Salão de Guerra

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Salão de Guerra

Mensagem por O Corvo em Sex Maio 12, 2017 12:04 am



Salão de Guerra

É o salão onde a Lady Tallhart passa boa parte de seu tempo, seja despachando com seus subordinados ou traçando alguma estratégia de defesa ou proteção do castelo. Possui uma grade mesa de madeira escura, na parede do lado esquerdo um grande mapa de todo o Norte. Janelas amplas garantem uma boa iluminação do local durante o dia e ao anoitecer, candelabros e pequenas piras estão espalhados estrategicamente para garantir uma boa iluminação.

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Re: Salão de Guerra

Mensagem por Darlessa Tallhart em Sab Jun 10, 2017 6:57 pm

Darlessa Tallhart
Com: Lyessa; Palavras:1834 ; Tag: Treino .

A noite já havia caído no Norte fazia tempo, não era uma noite tão gelada, já havia enfrentado noites muito mais frias, muito mais escuras. Era apenas uma noite como outra qualquer, pelo menos deveria ser, havia paz no Norte, com muito esforço, a Lady daquelas terras havia alcançando sua pequena utopia de governo. Todavia, algo incomodava, dentro de si, sentia seu coração bater de forma lenta e ao mesmo tempo apertada, uma angustia presente em seu peito desde o dia que aquele estranho havia aparecido no portão de seu castelo. A bela morena estava sentada solitária em seu salão de guerra, os cabelos soltos sobre os ombros escondiam parte do colo pálido. Não trajava uma armadura como o habitual, mas um vestido branco, simples e sem adornos, vestes parcas para uma lady de sua posição, mas não se importava com tais detalhes. O trepidar das chamas faziam sua silhueta distorcer na parede, as janelas estavam fechadas, impedindo que o vento frio do Norte tomasse conta do lugar.

Sentia-se solitária, de uma forma como há muitos anos não sentia, mesmo estando em casa, cercada de pessoas com quem viveu boa parte de sua vida. Lembrava-se muito bem de tal sentimento, não era perturbada por ele há mais de uma década. Porém, tudo estava diferente, sua vida já não era mais a mesma, ser Lady era uma coisa que ela jamais esperava em sua vida e as vezes parecia ser um fardo mais pesado do que ela poderia carregar. Darlessa respirou pesadamente, suas mãos brancas apertaram os braços da cadeira, queria montar em seu cavalo e cavalgar sem rumo noite a dentro, queria fugir, queria sentir o vento gélido cortar seu rosto. Queria que tudo parasse, queria que o mundo ao seu redor deixasse de existir. Aos poucos, seu peito sufocava em meio aos seus desejos e medos, a cada dia que permanecia em seu lar, sucumbia novamente a sentimentos esquecidos, lembranças que ela jurou a si mesma esquecer. Sentia que estava perdendo uma batalha para si mesma e talvez aquela fosse a única batalha que nunca conseguiria vencer.

Levantou-se de forma repentina, o ranger da cadeira contra o chão ecoou por todo o lugar quebrando o silencio que predominava por muito tempo. A morena revirou os olhos e os cabelos caíram pelas laterais de seus ombros de forma displicente, a saia do longo vestido branco arrastava pelo chão enquanto caminhava até um outro ponto da grande sala, buscando a ânfora de vinho. Precisava sentir o gosto forte do álcool em seus lábios, não tinha por hábito beber, mas em algumas ocasiões se fazia mais do que necessário para que pudesse findar mais uma noite. Suas mãos seguravam o copo com firmeza, rapidamente o encheu, mas não sorveu de imediato, ficou olhando o conteúdo por algum tempo, como se vislumbrasse algo no líquido turvo. Seu olhar percorreu a sala, observando cada parede impregnada de lembranças, antes era seu pai quem passava as noites ali pensando, depois fora a vez de Jorah, que teve sua vida interrompida de forma tão abrupta.

Estar em Praça de Torrhen era ao mesmo tempo bom, mas também terrivelmente aterrador, um paradoxo que ela não sabia como lidar. Seus olhos buscaram fugir, mas a cada tom de cinza das paredes, cada móvel daquele lugar, encontrava uma parte de seu passado. Foi então que seu olhar recaiu sobre a pequena joia de prata sobre a mesa, estava esquecida ali há dias propositalmente. O metal gelado do copo foi de encontro aos lábios, em seguida sentiu o sabor adocicado, mas forte da bebida. Uma luta dentro de si iniciou-se, tão rápido que não pode formular uma boa defesa e quando deu por si, já tinha a joia entre seus dedos esguios. Seu polegar percorreu os intrínsecos detalhes do belo anel de prata, estava sujo e desgastado, mas era fácil reconhecer o brasão de sua casa ali. Não forjava armas, mas tinha conhecimento o suficiente para saber que aquele anel em suas mãos não se tratava de uma cópia, a prata estava envelhecida e havia claros sinais de desgastes pelo tempo.

O copo foi colocado sobre a mesa, sua mão se arrastou pela superfície escura de madeira e logo encontrou a pequena gaveta. Segurou o puxador de metal revelando papeis e mais papeis, mas bastou que revirasse um pouco mais para que encontrasse o que tanto procurava. Um outro anel foi retirado do lugar, exatamente igual ao que tinha na mão, os mesmos detalhes, o mesmo brasão gravado. O que estava na gaveta, havia pertencido ao seu pai e depois a seu irmão, o outro, havia pertencido ao seu tio Thomas e por um tempo, havia pertencido a Brandon. O anel havia se perdido quando o mesmo fora assassinado, assim como a outra espada, irmã da espada que Darlessa carregava sempre consigo. “— Lessa! Lessa! —” A voz era vivida em sua mente, por impulso a morena olhou ao seu redor. Anos já haviam se passado e mesmo assim, conseguia ouvir o timbre de sua voz com nitidez.

Seu peito arfou e seus olhos se fecharam à medida que sua cabeça pendeu para trás, era sufocante, a sensação de que poderia chorar irritava a lady, havia jurado a si mesma que não derramaria mais lágrimas e não voltaria atrás em sua palavra: — Papai contava que seu sorriso era lindo. Também contava como a filha mais velha era uma guerreira admirável. Eu conheci a temida guerreira. Mas não me lembro de como era seu sorriso. — A voz serena tomou o salão, chamando a atenção da mais velha: — Deveria estar dormindo Lyessa. — Respondeu de forma direta e sem dar espaço para um possível diálogo. Lyessa era uma jovem bela, talvez mais do que a irmã mais velha, dona de um sorriso cativante, todos em Praça simpatizavam com a jovem Lady. Hesitante, ela adentrou ao salão, observando a irmã mais velha, não era difícil ler em seu semblante e Darlessa podia ver a dúvida que lá havia: — Vamos. Diga-me. O que quer perguntar? — Indagou enquanto arqueava a sobrancelha direita.

Por um instante, observou sua irmã, as diferenças entre elas eram gritantes. Lyessa sim parecia uma jovem donzela, bonita, inteligente. Seria sem dúvidas uma boa esposa, o homem que a desposasse teria com certeza muita sorte. Darlessa, porém, nunca teve tal dom, sempre gostou de cavalgar sem rumo, não tinha talento para bordar ou costurar, muito menos a delicadeza de uma jovem Lady. A espada sempre foi sua melhor amiga, várias foram as vezes em que ela derrotou seu irmão em pequenos duelos, até mesmo alguns cavaleiros, os anos apenas aperfeiçoaram a mulher na arte do combate e sua fúria constante servia de combustível. Seus pensamentos foram interrompidos pela voz delicada de sua irmã: — Quando você vai voltar a viver Lessa? Quando esse luto vai cessar? — Perguntou aflita encarando os olhos da mais velha. Por um instante não sabia o que responder, Darlessa se viu atônita diante das palavras da jovem Tallhart: — Não diga bobagens Lyessa! Eu tenho meu jeito e pronto apenas isso. — Respondeu Darlessa virando-se para a parede em que o grande mapa do Norte estava pintado.

Por um momento Lyessa Tallhart se virou no intuito de deixar a sala, mas a ideia logo a abandonou: — Fiquei sabendo que há um homem ferido nas masmorras. Um mercenário. Você matou todos que cruzaram nossas terras. Por que não esse? — Indagou determinada. O silêncio foi a única resposta que obteve, não satisfazendo a sua curiosidade e Darlessa sabia que as perguntas não cessariam: — Você precisa reconstruir sua vida. Não quero vê-la assim para sempre, não quero vê-la sozinha para sempre. A Casa Tallhart precisa de um herdeiro seu Lessa. Mais do que isso. A Casa Tallhart precisa da Darlessa que vivia de forma intensa. Brandon não ia gostar de te ver assim. — Disse afoita tentando argumentar com a irmã, pedindo aos Deuses que suas palavras chegassem até o coração de sua irmã. De certa forma, a mais velha sabia que vivia seus dias de uma forma muito errada, mas era a forma como ela sabia viver, a forma de lidar com as perdas e também sabia que jamais amaria outro homem, não se sujeitaria a um casamento por conveniência.

— Seu filho herdará meu lugar. Vou lhe conseguir um bom casamento e seu filho herdara meu lugar. — Começou a falar com a voz baixa: — Eu não vou me casar por conveniência, não sou capaz disso Lyessa! E mesmo assim, eu ainda amaria Brandon. Eu não tenho uma vida mais. A minha foi enterrada com ele. Entenda! — Respondeu de forma seca, sem encarar os olhos da irmã. Lyessa então caminhou até se aproximar de Darlessa, segurando em seu braço e a puxando: — Então eu posso casar-me por conveniência? Nossa irmã, ela também pode! — Perguntou brava com a mais velha: — Não se trata disse Darlessa! Se trata de ter minha irmã de volta. Você está aqui! Viva! Brandon está morto! Já se passaram anos e ele continua morto! Pare de viver no passado, se permita olhar para o futuro. — Antes que conseguisse continuar a frase a mais velha se soltou em um rompante que fez a jovem Tallhart dar passos para trás, tamanha era sua força.

As palavras de sua irmã a deixava confusa, sabia que de certo modo ela estava certa, mas a dor em seu peito ainda era a mesma de dezoito anos atrás. Sua mão bateu com violência contra a mesa: — Juro! Que se me dizer que está apaixonada por um homem. Verdadeiramente apaixonada, eu deixarei que você se case com ele. Não me importa quem ele seja, eu deixarei você ir. — Disse a mulher ofegante. Sua mão se abriu revelando o par de anéis: — Todavia, não me diga o que eu devo ou não fazer. Não me diga que devo enterrar meu luto. Eu o amei como você jamais será capaz de mensurar. Então Lyessa, eu não terei outro homem. Eu sou a Lady desse castelo e essa é a minha vontade. Não cabe a você ou qualquer outro questiona-la. Estamos entendidas? — Seu timbre de voz havia se tornando um pouco mais ríspido com a irmã: — Os herdeiros são obrigações de vocês. A minha é manter tudo bem até que o futuro herdeiro possa assumir. Nossa conversa finda aqui. — Concluiu se virando para a mais nova que parecia estar assustada.

Era primeira vez que usava aquele tom de voz com a irmã e no fundo se arrependeu por isso, mas havia perdido o controle, mais uma vez. Lyessa como sempre, não daria o braço a torcer que estava magoada: — Como desejar. Lady Tallhart. — Disse dando as costas para a irmã e deixando o salão de guerra. Mais uma vez, Darlessa estava sozinha com seus fantasmas e lembranças, porém havia algo novo. Por mais que detestasse, sabia que irmã tinha plena razão. Um suspiro longo escapou de seus lábios e sua mão livre escorregou pelos cabelos negros os jogando para trás. Naquela noite, na única batalha em que ela não sabia lutar, havia saído mais uma vez derrotada.

Encerrado para Darlessa Tallhart


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House Tallhart

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