão dispostas a se ajudarem de forma justa? Não se arrependerá Senhor Tycho, pode ter certeza! Precisarei do seu livro contábil e do seu registro de funcionários, tal como os contratos. Enviarei tudo para sua posse em menos de uma semana, junto com os novos documentos a serem preenchidos e depois disso, seremos homens com os bolsos cheios de dinheiro. Falei, alterando meu tom de voz para um alegre enquanto sorria e lhe dava tapinhas nas costas. - Garanto-lhe que não fará mal eu vistoriar as suas galés no Porto Roxo, sim? Complementei acenando positivamente, e assim recebi de volta. Fácil. Quando se dá esperanças para alguém, a assusta e depois oferece uma saída salvadora é difícil que não aceitem essa saída, e o melhor é quando essa saída é de sua autoria própria e de seu benefício, entretanto, não falava mentiras quando dizia sobre ganhar dinheiro para ambas as partes.

[Finalizado para Lysandro Rogare]

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Lysandro Rogare, Iron Bank of Braavos

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