Sangueverde

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Sangueverde

Mensagem por Deus Afogado em Sab Jul 22, 2017 6:15 pm



Sangueverde

O Sangueverde é um dos principais rios de Dorne. Em sua foz, localiza-se a Vila Tabueira. Ele recebe este nome devido a sua água verde escura, que são lentas e rasas, com grande fluxo de embarcações. O Rio Vaith e o Scourge se juntam próximos a Graçadivina, sede da Casa Allyrion, formando o Sangueverde, que deságua em Vila Tabueira.

Os Órfãos - habitantes ribeirinhos do Sangueverde e fiéis à Mãe Roine (religião) - navegam suas embarcações à jusante e à montante do rio, pescando, coletando frutas, e fazendo qualquer trabalho necessário. Eles dançam e cantam no rio, e também é dito que têm muito conhecimento nas artes da cura. São capazes de curar verrugas e famosos por terem as melhores parteiras. Seus barcos são pouco complexos. Tem pinturas por toda a sua extensão e várias figuras esculpidas. Seus tetos são baixos, e a embarcação, larga.

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Re: Sangueverde

Mensagem por Olyvar Yronwood em Dom Ago 13, 2017 2:39 pm


Olyvar Yronwood
Heir of Bloodroyal


Sanguerreal I

Eu nunca entendi Archibald Sand muito bem, ele aparentava não se interessar pelas mulheres. Ou se tinha alguma amante ou alguma puta favorita nunca me contou.

Flashback – Nessa passagem Olyvar tem onze anos.


Há uma sensação de comodidade estranha em cortar um homem. Ver a lâmina deslizando pela pele e a abrindo, deixando um rastro vermelho escapando de dentro do ferimento, deixando dor e raiva inundarem as veias e pensamentos daquele que foi ferido, o único sabor mais doce que o de cortar um homem é o de cortar um homem que também te cortou. O doce e satisfatório sabor de retorno é delirante.

Olyvar estava sentindo esse gosto preencher sua boca enquanto trocava golpes com um soldado que lutava como um leão, determinado a proteger o tesouro que fora incumbido de guardar como um fantasma amaldiçoado a atormentar uma casa abandonada.

A lâmina que girava no ar tentando acertar o jovem dornês era uma típica espada longa ândala, isto era o necessário para Olyvar saber que seu oponente era um dornês de pedra não que este detalhe importasse enquanto a espada tentava corta-lo.

Olyvar bloqueou um ataque alto desferido com raiva porém controle, uma combinação estranha porém eficaz. Esse tipo de movimento nunca vem sozinho, quando um espadachim valoriza sua velocidade ele ataca o alvo tanto quanto consegue. Os cortes vinham da horizontal, vertical e diagonal, todos no mesmo ritmo.

Um espadachim regular sem nada de especial.

A espada de Olyvar também era uma espada ândala e ele gostava dela, gostava de cortar a carne de outros homens com ela. A lâmina ainda faminta por carne se projetou em um corte horizontal que rasgou o manto cor de areia com o brasão Yronwood e riscou a armadura de couro por baixo.

Bufando de raiva e um pouco aliviado por estar vivo, o guarda levantou seu braço e preparou para jogar seu aço contra a carne do jovem que conseguiu desviar em um salto repentino para trás. O excesso de disposição e energia são um trunfo da juventude.

A poeira da estrada irregular havia contaminado o ar e fazia Olyvar pensar que estava lutando dentro do coração do deserto mesmo que estivesse há poucos metros do rio Sangueverde, Dorne é um lugar mágico que causa efeitos estranhos nas pessoas.
O giro causado pelas lâminas criava pequenas ondas de ar que espantava um pouco da poeira, o suficiente para que os oponentes se olhassem mas não o bastante para observar seus respectivos companheiros. Não que Olyvar precisasse observa-los, ele sabia que eles acabariam com aqueles guardas de Paloferro e o sangue encharcando o brasão de sua tia Elia o dava um prazer que ele não sabia explicar. Mesmo que não fosse sangue nobre, o sangue que retirou do guarda quando cortou sua costela era o bastante.

Com seu lado jogando sangue para fora como uma garrafa quebrada joga vinho, o guarda realizou uma investida com bastante fúria. Seus cortes foram violentos e sem ritmo, porém perigosos. Olyvar conseguiu bloquear o primeiro golpe com sua própria espada e desviar do segundo, porém o terceiro corte rasgou parte do seu manto e o quarto riscou sua carne de modo que deixaria uma lembrança vermelha daquela luta.

Apesar de ferido Yronwood não abandonou o combate, isso não era uma opção, nunca seria. Ele recuperou sua posição, encaixou a mão perfeitamente no cabo da espada, respirou calmamente, observou a espadas e as pernas do inimigo, sentiu o gosto de ferro que o sangue na boca trazia e aguardou que o inimigo atacasse. Kazar havia o ensinado a valorizar o contra-ataque e sempre deixar o inimigo realizar o primeiro movimento, aproveitar tal oportunidade para analisar como ele se move, qual sua postura, como ataca e descobrir o melhor ponto para feri-lo.

O espadachim que servia a Paloferro erguia muito o braço quando atacava, deixava seu flanco direito muito exposto e não era rápido o bastante para atacar e voltar antes do inimigo revidar. A luta até agora havia ensinado isso a Ollie.

O soldado cometeu o mesmo erro novamente, ergueu seu braço e avançou na tentativa de um ataque vertical avassalador porém falhou nisso. Olyvar aproveitou a brecha para girar sobre o próprio corpo enquanto caminha e acertava um corte profundo no seu flanco direito e deixava o inimigo desestabilizado.

Eu já matei você.

O inimigo não foi rápido ou vigoroso o bastante para se recuperar antes que Olyvar atravessasse seu peito com a estocada fatal. O pórtico negro dos Yronwood havia sido afogado em uma poça vermelha, o coração do guarda despedaçado por uma lâmina fria e a carga que protegia tinha um novo dono.

Era uma pequena carroça que transportava alguns baús, provavelmente ouro. Meistre Tytos estava negociando com as Cidades Livres em nome de Lady Elia e a Vila Tabueira era o local perfeito para isto. Os guardas transportavam os lucros de algum carregamento.

Após subir na carroça e abrir um dos baús Olyvar confirmou suas suspeitas.

- Eu sou Olyvar Sand e estou confiscando este ouro para mim. – Archibald era o único que sabia quem Ollie era.

Archibald Sand e seu irmão Edgar estavam junto com o pequeno grupo de companheiros de Olyvar e limpavam suas lâminas do sangue dos guardas de Paloferro.

- Sand! – Olyvar chamou Archibald enquanto sentava sobre um dos baús. – Por que não nos leva para a Vila Tabueira?

Archibald subiu na carroça e atiçou os cavalos, os demais companheiros viriam  em seguida.

- Você não deveria estar pegando o ouro da sua família assim.

- Do meu ponto de vista eu não estou pegando nada. Veja, quando eu for o Senhor de Paloferro este ouro será meu então qual o problema de eu usa-lo agora?

- Você vai ser o Senhor de Paloferro?

- Vou.

- E sua tia? Um dia ela terá filhos e eles serão os herdeiros.

Nada que uma lâmina afiada ou um pouco de veneno não resolva.

- Apenas guie a carroça, certo? Para um bordel de preferência, planejo gastar este ouro comemorando.

- Eu quase me esqueci. É amanhã não é?

- É sim. Amanhã fazem dois anos, três meses e dezesseis dias que fugi de Paloferro. E também é o décimo segundo dia do meu nome.


Treino de Espada Longa





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