Pátio de Treino.

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Pátio de Treino.

Mensagem por Deus de Muitas Faces em Sex Maio 19, 2017 4:47 pm



Pátio de Treinos

Um patio amplo, a esquerda do portão de entrada. Possui espaço suficiente para várias pessoas treinarem simultaneamente, com alguns bonecos de treino e alvos para praticar com determinadas armas. O chão é de pedra lisa, mas não escorregadia, que permitia treinar sem terem que se preocupar com lamas em uma chuva eventual. Ao norte do patio, fica o armeiro do castelo, responsável por fornecer tanto as armas de treino quanto as armas reais.

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Re: Pátio de Treino.

Mensagem por Leona Royce em Sex Maio 19, 2017 6:59 pm



Nós Lembramos.
15 anos, Casa Royce, Amazona.
O dia estava tão agradável quanto possível no Vale e, para mim, isso significava mais um dia de treino normal, como outro qualquer. Eu não era uma daquelas donzelas frágeis, que educadamente sentava em frente a uma lareira e deixava os homens fazerem todo o serviço, não. Meu pai logo entendera que eu havia herdado o espirito guerreiro da casa e havia me dado permissão para treinar nos pátios de Pedrarruna, ainda mais porque eu ia treinar com ou sem a permissão dele. É claro que minha mãe achava isso totalmente inapropriado para uma dama e minha irmã gêmea preferia atividades menos masculinas, porém isso não me impedia de fazer o que eu gostava. Eu até tento aprender a bordar e costurar, além de cantar, para que a senhora minha mãe não pense que faço o que faço por afronta, mas é visível que não há o mesmo amor nisso do que tenho pelos dias em que treinava e minha mãe aprendera a respeitar isso.

Após tomar o café da manhã com meus pais e irmãos - onde fui informada que viajaríamos até o Ninho da Águia -, voltei para o quarto e troquei de roupa, colocando uma calça de couro, uma blusa de tecido leve na cor verde e um corselete de couro por cima. Prendi os cabelos escuros em um coque não muito bem feito, mas que serviria para que os fios não me atrapalhassem. Nos pés delicados, calcei botas de couro macio e desci para o pátio de treinos. Eu queria melhorar minhas habilidades com a espada curta, que era uma das minhas piores armas, antes de sair para dar um passeio nas matas, onde levaria um arco para praticar minha mira e capacidade de caça, coisas que eu já me sentia segura o suficiente para fazer mesmo sem supervisão. Provavelmente, aquilo era um bônus das noites que saia escondida de meu quarto e me esgueirava pela noite, para caçar um pouco e aprender como me virar.

Alguns dos soldados de meu pai treinavam já no pátio e os que me notaram cumprimentaram-me, conseguindo algumas palavras minhas enquanto me dirigi até o local em que as armas eram treinadas. Eu peguei uma espada curta cujo peso não me era desagradável. A espada tinha mais ou menos setenta centímetros e seu peso não era superior aos dois quilos, se chegasse até isso. Avaliei a arma com calma e cuidado, vendo que a ponta poderia ser usada normalmente para a perfuração, porém isso não impedia a arma de ser utilizada para o corte. Era menos letal que a Espada Longa, mas sabia como compensar isso com técnica - ou era o que o mestre de armas sempre dissera: a técnica compensa a força. Com a arma em mãos, fui até um dos fantoches de treinamento. Diante daquele fantoche, tentei recordar-me de como usar a arma. Odallus havia me instruído anteriormente, mas eu temia não me recordar bem do que ele havia dito pelo tempo que passara, mas as lembranças vieram fácil. Tão fácil que eu achei que estivesse lembrando errado das coisas, me enganando.

O corpo devia ficar de lado, de modo a oferecer um alvo menor. As pernas separadas e firmadas de modo a dividir o peso do corpo bem e criar um apoio solido. Eu segurava a arma com a mão destra, que era minha melhor mão, e deixei o braço levemente flexionado, de modo a poder realizar fácil movimentos de defesa e ataque. "Sinta a arma", ele havia dito, "e deixe que ela seja parte do seu corpo, ao invés de um objeto". Na prática, era mais difícil do que eu havia imaginado e não achava que fosse conseguir facilmente obter aquele resultado, mas podia obter aquela familiaridade com o tempo e o treino dedicado. Após esses ajustes, comecei a sequencia numero três que ele havia me ensinado. Ataque, ataque, passo para trás, parada cruzada, bloqueio com o escudo e golpe lateral. Não havia muito mistério na sequencia e já havia treinado ela antes, mas ainda sim sentia que precisava melhorar. Sentia que segurava ainda arma incerta, as vezes com força demais, e podia perceber o perigo que aquilo podia significar. Eu precisava ter certeza no que eu fazia, precisava estar segura quando o momento chegasse. E a compreensão da arma e dos movimentos vinha de modo gradativo para mim, de modo que eu notava ficando mais e mais fácil no decorrer dos treinos.

Hoje, como uma luz que se iluminava em minha mente, notei que a força deveria ser aplicada sim no golpe, mas seria mais eficaz combina-la com a velocidade. Um golpe firme e rápido era mais eficiente do que um apenas forte ou apenas rápido. Em minha mente, visualizei um cavaleiro de armadura pesada e tentei imaginar as partes que as peças da armadura se ligavam, de modo a golpear o fantoche a minha frente nos lugares em que elas se uniam. Enquanto batia, bloqueava com o escudo imaginário e dava um passo para trás antes de avançar novamente já com o próximo ataque sendo feito, tentei manter um ritmo que exigisse bastante atenção e equilíbrio de mim, mas também fosse rápido e intenso para que meu oponente não tivesse brechas para descansar. Se era cansativo? Sim, era, mas ao mesmo tempo que exigia de mim iria exigir de um adversário. Eu não achava que o ataque era a melhor defesa, mas oponentes pressionados tendem a cometer deslizes e, ai, eu poderia vence-lo. Uma armadura pesada iria conferir grande proteção a ele, tudo bem, mas também lhe deixava lento e dava uma vantagem para mim, que trajava couro e portava um escudo médio. Minha arma tinha um menor alcance, mas também era mais leve e de manuseio mais fácil. O oponente? Fisicamente mais forte, porém eu poderia ser mais ágil que ele. Eu deveria ganhar de meu oponente usando o que eu tinha de vantagem, mesmo quando tudo poderia parecer estar a favor dele. E sabia como fazer isso...

Meu espirito guerreiro, agora sendo inflamado, guiava os passos e movimentos. Quando sentia que apenas o escudo não aguentaria o impacto da arma, dançava para fora do alcance da mesma enquanto usava-o para bloqueá-la o melhor possível. Enquanto trocávamos golpes imaginários, eu movia-me de modo aleatório ao redor dele de modo a nunca ficar parada e ser facilmente atacada, mas não me mover demais e fazer o trabalho por ele. Em algum ponto, troquei a sequencia da três para a cinco, que consistia em ataque, golpe lateral, cortada a esquerda, acima do ombro e cortada lateral. Os movimentos eram feitos rápidos e combinados com esquivas e defesas e acabou por ser misturado com a sequência três por mim, de modo as duas fundirem-se e se combinarem de modo a não ser previsível. Golpes de outras sequencias apareceram, como a estocada, e de se abaixar, erguendo-se de novo com um movimento rápido e súbito e corta-lo da direita para a esquerda de cima para baixo. Todo o meu corpo era usado naquela luta com um alvo que, no fim das contas, era só um fantoche de treino mas eu tratava como um oponente real, para dar-me a impressão que eu poderia morrer se não tomasse cuidado. Senti o suor nos braços, pernas e mãos, atrapalhando o treinamento especialmente quando começou a escorrer pelo rosto também. Cansada e achando que por enquanto havia sido o suficiente - mesmo que eu não soubesse quanto tempo havia ficado ali -, dei uma última estocada no fantoche que agora havia voltado a ser um fantoche e me afastei, colocando a arma em seu lugar e indo me lavar em meu quarto.

Não fique forte para matar alguém que odeia, mas para proteger alguém que ama.


_________________
 
Leona Royce

“O amor é frágil. E nem sempre sabemos cuidar dele.” thanks WEIRD for LG.

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