A Torre de Sansa.

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A Torre de Sansa.

Mensagem por Deus de Muitas Faces em Qua Maio 17, 2017 2:18 am



Torre de Sansa

A torre de Sansa já foi uma das cinco torres destinadas aos hóspedes do Ninho, mas foi rebatizada após sua revitalização, ordenada por Lady Sansa de Winterfell, avó do atual Lord em comando. Uma Biblioteca tomou três andares da torre, e o Meistre foi transferido de seus aposentos para esta torre, ganhando uma cabine logo abaixo do cômodo. Através da Biblioteca é possível acessar o telhado da torre, onde um ambiente comunal foi estabelecido, com lareira, assentos e escrivaninhas para cartas e mandatos. Os primeiros andares são destinados aos corvos, com janelas curvas abertas para a imensidão dos céus, de onde as aves partem rapidamente. Uma estátua de Sansa foi erguida por seu filho mais velho, quando ela faleceu na avançadíssima idade de 95 anos, ainda lúcida. Mesmo seus netos a respeitavam muito, levando suas opiniões em consideração.

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Re: A Torre de Sansa.

Mensagem por Aileen Arryn em Qua Jun 14, 2017 12:20 am

 
Aileen Arryn
Já fazia algum tempo, ou talvez nem tanto tempo desde a última vez que a Arryn havia visto o rosto de Thomas sorridente diante de si. Aileen sentia em alguns momentos que o tempo passava rápido demais, em outros, parecia se arrastar como areias de um deserto levadas por uma suave brisa. Em dias como aqueles, em que ela passava debruçada sobre a escrivaninha, despachando e escrevendo aos Lordes do Vale, o jovem cavaleiro sempre encontrava uma maneira de aproximar-se sem ser percebido e surpreende-la com flores, que ela era incapaz de imaginar onde ele havia conseguido naquele clima rigoroso do alto da montanha. Todavia, agora já não havia mais Thomas e nem flores, tão pouco sorrisos e abraços. Havia apenas Aileen e suas obrigações que se tornavam cada vez maiores com os rumores de instabilidade por parte da Coroa. Não tinha apresso pelos Blackfyre, mas também não nutria nenhuma aversão, apenas questionava a competência deles em gerir o Sete Reinos, principalmente depois do que houve com os Dorneses.

Havia perdido a conta de quantas cartas havia enviado naquele dia, aos mais diversos Lordes e Ladys do Vale. Respondendo aos mais inusitados pedidos, concedendo alguns, marcando audiências com seu irmão ou negando com veemência os pedidos mais esdrúxulos que chegavam ao Ninho. Quando se tornou intendente e braço direito de seu irmão, muitos lordes questionaram sua capacidade, mas a jovem águia fez cada um deles se arrependerem de suas palavras, mostrando-se mais do que capaz de ocupar tal cargo. Em contrapartida, o número de bajuladores praticamente triplicou, uma vez que muitos lordes sabiam que para conseguirem chegar ao suserano Arryn, antes era necessário passar por ela. Antes era mais fácil suportar tudo isso, mas desde que seu amado havia falecido, suas obrigações pareciam um fardo em alguns momentos. Artys sugeriu que ela deixasse o cargo se essa fosse a sua vontade, porém, não tinha disposição para ser uma lady ociosa que passava seus dias ocupando-se de coisas fúteis e desnecessárias.

Mas com a graça dos Deuses, se é que eles ainda atendiam suas preces, aquele dia estava chegando ao fim. A pena redigia a última carta do dia, uma resposta ao pedido de auxílio para combater alguns homens da montanha. Parecia um pedido fácil de ser atendido, afinal, um destacamento de poucos homens poderia facilmente resolver o problema, mas a descida do Ninho da Águia até os domínios da Casa Hunter seria dispendiosa, não sendo uma boa opção para os suseranos do Vale. Levou algum tempo até pensasse em alguma saída, primeiramente, ponderou quais as casas mais próximas que poderiam auxiliar os Hunter. A melhor opção sem sombra de dúvidas se mostrou os Melcolm, que estavam mais próximos e possuíam bons homens para a tarefa. Todavia, ela sabia que a troca de favores seria indispensável e Aileen prometeu agilizar uma audiência que o velho lorde vinha tentando ter com seu irmão há várias Luas. Sabia que Artys reclamaria por horas, odiava atender lordes interesseiros e mesquinhos, mas se fazia necessário.

Já selava o último envelope quando o velho meistre entrou na ampla sala, com o rosto ruborizado e minúsculas gostas de suor aderidas a testa: — Tome cuidado Harlan. Uma hora essa subida pode mata-lo. — Comentou a jovem lady em um tom irônico antes que o homem dissesse uma só palavra: — Mil perdões, minha lady. Mas esse corvo chegou ainda a pouco de Vila Gaivota. Há urgência que chegasse até suas mãos. — Respondeu o homem entregando a pequeno rolo selado com o brasão dos Grafton. Aileen revirou os olhos e desenrolou o papel lentamente, seus olhos cianos percorriam as letras grafadas em uma caligrafia precária. A jovem suspirou enfadonha, diante do conteúdo do papel e o deixou sobre a mesa de maneira displicente: — Mais problemas, jovem Lady? — Perguntou curioso o homem. A águia sorriu de canto e escorou-se na cadeira macia: — Quando, não os temos Harlan? Pensam que somos uma fonte inesgotável de soluções. — Reclamou a morena, deslizando os dedos esguios pelos cabelos.

Graciosa, levantou-se caminhando até a lareira, gostava de sentir o calor que vinha dela, era a única coisa que a aquecia nos últimos tempos. O silêncio não durou muito tempo, até que olhando por cima de seu ombro direito a morena encarou o jovem meistre: — Pode se retirar. Amanhã enviarei a resposta. — Ordenou ao homem sem cerimônia. Consternado diante da resposta da jovem Arryn, o homem primeiramente gesticulou no ar até que conseguisse desenvolver uma resposta: — Lady Aileen, os Grafton esperam uma resposta com urgência. — Argumentou na tentativa que ela mudasse de ideia. Aileen então, girou sobre os próprios calcanhares ficando frente a frente com Harlan: — Deixe que esperem, assim quando nosso auxílio chegar, por menor que seja, será visto como grandioso aos olhos dos desesperados. É tudo uma questão de manipular o movimento como me convém. Os Grafton não vão ser extintos da noite para o dia. Conheço muito bem a força que tem e ouso a pensar, que tal pedido é uma maneira de tornar a situação menos dispendiosa para eles. Então... Que esperem até o amanhecer. — Incisiva explicou ao jovem. Não lhe restou outra alternativa se não, deixar a águia sozinha. E ali, Aileen permaneceu com suas lembranças e com seus fantasmas.

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Re: A Torre de Sansa.

Mensagem por Artys Arryn em Seg Jun 19, 2017 2:19 am

"I wanna see the bad man fly....."
 
   
Texto(+18):
A respiração de Nyria era pesada. Abafando um sorriso, ela mordeu meu queixo, descendo os lábios pela barba por fazer, completamente insana. Estávamos em nenhum lugar a menos que a Torre de Sansa, local onde qualquer servo ou membro de minha família poderia nos pegar a qualquer momento. A verdade era que apenas os mais obtusos ignoravam a relação entre a lysena e seu Lord, mas deviam haver limites para a depravação de uma única mulher. Vestida apenas em seda ao estilo de Meeren, a lysena de traços valirianos era uma visão. Bem como seu irmão, que deveria estar tocando no Saguão Principal, em sua harpa. Pensar na voz aveludada de Aerion fez com que fosse ainda mais difícil me conter, e Nyria percebeu minha disposição, puxando sorrateiramente para o escritório do Meistre. Ambos havíamos visto à distância quando o jovem subira os lances de escada com um pergaminho em mãos, certamente atrás de Aileen. Ri com a ideia de comportar-me como um garoto recém formado como homem, ansioso para trepar como um coelho por aí. Nyria foi rápida em envolver-me com carícias e abraços, seus seios esfregando-se contra o meu peito, permitindo sentir a firmeza de seus mamilos através do tecido fino. Ansioso, agarrei um deles, desnudando-o para fora do tecido. O tomei com a boca, fitando Nyria nos olhos enquanto a mantinha cativa por meus gestos. Era improtante que ela visse o quão deliciosa realmente era. A expressão de êxtase em seu rosto só era superada pela forma contida como chamava meu nome. Enquanto a lambia e chupava como um bezerro, uma de minhas mãos deslizou até a umidade entre suas pernas, deliciando-se ao invadi-la com facilidade. Suspirando e arfando, a lysena abriu as pernas e encostou-se contra a grossa porta de madeira, empurrando-a para fechar-se com seu corpo. Passei o trinco pesado de ferro na porta, trancando-a pelo lado de dentro. Com um movimento rápido, ergui as vestes de Nyria e enfiei a boca entre suas pernas. O gosto familiar era um afrodisíaco, que apenas instigou minha língua a agir com maior atrevimento, mapeando sua intimidade.

- Pela Deusa, m’lord! - Chocada, Nyria enterrou firme uma das mãos nos meus cabelos, suas unhas raspando o couro cabeludo enquanto ela esfregava-se e contorcia com a sensação. - Oh, rainha do amor! Nos envolva com seu poder! - Adorava a forma como ela chamava por sua Deusa do Amor, totalmente entregue e adorando-a através de mim.

- Louve-a com todo o seu corpo, meu amor… - Sugeri, ao afastar-me. A levantei pela cintura, e suas coxas enlaçaram minha pélvis. Meu membro parecia prestes a estourar os calções, quando sentei-me na cadeira do Meistre. Ela enfiou as mãos nos meus cordões, desatando-os enquanto fitava meus olhos com desejo. Sua mão habilidosa tomou-o nas mãos, levando-o para dentro de si com primazia. Num gesto fluido, cavalgou sobre mim, e desta vez fui eu quem mordi os lábios. - Sim. Olhe nos meus olhos, Nyria. Sinta-me dentro de você. Sinta o quanto me pertence. - Ordenei, segurando-lhe os cabelos prateados enquanto movia-me de encontro a ela.

    A cada nova investida, sentia mais firme as ondas de formigamento e vibração que invadiam meu interior. Ansioso, aumentei o ritmo, forçando as pernas para sustentar todo o peso de minha concubina. Suor brotava em minha testa enquanto nossas respirações enlaçaram-se numa só. Juntos, chegamos ao limite, com minhas mãos enterradas firmes em seu traseiro. Beijando meus lábios com sofreguidão, senti os cabelos perfumados deslizarem pelo meu rosto. Nada se comparava àquilo.


        Uma batida contida ecoou no pórtico. Finalmente cientes do que havíamos feito, nos separamos de maneira indiscreta. Rápida, Nyria arrumou seu vestido que não fora totalmente retirado, jogando os cabelos longos sobre as manchas avermelhadas em seu pescoço. Eu, igualmente preparado, atei os cordões de minha calça da maneira mais rápida possível, ajustando minhas roupas embora soubesse que nem mesmo o broche de prata com a águia e o crescente lunar mantinham a mesma compostura. Arrumei meus cabelos para trás, enquanto ela olhava-me divertidamente. A expressão sensual em seu rosto poderia deixar-me pronto novamente bem ali, não fosse a insistência frágil do jovem Meistre.

- Em nome dos Sete, não acredito que deixei o vento trancar esta porta infernal novamente… O que a senhora Aileen pensará, quando a disser que fui expulso de meu escritório pelas próprias forças da natureza? - Afligiu-se o jovem rapaz, e tive de entortar meu sorriso, para não rir alto. - O Lord certamente pedirá por outro Meistre, e com razão… Oh céus…

- Meistre Harlan. - Chamei. Senti o silêncio absoluto reinar do outro lado da porta. - Aguarde, estou abrindo a porta. - Avisei, destrancando-a em seguida. Ao meu lado, Nyria moveu-se discretamente, passando direto por ele sem fitá-lo nos olhos. - Nyria desejava ver se o senhor possuía alguns artigos de sua terra natal, algo sobre um chá bem conhecido…

- Chá de Violetas, m’lord? - Ofereceu ele, ansioso por dar-me uma desculpa. Sorri. Ele era um bom rapaz.

- Isso mesmo, meu amigo. Como não sou o mais apto em herbologia, fracassei em minha tentativa de encontrar a planta. O vento bateu a porta, e nos vimos na atual conjuntura. - Afirmei, convincentemente comovido.

- É claro, senhor. Tenho dito constantemente que devemos trocar o trinco. - Rindo, Harlan tinha as mãos contidas à frente do corpo. - Senhor? - Ele notou que eu o analisava por tempo demais. Era um rapaz belo, o jovem Harlan. Parecia vir de uma família nobre. O que teria levado ao seu banimento na Cidadela? Muitas Casas utilizavam a vida como Meistre como punição, ao enviarem filhos homens que não ajustavam-se às suas expectativas. Qual seria o crime ou pecado de Harlan?

- Não é nada, garoto. - Sorri, pensativo. - Alguma notícia nova?

   Sem jeito, ele explicou-me que levava uma carta de Lord Grafton, mas que ela recusava-se a responder de pronto. Pelo tom de sua voz, ele parecia julgar um absurdo sequer ter de reportar-se à Aileen. Estava ainda mais escandalizado pela postura de minha irmã. Ele definitivamente não a conhecia bem. Aileen sempre havia sido engenhosa, e habilidosa com relações humanas. Eu confiava em seus instintos, mesmo que também tivesse os meus. Ela era tão capaz quanto qualquer outro de tomar decisões importantes, e talvez tivesse um maior pendor do que eu para lidar com crises. Se ela achava que devíamos esperar, assim seria feito. Infelizmente, vi-me convencendo o jovem Meistre de que falaria com ela, apenas para garantir. A verdade era que eu queria evitar que ele refletisse sobre a situação que encontrara em sua sala. De modo que finalmente cheguei ao salão comunal da torre, a tempo de observar enquanto Aileen parecia encarar o nada. Lembrei-me do jovem Thomas com quem ela sempre andava em dupla. Por muito tempo acreditei que teria de livrá-la do escândalo com uma passagem para Essos, para conter a fúria de Arthos se os descobrisse. Por fim ele pereceu primeiro, e decidi ignorar a honra para permitir que ela vivesse um grande amor. Mas o rapaz fora assassinado, brutalmente morto ao ser lançado de uma das sacadas. Não entendia o que poderia ter acontecido, e como Aileen julgava que eu não sabia de sua relação, mantive o segredo. Embora a tivesse consolado, não queria que ela pensasse que eu poderia ter feito algo para preservar minha honra. Não algo tão baixo. Na época do ocorrido, Nyria parecia incomodada com a forma com que Aileen ameaçava o futuro de meus filhos com sua atitude. Fora inclusive ela quem me consolara, ao ver a tristeza de minha irmã e a minha própria.

- Fará com que nosso Meistre se atire da Porta da Lua. - Brinquei, chamando-lhe atenção. Eu ainda lutava para realinhar minhas vestes azuis, o manto insistindo em parecer mais torto que o normal. - Como está, irmãzinha?


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Re: A Torre de Sansa.

Mensagem por Aileen Arryn em Dom Jun 25, 2017 11:03 pm

 
Aileen Arryn
Nunca havia se sentindo tão sozinha como nos últimos tempos, uma solidão inexplicável e imensurável até mesmo para dona do sentimento. Continuava rodeada de amor e afeto por todos os lados, fosse por seus sobrinhos ou fosse por seu irmão, que sempre se preocupava com seu bem-estar. Mas a cruel realidade era que o vazio que tomava seu peito continuava imenso e a cada nova lua se tornava maior. Inicialmente, julgou que talvez fosse falta de ter uma família, seus próprios filhos para cuidar, um marido para honrar. Pensou em pedir a Artys que lhe arrumasse um casamento com algum bom lorde do Vale, onde não estaria longe de casa, mas coragem logo lhe faltou, por um motivo óbvio, não seria capaz de realizar tais feitos com qualquer outro homem, seu coração continuava fiel a Thomas e assim seria até o dia que o Estranho resolvesse leva-la pela mão, assim como havia levado seu amado.

Diante das chamas trepidantes da lareira, Aileen permitiu-se derramar uma única lágrima depois de tanto tempo. Somente os Deuses sabiam o esforço que era para ela durante todos esses anos, fingir que nada havia acontecido. Que Thomas havia sido apenas mais um que havia morrido no Ninho da Águia, o que fatalmente acontecia uma vez ou outra. Mas seu peito havia sido dilacerado, seu sorriso havia sido roubado de uma maneira tão brutal que se quer teve tempo de entender o que havia acontecido. O colo pálido arfou ao se ver envolta em um mar de lembranças naquela tarde, desde os doces beijos que ele tão gentil depositava em seus lábios até as juras de amor eterno e promessas de lutar para que com ela se casasse um dia. Tinha a total convicção que nenhum homem seria capaz de ama-la de maneira tão honrada quanto Thomas. Só podia então agradecer aos Deuses pela graça de seu irmão nunca ter lhe arrumando um pretende, condenando-a a uma vida infeliz e apática.

O olhar ciano da Arryn encarou o firmamento celeste, os dias no Vale eram incrivelmente azuis naquela época do ano e isso a agradava. Seus longos cabelos castanhos balançaram acompanhando o movimento de sua cabeça, sua razão tentava desesperadamente expulsar os sentimentos que tomavam seu peito. A águia respirou fundo e tentou mergulhar em alguma outra lembrança ou algum problema que pudesse prender sua mente. Mas a perguntava que pairava em sua mente era, como alguém conseguiu empurrar Thomas? Ele não era nenhum escudeiro franzino, muito pelo contrário, lembrava-se de como os músculos eram torneados e vigorosos. Em breve ele se tornaria o mestre de armas do Ninho, era um exímio espadachim, tinha imensa perícia em briga corpo a corpo. Vários foram os dias em que ela se escondia apenas para apreciar o rapaz lutar. Não imaginava em qual situação ele estaria para que alguém o jogasse da sacada.

Teria continuado com seus questionamentos por horas, mas o timbre familiar chamou-lhe a atenção, sendo a ajuda necessária para libertasse daquela torrente de tristeza. Delicada, girou sobre seus próprios calcanhares e recepcionou seu irmão com um meio sorriso: — Aposto que as escadarias vão mata-lo primeiro. Pelos Sete Artys! Não havia um meistre com mais preparo? — Reclamou com um tom de brincadeira observando o irmão de forma minuciosa. Displicente caminhou até o mais velho, primeiro o encarando em seus olhos tão iguais aos seus: — Estou bem. Trabalhando arduamente para livra-lo de audiência tediosas com os Lordes do Vale. Todavia, terá que se reunir com o Lorde Melcolm. Infelizmente não consegui evitar essa audiência. — Explicou ao mais velho com um pequeno sorriso travesso: — Provavelmente ele quer propor casamento a Alyssa. O herdeiro dele já está idade de se casar. — Um longo suspiro escapou dos lábios da águia: — E prontamente vamos negar. Pelos Sete! Alyssa merece o melhor marido do mundo, não aquele garoto asqueroso. — Falou revirando os olhos.  

Observadora, de pronto reparou nas vestes desalinhadas e o broche torto. Rodeou o corpo do maior arrumando o manto azulado, deixando novamente de forma simétrica sobre os ombros de Artys. Quando voltou a sua frente delicadamente envolveu o metal frio do broche e o moveu com cuidado, para que a pequena águia para o lugar: — E pelo que posso perceber, está muito bem meu irmão. Seus gêmeos estão cumprindo com louvor suas tarefas. — Disse com um ar levemente irônico, mas ao mesmo tempo divertido. Artys e Aileen nunca tiveram segredos, até que Thomas surgisse na vida da jovem águia. Não temia que Artys a repreendesse, mas temia que seu amado fosse prejudicado de alguma forma, o rapaz almejava muito e tudo que ela desejava era um momento oportuno para contar a ele, porém, não houve tempo. No entanto, a existência dos gêmeos nunca fora um segredo para ela e até mantinha certa proximidade deles, ambos possuíam uma beleza muito peculiar.

Já não era nenhuma garota inocente apesar de ser donzela, certa vez quase se entregara a Thomas em um de seus encontros, mas o jovem cavaleiro se recusou a toma-la daquela forma, queria que esperassem até o momento em que se casassem. Uma pontada de arrependimento tomou seu peito, jamais seria do homem que amou verdadeiramente, agora apenas rezava para não parar nas mãos de um lorde qualquer. Suas mãos ampararam o rosto do mais velho, encantando-se pelos lindos olhos que ele tinha, seu amor fraterno era sem limites e faria qualquer coisa por seu Lorde e irmão: — Então me diga. O que fez o Lorde do Vale procurar sua humilde intendente? — Perguntou buscando ler em seu semblante o motivo daquela visita inesperada. Não passavam muito tempo sem se falar era verdade, mas não era do feitio de Artys procura-la de forma tão repentina e Aileen se via curiosa.


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Re: A Torre de Sansa.

Mensagem por Artys Arryn em Dom Jul 02, 2017 3:14 pm

"I wanna see the bad man fly....."


Aileen ainda sorria com uma expressão peculiar, quando sentei-me ao lado dela. Estava afoito devido ao esforço recente e a excitação de quase ser pego por Harlan. O Meistre jovem devia ser considerado novo demais para posicionar-se com uma Grande Casa, mas ainda assim, era competente o bastante para ter forjado uma longa corrente, que eu julgava, podia ser enrolada novamente ao redor de seu pescoço fino, dando duas voltas. Rindo, concordei quando minha irmã mencionou Alyssa. Eu não pretendia casar minha pequena águia com um pretendente indigno ou aquém de sua posição. Não apenas por razões de honra e tradição, mas politicamente. Eu precisava de alianças adequadas, que ao menos impedissem que eu fosse um alvo nas guerras por vir. Devia criar hesitação entre meus rivais, atrelando algo que amassem aos meus filhos. Recém-viúvo, uma das opções seria o poderoso Lord Tyrell, da Campina. Eu tomara uma parente sua por casamento como esposa, minha Rowenna Redwyne. Alyssa era filha dela. Tinha sangue verde, da região ensolarada. Talvez ele reconhecesse algo de sua falecida esposa - tia de minha filha - na sobrinha. Eu precisaria do suporte de sua mãe, uma das mulheres mais influentes e bem relacionadas dos Sete Reinos. Desmera era conhecida por conseguir as melhores noivas, para os melhores maridos. E por educá-las bem. Talvez eu pudesse visitar o Jardim de Cima, após atender ao chamado do rei à Capital. O que levava-me de volta à pergunta de Aileen. Suspirando, apoiei os cotovelos sobre a mesa, esfregando o rosto com as mãos.

- Irmã, não seja vulgar. As funções de Nyria e Aerion são meramente de origem profissional. - Disparei, indulgente. Ri, disfarçando meu cinismo. Ela sabia bem o tipo de profissionais que eles eram, antes que eu os libertasse. - E sobre Harlan, estou certo de que o rapaz ainda nos surpreenderá. Ele parece ter o que é necessário para ser um grande Meistre, com o amadurecimento adequado. Quanto à minha presença, ela deve-se apenas à mera curiosidade. Quis vê-la, e estou aproveitando para elucidar a seguinte questão: Recebemos um corvo com o selo real. Este, endereçado somente a mim. O rei Daemon convoca-me à corte. Acredita que possa ser algo importante? - Era obviamente algo importante. Mas Aileen entenderia que não era exatamente isso que eu a estava perguntando. “Você acha que eu deveria obedecer ao chamado?”, eu poderia ter dito. Mas não havia realmente a necessidade. - Enquanto eu estiver fora, preciso que cuide de seus sobrinhos, e do Ninho. Não sei o que pode ser, e estou pensando seriamente que um cunho político se revelará. De modo que a viagem deve alongar-se um pouco mais.

Notei que o olhar dela parecia vago, como se constantemente perdida nos próprios pensamentos. Era comum ver Aileen transitar entre aquela expressão nula e uma outra, cheia de vigor. Ela não costuma demonstrar sua fragilidade. Mas eu nunca tivera problemas em notara. A forma como sorria, o jeito que mexia em seu cabelo… tudo alterava-se diante das situações mais desagradáveis. Mas os seus traços nunca assumiam um aspecto tão sombrio, quanto quando pensava nele. Nessas ocasiões, nem mesmo o grave sorriso e a elegância habitual podiam ocultar seu sofrimento. A morte dele ainda me era um mistério. Descobri semanas antes de sua relação secreta com minha irmã, mas não planejava fazer algum mal ao homem a quem confiaria minha vida. Se não fosse possível outro desdobramento, ele poderia casar-se com Aileen sob a luz dos Sete. Eu não me oporia, de modo algum. Mas as circunstâncias da morte haviam sido muito suspeitas. Durante um pequeno tempo, imaginei se ela mesma não teria matado o namorado. Apenas seu sofrimento genuíno e o fato de que eu conhecia muito bem o seu caráter, liberaram-me de minhas incertezas.

- A verdade, Leenie, é que esta convocação tem um intenso peso para nós, embora que ainda não saiba ao certo como lidarei com isto. A situação da coroa é tensa, e eles precisam de nós mais do que nunca. Junto dos Lannisters, somos os únicos que ainda os apoiam verdadeiramente, em vassalagem sincera ao Trono de Ferro. Os outros pagam seus impostos e permitem o comércio, mas não gastariam uma só moeda ou soldado pela paz coletiva. Embora eu não esteja disposto a dar o ouro de nossa Casa para o Banco de Ferro em nome do rei, não gostaria de ver nosso povo escravizado por estrangeiros, ou nossos privilégios ameaçados por uma força estranha. Ruim com eles, pior sem eles. É o que penso. - Admiti, fazendo pouco caso da questão. Sabia que Aileen teria suas próprias suposições. E estava ansioso por ouvi-las. - Sabendo que a viagem pode me trazer qualquer surpresa, temos que formular planos de contingência, para quaisquer situações adversas que eu encontre ao longo do caminho. Temo querida irmã, que eu vá retornar da corte com uma nova esposa, se alguma delas aceitar contrapor-se à maldição de minhas esposas pregressas. Cheguei a considerar uma visita à Jardim de Cima, para encontrar a Senhora dos Espinhos. Ela certamente deve possuir uma indicação adequada, em troca de alguns favores. Talvez só a influência de uma dama como ela, possa afastar a má fama do Ninho da Águia, entre as donzelas nobres.

Todos conheciam a forma como minhas três esposas haviam adquirido doenças mortais de modo incompreensível. Nunca, contudo, haviam mencionado em minha frente os comentários maldosos que faziam nos salões quando eu não estava por perto, e podiam rir livremente dos boatos de que eu teria tirado a vida das três. O que não era remotamente possível. Eu nunca fizera mal a nenhuma delas. A verdade, era que mesmo permanecer casado depois daquelas perdas seria terrível. Ter de lutar com o medo e a incerteza do destino da mulher que se ama, é incomensurável. Temer diariamente pela vida de alguém nos torna cegos para as melhores experiências, que são vividas justamente ao lado de quem se ama. A última fora minha Wanda. Aileen gostava dela, mas também, ela dera-se bem com todas as minhas esposas, uma irmã próxima e querida por cada uma delas, também. A última dos Corbray era só mais um fantasma em minha memória agora. Fitando Aileen de maneira insegura, suspirei. Pela quarta vez, a jornada para encontrar uma esposa teria início. Um dos martírios de ser um Lord. Mas ainda assim, uma incumbência política de fundamental espécie.

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Re: A Torre de Sansa.

Mensagem por Aileen Arryn em Qua Jul 05, 2017 9:46 pm

 
Aileen Arryn
A presença de Artys amenizava seu tormento, o irmão lhe transmitia uma sensação de segurança inenarrável. Em momentos como esse desejava ainda ser uma criança. Naquela época, quando qualquer mal parecia alcança-la se jogava nos braços de Artys para que ele prontamente a protegesse. Lembranças tão ternas e doces que carregaria consigo para o resto de sua vida. Sentia-se mal por nunca ter dito a ele abertamente sobre Thomas, sempre foram tão cúmplices, mas o jovem temia que de alguma forma Artys não aprovasse e afastasse os dois definitivamente. Aileen tinha a total certeza que ele jamais agiria assim, logo ele que viu ambos crescerem juntos e sempre tão agarrados, Arthos era ocupado e ausente demais para perceber o que acontecia, mas Artys não. Várias foram as vezes que o Lorde do Ninho apenas abraçou a caçula em silêncio, gentilmente cedendo seu ombro para que as lágrimas o molhasse, seu irmão compartilhava de sua dor, ele poderia não saber ao certo o que se passava, mas era indiscutível a proximidade entre ambos e a forma tão protetora como Artys cuidou da irmã.

Entretanto, Aileen se viu obrigada a aprender a se defender sozinha e agora estava ali, ao lado do irmão como uma peça importante no Ninho da Águia. Não era uma nobre frívola, de pensamentos obtusos e medíocres, a jovem águia era uma mulher como poucas nos Sete Reinos, um tesouro muito bem guardado no alto da montanha. Acomodou-se ao lado do irmão enquanto encarava o sorriso debochado em seus olhos. Ainda que cheio de responsabilidades, Artys sabia muito bem como viver sua vida, mesmo depois de tantas perdas, desejava ter a mesma sabedoria que ele, mas já havia chegado à conclusão que não tinha talento para tal. Carinhosamente deslizou a mão pelo rosto do irmão com aquele mesmo sorriso em seus lábios: — Claro meu irmão. Não posso imaginar o quão necessário são os serviços deles. — Comentou com um sorriso irônico, quase culminando em uma risada maior. Seu olhar azulado prendeu-se ao do irmão enquanto o mesmo elucidava os motivos de sua presença, por mais que fosse uma simples visita ela sabia que havia outras questões a serem tratadas. Já havia se passado muito tempo desde a última vez em que Artys a procurava sem motivo algum.

— Espero do fundo do meu coração que as escadarias não o mate antes meu irmão. — Comentou enquanto se colocava frente ao lorde do Vale. O momento entre irmãos poderia esperar, haviam assuntos mais delicados a serem tratados naquele momento. O apoio do Vale era essencial a Coroa, apenas eles ainda prestavam algum tipo de vassalagem realmente. Era sabido que muitas outras casas preferiram neutralidade com medo de um possível confronto, enquanto os Martell e os Baratheon esperavam o momento certo para atacar o Trono de Ferro. Eram tempos instáveis e obviamente o Rei procuraria manter seus aliados ainda mais próximos. Quando a mensagem endereçada a seu irmão chegou, obviamente ela foi avisada, mas se foi endereçada a ele, não era seu problema. Até aquele momento. Um par de dedos esguios enrolaram uma madeixa fina de cabelos enquanto seu semblante expressava contemplação, Aileen sabia muito bem o peso daquela mensagem: — Daemon está desesperado por apoiadores. O trono está ameaçado como nunca. Tirando a nós, eles não possuem nenhum outro apoio. Venhamos e convenhamos meu irmão. Que tipo de apoio os Lannister podem oferecer a Coroa? Sem nós, eles teriam que contar com a sorte, coisa que acreditou eu, não possuem em abundância. — Falou com segurança e autoridade.

Aileen nunca saia do Ninho da Águia, mas sabia de tudo o que acontecia pelo mundo, como ela mesma dizia, era ela quem estava mais próxima ao teto do mundo: — Como você mesmo disse meu irmão, somos tudo o que eles têm. Talvez seja a nossa hora de tirar proveito de tudo isso. O Vale hoje conta com homens suficientes para auxilia-los, nossos portos continuam sendo um dos melhores, perdendo apenas para Vilhavelha. Temos uma fortaleza impenetrável meu irmão. Tenho certeza que seria um ótimo refúgio para a Rainha e os filhos caso necessário. — A morena fez uma pausa pensativa: — Mas é claro. Tudo tem seu preço. Exija um cargo influente, algo no Pequeno Conselho. Eu não descarto essa possibilidade meu irmão. Ele precisa de apoiadores. Se você pretende consolidar o poder do Vale, não vejo um melhor momento para isso. — Explicou seu ponto de vista ao mais velho. Não sabia se ele concordaria com ela ou não, mas tinha a plena certeza que ele pensaria em suas palavras.

Graciosa a lady caminhou até uma pequena mesa que contava com uma ânfora de vinho e alguns cálices de cristal. Serviu a si mesma e depois ao irmão, levando a bebida até ele, não via problema em ter um gosto doce entre os lábios enquanto falavam de coisas tão amargas como política.  Porém, a questão seguinte era mais delicada e necessitava de um pouco mais de tato, envolvia bem mais que o status do Vale. Tinha que admitir, que tal pauta havia a pego de surpresa, mas era algo que aconteceria mais cedo ou mais tarde. Aileen meditou sobre as palavras do irmão sobre o Jardim de Cima e uma possível ajuda da Rainha dos Espinhos para conseguir um novo casamento, algo que lhe parecia interessante tendo em vista as conjecturas passadas: — Creio que seja a melhor saída para encontrar uma esposa meu irmão. O Vale precisa de uma lady de nome forte. Ainda que ame minhas Terras não vejo nenhuma jovem donzela apta e além de tudo, precisamos expandir nossos laços. — A morena mordiscou os próprios lábios e respirou fundo buscando medir suas palavras: — Em um primeiro momento cogitei o nome de Ella Baratheon. Por todos os motivos que você já sabe e eu não preciso aponta-los. Todavia, com esse chamado do Rei, não acho uma boa escolha. Eles são oposição genuína a Coroa e talvez perdêssemos uma boa chance de algo maior. — Buscou mostrar seu ponto de vista da maneira mais ponderada possível: — A Rainha dos Espinhos será a melhor para ajudá-lo com uma esposa meu irmão. — Concluiu.

Por um breve instante seu semblante se fechou, não gostava de tratar os sentimentos do irmão daquela forma tão banal. Deixou o cálice de vinho sobre uma das mesas e em seguida tomou ambas a mãos de Artys entre as suas: — Mas não faça nada que venha fazê-lo infeliz meu irmão. Sua felicidade para mim é mais importante do que qualquer Reino. — Suplicou encarando os olhos do irmão: — Parta com tranquilidade, leve com você os melhores homens. Aqui no Ninho da Águia ninguém pode nos alcançar. Cuidarei bem das crianças, com todo o meu amor. Vá em paz e que os Sete protejam seu caminho a cada passo. Rezarei por ti todas as manhãs e todas as noites. — Podia ver nos olhos do irmão a incerteza sobre se atirar em um novo casamento: — Bem-aventurada a mulher que se casar com você. Não há um homem mais nobre em toda Westeros. Tenho certeza que inúmeras damas vão suspirar afoitas com sua presença na Corte e no Jardim de Cima. — A voz da jovem águia era doce e segura. Aproveitou o momento para beijar ternamente o rosto do irmão: — E eu sempre estarei aqui para lhe apoiar e ajudar. Sempre conte comigo para tudo Artys. — Encorajou o mais velho buscando resgatar a confiança do Lorde do Vale.


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Re: A Torre de Sansa.

Mensagem por Artys Arryn em Qui Jul 27, 2017 11:42 pm

"I wanna see the bad man fly....."


Aileen era veloz, como a águia em nosso sigilo. Ela era prática, e muito boa em tomar decisões acertadas a respeito de assuntos espinhosos. Com o perdão do trocadilho, ter de dialogar com Desmera Tyrell não era a melhor das expectativas naquele momento. Todos sabiam que aquela mulher era como um tubarão. Parece distante, até que decida devorá-lo. Todos sabiam que o ouro era um poder real em Westeros. Talvez possuí-lo em abundância tivesse tornado os Tyrell ainda mais cheios de si. Mas eles eram uma possibilidade. O Vale era fértil, e rico. Talvez fosse a hora de descer do Ninho. O chamado de meu rei não poderia ter vindo em hora mais oportuna. Enquanto observava a forma como minha irmã já parecia pronta, não pude deixar de sorrir. Aileen sempre colocara seus sobrinhos acima da própria felicidade. Permanecera, como minha única irmã sobrevivente. Ela era meu esteio, minha rocha. Não havia pessoa melhor para governar em meu lugar.

- Irmã, entregue-me aquele pergaminho ao lado de seu braço. Tinta e pena, por favor. E nosso selo. - Observei que ela estivera escrevendo para meus vassalos, e aproveitei o momento. - Obrigado. Vou escrever um decreto sinalizando que a partir de minha saída, Farei de você a Governante Regente do Vale e da Montanha, Lady Arryn. Eddard chefiará minha guarda, é hora de nosso herdeiro conhecer o mundo real. Se os ventos forem bons, conseguirei um casamento para ele e para Galahad em uma única reunião. Levarei uma comitiva de trezentos homens, o suficiente para impressionar sem parecermos tão pomposos quanto os Tyrell. Vossa Graça ficará contente em ver os estandartes de um verdadeiro aliado às vistas da Fortaleza Vermelha. A você, irmã, peço que escreva sempre que possível. Me dê notícias, oriente Alyssa. Seja firme com Galahad. Os Sete sabem que desde que Edwyn foi levado para a Cidadela ele tem sido dedicado aos seus afazeres. Tente apaziguá-lo. E, por favor, cuide do pequeno. Nyria não aceitará ficar para trás, então deixarei os cuidados com ele em suas mãos. Olhe bem de perto as amas. Robyn pode não ter o meu nome, mas é uma águia. E quem sabe? Talvez um dia possa ser um Meistre como o irmão, ou um homem importante da Patrulha da Noite. Talvez um intendente tão bom quanto a tia.

    Terminei de redigir a carta, e comecei a posicionar a estela de cera azul sobre a chama de uma vela comum. O material começou a pingar, a resina amontoando-se no fim de meu decreto. Usei o carimbo em meu anel, para afundar a substância morna, deixando o crescente lunar e a águia no lugar. Enrolando o pergaminho, o entreguei a Aileen, beijando-a no rosto em seguida. Permaneci próximo de minha irmã por algum tempo. Se estava em meus planos forçar uma demanda diante do Trono de Ferro afim de ocupar um cargo no Pequeno Conselho, não nos veríamos nas próximas luas. Até que um dos dois fizessem a viagem entre Porto Real e o Ninho. Naquele momento meu coração apertou um pouco. Não por Alyssa ou Galahad, os jovens sempre achariam uma forma de tornar aquele lugar menos sombrio. Mas pela melancolia que parecia envolver a sede ancestral de minha Casa, desde a morte de Wanda. Desde que Aileen perdera seu Thomas. Agora minha irmã ficaria sozinha, isolada no topo do mundo. Não me parecia um retrato adequado, embora belo. Não era justo.

- Irmã, prometa-me algo. Se qualquer chance de felicidade insinuar-se timidamente pelas paredes do Ninho, você irá agarrá-la. Um Lord Vassalo, um guarda, um servo, não importa. Você é Aileen Arryn, irmã do Guardião do Leste. E merece sorrir, merece um marido leal. Tera minha benção, como meus olhos e ouvidos em nossos domínios. Certamente pode decidir sozinha com quem deseja se deitar. - Beijei seus cabelos, sorrindo. Era a hora de dizer toda a verdade. - Eu sempre soube sobre Thomas, sabe? Nunca desaprovei o amor de vocês. Algo sempre me disse que o acidente que o matou não foi acidente algum, mas não me atrevi a quebrar seu segredo. Não até hoje. Não decidimos a quem vamos amar, irmãzinha. Saiba que eu jamais a julgaria por seguir seu coração. Só peço que, caso escolha um homem de nascimento comum, tenha um casamento matrilineal. Façamos mais Arryns, e não Stones. - Brinquei, tomando suas mãos nas minhas. - Sete bençãos para você, irmã. Ou, sendo franco, que a Deusa do Amor encha seus sonhos com noites de verão e lhe traga suspiros de prazer. - Citei uma das canções de Aerion, meu bardo e amante. Aileen gostava de sua voz aveludada. - Se quiser posso deixar Aerion para trás. Ele ficará feliz em servir outro Arryn. - Provoquei, sabendo que minha irmã não se intimidaria com o teor da troça.

Embora estivesse indo embora, poucos momentos me fariam tão próximo de minha alma gêmea verdadeira, quanto aquele.

Encerrado para Artys.


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